Poemas, frases e mensagens de Letícia.Corrêa

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Letícia.Corrêa

Anjos também pecam

 
.Era presença quase que mágica.
.Volitando entre os metros quadrados num movimento.
.Quase que imperceptível.
.Ah! Aquele ar de santidade.
.Aquele olhar fingindo distância.
.Antiga conhecida, nova história.
.E de sagacidade tal, escapou.
.Como se prevenisse qualquer sinal de perigo.
.Como se se protegesse de todos os pecadores.
.Sublime encanto, exposto com fitas de cetim e veludo.
.E tão rápido, fugiu do caos.
.Talvez descansar seu sorriso, trocar a máscara.
(Letícia Corrêa 09-05-07)
 
Anjos também pecam

Teatro

 
Tragam as luzes. Aquelas bem serenas, tênues... E tristes. Tragam, armem o palco, e nada mais. A atriz se encarrega dos scripts. Mas traga rápido, porque veloz é sua melancolia, vago o seu desalento. Assistam atentos e deixem-se envolver pelo sentimento [o verdadeiro], pois cá neste camarim e, principalmente, nesta cena, o que não há é teatro, nem encenação. É a mais pura expressão da incógnita sentimental humana. Num grito profundo e rouco, ela tenta arrancar da mais profunda camada de sua alma toda a angústia e dor alucinantes. Tanto esforço e empenho que provocarão um insignificante tapar de ouvidos dos poucos espectadores, da última apresentação semanal naquele teatro quase abandonado, falido. Aquelas palmas abafadas pelas poltronas vazias e pelo ar úmido e inebriante, ilustram o fim de uma semana introspectiva e o início de outra a ser escrita, dessa vez com mais ânimo, pra não cair na rotina.
(Letícia Corrêa – 27/05/07)
 
Teatro

Anestesia

 
Um véu de anestesia.
De repente me cobriu.
E todos os estalos de saudade, tristeza, paixão, alegria.
Foram silenciados.
Hoje as emoções foram à praia.
Só ficaram os sentimentos, com medo da chuva.
E na espera, adormeceram.
E nos seus sonhos, encontraram aquelas mesmas
Emoções, brigando entre si.
Na busca por serem sentidas primeiro.
Por desfrutarem do corpo virgem de sensações.
Porém, ao despertar, a mesma anestesia instalada.
Em cada entranha.
Estranha a qualquer iniciativa.
Estranha a qualquer memória.
Estranha a qualquer dor.
Flor de primavera, adiantada.
Ao tempo de brotar.
E exata, ao tempo de permanecer.

(Letícia Corrêa 31/08/08)
 
Anestesia

À saudade

 
Aquela manta já não transpira mais.
Nem a cortina se fecha para guardar
Aqueles nossos segredos
Apaixonados.
Restam agora as palavras ditas
Ao pé do ouvido.
O teu beijo de mel.
O tocar macio da seda
Imitando tuas mãos.
Pois aquela manta
Sufocada sofre
Sem ti.
(Letícia Corrêa 16/04/08)
 
À saudade

Hoje não, tristeza!

 
Hoje não,
Sentarei num banco qualquer daquela estação...
Com meu livro de Lispector, ou até mesmo mais um
Daqueles contos de ação, comédia e amor açucarado...
Que só existem na imaginação ingênua e folhas de papel já amareladas
Nas banquinhas de jornal.
Sentarei, buscando de fato a distração...
Qualquer pensamento novo.
E esperarei meu trem chegar,
e mostrar um destino, menos sufocante.
Hoje será assim,
já que a passividade quis visitar minha agonia.
E espero assim ser.
Quem sabe não encontre um bilhete esquecido, com passagem para o infinito.
(Letícia Corrêa – 29/05/07)
 
Hoje não, tristeza!

Saudade esquecida

 
.E esse cheiro de terra molhada.
.Que me remete aos fins-de-semana.
.Na casa de praia com a família.
.Se confunde com o som do teclado.
.Que procura, em vão, a legenda exata.
.De um momento subjetivo.
.E a música fala do Brasil.
.Plural e contraditório como esse instante.
(Letícia Corrêa 30/09/07)
 
Saudade esquecida

Purpurina Furtacor

 
Minha leitura se transforma em tinta.
As palavras enchem meu cérebro e meu corpo.
Exalam por seus poros.
Exalam através dos meus abraços, dos meus beijos, dos meus afetos.
E desafetos.
Gosto de leituras coloridas.
Para pintar o mundo com meus movimentos multicores.
Quero girar com os braços abertos
Num campo verde e arejado
E dos meus poros sairão purpurinas furtacor.
Meu mundo vai virar estrela colorida na imensidão da eternidade.

(Letícia Corrêa 19/05/08)
 
Purpurina Furtacor

Pequena reflexão e breve resumo dos dias de hoje.

 
Jovens são aqueles que encontram a sabedoria em tenra idade.
Jovens também são aqueles que, em elevada idade, encontram na sabedoria a arte de viver.

