Poemas, frases e mensagens de plinioaugusto

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de plinioaugusto

E assim fiz estrelas...

 
tendo a insubstituível
delicadeza de um
beijo,
que nos restem precipitações como
a daquela morte,
o senhor que sufocou
de prazer na viela onde
a sombra de amor lhe
sugava a alma
com promessas
sombrias,
assim sendo a paz,
e depois a loucura
de não suportar que
o mundo assim se desfaça…..
 
E assim fiz estrelas...

Tele-escola

 
Se o tino não me falha
já tinha aprendido a ler-me,
desenhei de um trago as curvas do mundo,
com as aparas do carvão
fiz povos às cores,....

gente que olhasse o passado com ar frívolo,
desnudando mulheres pela maldade de o fazer,
e esperar em troca o declínio das estações,
e o benfazer das rugas traçadas a sangue,....

todos os dias me faço mal,
habito em oceanos de aldeias desertas,
e continuo sem entender,
se a terra tem alma,...

ou se sou eu o mapa-mundo dos equívocos....
 
Tele-escola

Tricotado e despercebido

 
vês-me em silêncio,
tricotado de ti,
de mão na ambiência
de fulgor que nos rodeou,....

adoro o que sorris
para mim em dia
de alegria,
vês-me em silêncio,
mas e o que somos
de madrugada?,...

não te interrogam os
sopros alados de luxúria
que nos levam de mansinho ao que sofregamente desprezámos?,...

deixei de mansas
perguntas ao sol,....

pedi por menos
soluções inconformadas,...

só me vejo em silêncio,
rasga-me,
para tricotar ser o verbo
com que me decompões....
 
Tricotado e despercebido

Três pernas

 
em dia de plenos poderes,
assim como este,
apetecia-me revoluções de três pés,...

um sem aviso prévio,
outro para fugir a mim de duas cabeças,...

e o terceiro porque talvez
seja o que nunca esperei de mim,...

espreguiço-me na rua,
e materializo-me num poema que gosta de política,
mas detesta o homem que caga palavras de ordem.....
 
Três pernas

Mortal, até amanhã

 
acordou estremunhado,
cansado,
por menos que isso,
doía ao mundo o regaço,...

inefável,
queria ter simples
dores de parto,
um homem a
dizer de si,
o que o mundo odiava
pois escapava
ao senso comum,

das longas noites de
fazer nada,
e hoje,...

a ser o dia depois de ontem,
e sem querer que o amanhã venha,
estava estremunhado,
desejoso do mal,
queria tolerância,
risos descarnados,
malandros frisados a
rir com a possível
ignorância de ser
sacana e angelical ao
mesmo tempo,..

arredado,
de tudo quanto
contava para
as pessoas,
arrastava-se por
aqui,
e por ali catava,
do chão,
dos chãos das
existências cadenciadas,
beatas dos que sucedidos,
mais ou menos bem,
limpavam-se às limpezas
do amanhã
que se desfaz em
suores inconsequentes,...

foi-se deitar arrependido,
enfadado,
por menos que um sopro de vida,
deixou-se enlear no que desenhado,
não dá mais que dois suspiros,
e uma vontade de matar
pictórica e real....
 
Mortal, até amanhã

Pedi-te sempre que ficasses

 
pedi-te sempre que ficasses,
agora feliz com gotas de limão,
sou capaz do mais feliz de mim mesmo,
e com o sinal de dois movimentos helicoidais
de te querer mais que o vento desnorteado,
assumo-me por assumir o que nem vale a pena rejeitar,....

sou de ti portentosa,
sou de nós destruidores,
nunca fui do que não penso de ti,
e mesmo certo do nulo,
deixo-me estar,
porque te pedi sempre
que ficasses....
 
Pedi-te sempre que ficasses

Manhã à beira-mar

 
...de novo,
manhã em que
só mesmo nós,
para remar,

a dor,
a quem mostra
propensão para a dor,..

de todo o nosso amor,
que leve um
pouco menos de fervor,

tudo isto para
um malquisto falar
de mar,....

pintar ódios com
a salmoura que
destila de dias
hexagonais,...
 
