Poemas, frases e mensagens de tanatus

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de tanatus

Cigarros...

 
Cai uma lágrima dos olhos cansados...
Escorrega uma taça de vinho das mãos...
Na fumaça dos cigarros tragados
Flutua - impassível -, a solidão...

Já não existem mais medos,
Não!...Todos os cigarros se acabaram...
Com eles morreram os segredos:
- Voos que nunca se alçaram...

Que bela fumaça: - Tão triste e cálida,
Assim é a morte: - A melancólica desgraça
Que já me embuça a face pálida...

Em mim a existência como que se acaba...
É ela como a vaporosa fumaça
De um cigarro que por fim se apaga...

(® tanatus - 19/04/13)
 
Cigarros...

Eternas Mudanças

 
A solidão me açoita,
E fere!...E fustiga!...E vergasta a minha a alma!
E muito sofro!...E choro!...E grito um lamento tão triste!
E o silêncio cala tudo!...E tudo mais se acalma,
Na tristeza das saudades que em mim nunca sentiste!

Em outros rumos,
Vão perdidos os meus passos!
E calados na calada das noites que me são tão escuras,
Passam sem o tempo, o tempo que passo,
No passo mais confuso das minhas amarguras!

Os dedos me apontam,
E apontam para o meu rosto, em riste!
E rabiscam na solidão, toda uma existência malfadada!
E malfadado, vou como quem não existe,
Na existência de uma vida angustiada!

Sou o que sou,
Não o que fui naqueles tempos de outrora...
O que no passado fui, desapareceu com as mudanças!
E num outro tempo, numa outra hora,
Ficou tudo esquecido nas tuas poucas lembranças...

(® tanatus – 11/06/2009)
 
Eternas Mudanças

O Infinito

 
No infinito!
As águas refletem teu olhar...

Que mistérios se escondem no infinito,
Desse teu olhar?!

É tão azul o céu...
E mais ainda!...O azul desse mar...
E vai-se assim, um gemido...
Uma súplica no ar...

Teu olhar silencia o meu sofrer...
E desaparece no infinito,
Até que ninguém mais o possa ver...

Pois o que ninguém consegue perceber,
É que és assim como o infinito!
O infinito que não posso ter...

(® tanatus – 27/02/1994)
 
O Infinito

Reminiscências...

 
Tudo me passa às condolências,
Como me passam esquecidas,
As coisas que um dia perdi,
Nos dissabores da vida...

O que ficou,
São reminiscências...
A sombra da sombra de uma vida,
Que outrora por mim passou,
Sem me ser percebida...

E tudo o que por mim passou,
Passou-me assim às despedidas!
E tanto por mim passou,
Naquela que me foi tão querida!

Aquela que tanto amei,
Riscou-me o céu, entristecida...
E como uma estrela que passou,
Passou desta para outra vida...

O que dela restou,
São reminiscências...
A sombra da sombra de uma vida,
Que um dia por mim passou,
E que hoje me vai tão perdida...

E em mim bruxuleando,
Vai uma recordação esquecida...
Vai num eclipse se apagando,
Na lembrança mais dorida...

(® tanatus – 12/04/2009)
 
Reminiscências...

Meus Dias

 
Passam lentos meus dias!
Envoltos na fria
Mortalha do tempo!
Seguem mortos, em silêncio...

Tão fúnebres!
Vazios!
Meus dias são...

Cobertos de luto!
Tão tristes!
Sombrios!

Meus dias...
Imersos na solidão,
São como folhas ao vento,
Vem...
E vão...

(tanatus – 23/12/01)
 
Meus Dias

Tão Só

 
À noite...
Tão prateada!...A lua...
No seu perene brilhar,
Acaricia de leve,
As águas do mar...

E a brisa,
Que sussurra tranqüila...
Vai de mansinho,
Soprando as ondas,
Que se deixam levar...

E lá!
Na vastidão do infinito!
Num célere risco!
Numa estrela cadente!
Eu a vejo passar...

E passas!
E levas contigo,
O eterno fascínio,
Que causa na gente,
O brilho da lua,
Quando beija o mar...

