Poemas, frases e mensagens de vandapaz

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de vandapaz

A Tália é a outra

Amo-te

 
Nas Primaveras do teu sorriso
Balanço-me sem medo do tempo
Não existem ponteiros no meu peito
Só o bater de um coração
Que chama por ti, sem pressas

Espero, paciente
Que me dispas o silêncio
E que te entregues
Aos murmúrios do meu corpo,
Ferida aberta de paixão
Que afago suavemente
Com a palma da minha mão

A vindima é perfeita
Quando colho o brilho do teu olhar
Fruto maduro e cuidado
Que eu deixo, em mim, fermentar
Embriagando o desejo, sufocando a saudade
Para que possa sorrir sem deixar de sonhar

Em breve, provaremos o vinho novo.
 
Amo-te

À espera do amor

 
Gostava de te trazer à beira de um sonho
Sorver-te o silêncio e espantar-te o medo
Agarrar-te as palavras pelas asas e voar

Gostava de sentir as gargalhadas nas mãos
E as marés inquietas no peito
Olhar para dentro de mim e afogar-me por inteiro

Rodopio na sombra de um suspiro e deixo escapar o verso
Amor entrelaçado e audaz nas madrugadas brancas
Que traça as linhas voluptuosas na pele do meu corpo

Agora o poema é capaz de ficar e dizer que sim à vida
Enquanto as mãos se abrem ao céu e esperam as estrelas

Recebo a voz nos braços e segredo-te baixinho que te espero
 
À espera do amor

Eu

 
Existe uma terra feita de abraços, bem no meio de um caminho longo onde o sorriso é a ponte que une as palavras. As viagens não são mais que o amanhã em forma de lua cheia. Tudo vai e tudo volta num arredondar de um verso sem fim. É de peito cheio que o barco tende a não atracar, envolvendo o mar no poema. A esperança sopra a vela que beija o calor do sol. Estendo, feliz, o meu corpo na areia e adormeço ao som do cantar das mãos que escrevem sobre as ondas, deixando-me ficar, como título escasso deste texto.
 
Eu

Cantares

 
Quisera eu, fossem tuas mãos
A moldar-me o corpo do poema
Trilhando caminhos de solidão
Pela pele que suspira em fonema

Breve é a luz onde me deito
Escorrendo secretos desejos em flor
Travando-me nos lábios o beijo
Cantando versos ao meu amor

E pela embriaguez do aroma
Com a organoléptica em euforia
Analiso-te em frágil redoma
Traçando-te em discreta harmonia
 
Cantares

Lágrima

 
Nasces
do crepúsculo
do meu olhar.
Lanças-te
pela escarpa,
triste,
da minha face
e vais…
…ao encontro
da enseada da memória
onde te aninhas
e fortaleces.

Podes luzir
no silêncio
….
ou rebentares
na escuridão
do sentimento.

As mãos acolhem-te
porque a alma ausentou-se,
por tempo incerto.
 
Lágrima

O teu poema

 
Salta a vontade
de morder as sílabas
que se encavalitam
em poema,
dengoso mas sério.
Afasta-se
desenfreadamente
de um texto
incomodando-o e provocando-o.

Rasga-se na quadra,
em dois,
o número dos encantos
ou de tantos outros prantos,
que chora
e engorda de sonhos
aquele que vai no engodo
mas não é louco de todo…

ah poeta de mil cores
de carnes e dores
que magoam, mas entoam,
a desgarrada medida
de uma mentira sentida
(mas por si, já falecida)

ah poeta como te cheiro
em cada letra em cada seio
como sorvo aquela frase
trazendo as asas de uma ave
em brisa de verbo aliciar
(mas que não deixou de voar)

Provo eu cada pedaço teu
por uma lágrima que me nasceu


ah Poeta,
o teu poema, em mim, renasceu
 
O teu poema

Porque hoje dói-me o peito

 
Percebo o olhar
de alguém
que já permaneceu
num beijo teu.