Manhã à beira-mar

rimas duplas em sofrimento

 
de excelente deliberador,
o que resta por favor,
de si como pedra de toque,
ponha-lhe o enfoque,
de dois momentos tristes,
vividos como despistes,
de lamas difusas do contra,
livres se quiser ser lontra,
mas presos ao firmamento,
de quem dorme sem chamamento,
dos rimadores idiotas,
que com ar de hilotas,
tentam fazer sentido,
num desvario sustenido,
para concluir enfim,
que mesmo em latim,
ser burro não pesa,
mas farta.....
 
rimas duplas em sofrimento

Meio físico e social

 
Meninos rabinos,
talvez apenas isto,
línguas de terra com
ranho no nariz,
a ligar penínsulas a istmos
de futuros incertos,....

mas antes talvez,
descobertas as auréolas
do fundo que toca em aldebaran,
roeram a corda os que soltam
maneiras de fazer universos
alternativos,....

fazem do cais da vida,
a sede infinita de trazer à liça
novas maneiras de descoser
a vida,....

e abotoá-la em dois debiques
do mar frutuoso.....
 
Meio físico e social

 
bom que mais somos do
que menos experimentados,
bem seria fortes ondas de
vigor cutâneo para experimentar,
gente sólida,
frutos do desvendar da terra pobre,
de sonhos ricos e desmanchados,
de tique-taques acirrados para menos
experimentar,
com fáceis presas
no jogo frígido de querer escrever bem,
para cego ler,
e estúpido decompor,
no fundo,
a histriónica capacidade
de detestar humanos,
fazendo deles pó.....
 
Pó

se a pesca crescesse em ti....

 
se a pesca crescesse em ti,
no quadro maçónico de querer dias em noites,
ser-me-ia a alegria de família,....

já vi de ti mulheres a apaixonarem-se,
ventos em sucintos desmaios de criação,
e nunca o mar a chorar,...

a pesca a crescer de ti,
seriam cardos de choros por pintar,
peixes-alma a nadar
no céu de fosfatos invisíveis,...

adormeço-me numa cidade que existe aos desmaios,
a pensar em ti,
deusa de riquezas com
crianças a sorrir.....
 
se a pesca crescesse em ti....

Articular emoções

 
falámos com tudo o que era palavras,
até cardámos pausas de tear,
as nossas de sorrisos foram feitas,
a entender
os dois firmámos dúvidas,
um rústico pedaço de olhares,
com terras distantes,
a murmurar amores,
milénios passaram
em ventos possíveis....
 
Articular emoções

Foi às putas

 
o verbo tem candidiase,
a anal situação é prova
cabal do relaxe entorpecido
de dias a fio em redil,....

terá fisgado o poeta,
terá alienado o que
tinha para dizer,
notas de rodapé que
o verbo esquece por
cima das palavras,....

ufano,
resignadamente imoral,
o verbo sangra chatos,
esteve com duas putas
que entre si não fazem
uma interjeição.....
 
Foi às putas

Pigalle

 
agencia média palavra
ao pedir o copo todo cheio,
sopram dois laivos de
vento na Pigalle,
e Paris está morta,...

são daquelas septicémias
momentâneas que dão
nos grandes
refúgios de quem cria,...

frugaliza o simples acto de beber,
de oscular o copo que
já serviu à puta,
ao general,
ao nazi sorridente de benfazejo,
que fez de anjo antes de
injectar um diabo na alma,....

espera-se o mundo
e dois degraus de
insipiência de mais um
que pensa na Pigalle,
que ousa desfibrar o próprio
ser e desafiar o mundo
à morte,....

mas e o canto da lamechice,
a Pigalle é de nadar em meninas
que querem casar com a virtude,
de pretos mesmo pretos,
que de branco só têm o amor de
mãe,....

anoitece,
Paris continua morta,
e nunca soube tão mal
deixar-se viver em morte
branda.....
 
Pigalle

porque a indecisão são dois dias interrompidos

 
O céu rebentava em pequenas flores carcomidas. Com o sol estático, em doses de admiração contida, o horizonte desfazia-se ao longe. Ácido o que parecia terminar com lágrimas de sangue a verterem para o rio de pérolas insanas que desmazelava caminho naquele final de tarde. As margens eram de ferro. Com pessoas pequeninas, que se envolviam em conflitos inodoros. Aplaudiam sem saber o quê, com o porquê de tentarem descobrir-se em pormenores resolutos, conversando. Desconversando. Insultando. Confluências de gerúndios com uma chuva insuplicante, que molestava a tábua de tortura reluzente do rio que corria para um fim deslocado.
 
porque a indecisão são dois dias interrompidos

Confissão com propósito adiado

 
Marido - Apetece-me morrer bem.
Mulher - Já pensaste que isso é complicado, sem roupa nova.
Marido - Talvez. Mas já almocei. Comi bacalhau com grão.
Mulher - E de que esperas morrer?
Marido - De solidão. Tenho o coração a modos que a rachar.
Mulher - ....
Marido - Dizem que não dói. Sente-se só uma azia.
Mulher - Olha, vai começar as tardes da Júlia.
Marido - Vou à casa de banho. Se não voltar dentro de meia-hora, chama o cangalheiro.
Mulher - Levas revista?
Marido - Sim. O livro de cheques.
Mulher -....
Marido - Não contes com doações. Vou só rasgar as provas de que um dia fui pessoa.
Mulher - E lembras-te de que amanhã é feriado??
Marido -....
Mulher - Tenho as visitas do dominó. Não quero a casa a cheirar mal.
Marido - Talvez morra só depois de amanhã.
Mulher - Vai lá cagar. Não te quero com gases....
Marido - .....
 
