Poemas, frases e mensagens de MarcoALSilva

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de MarcoALSilva

Vezes por vezes

 
Vezes por vezes, sempre e sempre, jamais saberei o porquê...
É que o saber e o sentir afastam-se da alma com a paixão...
Meses após meses, mente-me sempre o ter e o perder,
Já que a posse do amor é quimera de um sim pelo não...

Amar é furtar-se ao demônio que guarda seu maior patrimônio:
A sanidade de saber quem é a alma que em seu corpo habita...
Perde-se a certeza pela vileza de um sonhar, um ardor que incita
As emoções que ceifam as flores da razão, doando-nos a paixão...

Amo porque amo e não entendo como possa ser diferente...
Se a sanidade é a frieza, salto ao abismo da alegria embriagante,
Perco-me na estrada da paixão, ao encontro da noite amante...

Não, não me peçam para esclarecer o porquê de tanto amar...
Sabe a estrela a razão de tanto e tanto, só e linda, brilhar?
Sabe o mar que seu bailar, de frente e viés, doa-nos as marés?
 
Vezes por vezes

Não sou Anjo!

 
Uma simples discussão...
Destrói todo um castelo que só o tempo pôde erguer...
Os alicerces continuam, exigindo a retomada, o viver!
Mas o esforço a cada novo edificar é dor, é sofrer...

A tempestade vem porque vem e não diz a razão!
Chovem granizos atirados, por ironia, do cinza do céu!
A ira irrompe contra Deus, contra a vida, venenosa emoção!
E as convicções mais doces, tornam-se amargas como fel...

Não sou anjo nem quero ser!!!
Sou homem e, como tal, não quero asas angélicas!
Sou homem e, simples animal, trago reações gélidas

Que me mantêm vivo para sustentar seres ardentes...
Não tenho defesa contra o que não posso entender...
Só a ira me defende sob o instinto de assim ser...
 
Não sou Anjo!

Dor é Alegria

 
Olhando para o céu, vi núvens e pequenas aves...
Em minha boca o féu que senti às penas e entraves
De um viver de luta com muitas portas, sem chaves,
Diluiu-se ao enlevo do frescor de uma brisa...

Olhando para as núvens vi as aves livres a voar...
Ao carinho do vento, sem medo, em puro sentimento,
Exerciam a dávida que o Pai lhes destinou...
O vôo livre de esperança, de força, confiança...

Olhei para o chão e toquei a fina poeira do solo,
Finalmente consciente de que me cumpre caminhar...
O Pai me doa talco suave e o frescor da ventania,
Nada há que me doa no viver em que dor é alegria!
 
Dor é Alegria

Alegria de Criança

 
Alegria de criança, euforia de adolescente,
Êxtase que embota e entorpece a mente,
Nada que leve tão a sério, nem tanto mal,
Mal dissimulada certeza sobre o carnaval...

Folguedos que da inocência
Sequer têm a lembrança...
Não me digam do arrebatamento
De uma esperança!

Não me falem das dores
E dissabores de todo um ano!
Espinhos existem nas flores,
Sem perdão, eruditos e mundanos!

Não, não me digam do sonho fugaz!
Não me tragam o canto das sereias!
Estão nas praias, frios, sobre as areias,
Corpos inertes de tolos embriagados!

O álcool desvela os demônios cultivados
No cativeiro hipócrita da mera repressão!
Liberta pesadelos sonhados, desejados,
Ocultos na virtude mentirosa da ilusão...
 
Alegria de Criança

O Perfume da Rosa

 
Olá, meu amigo, como vai?
Falo-te hoje sem o fel da poesia...
Fá-lo-te agora pois há muito sabia:
Fá-lo-ia algum dia...

Conheces-me o amargor da escrita?
Peço-te: nem um sussurro meus repitas!
Envenena-me o sono perceber que acreditas...
São mentiras... poemas em cio... fezes que crio...

Não! Não me concedas a dor de acreditar-me!
Enganei-te! Não te ocultes à beleza de viver...
Perdoa-me... Não te insultes à vileza do sofrer...

Por que não olhas à tua volta? Sorria...
Continua existindo o perfume da rosa...
Continua insistindo a ternura, teimosa...

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O Perfume da Rosa

Contraponto

 
Violinos choram a dor da melodia
Enquanto a alma se esvai em notas...
É o contraponto do amor em harmonia
Buscando em si as velhas rotas...

A cadência desvirtua a métrica, insubmissa...
Arroja o pranto da paixão em premissa...
Tripudia o ritmo, obliterando-lhe o andamento...
Revolve o compasso, fibrilando em tormento...
 
