Poemas, frases e mensagens de Kretus

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Kretus

Sandro Kretus nasceu em Porto Alegre em 1974, seu interesse pela literatura começou desde muito cedo, com 10 anos de idade já participava em concursos de poesias e contos.
Em 2006, o autor escreveu seu primeiro romance, o primeiro volume da saga “Amazo

Portas escritas

 
Minhas calças curtas

De travessuras, de caçadas

E aventuras, Monteiro Lobato

Minha filosofia Suassuna

E meus olhos cegos, Saramago

Nas minhas borboletas mortas, Baudelaire

Na minha angustia, Florbela Espanca

Uma rosa sem perfume

E em sua dor, Augusto dos anjos

Beija sem ciumes

Um beijo tépido no silêncio

Mortes, chagas, visões, infernos de Dante

Minhas mãos Machadianas escrevem versos de Quintana

Em uma ensolarada tarde, e as horas passam, voam

Ninguém vê Virginia Woolf

E Drummond com cara de bom, olhando o céu ao lado de Bandeira

De bobeira, soltando pipas no ar, sentados na areia

Na Villa dos lobos, um Tom toca Vinícius

Eça de Queiroz iça seus anzóis com palavras de ternura

Usando toques de Neruda

Eu ando pela Baker street mas não encontro Conan Doyle

Nem Jô Soares, e na corrida do ouro, Allan Poe corre

Apressado com os corvos enquanto Mary Shelley tranca seu monstro no armário

No corredor, Crowley vê Levi, e Bram Stoker carrega um bebê vampiro nos braços

Fernando pessoa visita o salão filosófico de Platão

Enquanto meus olhos de Byron naufragam num mar revolto...............


Sandro Kretus


http://clubedeautores.com.br/books/by_tag/kretus
 
Portas escritas

Tempestade

 
O tempo me castiga em seu deserto paradoxal
Me fazendo olhar teus olhos tristonhos
Refletidos nos relâmpagos de uma tempestade infernal
De longe vejo a chuva levar os teus sonhos

Procuro ficar em silêncio, parecer normal
É difícil aceitar a derrota desde castigo sem igual
Mas o grito que habita meu peito liberta meus temores
Me faz ouvir teus apelos e sentir tuas dores

Que te domina por inteira cruelmente
Como uma faca, uma lança, um punhal estridente
Que te atravessa a alma dolorosamente

Preciso livrar-me dessas amarras urgentemente
Para puder salvá-la de toda essa angustia, de todo esse mal
E saber que foram minhas mãos que lançaram este punhal.

Sandro Kretus
 
Tempestade

Quintânes

 
O teu coração não me engana
Se eu fosse o Mário Quintana
você por mim passaria
ou passará, ou passarinha, sei lá
Um dia vou te encontrar
e no teu ninho escondido
na árvore de amor sortido
vou fazer você voar

http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/109864
 
Quintânes

Prisma

 
No meu expressionismo talvez encontre um meio de chegar até você, seria capaz de tudo para te surpreender, faria como Cezanne entre seus cones e esferas, na forma impossível da realidade, te construiria o castelo de medan em sua mais pura veracidade, e na minha solidão de Van Gogh, tomaria meu café a noite, apaixonado pelas intensas cores do teu coração de pura arte, e se mesmo assim não conseguir chamar sua atenção, gritarei o grito contorcido de Munch, contido dentro da minha emoção, não minha querida eu não sou tão bom assim, também tenho meus demônios surrealistas assim como Klee.
E você, será que posso permitir-me a dizer o que representas para mim? Você é a mulher sagrada na ultima ceia de Da vinci, você e o nascimento de Vênus é a adoração dos magos de Botticelle, você é uma paisagem perfeita de Calixto, você é como Rodin, em sua idade do bronze, na doçura e brancura do mármore, e será que foi envão o sacrifício dos cidadões de calais? Não linda artista, não quero te impressionar, mas assim como Monet, sou capaz de romper a luz para fazer um prisma em seu lírios d água, talvez eu não seja tão moderno como Camille Claudel, que em seu amor da perdição, sofreu sua dor do abandono, talvez eu não tenha os olhos tristes de Frida Kahlo, que não pintava sonhos e sim realidade, que mesmo assim partiu sorrindo, para nunca mais voltar. Tenho certeza que Athena habita tua alma, a única diferença entre você e esta Deusa, e que toda Deusa tem o seu Crepúsculo, e você tem lu de luz, e arte, com A maiúsculo.
 
Prisma

Sol negro

 
Fitei meus olhos no horizonte
Onde um sol negro despertava
Em minha memória veio a lembrança
Dos tempos de outrora
Onde a luz existia
Repleta de glória

Lembrei-me das aves que cruzavam os céus
Passeando na plenitude, pairando como algodões
Na leveza das nuvens

Lembrei-me do mar que banhava as praias com seu manto
Beijando com espumas de prata
Águas salgadas de pranto

E as arvores? Ah! Que saudade das arvores
Que verdejavam as florestas e os campos
E agora o que resta? Além de brasas e cinzas dispersas

Lembrei-me das pessoas
Os humanos antes tinham pele e cabelo
E também não eram tão tristes quanto hoje

A melancolia me atinge
E do meu rosto uma lágrima se lança ao desespero
Meus olhos sem cílios choram em silêncio.

Ao ver de longe, o astro onipotente
Que antes era rei
E agora é apenas, uma estrela carente
 
