Poemas, frases e mensagens de Gothicum

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Gothicum

tempo sem tempo

 
O meu tempo, o tempo do mundo e o tempo que não existe!

Toda a nossa vida e formatada em relação ao tempo. Vivemos, corremos, sonhamos, rimos, sorrimos, choramos, odiamos, fodemos, caímos, desesperamos e por todos “emos ou amos” que existem, temos todo o tipo de emoções sempre em determinados tempos da nossa vida. Somos relógios vivos em que a corda é dada pelas emoções que vivemos ou desejamos viver. Os Realistas, na sua teoria filosófica, defendem a existência do tempo fora da mente humana, enquanto que, os Idealistas/ Anti-realistas batem-se com a unicidade de tempo com a alma humana e com o seu pensar – tudo é realizado a seu tempo e no tempo de um advir específico. Quando lia kant percebia que ele negava por completo a realidade física do tempo, dizendo que o tempo é apenas uma medição em que acontecem as coisas e a que todo o universo se expõe. Nisto tudo há algo que nenhuma lei ou filosofia consegue explicar, seja na área da metafisica seja na área da realidade quântica – a nossa experiência pessoal com o tempo! Todos nós vivemos o tempo à nossa maneira, ao nosso gosto, com a nossa forma de ser. Temos tempos mortos, tempos vivos, tempos de mentira, tempos de verdade, somos seres fora do tempo e em que o tempo deixa de ser a realidade quando imaginamos outros tempos que não vivemos. Einstein, na sua teoria em que fala das pontes que nos ligam no tempo, seja ao futuro ou ao passado – Pontes de Einstein Rosen/ Wormhole – deita por terra todas as filosofias que se dedicam ao arquétipo do conhecimento empírico. Diz que através de uma determinada energia conseguimos recuar no tempo ou avançar no mesmo. Relembra que ao recuar no tempo poderemos mudar por completo o presente e por sua vez o futuro. Aqui, a base científica, mostra-nos que afinal o tempo é algo tão unido ao que somos que qualquer alteração do mesmo mexerá com aquilo que pensamos, fazemos, amamos, criamos, sonhamos.
O meu tempo, tal como o dos outros é único no presente. Neste segundo em que escrevo, nesta fracção de tempo em que apenas debito tempos mortos, vivo a intensidade plena nas palavras que derivam de um passado aonde o tempo me ajudou a ser o que sou hoje. Sou uma alma que acredita por completo na Teoria das Cordas, na possibilidade da existência de universo paralelos e, em que os mesmos, por energias temporais, se conectam em emoções, vivências inexplicáveis, visões, sextos-sentidos, premonições ou sensações de vidas nossas que não conhecemos fisicamente mas, que em certas alturas, as vivemos noutra realidade temporal. Explico, assim, a mim mesmo, muitas das acções que faço, muito dos pensamentos que tenho, muito dos sonhos que vivo, muito das dores que carrego. O electromagnetismo que existe em nós, que nos faz ter certas acções, que à partida não queremos fazer, mas que as fazemos sem explicação racional, ultrapassando todas as barreiras que colocamos a nós mesmo dentro da nossa mente, mostra-nos que apenas somos feitos de colisões electrónicas, em que os átomos interagem o meio envolvente e em que a motivação mental/corporal não existe, mas a apetência para ligações iónicas é tão forte que nada nos faz parar, como que naquele segundo, não fosse a nossa mente a mandar em nós, mas sim a descarga energética que o meio nos dá e que nos comanda durante segundos. A mentira e a verdade, o doce e o azedo, o bonito e o feio, tal como todos os opostos são termos tão insignificantes no mundo científico do tempo infinito, que é tão questionável uma verdade pura como uma mentira nata. Tudo se torna igual se formos ao centro nervoso da produção de emoções, tudo se resume a energias, puras energias num determinado espaço-tempo que se unem em ligações sinápticas e que produzem, isso sim, efeitos na realidade do segundo em que as fazemos (mas no dia em que conseguirmos dobrar o tempo como dizia Einstein, a verdade deste segundo, a acção e emoção deste segundo, pode deixar de existir, tal como a própria pessoa que o realizou - porque o tempo é mutável e por conseguinte tudo o que existe dentro dele).

Sem tempo e sem destino, mas predestinado e perder-me na intemporalidade de um tempo em Universos Paralelos onde existo por fracções de segundos e aonde as palavras não têm tempo nem destino.