(® tanatus – 22/02/2003)
 
Tão Só

O Que Sou...

 
Sou o fenecer da tarde...
Sou os raios que morrem no poente...
Sou, na infinita eternidade,
O sepulcro do astro incandescente...

Sou a aridez do deserto...
Sou a lamentação do vento na areia...
Sou do plenilúnio aberto,
O feixe de bruxuleante candeia...

Sou a estrela mais cintilante do céu...
Sou da árvore retorcida,
A imagem que delineia um pincel...

Sou na areia um pequeníssimo grão...
Sou da exaurível vida,
O derradeiro grão de solidão...

(® tanatus - 04/03/2011)
 
O Que Sou...

Os Cigarros de Irene...

 
Bem sou a tosse seca, o desprezível escarro!
Sou eu os alvéolos mais necrosados, oh Irene!
Sou eu as baganas dos cigarros
Que tanto amortalham o teu corpo doente...

Sou eu, e tanto, e mais, o execrável cigarro!
Sou eu que te fere o corpo à alma lá no fundo!
Sou eu o rouco gemido!...Sou eu o pigarro
Que tanto interrompe o teu sono profundo...

É muita, e tanta a fumaça que no quarto flutua:
- Um!...Dois!...Três!...Quatro cigarros!
Irene os acende, assim, com desenvoltura
E cospe no assoalho o verdor dos catarros!

Dos lábios te vou sufocando num finado beijo!
Das mãos, te vou ao pulmão num trago!
Na vida, sou teu último desejo!
Na morte, sou teu último escarro!

(® tanatus - 18/04/13)
 
Os Cigarros de Irene...

Soneto da Filha Desaparecida...

 
Guardo comigo teus brinquedos...
As tuas bonecas preferidas...
O murmurar dos teus segredos,
E tantas lágrimas sofridas...

Teu quarto à noite chama,
Do celular deixado sobre a mesa...
E tua mochila, inda reclama!
Da solidão em que perdura presa...

Abandonado teu notebook assaz!
Simplesmente desligou-se,
E agora sequer funciona mais...

Dolorosa é tua ausência sem fim...
Tanto que a casa calou-se,
E hoje vive tão tristonha assim...

(® tanatus - 04/02/2011)
 
Soneto da Filha Desaparecida...

A Sombra dos Laranjais (Os Laranjais)

 
Vão-se lhes encerrados, numa abóbada, os dias!
E tanto e mais, as horas...
Imergem assim, embalsamadas alegrias,
No nascer e morrer da aurora!

Sim!...À sombra, os laranjais vão morrendo,
Como morrem num condão, os sonhos!
Curvando-se assim ao tempo
Nos recurvos galhos que sustentam os pomos!

Dos sonhos, precipitam-se os pomos mais maduros,
Em louca e desesperada solidão!
Aspergidos a terra em seus perfumes mais puros,
Exalam seus aromas pelo chão!

Ora, mas, o que lhes é a vida assim, essas lúgubres sombras,
Se não a dor que lhes dói mais!
Se não o vento suave que balança tão esplendidas alfombras
E ecoa por todos seus “ais”!

Não lhes vem à lembrança o orvalho do amanhecer ensolarado,
Não! O que lhes vem são os lamentos doridos,
Do aroma que encerra na terra os campos nunca sonhados,
E os frutos nunca colhidos!

(tanatus - 28/12/08)
 
A Sombra dos Laranjais (Os Laranjais)

Outonos Que Vivi...

 
Despetalados outonos; passado desnudo à sombra desses vales!
Apetaladas lembranças que a vida me traz...
Outonos mergulhados nas solidões geriátricas de um cálix,
Sim!...Outonos que não voltam mais...

O tempo transcorrido nesta modorrenta existência...
Outonos passados... Desencontrados em melancólicas partes...
Outonos mortos, a hora não vivida... A leniência
Que tive em segregar-me das solidões vividas nessas tardes...

Assim sendo, o que passou tão rápido por mim e eu nunca vi?!
Se o outono (tudo o que vivi)
Passou por mim e eu nunca percebi!