Sol negro

O tolo

 
Sou um apaixonado, “tolo”, que percebe o amor somente vindo de tua jactância, como um aroma adocicado que se impregna na leveza de uma alma pura, lanço as lanças contidas em meu peito e me desarmo por inteiro diante de tal beleza assim tão fascinante, a “beleza”, que encanta os sentidos de um ser imperfeito, porém tão apaixonado quanto um beijo, no qual o veneno faz libertar.
Como a fúria incontrolável de um amor nervoso, que se vai à imensidão profunda de um coração apunhalado por um punhal cruel, que sangra gotículas de desejo, sou tolo sim minha amada, pois somente em ti me sinto vivo, somente em ti, me sinto completamente completo, porque me torturas em teu desprezo? Seria este o meu preço? A recompensa de amar sem ser amado, como um cavalo alado que voa incansavelmente, seguindo a linha do horizonte, até congelar suas asas no gelar da angustia. Ah!! De quem seria a culpa? A tal culpa que os apaixonados inventam em seus devaneios, a culpa da loucura por um amor imperfeito, pois somente completo o amor se torna verdadeiro, somente ligado á dois elos o amor se fortalece, não há coração que suporte andar sozinho na escuridão de um caminho sem luz, é ser cego, pois a paixão também cega os olhos dos apaixonados, é ser mudo, pois o silêncio silencia a voz dos coitados, que amam sem serem amados, ah!! O amor em sua mais impetuosa forma, o amor que faz sangrar lágrimas de dor, como um oceano que inunda uma praia deserta e sem vida, onde o único sopro se eleva com as areias perdidas e esquecidas pelo tempo........
Sou mesmo um tolo! E serei eternamente tolo e apaixonado, o tempo não é capaz de acalentar um coração atormentado pela paixão, não!! Um olhar fulminante que feri com seu desprezo não pode acalentar nenhuma dor, amar é sofrer! Ah!! O amor sentido nas lacunas mais profundas da alma, a luz que dá vida ao sentimento, eis teu olhar, que finge não me ver, talvez aja algo a ser encontrado para que possa ser notado por um único momento, entrar em tua visão como um fantasma elétrico, como um raio gama que libera o absinto de sua essência, e assim ficar guardado em teu pensamento, tocar teu coração com o toque de minhas mãos mornas de desejo, senti-lo fremir por inteiro junto ao meu peito, nesse momento, não seria eu mais um tolo, seria sim o “homem” que habita teus mais secretos sonhos, os sonhos mais profundos que anseiam ser encontrados, como uma rosa que desabrocha no meio de uma tempestade, e com tal eletricidade, despedaça-se em sua mais pura fragilidade.Envolver-te nesta fantasia talvez seja covardia, covardia minha por ser assim tão astuto, meticulosamente argiloso e maquiavélico, e qual artimanha seria mais valiosa que uma fantasia? Fantasiar teus olhos virgens seria o mesmo que desvendar os segredos mais ocultos do amor, apresentar-lhe as cores de uma paixão arrebatadora e faze-la morrer mesmo estando viva, onde o prazer misturado á fantasia, fizesse-a estremecer inteiramente, como uma pequena colina que se desloca com um terremoto furioso, talvez á queimasse no fogo ardente de meus beijos, ah!! A fantasia, serias para ti como o libertar de uma alma aprisionada por uma vida sem amor, enclausurada pelo sofrer de paixões incompletas e deformadas, tenho a fantasia que queres minha amada, através de minha máscara vejo teus olhos, mesmo fingindo não me notar, anseiam por minha presença, se tenho má fama, não faça disto minha sentença, pelo menos uma valsa antes te tirar tais conclusões? Deixe-me segura-la ao meu corpo para que possas sentir o pulsar do meu coração, deixe-me segurar suas mãos, mesmo revestidas pelas luvas de cetim, quero sentir o umedecer de seus dedos, assim poderás concluir quem sou........

Sandro Kretus
 
O tolo

Santa missão

 
Quantas torturas a filha do carrasco realizou?
E quantos corpos arderam na fogueira?
Quando a língua era cortada e sangrava
E olhos eram dominados pela cegueira

Quantas mulheres foram estupradas
Pelos guardiões da santa cruz?
Nem se juntassem todos os papas
Nem se mil desculpas fossem dadas

Apagariam as manchas de sangue desta cruz
Quantos filhos bastardos
Quanto sangue derramado

Quem seriam os culpados por esta ímpia propagação?
Aqueles que rogam de joelhos pedindo perdão
Os virtuosos da santa inquisição?

Sandro Kretus

http://clubedeautores.com.br/book/6060--Sonetos_expurgos
 
Santa missão

A beleza

 
Quem haverá de enxergar a beleza que se esconde por traz daqueles olhos amendoados, cujo olhar é capaz de iluminar mais que um sol iluminado em seu amanhecer, quem haverá de segurar suas mãos pálidas e suaves no tremor da mais furiosa tempestade, quem haverá de sentir o toque macio daqueles lábios e morrer no ardor do prazer? A beleza senhores, a beleza que somente as mulheres, entre todos os seres, é capaz de ter. A beleza que nos hipnotiza, que nos fisga como um peixe, que nos mata lentamente em nossas frustradas expectativas, pois a beleza também pode ser cruel quando muito desejada, nos castigando perpetuamente em sua fascinação, sim, senhores, a beleza é fascinante, como uma estrela brilhante que ilumina o céu escuro numa noite mágica, como uma rosa vermelha que desabrocha com os primeiros raios de sol na primavera, e o que sentimos quando estamos diante dela? Alem do tremor de nossas pernas, alem do pulsar do coração dentro do peito, que como um pássaro, bate suas asas para se libertar, para assim ter o privilegio de tocar a linda rosa com seu beijo, diante da beleza de uma mulher, somos tolos, apenas tolos, fascinados por tal perfeição, lhes pergunto então, cavalheiros, existe maior fascinação? Pois lhes digo, não há, quando o fascínio se transforma em paixão a beleza nos sucumbi, a beleza que só nós enxergamos quando amamos, pois a beleza não tem cor, gosto, ou aroma, simplesmente desejamos quando á vemos, quando sentimos em nossa alma sua luz radiosa, lhes digo, senhores, ás vezes é melhor enxergar uma beleza que somente nos fascine, do que uma beleza a ser disputada, vejam o que uma beleza hipnotizante é capaz de fazer com nós mortais, não quero dizer que esta disputa está vencida, apesar de estar em vantagem, a disputa está aberta, e porque á disputamos? Vos sabeis? Não cavalheiros, ninguém sabe, há tantas flores lindas neste salão, entretanto estamos a disputar a mesma rosa, seriamos capazes de duelar por ela, mesmo sabemos que poderíamos morrer, morrer sem mesmo tocar seus lábios, que sentimento é este que nos consome? Que beleza é esta senhores? A beleza que nos domina como marionetes desorientadas, mas que ao mesmo tempo nos eleva ao mais elevado altar dos sentidos, a rosa mais desejada tem o perfume mais doce, e por ser a mais bela, é a mais iluminada pelo sol, ah! A beleza senhores, a beleza capaz de refletir a luz dos olhos de Deus, acima de nossos olhos há um manto coberto de estrelas, e entre tantas estrelas, estamos a disputar a mais brilhante, a mais radiosa, cuja luz nos atrai como mariposas, é o que somos senhores, apenas mariposas encantadas por esta luz brilhante, qual beleza se compara a beleza de uma mulher? Qual encanto seria maior? Não há, senhores! Não há! Nem perfume mais doce, nem rosa mais radiante, ah! Se pudesse, seria de todas as mulheres seu único amante, e qual cavalheiro aqui presente não desejaria tal recompensa? Somente Deus com sua grandeza poderia dar vida a um ser tão perfeito, de todas as belezas, a beleza das mulheres, é a mais bela, talvez Deus seja um artista, quem sabe ele seja um poeta, e no momento mais luminoso de sua inspiração, criou o ser mais belo do universo, o único ser capaz de multiplicar o amor no intimo de seu verso, o ventre com suas vertentes e seus compassos, o único ser capaz de dar luz a magia da vida, acredite senhores, não há beleza maior que esta, não há dom mais divino, como podemos, nós, meros mortais, comparar-nos com esta beleza preciosa? É esta beleza, cavalheiros, é sobre esta beleza que vos falo, a beleza que se esconde por traz dos olhos de toda mulher, pois somente elas tem o dom de gerar o amor, multiplicando-o por todo este mundo, não estamos disputando uma fruta vistosa, pois a beleza que nos hipnotiza nem se compara com a grandeza de seu espírito iluminado, acreditem, dançar com ela foi como dançar com os anjos, se pudesse voltar no tempo, dançaria com ela novamente, e nunca mais pararia de dançar, seria eu, como um astro dançando em volta do sol, tocar suas mãos, mesmo revestidas pelas luvas, foi como tocar a face de Deus, admito senhores, que estou entregue a esta beleza, se algum dos cavalheiros se achar tão merecedor quanto eu, estou aberto ao duelo, duelar por esta donzela, seria o ato mais nobre que faria, contudo, devo alertá-los, que como já perceberam, os sentimentos foram recíprocos, se eu vir a morrer em um duelo, não importa quem vencerá, mesmo morto, serei o vencedor desta disputa.