“A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente.”
Albert Einstein
 
tempo sem tempo

ser(te)

 
Como uma sombra
uma dor
como uma chaga no peito
uma abertura na noite escura
na imortalidade da alma
uma paz sem cor
uma ternura ao teu redor
no ódio e no amor
Serei(te)
(nesta redoma inerte que te vive)

Como uma ave negra
um encantamento
uma voz na treva
um chamamento
um desejo ardente
quente
na carne que se imiscui
um espírito
uma alma
que te possui
Serei(te)
(quando o orgasmo grita em silêncio)

Como um anjo do inferno
caído
perdido
tombado na celestial queda
com as asas rasgadas
no corpo de uma mulher
consumida
consumada
forjada pelo fogo
pela sombra amada
Serei(te)
(enquanto dormitares em chamas ardentes)

Como um agouro
um canto amaldiçoado
uma cruz perdida
um vulto escondido
imperfeito
mas não vencido
uma alma à deriva
nesta corrida esquecida
lembrada à memória
vertida à pele
aonde os tempos contam a história
do que sou
sendo o que nunca fui
sendo o que te sou
Serei(te)
(nas mil páginas escritas e reescritas pelo sangue da vida)

Como um fantasma de vida
que não se vê

ou canta
como um penado vivo - espectro!
deambulando dentro de ti
e por ti
à noite
no quarto onde te deitas
aleitas
e te vens
Serei(te)
(o caos perfeito quando te tocas e sentes!)
 
ser(te)

entre os silêncios

 
"...entre os silêncios dos olhos, Alexandre, sentado entre as raízes de uma velha nogueira, entrava no mundo sagrado de Cervo Branco, guardador da Floresta Sagrada, do mundo ancestral, da magia antiga que ainda povoava as zonas mais remotas do bosque. Estava entre o limbo dos vivos e a noite eterna dos mortos, viajava entre a centelha divina e o metal fundido que carregava ao peito."