Tolos, aqueles que pensam ser jovens em tenra idade e por acharem que festas, bebidas e rebeldia significa viver.
Tolos também, aqueles que buscam o poder e o auto-benefício como fontes de uma sobrevida segura e confortável.

Pena deste velho mundo, tenho eu - em tenra idade - pois os jovens são poucos e raros. E os tolos estão governando, ou estão prestes a governar o nosso povo.
 
Pequena reflexão e breve resumo dos dias de hoje.

As palavras não saíam

 
Ao som do telefone que tocou tarde da noite
Pedidos de rezas e forças...
De repente o vento forte
Havia quase arrancado
Aquela flor do seu canteiro.
E a chuva ousava interromper-lhe
A vida.
Entre Pai-Nossos e Ave-Marias,
O telefone tocou mais uma vez;
A voz em desespero disse:
- “Talvez o vento estivesse no sentido
Contrário das rezas. Elas não chegaram
A tempo. A flor mais bela desprendeu-se
Deste mundão que urgia descobrir e multiplicar-se.
Foi-se com o vento e a chuva semear outros horizontes.”
Daqui deste lado da linha:
O coração teimava em descompasso;
O ar resistia adentrar o peito;
As palavras se esconderam;
Houve silêncio...
E choramos.
 
As palavras não saíam

Enjôo Mental

 
Como uma espiral de pensamentos.
Um conversa com o outro.
O Outro contradiz o um.
E quanto mais mergulho nessa espiral
Mais me perco e me confundo.
Idéias minhas e outras que ouvi
Transitam desordenadamente, uma querendo ser melhor que a outra.
E se frustram ao não serem eleitas para ocupar o cargo Solução.
Dentro da minha cabeça.
Talvez o maior erro foi [e ainda seja]
Querer resolver o conflito.
Alguns não são resolvidos com palavras, nem com gritos.
Eles são resolvidos no silêncio de um olhar correspondido.
Deixados pra trás como folhas de papéis que rabiscamos
Coisas sem sentido, que ficam guardados numa caixa velha.
Ainda passarei os olhos por essas coisas sem sentido que um dia escrevemos.
E darei risada do quão somos imaturos sem saber.
Por enquanto, eu só quero desmanchar essa espiral.
Já estou ficando tonta.
(Letícia Corrêa 16/04/08)
 
Enjôo Mental

E o céu cospe nesse chão...

 
.E o céu cospe nesse chão.
.de vermes,cobras,porcos,imundos.
.de hipocrisia clamando justiça.
.de crianças clamando futuro.
.o céu cospe.e mostra a luz.
.pois é tão difícil enxergar.
.a ignorância encobre a visão.
.todo mundo não se importa.
.ninguém presta atenção.
.e o céu cospe nesse chão.
(Letícia Corrêa 09-09-06)
 
E o céu cospe nesse chão...

A casa antiga

 
Certa feita, observando um senhor que relatava a amigos sobre sua antiga casa, percebi a angústia percorrer-lhe os braços, pernas, pele e face. Afinal, não havia mais tanta viscosidade onde por décadas tal senhor habitara. Atenta, procurava não perder nenhum detalhe da história. Impressionava-me os sentidos quanta transformação a moradia do senhor adquiriu. Cada sulco naquelas paredes contava emoções, histórias e lembranças. Tão logo notei que a angústia era minha, ao ver tanta felicidade nos olhos quase centenários daquele senhor. Sentia-se, sem dúvida, renovado e mais leve. Qualquer casa viscosa sentiria-se envergonhada. A casa daquele senhor alcançara um estado evolutivo honroso: aprendera que mais valia o aconchego aquecido de uma casa vivida e por tantas vezes visitada, do que a casa de paredes limpas e frescas, mas que peca em não conhecer seus próprios cômodos. Saí dali de bem comigo e com a minha casa: ela terá seu tempo de aconchegar-se.
 
A casa antiga

Sublimação

 
... Uma levitação inerte de mim mesma... Vaga pelo incerto, um espaço fluido de sensações, cores difusas... Uma busca do fixo, num caos mutável ...
(Letícia Corrêa – 28/05/07)
 
Sublimação

Torpor

 
Uma embriaguez mental que me atormentava a noite.
Minha’lma quase levitou.
Para ver encolhida na cama minha armadura de algodão.
Suplicando em rezas, terços e Santos alguma fé.
E fazia isso tão repetidamente que minha voz fez-se canto.
E no canto adormeci.
Mas permaneci em cantoria sonâmbula.
E da melodia surgiram cordas.
Guitarras, violões de todo tipo.
De papel, com som rasgado.
De metal, ressoando o tilintar das lágrimas.
De madeira, com aquele som seco e estalado.
Que tocavam a melodia onírica.
De um sonho quase pesadelo.
Que de pesadelo, era quase real.
(Letícia Corrêa – 09/04/08)
 