Sandro Kretus
 
A beleza

Julieta

 
Se eu estivesse neste momento em algum lugar do passado, contido nas linhas do tempo, encontraria você, e o que seria mais surpreendente e interessante, é que tu estarias iluminado o palco de um lindo teatro, decorado de poesia e arte, onde você seria a Julieta de Shakespeare, bela e iluminada, onde o amor seria imortalizado pela tua interpretação única e sublime, e eu, um poeta apaixonado, estaria lá parado, admirado com tua perfeição, te desenharia em versos e prosas meu coração, e ao fechar as cortinas, após o beijo envenenado, correia para teus braços, para sim comprovar que realmente tudo era encenado, e assim alucinado, te daria um beijo de amor.
Talvez encontre você, em algum lugar deste passado, que não sei por que razão invade meu pensamento, ao ver teu rosto suavemente rosado, e ler teu nome perfeitamente alinhado, senti um acréscimo de mim mesmo, como se abrisse uma janela, que a muito não se abria, quem é capaz de entender o sentimento? Quando nos habita aqui dentro, como um pássaro que esta prestes a voar, rasgando o céu da paixão, talvez um único olhar por todo este momento perpertuará, talvez um beijo em suas mãos, um suspiro em seus cabelos, adorada Julieta, quem sabe o tempo venha se entregar para este encontro, então saberemos de fato, que não seriamos apenas dois no mesmo retrato, mas sim as mãos de Deus entrelaçadas, abrindo as portas deste lindo teatro.
 
Julieta

Um dia breve

 
Venho a ti doce amada, dizer-te entre versos e compassos lúdicos, de amores lúcidos, meu breve recado.
A ausência de tua presença constante, faz com que meu álveo coração seja elevado, na mais pura razão do ser amado, no meu desejo que almeja você, na sutileza do teu sorriso, no mistério dos teus olhos, na insustentável leveza do teu ser, almejo minha amada, um dia breve, estar com você.
 
Um dia breve

Carta aos cavalheiros ( uma leve influencia do Conde de Rochester)

 
Sinto muito cavalheiros, mas não poderei ajudá-los, pois minha espada é feita de um aço muito nobre, jamais usei minha espada em um confronto com outra, e sinceramente, não pretendo usa-la, para mim, não existe melhor lugar para se guardar uma espada do que dentro uma bainha bem quente e umedecida, e disto eu entendo muitíssimo bem, por tanto cavalheiros, tirem suas mascaras, sinto muito em decepciona-los, mas eu não exerço este oficio, sei que muitos dos cavalheiros aqui presente, sem contar estes, que já estão de saída, sentirão inveja ao me verem em ação, pois sintam, a inveja nada mais é do que o reflexo de suas incapacidades, por não conseguirem extrair o verdadeiro nectar de uma mulher, sinto muito cavalheiros, mas para tal destreza é preciso muito domínio, algo que jamais terão, pois são tão esdrúxulos quanto seus membros, que após um extasie instantâneo, adormecem, deixando suas damas desoladas, encharcando os lençóis de seda, portanto posso afirmar, jamais conseguirão fazer uma dama chorar de prazer, pois farão apenas sexo, um sexo vazio e mundano, jamais conseguirão extrair este nectar precioso, sinto muito cavalheiros, mas para tal magia não existe ensinamento, e mesmo se existisse, jamais aprenderiam, pois são tão limitados quanto suas acrobacias grotescas, mesmo se usassem os mais fortes alucinógenos, a unica coisa que conseguiriam, além de anestesiados, tornarem-se super macacos, pois são exatamente o que são, primatas vestidos, não cavalheiros, não se ofendam, até que não estou sendo veemente, pois se fosse, duvido que chegariam até o final desta nota, estou sendo o mais ameno possível, estou usando palavras simples para que entendam, sei que é difícil acompanhar tal raciocínio, mas que culpa tem este humilde Conde? Se além de toscos, seus cérebros são atrofiados e inerentes ao seus testículos, vai ver que é por isso que ejaculam précosimente, por terem em suas mentes, pensamentos tão vagos e tão pequenos, capazes de caberem em uma ervilha, desculpem minha franqueza, mas minha superioridade em relação a este assunto, comparada com tal ignorância, os deixam em desvantagem, sei que muitos sentirão raiva, pois sintam, a raiva nada mais é do que esta ignorância latejando em suas mentes, mas não se preocupem, a raiva é compreensiva, pois até os cães a tem, já o ódio, este é um sentimento medíocre, então se sentirem ódio, é porque estão em uma escala muito mais baixa do eu que imaginava, se vão gostar ou não de mim, não importa, mas sei que irão lembrar, principalmente na hora em que estiverem espavoridos em cima de uma dama, tentando faze-la chegar ao orgasmo, até mesmo os ilusionistas se lembrarão de mim, e também os ditos super homens, quando acreditarem terem extraido o verdadeiro nectar de uma mulher, sinto muito cavalheiros, mas jamais conseguirão fazer o sorriso de uma mulher se abrir como uma borboleta, e falando nisso senhores, preciso ir agora, tem uma dama esperando ansiosamente por mim, louca para sentir o toque do desejo e mergulhar numa fantasia interessante, onde as rosas extremessem com um simples sopro, onde o céu ao invés de azul, tornasse rubro, impregnado de paixão e volúpia, e o silêncio produz um unico som, o som das lágrimas que choram de prazer.