...era tarde, tinha sentido, dentro de si, o velho chamamento da Floresta. Colocou sobre os ombros o velho capuz dos conventículos e saiu de casa. Embrenhou-se por entre a ramagem do bosque, seguindo a melodia que lhe ecoava nos ouvidos. Era um som de flauta calmo, sereno, em tons de choro, mas que o chamava, como só ele o ouvisse, como só o seu interior o perscrutasse, o sentisse. Estava a anoitecer, era tempo Outonal, as folhas começavam a ficar com tons dourados, mexendo-se ao sabor dos ventos, dando um ar de ouro vivo à floresta. Caminhou, andou durante algumas horas, seguiu o som, seguiu o instinto que o levava a sair de casa e a viajar dentro de um mundo que muitos poucos teriam coragem de seguir. A floresta cada vez mais se adensava, os tons dourados davam lugar a cores mais negras, mais escuras, os galhos das árvores fomentavam figuras humanas, o vento era frio, uivava, como se estivesse a vir de dentro do lobo negro da noite dos tempos. Alexandre sabia que nada disto era real, percebia que estava perto do reino mágico dos Elementais. Escurecia a passos largos, sabia que se pernoitasse ali iria entrar no mundo das alucinações, ia estar no limbo entre os vivos e os mortos. Encontrou uma clareira perto de um riacho. Organizou a pernoita com o que havia ali. Pegou em algumas pedras e formou um círculo que encheu de velhos pedaços de madeira, que existiam espalhados pelo chão. Trazia na algibeira um pedaço de broa de milho a que juntou uma fatia de queijo de ovelha. Acendeu a fogueira, sentou-se, e começou a petiscar. Tinha andado durante algumas horas por terrenos acidentados, estava cansado. Comeu, devagar, sem pensar em nada. O som da flauta há muito que tinha deixado de ouvir, acostumava-se aos uivos dos ventos e ao ranger das árvores. Comeu devagar, levantou-se e foi beber água no ribeiro. A água era pura, cristalina, emanava um aroma doce, talvez porque existiam, no rebordo do ribeiro, flores de jasmim e violetas. Bebeu, devagar, sentiu a água a entrar dentro do seu corpo, sentiu-se a ser invadido por uma sensação de leveza, de sonolência, tendo, aos poucos, começado a sentir algumas alucinações. Levantou-se e foi-se aconchegar ao lado da fogueira. Caiu a noite, o frio entranhava-se nos ossos, Alexandre encolhia-se o mais que podia perto das labaredas, ouvindo estranhos gemidos e vozes que vinham do breu da floresta. Entrou num hipnótico sono, não sabia se estava a dormir ou se estava acordado. Via imagens a passar ao seu lado, figuras mágicas que libertavam pólen de ouro e quando o mesmo caía ao chão, transformava os restos dos galhos velhos em plantas a renascer e florir. Via-se sentado, estava sem se conseguir mexer, ouvia o canto de uma voz, linda, límpida, algo que lhe soava a familiar. Sentia que alguém se aproximava, via um vulto - era uma mulher, tinha a certeza disso, vestia algo encarnado, com uns cabelos de fogo pelos ombros, acompanhada por um lobo branco. Não era um corpo físico, era algo que via, concreto, mas que, ao mesmo tempo, percebia que conseguia se mexer por entre as árvores, trespassando as mesmas e sempre a sorrir, nunca tirando os olhos dele. Era noite cerrada, Alexandre apercebia-se disso, mas onde a figura esbelta passava, raiava um Sol de Outono, como se fosse seguida por algo que lhe fazia emanar luz. Beliscava-se para tentar perceber se estava acordado ou não, sentia dor, mas não tinha a certeza disso. A figura aproximava-se dele, transmitindo-lhe paz e serenidade, mas ao mesmo tempo, conseguia que alguma sensações inferiores lhe povoassem a mente. Não falavam, apenas olhavam um para o outro, viam-se, sentiam-se, tentavam comunicar-se sem ruído, tentavam perceber o que o mundo lhes estava a dizer. Alexandre, num rasgo de impaciência, deixou cair uma lágrima, e depois outra e mais outra. Não continha o que lhe estava a sair do peito, não conseguia controlar a emoção que sentia, percebia, agora, o porquê daquele chamamento para dentro da Floresta Sagrada. Ela olhava para ele, levitando-se um pouco, acenando-lhe com a mão, tentando-lhe transmitir a confiança que ele tanto necessitava. Tal como lhe apareceu também desapareceu. Ficava novamente sozinho. Não se ouvia barulho algum, ate o murmúrio da água do ribeiro se tinha calado. Estava escuro, restavam uma réstia de brasas na fogueira, mas não tinha frio, estava bem. Adormeceu.
O dia começava a raiar. Ouvia, novamente o som da flauta, a floresta estava verdejante, o escuro tinha desaparecido, tal como tinha desaparecido os fluidos negativos que embarcavam em si de tempos a tempos. Desfez o acampamento, colocou as suas pequenas coisas, os seus nadas na algibeira e continuou o caminho. Não sabia para onde ir, mas sabia o caminho a seguir, não sabia o futuro, mas conhecia bem o presente, não percebia o destino, mas tinha a certeza do ar que respirava. Caminhava pela sua vida, pela sua história de vida, pela sua fortuna interna, pela sua forma de ser e de se dar. Lembrava-se de algumas coisas da noite anterior, não muitas, parecia que tinha estado num plano vegetativo em que as imagens ficam distorcidas mas que o som é bem audível. Lembrava-se de uma frase do lobo branco, das poucas coisas que tinha saído daquele animal mágico, uma fala em pronuncia perdida nos tempos e dos tempos dos sagrados guardadores do azevinho primordial.

"lembra-te homem que nada tens, tendo tudo o que precisas!"

continuou o seu caminho entre veredas e árvores frondosas, ia tentar encontra o centro psíquico da Floresta Sagrada, o Círculo onde habitava o Senhor da Vida, onde tentaria perceber a sua existência neste mundo terreno.

O caminho é longo, haja pés para que possa ser percorrido, palmeado, vivido entre medos, alegrias, sorrisos e lágrimas.

O caminho é longo, ele sabe disso, mas nunca desistirá dele...porque ele é a sua vida!

In Diário de um Feiticeiro - Livro das Sombras
(Agosto 2014)
 
entre os silêncios

Anéis de vida

 
"quando as marcas do teu existir marcam a tua vida, impreterivelmente marcarás a vida de outros!"

Tinha preso aos dedos as marcas de uma vida carregada de simbolismos quiméricos. Olhava para cada um deles, para cada argola adormecida, como extensões de uma vida sonhada ao detalhe. Sentia-se despido quando os tirava, algo lhe faltava, algo que o tornava incompleto, ausente, diferente do que era, diferente do que sentia. Se um lhe mostrava que o Universo é um todo nesta vida, o outro, dava-lhe a serenidade de águas calmas em dia de tempestade em terra. Eram pedaços que o protegiam do frio dado ao espírito e que lhe relembravam o porquê de estar aqui, nesta encarnação, a viver a vida que tinha, a sentir agarrado à pele os anátemas de uma prisão em si. As pessoas olhavam-no com olhos de soslaio, reparavam nas mãos percorridas por contrastes diferentes em que os pulsos ostentavam karmas tão antigos como a humanidade em si. Estranha criatura, calada, silenciosa, que vive entre dois mundos - ser o que é num mundo de faz de conta!
Vivia símbolos antigos, como vivia no acreditar de respirar do hoje. É assim desde que se lembra, desde que consegue ter capacidade de se recordar do valor que dava aos significados estranhos, as formas químico/telúricas que, sempre, desde criança lhe despertava a atenção. Ri-se com o "Fake" mundano de certos corpos que deambulam pelos caminhos humanos, almas que tentam realçar o que nunca tiveram, o que nunca foram e o que nunca sentiram. A vida ensinou-lhe que não devemos ter medo do lobo, do ser que se apresenta como sente ser, mas sim, da ovelha, que veste pele de lobo, da alma cognoscente que sabe a forma de enraizar nos outros hipérboles de verdades unicamente dadas aos olhos.