Entendo o silêncio
de alguém
que já te sentiu na carne.

Também eu
trago um beijo teu
pendurado nos lábios.

Pegas no pé
do cálice dos sentimentos
e agitas
absorvendo os aromas que desejas.

Construíste uma árvore
feita de troncos frágeis
onde sacias a sede do prazer,
escolhendo tu a fonte amante.

É para lá que vou,
mas ausento-me do teu olhar
porque hoje dói-me o peito.
 
Porque hoje dói-me o peito

A cada ciclo da lua

 
Deste sangue que me escorre da alma,
desta dor que se enlaça à carne,
provocando-a,
devorando-a…
Fica um segmento de vida
pendurado num tempo que jamais retorna.

Palpita-me que o pensamento fugiu
à vontade de ficar.
Que as cordas
que tocam a voz aposentaram-se
cansadas de gemidos silenciosos
e de gritos que se recolheram
à chegada da dor.

Para que não deixe o corpo morrer
injecto-me de palavras
que me enchem o peito de ar
e brilho nos olhos.
Só o oxigénio de um poema me faz renascer.
Só o chão feito de roldanas aguçadas
faz mover as frases compostas de esperança,
não esmorecendo o sorriso.

Por vezes também vens, atenuando-me a dor
ao embriagar-me os sentidos.

Vou rasgando devagar o tempo.
Vou alimentando aos poucos
o futuro que já se adivinhou,
tentando me convencer que o sol vai lá estar,
mesmo em céu encoberto e frio.

Cego-me sempre,
ao nascerem-me lágrimas rosadas, a cada ciclo da lua.
 
A cada ciclo da lua

Amar sem tempo

 
É neste afecto desmedido
que me encosto ao devaneio
e sonho o luar a beijar-me os sentidos.

Existe um horizonte
que nos separa das lágrimas.

Existe um querer
que nos junta em constelação
e nos faz brilhar a alma.

Gostava que fosses céu
e eu serra despida ao sabor do teu desejo.

Gostava de ser rio,
correr no leito do teu corpo
e amar-te sem tempo.

A foz será sempre o encontro dos teus lábios.
 
Amar sem tempo

Neste quarto

 
Neste quarto onde me reservo, como garrafa esquecida em cave escura, tenho por companhia um pedaço de sol alojado no meu peito. Entre nós tudo é claro e sincero, deixo as mágoas ausentarem-se, ficando assim só, com a minha solidão quente. Basta-me a cor azul estampada nas palavras, basta-me a esperança do verso que escolhi. Tudo é tão fácil quando toco as folhas, vermelhas de cansaço, das videiras que em fileira me acompanham o pensamento. Tudo é tão fácil quando abro a janela à vida que me procura, entrando sem pedir licença e me arrastando de encontro à parede degustando-me a alma sem qualquer pudor. Por vezes, retiro a rolha da garrafa onde me encerro e entorno-me tentando chegar ao horizonte que trazes nesses teus olhos felinos. Deito-me em terra molhada junto ao teu corpo de pêlo quente e sedoso. Aninho-me e deixo-me adormecer. As asas do sonho levam-me a terras onde nunca fui, levam-me à lua do teu céu onde te rodeias de gaivotas que te gritam e te encantam, enquanto eu me perco no areal imenso do teu corpo. Com a aurora despeço-me, deixando os teus lábios húmidos, recolho o horizonte e acordo deitada só, na cama deste quarto onde me reservo.
 
Neste quarto

Chovem pingos de silêncio na palma da minha mão

 
Os ventos apagam o aroma
do meu respirar.
Silenciam os passos na estrada
que atravessa o mar de suspiros
das lindas sereias encantadas.

Os olhos, cor de avelã , chegam ao horizonte
onde tudo se espraia sem o som afinado
das vozes das fadas cor de rosa.

O verso deixa de dedilhar as palavras,
deixando a musica do poema em pausa profunda.