Sandro Kretus
 
Carta aos cavalheiros ( uma leve influencia do Conde de Rochester)

Jesus Cristo nordestino

 
Veja minhas mãos pregadas na cruz
Veja o sangue que nelas escorre
E será todo em vão este sofrimento?
Em um berço bem pobre eu nasci
Numa terra castigada pelo sol
Terra seca que arde e castiga
Os filhos da dolorosa agonia
Que de sede e de fome
Morrem todos os dias
Cada qual com sua alegria
E de onde vem tanta força?
Das mão calejadas de esperança?
O tempo é cruel e condena
Os filhos da terra vermelha
De onde eu vim não tem chuva
O rio onde me batizei, secou
Não multipliquei pães
Para alimentar o meu povo
Mas dei-lhes perseverança
Ungiram meus pés com sândalo e jasmim
Minhas mãos também lavaram
Seus rostos, com a leveza de um serafim
Na minha terra eu era rei
Agora olhe pra mim
Pregado nesta cruz de pinho
Com uma coroa de espinhos
Chegando perto do fim
Minha dor não se compara
Com a dor de meu povo
Se pudesse, não duvide
Faria tudo de novo
Arrancaria de minha própria carne
Um pedaço de mim
Me jogaram pedras, me cuspiram
E as marcas das lâminas que me cortaram
Ainda latejam em meu corpo
Mas tal dor não se compara
Com a dor de meu povo
Que vivem na indiferença da ingratidão
No esquecimento e no abandono
Quando eu era menino
Eu lia Suassuna ao lado de minha mãe
Aparecida
Que hoje chora com meus irmãos
Nos pés de minha cruz adormecida
Não chore mais minha mãe

Vá dar de comer aos meus irmãos
Deixe-me ficar aqui no sertão
A ponta da lança faz sangrar o meu peito
Nesta terra seca não nasce nenhuma flor
Mas deixarei aqui plantado
De semente em semente
Até florescer o amor
Não chore mais, minha mãe
Enxuga tuas lágrimas com o
Vento que sopra em teu rosto
Vivi ao teu lado todos os dias
Da minha vida
E tu nunca deixou-me faltar nada
Quando nossas cabras morreram de fome
E o sertão parecia o inferno
Tirastes força não sei de onde
E sobrevivemos junto com os restos
Foi na terra de todos os santos
Que encontrei meu grande amor
“Na casa dos Budas ditosos”
Entreguei-me nos braços de Madalena
Amada morena-sereia
Que me fez caminhar sobre as águas
Talvez ela lhe escreva uma carta
Ela me espera nos lençóis do Maranhão
Carregando nosso filho no ventre
Mãe, imagino o que sentes
Ao ver teu filho em flagelos
Mas na altura em que meu espírito
Se encontra, não há dor
O sofrimento se transforma em esperança
Quando a fé é maior
Somos todos filhos do mesmo pai
Mas a tempestade que agora cobre os céus
É uma lágrima que está prestes a cair de seu rosto
Dê graças a Deus, mãe
Hoje vai chover no sertão
Hoje tocará na caatinga uma nova canção
Vá embora mãe, não sofra tanto por mim
Deixe essa terra seca dormir
Nos braços desta noite sem fim
Que agora se aproxima de nós
Vá minha mãe, e reze á padre Cicero
A promessa se cumpriu
Não levo todos os pecados comigo
É impossível levar todos os pecados do mundo
Mas levo o sofrimento de nosso povo
Que a cada dia é castigado, e sofri
Nas mãos dos novos romanos

Aqueles que tem tudo
Quase sempre não tem nada
A felicidade não se compra
A felicidade é de graça
“ Para os bons de coração”
Que mesmo não tendo nada
Dividem o pouco que tem
É por estes que morro nesta cruz
Vale a pena morrer pelos bons
Um dia irão de lembrar deste acontecido
Sei que não serei esquecido neste mundo de Deus
Mãe? Quando eu morrer
Peça para João fazer uma fogueira bem grande
Quero que meu espírito chegue
As mãos do pai junto com uma cantiga
De uma ciranda de rodas
Agora vá minha mãe
Hoje vai chover no sertão
Hoje na caatinga tocará uma nova canção
Hoje Severino, Jesus Cristo nordestino
Será elevado ao sagrado coração.

......E enquanto sua mãe chorava
Severino cantava, seu último lamento.......
“Quando oiei a terra ardendo
Com a fogueira de São João
Eu preguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação.......”
 
Jesus Cristo nordestino

As flores de tuas mãos

 
Ninguém pode ver-te
Ninguém pode sentir você como eu sinto
Ninguém pode sentir o toque de suas mão, porque agora entre nós só existe a chuva
Ninguém pode tirar-te de mim, pois meu amor é forte e profundo
Mesmo que ceguem meus olhos, poderei ver-te
Mesmo que silenciem meus ouvidos, ouvirei tua voz, porque sei que Deus mandou-me um anjo, e mesmo sem assas, voaremos juntos no céu
Veja aquelas flores que nascem, cada uma delas guarda um segredo, e nas pétalas de cada uma, está escrito o teu nome
Ouça o vento que suspira por você, em cada sopro meu coração se eleva junto com as folhas perdidas e esquecidas de amor
Agora sinta o meu amor, e veja que sou as flores que estão em suas mãos
Veja que sou o vento que suspira em teu corpo
Veja que sou o homem que espera por você, sem mesmo saber se um dia irá chegar.