Torpor

Verde terra

 
Sinto o gosto
Daquela chuva grossa e gelada.
O cheiro de terra que exala no cair da água.
Água doce do Rio Guamá
Que um dia me acolheu na sua cor de barro.
Nas suas águas de mururé, de canoas, de boto, de mangue, dos ribeirinhos e dos jacarés.
Águas decoradas pelo verde das matas centenárias
Que guardam a essência do país que lhe esqueceu.
Amazônia, amazônia, das pororocas, do açaí.
De vidas isoladas do caos urbano.
De vidas abraçadas pela TERRA.
Terra molhada dos igarapés, do Solimões.
Terra dos marajoaras, das frutas do Brasil.
Terra dos índios, terra de raíz.
Belém das Mangueiras, do ver-o-peso, do tucupi, do teatro da Paz.
Belém da pele morena e pintada, dos olhos amendoados dos Tupinambás.
Belém do Círio de Nazaré.
Da fé na corda da Santa.
Da fé nativa e cristã.
Belém também da pobreza, das palafitas, dos nossos ancestrais.
Amazônia de ruas de rios.
Meu Norte, meu Brasil.
 
Verde terra

Que jeito ser?

 
Então qual é o melhor jeito de ser?
Se possessivos, somos condenados à culpa.
Se compreensivos, oferecemos a cara a tapas.
Não quero ser boa, sendo compreensiva.
Meu auto-amor não é tão perfeito assim a ponto de não sofrer decepções.
Tampouco quero ser má, sendo possessiva.
Meu ego não suporta prisões, quero ter e oferecer liberdade.
Mas que sorte a minha!
Saio de um, caio no outro.
Caindo neste, fujo por aquele.
Que existência angustiante e a dos humanos,
conscientes de que sentem dor,
só conseguem enxergá-las quando transcritas, muitas vezes, por outras dores.
De outras pessoas.
 
Que jeito ser?

Subversão

 
Mais uma vez, permiti tal ato contra meus sentimentos. Contra meu coração.
Permiti-me o gosto amargo na alma.
E, depois da dor, o que nos resta além das coisas casuais?
Os porquês perdem força dentro de nós.
Só os gritos de dor, de raiva.
As súplicas de amor-próprio sobem ao púlpito.
E fazem a festa.
Enquanto resistir aqui dentro, essa mania estúpida
de tentar justificar a minha fraqueza.

(Letícia Corrêa – 11/04/09)
 
Subversão

O Abraço

 
Há quem abrace por gentileza.
Há também quem abrace por educação - aquele tapinha nas costas bem rápido.
Mas também há quem abrace com afeto, com alegria, transmitindo o que de bom há em si.
Quem abrace por saudade.
Quem abrace por consolo, compaixão.
Existem os grupos que se abraçam como forma de integração.
Existem os grupos que se abraçam como tentativa de reconciliação.
Entre tantos tipos de abraços...
Há, e não menos real, quem abrace apenas por abraçar.
E quem abrace buscando contato, afetividade, carinho.
Existem aqueles abraços de quebrar costela, que nos passam força.
E aqueles que nos transmitem tristeza.

Abraços existem de todo o tipo.
Pessoas existem de todo o tipo.
As pessoas dão os abraços que possuem, querem e podem...
e recebem os que as outras pessoas possuem, querem, ou podem dar.

Meu abraço, eu não dou em vão.
Dou o abraço que quero receber!
E você, que tipo de abraço está oferecendo?
 
O Abraço

Preferiria...

 
Num quarto em que ressoam melodias e palavras inglesas, daquelas com voz rouca, arrastada, quase melancólica - quase, se não fosse a força na voz –, euforia não existirá. Exceto se for estimulada quimicamente. Preferiria um estímulo tátil, como este.

Entre um olhar de tristeza e uma ligação telefônica alegre, existem motivos invisivelmente observáveis. Preferiria que fossem visivelmente claros, ou que contivessem um ar de preocupação – quem sabe até de culpa.

Escolher gritar de raiva, ou escolher calar, por equilíbrio – escolher a indiferença também vale. Preferiria nenhum dos três, preferiria a companhia, o contato.

Transitar em pensamentos leves e pesados. Mas poderia achar refúgio no sono.

Guardar um novelo de palavras na garganta, até doer e provocar choro. Como também deixar que elas extrapolem seus poros, por suas mãos, ouvidos, pela respiração – até o novelo se desenrolar.

Preferiria ter escrito sobre o sabor do chocolate...
Ou o do café!

(Letícia Corrêa - 03/10/08)
 
Preferiria...

Um presente celeste

 
.Da mesma calma que vi brotar.
.Nos olhos de uma criança.
.Ao se embalar, no Jardim de meu.
.Sonho mais acalentador.
.Da imaginação mais onírica.
.Nunca, então, vislumbrei tão serena.
.Quiçá agraciada fui, com sorriso de igual valor.
.Utopia fosse que houvesse sonhado.
.Mas me quiseram presentear.
[.E de gratidão junto as mãos, em prece.]
.Com um auto-retrato feito, de certo.
.Por um anjo.
.Que do arco-íris.
.Criou sua aquarela-prima.
(Letícia Corrêa – 11/05/07)
 
Um presente celeste

Letícia Corrêa