Hoje, bem hoje e depois de muitos segundos, de milhares de tempos vividos, adormecidos, sonhados, pergunto-te, e então, já consegues perceber se havia alguma verdade em mim? Se o que te mostrava ser é o que realmente sou? Se apenas te oferecia pautas de música em que os violinos te davam o que querias ouvir ou, se realmente, a melodia sem pauta que eu tinha era verdadeira e sentida? Escusas de me responder, responde-te a ti mesma, fala contigo, ouve-te e sente-te!

Sabes, as mãos continuam as mesmas, assim como as argolas negras, de prata, os símbolos de vida que se prendem a elas, mas há uma diferença, uma grande diferença. Hoje, neste dia pela graça do Senhor, elas sorriem, brilham, mesmo que sejam enegrecidas pelo tempo e pela vida que já viveram. Brilham, irradiam luz, libertam sonhos porque hoje, bem hoje, com todos os símbolos que têm impregnados nelas próprias, podem também dizer...

" Somos mãos afortunadas, porque a vida pousou em nós, ao, simplesmente, segurar nas tuas!"

"Sê aquilo que és, certamente, serás mais feliz e farás mais feliz os outros!"
 
Anéis de vida

quimérico

 
Ela era um ser de Ar, viajante de sonhos percorridos por brisas frescas, por momentos, onde a leveza da vida, lhe transformasse os segundos em eternas lembranças à pele. Sabia como flutuar nas suas emoções, como deixar os cabelos de fogo surripiarem o oxigénio das almas que a olhavam, provocando e oferecendo o doce veneno de algo único que se sente, partilha e se tem uma vez na vida, um milagre. Ele era profundidade abissal de Águas eternas. A calma efervescente de um mar antigo, onde a fluidez da emoção é abarcada por ondas navegadas em serenidades plenas ou em tsunamis, que embatem com toda a sua natureza, na possibilidade de um combate de titãs.
Durante muito tempo, a brisa batia na tona da água, agitando pensamentos, provocando perguntas para as quais ele não arranjava respostas, Era como um perfume que se conhece mas que não nos vem à memória o sítio, o lugar, ou a pessoa que o usa. Eternidades em cima de eternidades, procurou perceber, procurou compreender, como é que um mar tão dono do seu destino, conseguia que uma aragem desconhecida lhe povoasse as ondas, com pedaços de razões, para as quais, as razões não existem.
Um dia, numa aurora de vida, sem medos, abriu-lhe o peito, mostrou-lhe a água mais pura de que era feito, a forma mais fluída, doce e verdadeira com que se podia apresentar. Eram tão distintos, tão diferentes, mas tão complementos, que não tardou em se aperceberem, que mesmo os elementos primordiais, também vivem de sonhos e quimeras. Ela desceu ao mar, embrenhou-se nas ondas, e sentiu o calor de águas que a abraçaram como se sempre fosse a sua casa. Ali, em silêncio, entre o por-do-sol e a noite estrelada que ia caindo, deixou-se embeber na magia das lendas antigas, onde, nos corais mais profundos, viviam os tesouros escondidos dos amores entre ninfas e humanos que percorriam o mares.

"Serena-te em mim, vive-te em mim, porque só assim me deixarás viver-te." - as palavras que lhe segredou ao ouvido no dia em que o milagre aconteceu.

porque há contos inacabados que precisam de um final feliz, seja numa nuvem alada ou num oceano quimérico.
 
quimérico

Baú dos ventos

 
Baú dos ventos
 
 
Baú dos ventos

...lost inside...