Contraponto

O Lobo

 
Olá, como vai? Vivendo a vida?
O sangue se esvai à aberta ferida?
Bobagem... Deixe estar que a dor passa...
Na estiagem o gado morre e o lobo cassa!

O cordeiro vive em seu medo de viver?
A mansidão foi-lhe imposta por dom?
O tigre sobrevive! Não é mau, não é bom,
É a Natureza em essência: é o viver...

A busca do saber é o fruto de Deus
Pilhado à religião de um trono tirano...
O encenado inferno de um teatro insano...

Alegria do mundo! Viver é florescer!
Esqueça sua dor e lute como um leão!
Na selva humana viva por seu coração!
 
O Lobo

Chorarias?

 
Estéril, o sonho desprovido de paixão...
Insípida, a esperança sem a dor da saudade...
Não há alegria se não existe a ansiedade,
Se não há luz, por que temer a escuridão?

Não se pode viver sem o alento da incerteza...
Tempestades ressaltam o prazer da monotonia...
Sofrer uma dor ao desalento da tristeza
É fazer do amanhã o sonhar da alegria!

Se não há sofrer não há prazer, só ausência...
Sem uma dor, o que nos seria o frescor do alívio?
Nos olhos de choro inchaço, reencontro, um abraço...

Se não há reflexo nos meus olhos, que fazer?
Se não há nexo entre os dias, chorarias?
Busca-te! Não te percas ausente a cada dia!
 
Chorarias?

Você Come Carne?

 
Você come carne? Muitos, na verdade a grande maioria, responderá “sim” com a mesma simplicidade com que aponta seus gostos pessoais acerca de uma cor ou de uma música. “Comer carne” é, por si só, uma expressão feia, daquelas que sequer soam bem. Até mesmo a fonética parece indicar termos aí algo ilícito, ou, ao menos, pouco recomendável. Com o português, que é o único idioma que eu domino, fica-me essa impressão. No inglês, “comer carne” soa-me como algo imoral, francamente pervertido. Enfim, comemos carne, a maioria de nós.
Creio que comemos carne porque não realizamos todos os atos terríveis que antecedem o repasto servido em nossos pratos. Já fez um churrasco? Já “limpou uma picanha”? Cortar fora a gordura ou os nervos indesejados não é exatamente algo edificante de se fazer. De qualquer forma, não é a esse ritual pré-culinário a que me refiro como os antecedentes terríveis da sanha com que devoramos as vísceras de outro ser.
Não. Refiro-me à conduta covarde de manter criadouros de seres para destiná-los ao abate, via de regra sob requintes como muito sangue jorrando pelo chão, restos de carcaças acolá, ossos por ali, tendo ao fundo vários homens com suas roupas horrivelmente sujas envergando lâminas enormes à destra. Nossa! Que pueril, dirão muitos. Claro que há os matadouros menos chocantes. Ambientes revestidos, homens uniformizados, tudo muito limpo sob água jorrando – não mais sangue – para rapidamente ocultar a vida se esvaindo pelo ralo, literalmente.
Não importa. O que assusta é pensar que, nessa ordem, criamos, matamos e devoramos outros animais. O prazer sentido com um churrasco bem preparado, como se diz, “ao ponto”, com um pouquinho ainda de sangue na carne, é a certeza de que chegamos ao ponto de tão-somente sofisticar o prazer pela carne que devoramos. Sofisticar? Enfim.
A nossa sorte é a de que podemos pagar para que outros façam esse trabalho canalha para nós. É muito bom podermos dormir sem pensar na dor e sofrimento que infligimos em seres com capacidade de chorar. É isso mesmo. Duvida? Ora, passe uns tempos no meio rural, junto de bois e vacas. Garanto que é um ótimo aprendizado. Eu mesmo vi vacas acarinhando seus criadores, roçando levemente suas enormes cabeças entre pequenos roncos de puro carinho. Vi mais. Vi as vacas atenderem ao chamado, pelo nome, certinho como se fossem crianças respondendo à chamada na escola. Vi os enormes olhos, escuros, romperem em lágrimas depois de divisarem uma pessoa querida que estivera ausente por algum tempo. Aquela pobre vaca teve ao menos a sorte de ser morta já depois de velha, já que era uma vaca leiteira. Só foi assassinada depois que já não mais servia à rapina de sua capacidade de alimentar.
Vacas choram. Têm um choro sentido, silencioso, digno. Diferente dos porcos que gritam alucinadamente quando o “criador” lhe insere uma faca no músculo cardíaco com a habilidade de um espadachim. Claro que o porco apenas atende a um instinto... Claro... O seu grito não é de dor nem sofrimento, não é verdade? Afinal, é apenas um porco. A vaca, afinal de contas, nem mesmo chora. Eu é que estou apenas inventando coisas chatas para tentar estragar o próximo churrasquinho de fim de semana. Justo agora que você estava pensando em juntar à picanha um lombinho, não é mesmo?
Muitos bradam com a Bíblia à mão que Deus criou os animais para que nós, dentre outras coisas, pudéssemos comê-los. Respeito a religião de todos. Por isso mesmo prefiro continuar sem nenhuma.
Não pense que eu estou sugerindo que todos nós nos tornemos vegetarianos. Apenas aqueles de nós que conseguirem.
Os demais, bem, continuemos devorando nossos irmãos menores...
 