Caem às folhas do outono que ora passa por mim...
Passa por mim
Como um filme entristecido que eu pensei ter visto e nunca vi...

(® tanatus - 22/04/2013)
 
Outonos Que Vivi...

Noite de Tempestade

 
Na tempestade!...Os relâmpagos estremecem!
E o rio, agitado, se desespera já!
Ondas mil por querer-te em sonhos fenecem!
Em vão, te procuro encontrar...

E surges num turbilhão no paço da magia!
E choras!...E ris!...E gritas por mim!
Mas quem muito ouve o ciciar da cotovia,
Em noites tempestuosas assim?!

Giram num redemoinho, as águas desse rio!
E nas brumas!...Na solidão infinda!
Vão girando, e girando, num imenso vazio...

E cá fico eu, chamando na tempestade, por ti!
E vou sofrendo!...E muito ainda!
Pois que ao partir, levaste um pouco de mim...

(® tanatus - 10/03/2007)
 
Noite de Tempestade

Os Vaga-lumes

 
Vagueiam voejando vaidosos os vaga-lumes!
Tão velozes vão voando vívidos sobre mim!
E voejando volúveis sobre violáceos lumes,
Volitam vibrantes num vórtice sem fim!

Virgem vestal que vaga os virtuosos lumes,
Dos candeeiros, como velas vivas no vergel!
Tão velozes vão vistosos os vaga-lumes,
Voejando os vértices mais vivos do teu céu!

Vão-se num vai-e-vem voando os vaga-lumes,
Nas vertentes verdejantes desses vales!
E no verdor mais voluptuosos dos seus lumes,
Vão viver suas volúpias pelos ares!

Ó divina visão que vem me vivificar os lumes!
Ó virtuosa virgem vestida com mil véus!
Voas vibrante entre os vaidosos vaga-lumes,
E vagueias vaporosa pelos céus!

(® tanatus – 29/03/04)
 
Os Vaga-lumes

Vão-se me, Os Dias...

 
Vão-se me fúnebres!
E mortos!
E muito, e tanto, e mais!
Os meus dias...

E vão!...E vem!
E vão-se me imersos,
Em muitas, e outras tantas,
Melancolias...

E vão-se me, assim,
Perdidos em muita solidão,
Em tão poucas,
E escassas alegrias...

E voltam!...E passam!
E pintam de cinza uma vida!
E vão-se me imersos,
Em tão poucas companhias...

(® tanatus – 14/09/2005)
 
Vão-se me, Os Dias...

Ruas de Berlim

 
Pairas em silêncio, na última estação...
Ouves pelos trilhos, miríades de sussurros,
Entre tantos, elevas as descarnadas mãos,
E estalas oblíquos punhos!

Em pingos de sangue, escarro minha voz,
E umedeço os lábios enrijecidos, gota a gota!
Grito teu nome numa infelicidade atroz,
No augúrio da sorte que me salta pela boca!

Eis que sou só pele!...Entre tanto, és osso!
Tua vontade vem assim, amortalhada,
E respinga infausta em tão casacos rotos!

Sou desesperado passos nas ruas de Berlim!
Sou seara jogada nas calçadas!
Sou devir! Sou a solidão que nunca terá fim!

(® tanatus – 09/01/2009)
 
Ruas de Berlim

Cânticos à Magia

 
I – Alegorias & Símbolos

Tudo se enleva em círculos no ar!
Alçam-se magias no céu!...Nas alturas!
Do firmamento ao Pentáculo mar!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Vertical, o Pentagrama é o verão!
Invertido, o inverno!...Ó Igreja obscura!
Bem difamaste os deuses pagãos!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

São, as escritas herméticas, mais puras!
E Cernnunnus ri de tola crendice!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Terra, fogo e ar!...Na água que fulgura!
São símbolos de grandes ledices!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

II – Feitiçaria & História

Branca, a lua de Chesed, acima!
E baixa, a lua de Geburah é lua escura!
Aponta simbólica à hora prima!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