Sandro Kretus

http://clubedeautores.com.br/books/by_tag/kretus
 
As flores de tuas mãos

Noite

 
Cai a noite sem fim, manto negro estrelado
sem pressa, o que despreza, lugar inócuo e gelado
A sombra por traz da morte, se faz viva na terra escura, e os olhos, o que vêem?
Além de trevas sangrentas, tempestades violentas, pesadelos pesados, e como seguir adiante?
Cegar o céu sem fim? Buscando as estrelas brilhantes? E como seguir? Se o fardo acusa a corcunda dos imperfeitos.
Vem noite, sopra o vento mais frio, escurece e gela o que já se foi, e se nada restou, escurece ainda mais, sem pressa, o que despreza, sem luz, o que não produz, sereneis lentamente, vagueis pelas encruzilhadas, vigia com teus olhos noturnos, a madrugada.
Segue noite, a escuridão, com patas de um cavalo flamejante, de um fogo azul constante.
Corre noite, com as folhas mortas no chão, galopando junto ao vento, eleva-as ao crepúsculo
Segue o brilho sem brilho, segue o instinto indomável, carrega em tua ânsia, a alma dos desolados, vai noite, segue o azul-marinho, ofusca com teus olhos negros, os diamantes cravejados, de um céu estrelado, porem incompleto, e quem sabe tu possas, completar a escuridão?
Vem noite negra, rasga o tempo sem pressa, alimenta os famintos, sugere tuas fases aos desacordados, que clamam por escuridão com os olhos encharcados, venha desejar, assim que o sol se por, após beijar o mar, venha noite, fazer o coração despertar, sem pressa de se apressar, sem olhos para ver, sem boca para falar, traga consigo o silêncio absoluto, faz da terra teu luto, faça suspender o ar noturno, involuntariamente, jogue no abismo, os corações doentes
Seja noite escura, como asas de um anjo negro, rasgando os céus como uma espada furiosa
Aço, pedra e fogo, consola a alma dos inquietos
Noite de infinito azul, transcende o âmbar dos corpos nus, rasteje entre as entranhas de toda a carne quente e trêmula, lance seus anzóis além da escuridão, faça cegar a vista sem perder a razão
Queime noite negra, a alma dos vigilantes, sonhadores constantes, impregnados de paixão
Sejas tu noite, a flecha lançada pelo arco, antes de ires embora, faz do sol, sombra, ofuscando a aurora, semeia com teus tentáculos, em terra branda, o grito de outrora
Vai noite, alucina os alucinados, destila teu veneno no sangue dos coitados, seja mortal para quem não se importa, julgue os culpados, faz esperar, quem tem pressa, apaga a luz dos iluminados
Mergulhe noite, como uma suave chuva, que corta as ruas como laminas de gelo, alimentando os anfíbios, congelando os casulos dos enfermos
Titubeia noite, vasculhando cada canto, saboreando as perversas notas, mostra a linguagem noturna para as almas mortas, ensina-os a sonhar, sem dormir
Cante noite, a canção proibida no ouvido dos surdos, faça cantar os mudos, e os cegos, faça-os dançar no teu chão, a dança das luas
Visite noite, as almas atormentadas, castigadas pela solidão, estenda a eles, tua mão, caia sobre o tempo como uma cortina aveludada, com teus cenários sombrios e tuas mascarás encantadas
Suspire noite, uma suave neblina, suspendendo no ar um aroma cítrico, embalando em teu berço os amantes, enamorados pela tua aérea negra
Rasteje noite, onde a luz se torna remanescente, deixe cair tuas estrelas cadentes, como lágrimas luminosas, beijando teu rosto carente
Veja noite, o olhar febril dos indigentes, que nas ruas perambulam, embriagados, tristes sonhos despedaçados, monólogos inacabados, dá a eles a esperança, de serem adotados
Corre noite, entre as arvores e os arbustos, refrigera a alma dos lobos, alimenta o vampiros, desperte a consciência dos loucos, seja noite, o fio na navalha dos culpados, corta-lhes a cara, mostre a verdade além do céu estrelado, seja noite preta, mas não te calas perante os malvados
Faça noite, adormecer os demônios, vista teu cavaleiro prateado, com armas de ouro e manto sagrado, faça despertar os alecrins, faça lacrimejar os telhados
Vai noite, alimenta o dragão faminto, segue escurecendo, crescendo, além do infinito.....
 
Noite

Olhos de Picasso

 
Vejo com meus olhos de Picasso
através de um quadro
o descompasso do teu perfeccionismo
Riscos e rabiscos
te desenham na tela nua
Vitrine que reflete teu descaso
Te olho e te vejo em outros braços
Fico a te espiar nesta janela
chorando com meus olhos de Picasso
 
Olhos de Picasso

Vampira

 
Torpe como um veneno dado de tua boca

Envenenando meu coração dilacerado

Há dentro deste peito uma vontade louca

De sangrar nesses lábios envenenados



Numa mordida dilacerante tão profunda

No qual dolorosamente o sangue inunda

O chão exuberante do teu quarto

Se derramo meu sangue docemente como falo



Não será só minha esta fuga

Pois o amor em mim não é tortura

E sim de fato uma aventura



Ah! Como seria? Ah! Meu Deus, como seria?