 
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Vozes, sons que se repercutem no tempo
Credos de outrora, de passados nunca exigidos
Murmúrios da alma que passa, levada no vento
…nos alentos das despedidas terrenas (sádicas e serenas)

Corre-se então pelos limbos fúteis das noites eternas

Passa a voz, passa mão fria, desdenhosa sequita
Voando nos nevoeiros da memória, atravessa a linha
Puxa-nos…Nas odes das contingências enganosas
Arrasta a aura, corrompe o corpo que definha

Desdobra-se o gelo das estalactites em pingentes vadios

Chama o silêncio
Grita… sufoca a queda, a despedida
Erguem-se os frios…

Encontra-se, então, o despir da negligência mortal
Na brutidão do cair, desmaiam as secas lágrimas
Despejadas das latrinas faciais, das faces rodadas
…e caiadas…
…tumbas oculares, feneces teu corpo
Oh! Cismas, quão mal amadas!

Olhas e vês…
Sais de ti, saltas para fora, derrapas nos ventos
Escutas o inaudível grito do abismo
…e ouves as vozes, onde estão?
…e lês…cravado na pele
La solitudine del Principe…do nada
 
...lost inside...

Beija-me...

 
Beija-me...
 
 
Beija-me...

...sem rumo...

 
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Longe de tudo e de todos, do meu caminho
Da estrada que incorpora a estática subtileza
…que se estatela no chão!
Perdão, agora parto… (viajo nas letras que desalinho)
E escondo!

Ignoro-me!
Parto, perdido na agudeza penetrante da inteligência
Nas voltas da fereza e dos agouros…e beijo
Os beijos nunca dados, nunca pedidos
Esquecidos!
Nos sortilégios da impura demência.

Leio!
Nas voltas do tempo, carrego as arruelas
As lanças e os punhais.
Neste fardo jocoso de ferro e lata
Dom Quixote das quimeras…letais!
Esmago a pouca consciência…que me mata!

…e sonho!
No conforto dos espinhos e dos tojos
Amaciando a viajem…que se espera
Derramo a última tinta, o último fel
Rasuro o peito, a chaga, abre-se a fera!

E canto…
Feliz a partida, nas hastes da memória
No silêncio…
Na alta esperança da minha vã escória.

Circundo-me em mim mesmo.

" Talvez seja este o aprendizado mais difícil: manter o movimento permanente, a renovação constante, a vida vivida como caminho e mudança."
(Maria Helena Kuhner)
 
...sem rumo...

pelo teu olhar

 
Antecâmara do Ser

...carrega nos lábios o sorriso de uma quimera com aromas de jasmim, no peito o adocicar festivo de um sonho e no espírito, bem aí, deambulam ardências de uma mulher cognoscente do que quer e como quer, sabendo colocar a alma que tem em pleno estado de graça.

Alma na Plenitude

...e se a alma vive, então, o corpo, esse, encarrega-se de se transformar num devir sagrado de plena e única comunhão com a pele que a acarinha! E está ali, todos os dias, a todas as horas, sorrindo, cúmplice de momentos.

Estoicismo Platónico

...depois vem a vida, tal como ela é. Criam-se racionalidades, olha-se o tempo e percebe que a luta nunca terminará pela benquerença do que deseja e a faz feliz. Luta, chora, desfaz pontes, une margens, torna a distância curta, pequenina, agarra-se ao divino, torna-se pagã, ultrapassa Adamastores para que o seu percurso, a sua viagem, seja, apenas e só, uma Boa Esperança. Navega por entre mares tumultuosos e águas negras para atingir o Nirvana pelo qual luta - atingir a plenitude de apenas ser feliz!

A Morte do Conhecimento

dá-se em plenos lençóis brancos, unindo bocas, corpos, almas. perpetua-se em tempos infinitos - no finito de duas vidas reencarnadas. Acolhe o corpo do outro, vive-o e morre para ressuscitar outra vez e mais outra. Agora é Deusa, celeste, infernal, humana. É apenas e só Ela, única, sensível, esboçando sorrisos que nunca se perderão na memoria vindoura...e parte.

O Recomeço Quântico

volta a carregar nos lábios o sorriso de uma quimera com aromas de jasmim....

O Eterno Retorno da vida, apimentada pelo gosto único de querer viver (quem a ama) Amando!
 
pelo teu olhar

Taikatalvi

 
"Na terra do inverno um momento é como uma eternidade,
Se armou pra mim como as patas de um gatinho.
Aqui na fonte de histórias que eu vivo,
Onde o violino da saudade infinita
Pinta sua melodia eterna
Despertando a terra com sua canção."