A gárgula puxa a cabeça altiva!
Aos padrões bíblicos, é satânica figura!
Como Giordano, a chama viva!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Em noite de lua cheia, o vento sussurra!
E segue o conciliábulo, vivido!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Os ritos de fecundidade, a boa ventura!
A todos, o banquete é servido!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

III – Mito & Visões

E toda religião é um tolo mito!
E é toda uma vil, e desprezível loucura!
É bem a clava que cala o grito!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Pelo fio da espada, o passado!
Trucidaram as fábulas, tantas criaturas!
Outros bem foram torturados!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Na noite piam corujas em suas agruras!
Esvoaçam arrebatadas pelo ar!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Pelo céu voeja fantasmagórica charrua!
Vai-se pelas nuvens, a velejar!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

IV – Morte & Paganismo

O sangue corre infausto cálice!
E transborda em tão ampla desventura!
A rubra cruz, no peito, cala-se!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Imergem-se pirâmides no mar!
E vão-se, como templos, em sepulturas!
E uma vela, inda arde no altar!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

E sagram-se oferendas em noite futura!
E a celebração da festa é pagã!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Bem é todo sabá, uma festança impura!
E dedilha o flautim festivo Pã!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

V – Inquisição & Tortura

Clemente V, o pontífice venal!
Assassinou muitas gentes com torturas!
Foi o seu papado, o mais feral!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Foi o Grão-Mestre, queimado!
E na fogueira ardeu fulgente armadura!
E bem foi o cordeiro imolado!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

E abrasou a fogueira uma vida madura!
E queimou a certeza de servir!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Ó ímpio castigo!...Ó dolente amargura!
Ser morto, pela fé, sem devir!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

VI – Insídia & Ordem

E astucioso, Filipe IV, o Belo!
Que ganancioso rei!...Ó abjeta criatura!
E à Ordem se desfez no cetro!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

E os símbolos!...Os mistérios!
A Trindade!...O triângulo o três segura!
E a Igreja os tachou funéreos!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

E pelos quatro cantos o vento murmura!
E dispersos, foram pelo mundo!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

E em graça foram recebidos com lisura!
E em Salomão, o Templo junto!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

VII – Talismãs & Signos

E balançam as águas, caladas!
E o céu vai plácido!...Ó suave candura!
Delem-se as estrelas, veladas!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Na noite, corre um gato preto!
E pela floresta, corre em fúlgida finura!
E rente ao pescoço o amuleto!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Ó Pentalpha!...Toda a perfeição emula!
E rivaliza a Igreja o ledo gato!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

A perfeita insígnia no pescoço tremula!
E o gato sorri do desvairo ato!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

VIII – Seres & Metal

E os Elfos escreveram em runa!
Caldeamos o Mirtheil à liga mais dura!
E o ocultamos no imo da furna!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

É toda a montanha, misteriosa!
E nela, trabalha-se à noite, à luz da lua!
E forjam-se espadas fabulosas!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

E o mágico Mirtheil, um dono procura!
E no acúmen da vida, a sorte!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

E fulge o metal, do fio a empunhadura!
E tão norrena, faísca a morte!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

IX – Mágica & Vaticínio

O baralho é cortado em partes!
Saltando o abismo, o Louco se afigura!
O Significador emana às artes!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

Embaralhadas as cartas astrais!
Prevalece o naipe de espada, a negrura!
Bem refere os pontos cardeais!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

O valete derrama a tonalidade púrpura!
E o cão ladra o inimigo oculto!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

No baralho, a morte balança a ossatura!
E fulge as cartas o negro vulto!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

X – Magia & Cerimonial

Extasia-se o Mago Cerimonial!
O treze é o número perfeito!...A alvura!
O símbolo da pureza em ritual!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

O círculo mágico tudo protege!
Todo encanto é proferido com postura!
E a força da natureza tudo rege!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

O Athamé adverte, bem como, esturra!
E queima qual espada, a magia!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

E faz-se num cerimonial, a investidura!
E o mago se une à Cosmologia!
Y las brujas vuenas en la noche oscura!