Morrer em tuas pressas de vampira

Entorpecido de amor em tua cintura

Sandro Kretus
 
Vampira

O amor

 
Talvez o amor seja o crepúsculo dos deuses que ainda não encontraram o amor, quem é capaz de entender o amor? O amor que inunda a alma de sentimentos, queimando lentamente a essência em um fogo prazeroso, fazendo o corpo trepidar de desejo, onde os sentidos e os ardores misturam-se ao gosto do beijo, fazendo o espírito voar em um céu luminoso e infinito. Ah! O amor e o seu grito, ás vezes silencioso, sufocado dentro de um peito apaixonado, que grita incessante querendo ser amado, o amor que liberta, que constrói alicerces, que nos ergue ao ponto mais alto dos sentimentos, o amor cego que não enxerga nada além do amor, o amor puro e inocente que cresce junto com o desejo, alimentado a paixão, ah! O amor, só ele alimenta a alma quando o corpo tem fome de vida, só ele dá esperanças aquele que está no chão, só ele dá luz ao espírito na escuridão, ah! O amor, o amor que nos faz acreditar que estar vivo é um dom divino, o amor que faz tudo ser tão bonito, perfeito como um sol dourado em um dia belo, que ilumina o coração dos amantes com sua luz harmoniosa, a mesma luz que está a iluminar teus olhos neste momento senhorita, é esta luz que dá vida ao amor, que o faz pulsar dentro do peito, que nos faz enlouquecer em nossos devaneios, que nos cega, que nos devora, que nos sustenta, que nos abate em uma interminável tortura, deliciosamente saborosa, o amor também faz sofrer, é verdade, talvez este seja o único sofrimento que sejamos capazes de suportar, pois só deixamos de sofrer quando encontramos um novo amor para amar, a paixão alimenta a esperança, não se importando com as armadilhas que há no caminho, uma paixão não correspondida pode se tornar um amor verdadeiro, e um amor verdadeiro pode se tornar um amor traiçoeiro, quem é capaz de entender este nobre sentimento? Que fulmina e que liberta ao mesmo tempo, não há palavra, não há sentido, não há verso nem soneto, capaz de descrever este sentimento, talvez sua única linguagem seja o beijo, o beijo ardente, o beijo terno, um beijo arrependido, um beijo de perdão, um beijo envergonhado, talvez o beijo seja a tradução do amor, como a junção da alma e o corpo, lhe pergunto então senhorita, de todos os amores, qual o mais eloquente, o mais dolorido, o mais desejado? O amor que nos vem como uma espada atravessando o coração com uma única punhalada, qual amor seria mais desejado que um amor proibido? Pois eu lhe digo, não há! Quanto mais proibido for o amor, mais desejado ele será, quanto mais barreiras houver, mais forte ele ficará, ah! O amor proibido, o segredo secreto escondido em dois corações, apaixonados impedidos de amar, o amor refletido através dos olhos impedidos de enxergar, e porque nestes o amor é tão mais bonito? Sabes responder senhorita? Pois eu lhe digo: O amor proibido é como um fogo brando que queima lentamente o coração, dissolvendo a alma em um desejo interminável, onde as mãos não podem se tocar, onde os olhos, mesmo estando na mesma vértice não podem se olhar, onde as bocas, mesmo saciadas de desejo, não podem se beijar, onde dois corpos, mesmo ligados ao mesmo sentimento são impedidos de amar, eis o amor proibido senhorita, o amor mais desejado pelos amantes, quanto mais proibido o amor, mais desejado ele será, é como queimar-se no fogo do próprio ardor, morrer lentamente com o veneno do próprio desejo, ah! O desejo que nos devora por inteiro, como um pássaro flamejante que voa tão veloz quanto á luz, rasgando o peito, fazendo o corpo palpitar o amor em todas suas artérias, queimando, ardendo, pulsando, vibrando, destilando seu vinagre, transformando o ardor em um néctar precioso, que ao evaporar-se na mente, transcende o espírito, elevando-o ao grau mais alto dos sentimentos. Desejar é perder os sentidos, perde-se nos labirintos do próprio corpo, errar os passos, subir ás nuvens, congela-se em um único momento, onde o tempo não é capaz de existir, é travar a língua quando se tem vontade gritar, é voar em céu sem fim em um azul infinito, é cegar-se diante da mais radiante luz, desejar é amar, para os amantes não existe amor sem desejo, assim como a língua ao beijo e o torpe ao veneno, assim com essa luz em seus olhos não é capaz de existir sem seu radiante espírito, por tanto, lhe digo senhorita, o desejo é amante do amor, juntos eleva-nos ao mais esplendido sentimento, um sentimento onde somente dois corpos ungidos pelo fogo ardente da paixão podem chegar, e se for proibido tal desejo, mais ele queimará neste cálice de fogo, o cálice que transforma o amor em vida e a vida em amor, como uma roda que gira incessante na essência do ser, dando continuidade a magia da existência. É sobre isto que fala esta peça senhorita, o amor avassalador, que mesmo proibido é capaz de libertar o espírito para que duas almas possam voar livres nas asas da paixão, é sobre o sacrifício que muitas almas cometem em nome do amor, o mais puro e desejado amor, e tu senhorita? Morrerias por amor? Sacrificaria sua existência nesta vida por amor? Vejo que pela lágrima que surge nesta fina e clara porcelana, como um diamante brilhante que surge no crepúsculo dos olhos de uma deusa, percebo que sim, morrerias por amor senhorita, e quem não morreria? Quem não seria capaz de sacrificar-se pelo simples privilegio de amar? Este amor que vos falo, não é qualquer amor senhorita, é o amor verdadeiro, o amor que enxerga além do desejo, o amor destinado á duas almas gêmeas, predestinadas a se encontrarem seja em qualquer lugar, vida ou tempo, o amor que todos buscam incessante, que anseiam, que esperam, ás vezes uma vida inteira, pois eu lhe digo senhorita, quando o amor encontra essas duas almas, todo o sentido da existência se faz compreender, é este o amor que buscamos senhorita, por isso essa lágrima escorre em teu rosto, como uma estrela cadente que se joga ao infinito, a lágrima que traduz os sentimentos mais profundos contidos nesse frágil e doce coração, eis o que pulsa neste peito, o desejo de amar um amor verdadeiro, o amor que possa lhe proporcionar a mais mágica e única experiência, o amor que possa libertá-la dessas tórridas correntes, que lhe prendem o espírito, impedido de voar, talvez estejamos na mesma busca senhorita, a busca por este amor, amor proibido, talvez pelos deuses que brincam conosco apenas para se divertirem, ou quem sabe proibido pelos anjos que se escondem em suas nuvens, tentando nos atingir com suas flechas apaixonadas, aí então nos enganarmos com paixões passageiras, que deixam suas cicatrizes doloridas e abertas em nosso peito, ah! Senhorita, o amor é uma busca sem fim, ás vezes passa diante dos nossos olhos e nem percebemos, as vezes esperamos um olhar, um único olhar, para que possamos ser notados pelo amor, o verdadeiro amor é uma conquista, pois eu lhe digo senhorita, um amor verdadeiro e para uma vida inteira, é eterno, além das cortinas do tempo, se um dia encontrar seu amor verdadeiro, irá encontrá-lo em toda a eternidade, duas almas amantes que se completam, não podem se separar por muito tempo, pois ambas deram vida a este amor, o amor que só pode existir na essência de dois espíritos, o amor que pulsa no coração de dois corpos, sonho com este encontro senhorita, e percebo mais uma vez, que seus olhos não mentem, pois ao mirar-los assim tão juntos aos meus, sinto, como jamais senti antes, a presença deste amor, o vejo refletido nesses olhos brilhantes, na sutileza deste sorriso que agora brota em sua face, como um sol radiante que surge depois de uma tempestade, percebo este amor gritando, clamando para ser encontrado, como um tesouro guardado, escondido, secreto, ao ver-te pela primeira vez, um arrepio tomou meu corpo, como se nele tivesse passado uma luz tão quente e iluminada quanto um sol dourado, atingindo o espírito, mesmo longínquo no horizonte dos pensamentos, onde somente os seres dadivosos, capazes de perceber tal perfeição, são capazes de estar, pois é neste lugar que eu me encontro desde então, desde que percebi sua existência, qual ser seria capaz de elevar-me a um lugar tão maravilhoso? Um lugar onde todos os sentimentos pronunciam uma única palavra, amor, ah! O amor, o sentimento mais nobre dado pelo criador, como um presente precioso de inigualável valor, como um balsamo que abraça o intimo de todos os seres, mesmo aqueles que não acreditam no amor, o amor que se firma além do firmamento, que eleva o espírito ao mais nobre sentimento, o amor que dá vida a todas as vidas, sentido a todos os sentidos, o amor que nos cega, que nos ensurdece, que nos cala, que nos envaidece, que nos alucina, deixando-nos perdidamente perdidos em nossas fantasias, o amor! Sim, o amor senhorita! Que nos fulmina a alma, nos fascina, somos tão pequenos diante do amor, talvez por isso ele não caiba em nosso peito quando nos atinge fulminantemente, quando nos dobra diante de seu altar, sou um escravo do amor senhorita! E porque não ser? Se esta dádiva divina alimenta nosso espírito, assim como