Chamavam-lhe Inverno Mágico...
(porque era nesta estação que tudo acontecia)

Era uma criança como tantas outras. Tinha nascido numa casa farta, onde a dispensa estava cheia, mas aonde os afectos ficavam perto dos degraus da escada que davam para a rua. Tinha uns olhos meigos, castanhos, com um cabelo meio apincelado de loiro. Deixava sorrisos nas velhotas vizinhas, que quando o viam, apertavam-lhe as bochechas, ofereciam-lhe os mimos que toda a criança gosta. Gostava de brincar no meio da floresta, onde era rei e senhor de um exército formado por astes de mimosas e ramos de castanheiros. Construía castelos, defendia os necessitados, tudo naquele espaço de encantar. Brincava quase sempre sozinho, era de uma terra pequenina, com poucas crianças e, as que havia, eram meninas. Passava horas sozinho, mas não estava totalmente só. Dos muitos brinquedos que lhe davam para estar entretido, aquilo que mais gostava, era um pedaço de um motor manual de uma caixa mágica. Quando se cansava, sentava-se junto ao tronco de uma velha árvore, e começava a dar corda. A melodia deixava-o sereno, fechava os olhos, e ouvia e ouvia, uma e outra vez sem se cansar. Aquele menino, puro, sem maldade, lançado ao mundo, foi crescendo, foi tendo a noção de que o mundo não era afinal um mundo de encantar. Era um mundo frio, onde eram lançados para os seus meandros, almas, seres que deveriam pagar por lapsos de vidas anteriores. A caixa da música continuava a ser a almofada, o ombro, o lenço para as lágrimas, a esperança para o futuro.

as voltas que o mundo dá, as voltas que a alma vive.

afinal de contas, neste Inverno Mágico que se aproxima, como em tantos outros, a melodia estará presente.

porque afinal de contas a criança nunca cresceu e nunca viu o mundo tal como ele é

Taikatalvi
 
Taikatalvi

Vida? Arrancando as Vidas

 
Vida? Arrancando as Vidas
 
 
Vida? Arrancando as Vidas

Avis rara

 
Quanto maior a armadura, mais frágil é o ser que nela habita!"

Um ser de extremos, um homem, um menino, uma criança eterna que vive entre a realidade áspera ditada ao corpo e o sonho contado à alma. Um ser de extremos, uma alma viva, um solfejo incandescente que se desdobra entre a possibilidade de ter e uma mistura de emoções a percorrer-lhe a mente, uma tortura gélida que o impossibilita de se emaranhar, profundamente, nesse novelo que o tem ensinado a desapertar nós, apertando os mesmo na luta por apenas quererem existir. Um ser de Extremos, uma personagem que se mostra distante, intocável, sem a possibilidade de ser atingido e um figura que chora, que se dá, que se emociona com a mais pequena lucidez de carinho que lhe transmitem. Um ser de extremos, uma armadura feita de puro titânio, uma fronteira de pedra, um castelo frio, onde existe um calabouço para as emoções e um ser perdido, um autêntico castelo de cartas que se esbate no chão ao mínimo toque, à mínima brisa que por ele passa. Ele, um ser de extremos entre os extremos do pensamento vivo onde a emoção não se esconde . Frágil, amedrontado, incapaz de suportar a ausência, a troca, uma sensibilidade tão ínfima que se entranha nas pontas dos dedos, um menino que olha para o longe, que não suporta a transferência de peles, de essências, que não consegue imaginar a possibilidade do abismo quando imagina a dádiva de sabores, que não dorme porque o sono amedronta-o, porque nessa altura não está desperto.
Quanto mais tem, quanto mais sente, quanto mais se dá, maior será o desespero de um sentimento que se espalha, preenche, que atinge todos os poros por onde a pele respira, que abarca todas a ínfimas partes de um organismo que se ajoelha, olhando para a Terra e respirando em si mesmo pensa "apenas quero ser feliz".
...é uma alma feita de pequenos morfemas, de palavras simples, carregadas pelas ondas de um (a)Mar percorridas pela (br)isa, onde a sonoridade carregada de R se transforma na fluência simples de uma corrente branda em uma assimilação à pele onde a palavra fica tatuada.
Um ser de extremos, perdido, encontrado, que ri, chora, que tem, todos os dias, aprendido a caminhar, a andar, a voar para além de ele mesmo,

e se o encontrares na cave, lá no canto, naquele espaço contiguo ao inferno, de olhos lavados em lágrimas, não tenhas receios, porque apenas se encontra lá para se proteger, esconder a sua fragilidade...porque é tão simples ter medo!

...e se o medo existe, talvez seja porque tu também existas!

Um ser de extremos, apenas e só!
 
Avis rara

Se tu estivesses aqui...