(® tanatus - 09/11/2009)
 
Cânticos à Magia

Fúlgida Aurora

 
Perdi-me, esquecido das horas!
Sem nem saber-me do tempo...
Sim!...Perdi-me imerso na aurora!
Em tão enlevado momento...

Fulge a manhã, arrebatada!
Num colorido de esplêndida vida!
E vão-se as horas, elevadas!
E em tão deleites!...Benquistas...

E fulgura amanhecer a alma minha!
E esparzi tão cândidos fulgores!
Aos dias que me fazem companhia...

Alvorecendo a imagem desses dias!
Vou-me amanhecido em cores!
Nas cores que me fulgem alegrias...

(® tanatus - 29/01/2010)
 
Fúlgida Aurora

Meu Canto

 
É triste,
Triste,
Meu canto...

Canto pelos cantos,
Um melancólico pranto...

Por que sofro tanto?!
Por que meu canto,
Não tem o encanto,
Do amor?!

Canto pelos cantos,
Meu triste canto...

Na solidão!
Seguem meus dias...
E passam por mim!
Em lenta agonia...

Canto pelos cantos,
Meu triste canto,
De desamor...

Um canto suave...
Em cantos de saudades,
Que o tempo levou...

(® tanatus – 05/02/2005)
 
Meu Canto

Recital no Lago Mudo...

 
No lago coaxa um sapo
Imergido em fadados condões...
E vai enfunando o papo
Coaxando a plenos pulmões...

O lago, todo o seu mundo...
Tremula na água, ensimesmado,
E canta em cantos profundos
E tão triste coaxa em fados...

Se bem coaxa enfados?!
Que pasmo, tamanha emoção
Ouvir o sapo cansado
Coaxar amargurada canção...

Uma guitarra - mágica serena -,
O sapo a dedilha condoído
E de Fernando Pessoa, o poema
Recita num coaxar tão dorido:

“* Contemplo o lago mudo
Que a brisa estremece
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece...

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo...
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo...

Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida...
Por que fiz eu dos sonhos
Minha única vida?”

Na frialdade, o tempo persiste
E tudo - nessa hora -, esmorece
E o sapo, coaxando triste,
Contempla o lago e adormece...

* Contemplo o Lago Mudo – Fernando Pessoa

(® tanatus – 20/03/2010)
 
Recital no Lago Mudo...

Carta Aberta a Deus...