uma rosa vermelha recebe a luz solar para viver, o amor me deixa vivo, percorre por todo meu corpo, viaja pelo meu infinito, o amor que me veio como uma flecha atravessando este pobre peito apaixonado, o amor capaz que romper qualquer barreira, vencer qualquer obstáculo, o amor dolorido, o amor encantado, que cega os amantes em seus devaneios alucinados, o amor luminoso que desce pela coluna vertebral, transcendendo o espírito, elevando-o a mais incrível experiência, o amor, o fruto mais desejado pelos seres apaixonados, o fogo que queima lentamente o espírito, transformando os seres mortais em semi-deuses, o amor que dança na atmosfera entorpecendo os corações solitários, o amor encarnado que nos faz perceber que a vida é algo maravilhoso, estar vivo para puder amar e ser amado, encontrar e ser encontrado, é o amor senhorita, o amor, que nos faz estar vivos, simplesmente para pudermos beber em sua fonte este néctar precioso, para que possamos sentir em nosso âmago o mais profundo dos sentimentos, o amor é imortal, está acima de qualquer sentimento, para o amor não existe o tempo, e mesmo que doa senhorita, mesmo que machuque, é a dor mais desejada pelos amantes, corações encorajados e apaixonados que se entregam pelo simples privilegio de serem amados, mesmo que seja por um breve momento, um sopro capaz de alimentar uma vida inteira, quantas lágrimas já foram derramadas pelo amor senhorita? Ah! Pois eu lhe digo, não há como contá-las, nem se juntares todas as águas dos mares seria capaz de comparar o pranto de um amor não correspondido, e o coração sentido, que sangra dolorosamente por um amor perdido, como comparar tal dor? O amor é capaz de enlouquecer os sãos, cegar os olhos de qualquer dogma, despertar os menos curiosos, transformar o pecado em dádiva, transcender o mais obscuro espírito, capaz de ensurdecer os surdos com seu grito, o amor é capaz de tudo, o único capaz de dar vida a nossa essência, dar sentido a nossa existência, por que estaríamos aqui se não fosse para amar? Eis o sentido da vida senhorita, amar, e ser amado, qual sentido maior que este existe? Não há, estamos aqui para amar, qual ser seria tão incrédulo aponto de não acreditar no amor? O amor é a magia que vagueia na imensidão do espaço, a luz que liga todos os seres a um único espírito, talvez o sinônimo de amor seja Deus senhorita, pois qual palavra haveria de ter mais significado? Qual nome haveria de ser mais pronunciado? Qual sentimento mais desejado? O amor, sim, o amor que sentimos mesmo ás vezes fingindo não sentir, ele está lá, pulsando, irradiando sua luz, nos pega de surpresa, quando nem mais acreditamos nele, nos dá esperança, nos encoraja, por ele somos capazes de ir além, o amor e sua magnitude, não há sentimento mais absurdo e mais magnífico, sentido que nos faz sentir vivos, como estrelas que lampejam infinitamente suas luzes, como pássaros que atravessam os céus no irradiar de um sol brilhante, amar é estar nas nuvens, sorrir um sorriso constante, é chorar lágrimas emocionadas de emoção, é ver refletido no bem amado, sua própria alma, é beijar um beijo interminável, transbordando o desejo nos lábios, e neles pronunciar o nome impronunciável, é estremecer o próprio corpo no trepidar das sensações, amar é dar a resposta a dois corações, que se procuram e se encontram nesta mágica odisséia chamada amor, o nome que todos os lábios sonham em pronunciar, o sentimento que todos os corações sonham em sentir, no alvorecer das palavras ele está lá, oculto, ansioso para abrigar uma alma desamparada, louca para amar, louca para arder no fogo de uma paixão, e assim ser completa, como a chama de um fogo que ilumina a imensidão, onde a única luz refletida é o amor, talvez já tenha sonhado com um amor verdadeiro, um amor que iluminasse seu caminho no escurecer de seus passos, sim senhorita, o amor é luminoso, capaz de transformar o crepúsculo em um sol iluminado, talvez o sol seja o sorriso de Deus, que sorri radiante, levando o amor para todos os cantos deste mundo, para todos aqueles que acreditam no amor, e nele fazem renascer suas esperanças, pois a esperança é a única semente que faz florescer o amor em nossos corações, quem tem fé, quem tem esperança, é capaz de amar, por mais impossível que seja o amor, pois mais árduo que seja o caminho para chegar até ele, quem tem esperança vence o impossível, é essa luz que nos alimenta, que nos dá esperança, o amor está em tudo que vive, pulsando, vibrando, transcendendo sua infinita luz no coração dos bons, no coração daqueles que desejam beber neste cálice esplendoroso, o mais preciso dos néctares, cuja a vinha vem de uma videira harmoniosa, colhida pelas mãos de Deus, preparada com a mais nobre das essências, eis a luz que nos chega ao espírito, que faz este mundo dançar em volta do sol, que faz o mar abraçar a terra com seu manto azul, que faz a eletricidade vibrar em todos os corpos, se o amor é Deus, e o sol seu sorriso, eis a santa trindade, eis o grande mistério, pois só o amor libertará os homens de suas misérias, de seus medos, de suas doenças, o amor que recebemos do criador, se todos multiplicássemos o amor não haveria mais sofrimento neste mundo, este amor que vos falo senhorita, está muito além do amor carnal, eis o amor divino que muitos acreditam que não existe, o amor que recebemos antes mesmo de estarmos dentro do ventre de nossa mãe, o amor que purifica nossa alma e nos faz viver esta incrível experiência, o amor é mais que uma palavra, mais que um sentimento, se plantares amor, colherá amor, se desejar o amor, ele virá até sua presença, acalentará seu coração, aliviará sua dor, amar não é sofrer, pois o amor liberta, não aprisiona, ás vezes acreditamos que devemos sofrer por amor, ou simplesmente sofremos por amar demais, mais qual cruz seria mais pesada? Só conheço um que se sacrificou por amor, não para amar, mas sim para semear o amor no coração dos homens, para fazê-los entender que o amor é a única ponte que leva á Deus, para que todos compreendessem o sentido de existir. Para nós, simples mortais, um amor não correspondido ou um amor dilacerado é como uma tempestade, ele passa, deixa destroços, mas aí então, quando menos esperamos, ele está lá, nos iluminado com sua luz, nos aquecendo com seu calor, há amores duradouros, há amores passageiros, há amores proibidos, há amores verdadeiros, sempre haverá um novo amor para os corações solitários, até mesmo para aqueles que amam pela metade, o amor continuará a pregar suas peças, a encorajar os tímidos, a alimentar os poetas, continuará dançando no coração dos amantes, contagiando seus espíritos, estará a ressonar seu grito no âmago de todos aqueles que acreditam em sua luz. O amor está em todo lugar, no ar que respiramos, na doçura de um olhar, na sutileza de um sorriso, no brilho das estrelas, basta senti-lo para enxergá-lo, ele está em nossa volta, veja ao seu redor senhorita, perceba o amor em todos os cantos desta sala, só em vossa direção miram-se dezenas de olhares de desejo, há um céu para cada beijo dado neste baile, é o amor tocando sua mais bela sinfonia, encenando sua mais grandiosa peça, cujo texto é escrito pelas mãos de um criador generoso, que oferece aos seus personagens o mais nobre dos sentimentos, aqui podemos presenciar as varias faces do amor, o amor fraterno de uma mãe, que ama incondicionalmente seus filhos, desejando-lhes sorte á cada passo da vida, o amor orgulhoso do pai, que reflete no semblante tranquilo de sua face, por seus filhos terem trilhado o caminho da integridade, o amor de um filho por seus pais, que lhes abraça como se estivesse abraçando o mais precioso dos alicerces, o amor dos irmãos, que se amam em sua cumplicidade, o amor de um artista por sua arte, o amor transformado em fé, o amor de um homem por uma mulher, ah! As silhuetas do amor estão refletidas em todas as partes desta sala, posso sentir, posso ver, mas de todos os amores refletidos aqui, o que vejo refletido em vossos olhos, é o mais radiante, o único capaz de me fazer viajar aos lugares mais profundos deste sentimento, não quero lhe assustar, muito menos lhe por medo, percebo que estas tremendo, se fechares os olhos por um momento, poderás ouvir as batidas do meu coração, que galopa dentro deste peito como um cavalo desgovernado, tentando chegar a algum lugar, não tenha medo, me de sua mão, sinta meu coração, está sentindo? Em cada pulsar ele pronuncia seu nome, sinta como meu peito está quente, é meu corpo transpirando de desejo ao sentir o toque macio de suas mãos, o secar de minha boca e o lacrimejar de meus olhos misturados ás sensações que agora percorrem meu corpo, me dão certeza de uma coisa senhorita, fui flechado por este olhar, estou entregue diante de vos como um sacerdote diante de sua Deusa, não diga nada agora, não quero que minhas palavras confundam-lhe a mente, deixe-me mais uma vez surpreende-la, desta vez com meus passos, vamos dançar está valsa que agora começa, talvez no silêncio desta dança, possa ter o privilegio de merecer uma resposta.