 
Se tu estivesses aqui...
 
 
Se tu estivesses aqui...

...Sol negro...

 
As vozes gemem o pecado
Soluçam…
Abrem-se à pena descalça e fria!
E a empobrecida carência do sonho.
Reza-se, ora-se… (neste tempo perdido)
O devir passa, perde-se na aurora
(que não chega, que não rompe)
O Sol Negro, cósmico, submersível
Desleixa os seus raios nos gelos oceânicos
Arrefecendo os gritos às ninfas chorosas.
(derramando as suas lágrimas, seus choros)
…e estas, em silêncio!
…murmuram…sibilam…
Disporás esquecidas no mar do corpo
…onde a eternidade fala…
Sente-se a multidão interna, fechada!
Tantas vozes, tantos sons inaudíveis
Ocas as palavras que se soltam dos lábios
Presas, guilhotinadas…encarceradas!
Apressasse o tempo, razia o medo.
Esmagam-se os entardeceres tardios
Pois a espera longa desvanece
(cai no esquecimento)
Outro Sol, mais límpido raia no horizonte
Brota sua luz, encanta!
Apagando, solenemente, sem dor
O seu gémeo, o augúrio dos medos!
O que arrefece as horas
...os laivos do tempo.
Perdendo-se a religião
...a fé! A pouca que tinha!
…onde…
…o negro encadear das sombras
Reflecte o silêncio
O simples!
Sol Negro.
 
...Sol negro...

Silêncios da Lua

 
No silêncio da Lua
descalço
sem medos
longe dos enredos
de pele nua
crua
adormeço
nas noites perdidas
aonde encontro a minha mão na tua

No silêncio da Lua
despido
quimérico
adormeço
aconchegando o vivido
o querido
o sonhado
naquela história, de encantar
de ninar
aonde o amor se sente amado
 
Silêncios da Lua

rosas...meu amor são rosas!

 
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Rosas, minha dor são rosas.
Tombadas feridas…apagadas da memória!
Secas as pétalas da luxúria…adormeço
Caio nos constantes desmaios das prosas…

(…nos constantes creres apagados, desfaleço!)

Dormência, factura de vida que seca a raiz do medo!
Enredo, parcial dos meus olhos, de onde ardem os tempos

(…e os lamentos…imaculada cor que enganas.)

Rosas negras da agonia, pestilência imortal
Como brotam os aromas da frivolidade da alma
Perco o norte, perco a chama, perco a calma
…finalizo a fuga, adormeço nesta erudita cama.

Rosa de sangue para onde vais?
Sereno nos espinhos cravados e varridos do corpo
Desmaio nesse cálice de vida… lembrança, pecados
Acredito, nas pétalas que caem, que fenecem a crença.

(dos devires e partires para além mágoa)

Rosa, simplesmente rosa, flor da dor.
Cai neste quarto de madeira, pousa em mim
Toca-me, fere-me, corrompe-me o corpo
Derrama tua fragrância, este será o meu atractivo….
…este será o meu fim…

"Roses, are black roses for you today..."

"Nas grandes crises, o coração parte-se ou endurece. "
(Honoré de Balzac)
 
rosas...meu amor são rosas!

...dá-me

 
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Beija-me intensamente… (desabrocha o fel)
Corrói-me ao êxtase do teu sono, eterno
Faz a vigília cristalina, estes são os lábios!
…fecunda-me com a noite neste Inverno
Onde as frias mãos abraçam a vida viperina.

Tacteia-me os pedaços nus da alma
…deste corpo vazio e exíguo! Pleno
Sussurra-me baixinho…”levo-te”
Tira-me deste Eden, dá-me o frio
Aquele que há no doce partir e sereno

Sangra-me nos poros da raiva
Dos credos e das oportunidades loucas
(rebenta-me a vida, atiça-me à passividade dos medos)
…e dos espíritos cheios de epítetos de saudades
Magoa-me, fere-me à ode surda, mouca

( acende as velas da despedida)

Dá-me a cama, o leito de espinhos
“que seja apetrechados pelas hipérboles da dor”
Quero o gelo que possuis, quero os teus caminhos
Quero ver esse teu mundo onde desiste a cor

(ser cego nas invisibilidades deste enxergar)

Tudo é pouco, neste nada que de nada tem
Preenchendo o cheio com o tudo…que de nada existe
Puxa-me para as sombras, os abismos do tempo
Finca em mim esse abraço de morte, estou à espera, vem!

Quero essa sorte…
…esse destino…descansar…adormecer
…eternamente…
 
...dá-me

...no silêncio do desejo...

