Poemas, frases e mensagens de Tânia Souza

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Tânia Souza

Ah, sá moça, sei falar de amor não

 
Ah, sá moça, sei falar de amor não

Por Tânia Souza

Ah sá moça, não sei disso de amores não
Nas meninices até sonhei
Essas suspiranças vem da saudade de um certo moço
Moço bonito de um olho mais azul que nem sei igualar

Naquelas épocas o sol ainda aromava dourados em mim
Foi quando comecei a sonhar azulêncios
Foi quando vi os olhos tristes de Antônio,
Peão guapo que só, na laçada não tinha igual

Mas dia que as mãos e calos do Tonho
Brincaram nas minhas tranças
Voz macia falou baixinho
Teus cabelos são trigo e ouro Maria
E o solzinho da tarde indo embora
Riso dele calou dentro de meu coração pra sempre sá moça

Mas feito ferroada de mosquito brabo
Que me sarou o relho do pai, marca tenho na carne até hoje
E o sangue do Tonho faca levou, pai limpou na chaira
Nossa terra bebeu não

Foi a febre sá moça
Dia e noite de choro e um escuro aqui dentro

Depois? sei não
Ah, depois foi o depois
Tempo que vai e que vem
Moça não desobedece a pai não, sabe
Tempo trouxe quase esquecimento
Quase....

Escuro aqui vez em quando volta
Saudade vem sempre
Quando dia vem caindo assim devagaroso
Sol meio aquarelando o rio
Ah saudade doída doída
Do que nem sei nem vivi
Daí é a febre sá moça
É a febre

E o riso do Tonho ri aqui dentro
Tal qual naquele dia
No campo de trigo
Bem pertinho do pôr-do-sol
Isso a faca do pai não levou

Levou não...
 
Ah, sá moça, sei falar de amor não

de(s)palavras de um dia qualquer

 
de(s)palavras de um dia qualquer

Por Tânia Souza

ah, esses dias quebradiços
me arrastam em cacos pelos corredores
de um tédio tão antigo
quanto a alma que perdi

tatuada em mim a impressão
de todas as palavras ditas
tão vazias de sentido
e vãs tantas
talvez melhor caladas,
embargadas e não-verbalizadas

e que a moça no espelho olvidasse de vez
todo delírio de poementar quimeras
 
de(s)palavras de um dia qualquer

ardentia

 
ardentia

em tardes cálidas
extremeço a poementar
poembeijos a te ofertar
 
ardentia

agridoce

 
agridoce
 
agridoce

e daí que submissa?
gostava quando me faltava o ar
e
quase embargada
de teu sabor
só eu sabia

que meus cílios eram-te
e também o era alma minha
 
agridoce

Camalotes

 
Camalotes
 
Camalotes

Por Tânia Souza

O nome das ciências assusta:
Eicchornia crassipes, ciperáceas

Mas de amanhecer em amanhecer
Índios um dia desseram:camalotes
ou "aquilo que é levado pelos rios"

Com nome florido que só
plantas flutuantes deslizam pelas bacias e águas tantas ...
Bichinho esperto por vez vai de carona

E olho de gente ainda se espanta
Que bonito verdume cobrindo o rio

Vez por outra, flores e asas, borboletras...
No pantanal dos camalotes, horizonte d’alma poementa-se
 
Camalotes

Haikai VIII

 
Haikai VIII

Conversa de gatos
Interrompe o silêncio
No frio da noite
 
Haikai VIII

poemento-me

 
Poemento-me
Por Tânia Souza

eu que sou
uma entre tantas
e de palavras sou
e de palavras vou

porque as Outras,
(sou tantas e ninguém)
sabem do medo
e de pudores
e faces rubras
e contêm-se

elas são-me
eu as sou

mas há em mim
essa febre
que se quer verbo
até que me encontre
no vento e vertigem
de ser

eu, frente ao espelho
face tímida-lasciva
de mulher-menina

apetece-me
vestir-me deles
vestir-me delas

em seus sentidos
eu sou o objeto
eu sou a posse

a febre que é dele
a febre que é dela

em palavras desvendando-me
na nudez de todos nós

há também ele
mas garganta embargada
calei meus desejos
fiz-me quimera
 
poemento-me

Haikai VII

 
Haikai VII

Noite de silêncio
Uma moça na janela
Contempla a neblina
 
Haikai VII