 
Meus cordiais cumprimentos, amabilíssimo Deus.
Venho por meio desta, externar a dor que me fere o peito, e daqui, do meu leito de morte, e por tantas e outras coisas, passo a inquiri-lo, como outrora fizeram em teu nome – e como ainda o fazem hoje -, pelo mundo.
Isto posto, digo a ti, compreensível Deus, posso tratá-lo por ti, com sua anuência, claro. Pois muito bem,
Já que nos conhecemos há tanto tempo, mais tu, do que eu; que eu te conheço pelos livros, se bem ou mal escritos, não sei, mas tu, tu me conheces desde antes, desde quando ainda era um brilho nos olhos dos meus pais, desde quando os espermatozóides correram numa louca competição a fim de fecundarem o óvulo no ovário da minha mãe. E sei que, muito tu estavas lá presente.
Bom, mas não é sobre isso o motivo que eu estou te escrevendo. O motivo destas linhas é um pequeno desabafo de como me vai à alma; de como vai o mundo; de como vão às pessoas amarguradas nas suas desilusões pragmáticas.
Sabe antiqüíssimo Deus, tens tantos mistérios insondáveis que rondam a tua pessoa. Isso, desde tempos imemoriais, quando nós, homens ainda engatinhávamos e o universo, a tua vontade, se criava. Lembras? A sopa primordial era ainda muito insípida, mas tu já mexias o ADN e o ARN com tua colherzinha mágica. Eu bem sei que foste tu quem criou o céu, a terra, o fogo, o ar, enfim, os quatro elementos essenciais à vida humana na terra, mas, como o disse Hamlet a Horácio, “há mais coisas entre o céu e a terra, do que sonha a nossa vã filosofia", eu, assim filosofando, muito te pergunto: será que o que fizeste a este ínfimo planeta, em tão ínfimo universo, tu também não o fizeste em outros universos?
Vejas bem, outras formas de vida, diferente da nossa, claro, mas, criação tua, haja vista, onipresente Deus, que és o infinito do infinito no próprio ser infinito em que estás inserido. E ainda, pensando aqui com os botões do casaco que muito me vai roto, vejo ser possível, ou até mesmo, impossível, não teres criado outros universos, sejam paralelos ou perpendiculares, a não ser que sejas tão mesquinho, a ponto de ter criado só a nós, seres humanos, em tão infinito cosmo. Entendeste o meu pensamento, onisciente Deus? Não?! Pois bem, saibas que, também, muito não o entendo eu.
Mas, douto Deus, quando incutiste na tua criação, o livre arbítrio, junto com tal concessão, também incutiste nos homens o conceito de filosofia, e esta, é a mãe de todas as perguntas, se bem que a maioria sem respostas, inclusive, quanto a ti, conquanto tudo saiba, no devir da existência onírica da tua existência. Mas, os homens, parvos que são - na sua maioria -, querem calar a voz que nos deixaste como última barreira para que o mundo não se materialize todo em ti, por ti e para ti!
E quando da proliferação de religiões pelo mundo, o que me dizes sereníssimo Deus, disso tudo?! Se tu criaste todos a tua imagem e semelhança, porque deixaste tanta desesperança aos olhos dos outros?! Olhos oblíquos, amarelos, negros, azuis, vermelhos! Sim! Olhos que te olham com receio, olhos que vão assim vazios, o ano inteiro! E em cada um, uma sentença! Ora, se não somos um, em um todo, ou um todo, em um, porque então, tanta diferença?! Um não come carne de porco! Outro não come gado, que é sagrado! E morre-se de fome em tantos lugares maltratados, ou bem tratados, pela AIDS, EBOLA, e por tropicais doenças! Tem ainda os que se perdem em velhas crenças! Outros interpretam tão rigidamente tuas palavras, que até apedrejam as mulheres que praticam adultério, mas eles, ah! Eles podem ter quantas mulheres quiserem! Outros, ainda são indecifráveis mistérios! Outros degustam criancinhas nas paróquias da esquina! A que ponto nós chegamos, no tempo em que estamos!
E tem mais, muito, muito mais, extraterreno Deus! Tem aqueles que juram de pé, em pé, que não existes! Outros, na política vegetam, e numa folha de alface, se locupletam! Outros que dizem que tu reencarnaste em outros seres, em outras formas, em outros lugares, mas que só aqui retornaste! E tem os que falam em OVNI’s e OSNI’s, que vão e voltam por portais, quebrando as leis da física como ninguém a conhece mais; que vão e voltam, do futuro ao passado, supostamente em astronaves, e que no presente - tão falados -, todos viram e ninguém sabe!
Mas a vida aqui na terra é assim, uma voragem de gente andando como uma boiada num imenso matadouro, onde o sangue derramado faz parte da paisagem, como o fazem parte no deserto, as miragens. E vão-se caminhando perdidos nos supermercados de suas atrocidades. Vai uma bomba aí?! É bem barata. Têm-se plutônio, e muito, muito gás ozônio, e outros, de outras marcas abstratas.
Ah, venerável Deus, eu ainda me lembro da frase “tendes fé e sereis salvo!”, mas, se muito se tem fé, muitos não têm nem a salvação! E se for para nos salvar, que nos salve dos padres pedófilos! Das bombas suicidas! Do fanatismo religioso! Da incompreensão das políticas! Dos investidores de “Wall Street”! Da miséria da África! Do sofrer na estrada...
São por estas causas, e outras milhões, aqui não enumeradas, que ponho fim a esta missiva, que por mim vai assinada.
Com os devidos cumprimentos,
Subscrevo-me, cordialmente,

t@n@tus

Floresta Amazônica-BR, 05 de abril de 2009.

PS: Como eu sei que tu és um ser compreensivo, peço que perdoe esse meu pequeno desabafo, pois sei que, aqui na terra, não me será perdoado...
 
Carta Aberta a Deus...