Sandro Kretus
 
O amor

A dama negra de Lord Byron

 
Fria ao leito deitou-se nua e refrigerou-me adormecido
sem meras vêr a palida mão
silenciar-me ao ter sorrido.
 
 A dama negra de Lord Byron

Ardente coração

 
No século XVII, na França, um jovem cavaleiro, já cansado de suas intensas batalhas e de suas longas caminhadas pelo mundo, declarou em simples palavras seu amor por ela, que havia despertado nele, o mais voraz e puro desejo.
Chegará um dia em que eu irei naufragar em teus olhos e nunca mais subirei a superfície.
Chegará um dia em que eu sentirei com o toque dos meus lábios o doce e delicioso sabor da tua boca.
Chegará um dia em que eu descobrirei o teu corpo e farei com que o fogo que existe em mim queime delicadamente o seu intimo, tocarei você como se fosse uma dádiva de Deus, e farei isso com tanto amor, que nenhum outro jamais fez, e nunca fará.
Chegará um dia em que tu estarás em meus braços, eu irei acariciar-te como se tu fosses a mais bela e delicada flor, e farei com que todas tuas mágoas e teus temores sejam esquecidos com um simples e quente beijo, irei protegê-la de suas sombras e expulsarei teus demônios, para que tu possas ser livre e comigo poder voar.
A paixão que arde em meu peito, fulmina minha alma, e desperta em mim, o mais feroz e faminto animal, que um dia irá lhe possuir, por traz desta imagem forte e misteriosa de mulher, se esconde a mais sensível e frágil menina, na qual um dia irei descobrir.
Não pode ser pecado o meu desejo, pois em varias batalhas muitas glorias eu conquistei, não pode ser pecado o meu amor, pois em outras vidas muitas mulheres eu já amei.
Ninguém pode condenar minha paixão, pois só você minha bela, depois de muito tempo, tocou com tanta leveza meu coração.
Espero ansiosamente por este dia, já estou cansado destes combates medíocres e sem lógica, não luto pela minha pátria, nem por minha glória, mas sim pelo meu instinto, até lá, quando todas as batalhas estiverem terminadas, irei ao teu encontro, e por mais longe que estejas, eu encontrarei você.
 
Ardente coração

Metáforas colhidas

 
Talvez meus versos deslizem como uma lagrima, beijando as linhas devotamente, sei que pensamos e logo existimos, mas também é possível que possamos ir mais além, onde as metáforas sejam colhidas como flores em um jardim infinito, que habita nosso sentimento, onde os desejos contidos revelam o amor.
Nesta flor transmutada em palavras, que a ti ofereço-te, é apenas um singelo gesto de minha admiração por tua beleza, beleza esta que é capaz de transparecer teu espírito puro e iluminado, como uma linda flor a luz do sol, e na transparência dos teus olhos, onde habita tuas esperanças, no horizonte da tua íris, sou capaz de enxergar o amor, como uma lagrima que surge antes de uma tempestade apaixonada, onde o bálsamo do desejo nos envolve completamente, como o céu grudado as estrelas, se pensar é existir, então não adianta fugir, o fato de sermos existentes, também nos tornam carentes, revelando quem realmente somos, sentimos, logo amamos.
 
Metáforas colhidas

Sandro Kretus