Chovem pingos de silêncio
na palma da minha mão, e eu calo as letras…
 
Chovem pingos de silêncio na palma da minha mão

Perfume

 
Intenso é o perfume
da água ardente que embriaga.
Que escorre descaradamente
por um peito
descoberto e fogoso.
Deleita-se
em ventre inquieto,
desnudando o sabor da ilusão
como um néctar bebido,
sôfrego,
na palma da minha mão.
 
Perfume

Salada de desejos

 
Sabe-me a boca
a ameixas maduras,
a bananas doces,
a mangas carnudas…

Amadurecem-me
as maçãs do rosto,
enquanto os seios
me crescem,
como melões ao sol.

Mesclam-se os aromas.
Extasiam-se os sabores.
Enlouquecem-se as cores.

Ah! Se tu soubesses
o sumo que brota do meu corpo…
… enquanto te espero…
 
Salada de desejos

Rumo

 
Queria deixar palavras bonitas com cores garridas e cheiro a alecrim
Queria estender a poesia na pele nua e branca e colher as rosas
Esquecidas pelo tempo nos lábios entreabertos em suspiro vago
Queria recriar o amor quente nas minhas mãos vazias e sentir
Enaltecendo o belo do olhar atordoado na madrugada adiantada
Queria agradecer ao mar a vida enrolada nas ondas
E as ondas enroladas na vida que é noite de lua cheia e fria no meu peito

Lembro-me de todas as pedras do meu caminho
E de todas as vezes que tinha medo e voei de olhos fechados para a palavra
E das noites que adormeci nos teus braços dentro do poema

Queria que as manhãs voltassem a cheirar ao azul do céu
E que todo os pássaros levassem nas asas a liberdade que lhes pertence
E que as crianças sorrissem os dias encantadas com o branco que somos
Queria que hoje se abrissem as portas e se embriagassem os homens
Num abraço de respeito onde a amizade fosse o néctar perfeito
Para que o rio continuasse a correr para o mar naturalmente

Lembro-me de todos os gritos que calei
E de todas as vezes que te tinha por perto de olhar apertado contra o verso
E dos dias em que nasci e voltei a nascer dentro de ti
 
Rumo

Dança

 
Apagam-se as luzes,
sigo o brilho do teu olhar.
No centro da sala,
as mãos tocam-se.

A música encosta-se às paredes
enquanto me rasgas a alma
quando juntas o meu corpo
ao teu.

Somos um.

Avançamos lentamente.
Guias-me com gestos intensos.
Soltamos as asas
em pleno compasso.
Os pés ganham vida
seguindo um ritmo marcado
pelo tempo da experiencia.

Já nada nos faz parar,
flutuamos no espaço
até ao calar dos corpos.
 
Dança

Enquanto agarro o momento

 
Talvez me engane nas horas que o tempo tem enquanto me encontro pendurada no teu olhar. Vou mergulhando sempre até ao fundo de um sorriso. Ao longo da vida aprendi a respirar debaixo de água como quem cala o que sente. Vou emergindo, de oportunidade em oportunidade até alcançar um futuro. Por vezes encosto-me à tua voz e respiro o silêncio que me fortalece. Percorro a estrada do mar como se fosse a linha da palma da minha mão. Escrevo assim o horizonte com o brilho das palavras meigas em tons de sonhos, enquanto agarro o momento.
 
Enquanto agarro o momento

Tomara eu

 
Tomara eu, poder beijar o sol,
Incendiar os ventos, morder o anzol.

Ter a coragem de olhar a lua
Esquecer as palavras… e ser tua.

Tomara eu, beber a aurora
Misturar-me na terra, trazer o outrora.

Mergulhar sem medo em mar agitado
Esquecer-me de mim… sentir o pecado.

Tomara eu… deixar de ser…
 
Tomara eu

À conversa

 
Baralhei o poema,
parti os versos e dei as palavras.

Rasguei a conversa
entregando a solidão
à passagem do tempo.

Como dizes:
- A morte morde o pescoço,
enquanto o amor morre no chão.