Confissão com propósito adiado

Manifesto anti-mau poeta/quiçá mim mesmo

 
Colossal,
fenómeno,
de rés má e
psicótica,...

poetastro,
façanhudo exemplo
de quando o latente
se despenha nu,
em mar de explosões,...

pecado,
pecadilho sonso,
redilho que enredilha
o que insonsa a sopa
do pobre,...

declaro nulo o que
liga pobreza ao senso
de elogiar pedaços
de ti,....

glaucos sons de
impérvios caminhos,
fazem de paz
o que se desfaz,
no que rodeia,
do que te faz,
das coisas más
alcatraz,...

silêncios,
concertos de
sons estúpidos,
considera brinde
o desprezo que
sai do alto da
sapiência que nunca tive.....
 
Manifesto anti-mau poeta/quiçá mim mesmo

Um homem e a sua bata

 
Esta é a história menos conseguida com o intuito de produzir uma boa história, mas a certeza de que sairá uma má.
Pudera um homem ser galã, e o filme seria fácil de ver. Pudera a mulher ser bonita, e dois sorrisos de casal amenizavam a noite que custa mais a passar. Mas só posso descrever um homem, que em vez de gastar neurónios a possuir as curvas de um demónio de saias, gostava daquela bata de trabalho. De uma forma comedida, chamou-lhe amante nos dias de desânimo. Até fez amor com aquele símbolo do feminino, concretizado em projectos sempre por consumar. Era companheira, quando chorar soava mais que a fome. Desordeira quando falar mais alto, era um abraço capaz de incentivar o amor-próprio desinflacionado e moribundo.
Fê-la à medida de um corpo de deformado. Cetim barato, apanhado quando a sorte quis. Levou para casa os maltrapilhos, coseu-os com cordão de sapateiro. Deu um ar propositadamente ofensivo aquele agasalho, e não o larga desde a última vez em que conseguiu perspectivar o mundo. Hoje, matrimoniza, à falta de melhor verbo, em todos os cantos da casa. Beija os recantos faltos de graça daquela peça de vestuário. Almoça restos guardados com desânimo, com ela a envolver-lhe o coração e os sacos de respirar. E, à noite, consome-se numa névoa de felicidade. Imagina o melhor dos mundos por entre os intervalos de doença com que o cubículo onde pernoita se decorou. Autoconvence o próprio convencimento com desenhos de personalidades que nunca teve. Copos de água que afogam o que quis ser, mas nunca teve coragem de expressar em obras de arte.
Desfaz-se a noite, e corporiza a vontade de fazer deste, um atrevimento literário sem sentido. Está calor. Um pedaço de trapo, com formas interessantes, pende da maçaneta de uma janela. O vento traz uma fagulha solta, e o estio encarrega-se do resto. Morta, de crime violento, a história de amor que resumi. Ardeu a bata de trabalho, e com ela o coração já esvaziado de um homem triste.
 
Um homem e a sua bata

Experiências faseadas em essência de lavanda

 
desculpa de sementes cratas,
a postura que fica de
requereres posições dúbias,
de seres clemente quando a
banda passa,
de partires casca quando
nem nada ganhas com isso,...

fazer de contas a conta de
subir quando todos perguntavam
se descer faz bem ao
lamento de estar vivo,....

somos o que nem parece por sombras
a menina dos olhos de uma pátria,
o remédio de frutos podres,
o desfazamento puro de
sobreviver com fome de
mutismo,....

somos para ser mesmo o que
lemos em dia de névoas infundadas,...

somos,
para desculpar o que
nem nos esforçámos para
fazer.....
 
Experiências faseadas em essência de lavanda

Mulher de prioridades indefinidas

 
era uma chuva que
escrevia a cores
as palavras do desejo
canoro,
e ela dúbia,
de mundo reprimido
debaixo dos pés,....

sentia sorverem-lhe a força
para ainda lamentar mais
o amor,

descreveu-se de forma
tragicamente redundante,

e a nuvem mais à mão
serviu para que escrever,
se tornasse o encontrar
de pessoas no deslizar
da maior perfídia que o tempo
deixava de comer para
matar ainda mais,..
 
Mulher de prioridades indefinidas