 
…era tarde, na lareira ouvia-se o estalar da lenha, amordaçada, inquieta pelo fogo que ardia sem compaixão. Os olhos caíam nas lajes frias de granito que, como legos encaixados, cobriam aquela parte da cozinha de campo. Sentia-se o entardecer rápido da tarde Outonal. Lá fora, as árvores, já meias despidas, balançam os seus ramos numa sinfonia de saudade esperando o escurecer, mais um, deste devir de recatamento bucólico e interior. O escano encostado à parede, já com alguma centena de anos de idade, continua a suportar o peso dos companheiros que por ali descarregam o peso do dia. Mesmo ao lado, junto ao fogo, uma panela de três pernas, ferve as mentiras colhidas dos campos, cozinhando mais um jantar, ouvindo-se a dançar dentro dela, os convidados que, juntos, farão o repasto para a ceia que se seguirá lá para o fim da tarde. Com a samarra nas costas, encostado a madeira de castanho do escano, o ser olha para as paredes, escurecidas pelo fogo, que libertando as cinzas do renascimento, faz do branco e alvo estuque a trevosidade negra que se vê e sente. No pensamento corre desenfreadamente o nada vazio, o pensamento da misericórdia dos dias parados e esquecidos dos seres que habitam a solidão granítica da terra. Surge, primeiramente, o bater leve na janela, seguindo-se uma guerra de salpicos atiçados pelo Vento Norte, cantando e recitando em voz alta “…este tempo é meu…recolhe-te…”. A alma agreste, que vive neste limbo esquecido, olha lá para fora, esboça um sorriso melancólico, murmurando no seu pensamento a felicidade que tem por ter um casebre que o protege da borrasca. As horas passam devagar, o tempo parece que pára, dorme eternamente por entre montanhas e vales dos granitos profundos. Mais um toro é atirado para o fogo da vida, ardendo e sendo consumido pelos desejos da ressuscitação na terra onde as suas cinzas repousarão. A cara rude, provocada pelo frio da montanha, é amaciada pela doçura do ser que habita dentro dele, dando-lhe a simplicidade de uma gota de água pura, vertida nos riachos circundantes. Não deseja o mundo, nem tão pouco a iluminação eterna, quer, simplesmente, que a sua companheira de vida não o abandone, nem mude, a solidão que sempre foi pura com ele e que lhe dá o maior tesouro da sua vida…o silencio da paz interna.
 
...no silêncio do desejo...

...jogando com a vida...

 
Moments" rel="nofollow">http://www.dailymotion.com/swf/x7o8uu">Moments of peace by FJ2008
by FER_FJ" rel="nofollow">http://www.dailymotion.com/FER_FJ&quo ... gt;

A Lua, a Deusa amanhece nesse Sol eterno
Percorrendo as arestas dos raios que implodem
...na rasura dos frios celestes...
…circunscrevendo parábolas intemporais!
Dos tempos alados dos amantes...que eclodem!

Faz-se luz nos tempos passados

O sonho parte, partindo as vozes, os sopros de vida
Divindade que não descansa, não dorme… velha idade!
Que sangra os sangues do testemunho final
…e balança as cordas umbelíferas da eternidade

(que apertam as partes vazias do nada imposto)

Lá dentro as urtigas seminais, Omne ignotum pro terribili
Desconheço as afazias dos medos errantes
Aquelas que me redobram as realidades…despovoadas
Embrutecidas…
Enegrecidas pelos incautos desejos de viagens das maresias
Das viagens além Eu!

Incompleto nas partituras da ópera da vida
(desta música sem senão)
Derramando as estrelas…acolhidas pelo vento
Estatelando no chão a misericórdia andante
Tropeço, caio, solfejo o doce ar do canto

Toco no corpo, ausente, escondido, só
Cruzando os dedos em concubinas áreas inertes
Tantas são as paredes brancas que esmagam a luz
Desprezando os queres mais profundos dos encantos
E tu que pela mão a morte vertes!

Completa-se a alternância do jogo
Mais um passo, mais um investir na luta
Dás o mate, tomba-se o rei…mata-se a amada
Chora-se o tempo…
…e sem alento!
Parte-se o tabuleiro da vida desamparada.

Omne malum, etiam mediocre, magnum est

"Voltaire disse que o céu nos tinha dado duas coisas para equilibrar as numerosas desgraças da vida: a esperança e o sonho. Podia ter acrescentado o Riso. "
(Immanuel Kant)
 
...jogando com a vida...

"Quanto maior a armadura, mais frágil é o ser que nela habita!"