O amor não se arranja,
destrói-se e morre…

…eterno fica o poema…

vandapaz e TrabisDeMentia
 
À conversa

Grãos de areia

 
Majestoso o marulhar das ondas...

Mergulho o olhar na imensidão deste mar
e toco no fundo, refrescando a alma.
Celebro assim a serenidade do Verão.

Desce a brisa e rasga-se o peito.
Soltam-se as cores da tarde quente
estendendo um sorriso lânguido
pelo capricho de beijar o silêncio.

(soberbo o som do marulhar das ondas)

Deita-se o sol a meu lado
espreguiçando o calor na minha pele
e namoriscando os meus lábios secos,
enquanto cai , demorada, a noite.

(fantásticas as cores deste pôr-do-sol)

E a lua…ah! a lua…
que sopra em peito marulhado
deixando um rasto de brilho abraçado no mar
para que sinta o aroma, para que possa sonhar.
 
Grãos de areia

Pausa

 
Tenho saudades das cordas da lira, dos sons que trocavam beijos no ar gemendo prazer longínquo. Do ar descontraído daquele espaço enlaçado num abraço dado à noite. Da lua literária que brilhava sílabas quentes que se encostavam aos corpos ansiosos por um momento. Tantas frases que deixei, naquele corredor sem paredes, que se teceram entre elas deixando um tapete feito poema. A pertinácia da distância causa o sabor amargo da impotência.

Roubo às palavras um sentido, aquele que mais me satisfaz nesta pausa. São estes momentos que me obrigam a olhar para o lado e a ver o vazio de outras vidas. Apago a chama de algumas feridas, recolho olhares cansados e secos e entrego-me à oferta de sorrisos que arranco a medo da alma. Sim, tenho medo que seque o poço da paz e que cresça o sabor da discórdia. Tenho medo que as heras não tenham força de se entrelaçar, verdes, em nós.

A amizade é ponte segura para passar o tempo e a distância de mãos dadas, sem recuos. Mas a amizade às vezes também tem fome. A amizade também tem sede. Quanto tempo aguenta a amizade o jejum de um abraço?

Desta galactorreia que brota dos seios da poesia, pouco já sorves, farto de palavras, cansado de falsos sentimentos. Compreendo que o peito também adormeça quando o sangue corre devagar. Compreendo que o sol por vezes se afaste e se resguarde por trás da ovelha feita de nuvem, para que possa despir o braseiro e ser frio sozinho. A terra também se cansa de olhar o céu, chorando por vezes barro vermelho, implorando, que este (o céu), se faça espelho para que possa admirar as searas.

O choro das almas corre triste porque não existe uma solução. Todos se afastam das responsabilidades para com os que respiram. O choro das almas escorre-nos nos olhos todos os dias.

Gostava eu de me alimentar de sorrisos, roubar lábios inchados de alegria. Mas globalizámos a tristeza, doença altamente contagiosa que nos empobrece a mente, que nos atrofia o pouco de senso que ainda temos. Estamos claramente numa guerra mundial de sentimentos onde a crise afecta os valores, a amizade e a esperança.

Quando uma criança, a sorrir, corre até mim de braços abertos recebo o mundo e viajo na sensação de que tudo o resto não importa. Mas é por ela que enfrento o futuro. É por ela que ganho força para caminhar.

Tenho o hábito de recolher o brilho das estrelas e guardá-lo nos sonhos. Sei assim que acordo feliz todos os dias trazendo a alegria aos que me rodeiam. Talvez eu esteja fora de moda, talvez não devesse ser feliz. Talvez não devesse sonhar. Será proibido recolher o brilho das estrelas?

Encosto-me ao sabor das memórias sabendo que são elas que me amparam nos maus momentos. Encosto-me aos olhares de quem me lê na esperança de um salto, na esperança que alguém leve a minha mensagem no peito e seja feliz. Porque trago um sorriso escrito nos lábios e uns olhos pintados de esperança. As palavras são apenas a ponte.
 
Pausa