Você Come Carne?

Nossa Iniquidade

 
O Universo, e é a Física quem o assevera firmemente, é um imenso oceano de vibrações. É um todo de manifestações ondulatórias que vêm e vão, cruzando-se, interagindo, literalmente convivendo em meio ao corpo universal de que, afinal, elas próprias são elementos estruturais.
Um espiritualista, independentemente de sua religião ou ausência de religião, bem sabe que as vibrações nos circundam, trespassam, conosco ressoam. Nem sempre tal interatividade resulta favorável ao nosso equilíbrio geral. Pessoas sensíveis sentem-se mau tão-só ao adentrarem determinados ambientes, muitas vezes de insuspeitada nocividade. Há também sensitivos que se revigoram ao convívio daqueles cuja alma vibra em paz, espargindo harmonia.
Já as pessoas bem menos sensíveis, aquelas imersas integralmente no padrão denso das vibrações mais graves, terminam percebendo que têm algo diferente da maioria. São os que não sentem nada ruim em ambiente algum, mesmo que outros apontem aquele local como desagradável ou até insuportável.
A grande maioria de nós está no meio-termos entre os muito sensíveis e os quase insensíveis. Não cabe aqui nenhuma crítica, é bom que se esclareça. Pessoas isentas de sensibilidade às vibrações baixas de um local, ou de alguém, nem por isso serão necessariamente menos evoluídas no geral. Da mesma forma, pessoas com grande sensibilidade nem sempre cultuarão o requinte de uma conduta moralmente elevada.
O que se pretende discutir, nessas parcas linhas, é a dificuldade que temos de identificar o que há de influência imaterial em uma dada situação perturbadora que o homem experimente.
A magia dos verbetes técnicos da psiquiatria ou da psicologia não nos esclarece, com seus diagnósticos emoldurados de cientificismo, a essência dos males que perturba o ser, seja no estamento da mera perturbação, seja na desestruturação de sua personalidade. Mas ainda que nos mantivéssemos nos muros da ortodoxia catedrática, no mínimo teríamos o desconforto dos depósitos de psicopatas que se arrastam ou divagam em manicômios. Rótulos de diagnose e tratamento inúmeras vezes são quimeras sofisticadas incapazes de levar àquelas almas qualquer lenitivo.
Nos anais da neurologia bastas patologias deixam assente que o cérebro sofre ataques ou degeneração, o que comprova a efetiva existência de desarranjos essencialmente materiais para os males do tipo a que nos atemos aqui.
Existem psicopatas sem nenhum dano no cérebro. Existem infelizes que perdem a noção de si mesmos por degeneração das células cerebrais.
A coisa toda se complica ainda mais se considerarmos que, num ou noutro caso, pode ou não haver a influência de causas espirituais. Como em tudo na vida, não podemos utilizar a sedução reducionista de taxar as perturbações como “sempre espirituais”. Quase ninguém ignora que o estresse pode levar à deterioração tanto física como emocional. Basta que o homem enfrente um ambiente hostil por tempo suficiente, tendo que se adaptar continuamente à hostilidade percebida, dia após dia, para que seu sistema imunológico baixe, sua auto-estima regrida, numa sucessão fenomênica que poderá levá-lo a um colapso, quiçá fatal. Se estivesse na vida selvagem, fugiria ou lutaria pela sobrevivência. Mas no mundo civilizado, no interior de um escritório de trabalho com extremos de competitividade e, por isso mesmo, quase sempre sob muita agressividade, o ser tem que ambientar os impulsos no teatro da vida.
Existem, pois, perturbações essencialmente psicogênicas.
Nessas fases de desequilíbrio emocional o homem, salvo poucas exceções, não costuma cultivar os melhores pensamentos acerca de tudo à sua volta. Abre todas as comportas da irascibilidade no recôndito de sua mente, insciente de que nada é mais ilusório do que a privacidade de um pensamento.
É nessas oportunidades que fica mais vulnerável à influência de outras ondas mentais de igual teor. Quando o padrão vibratório assume oitavas mais graves, agitando-se nessa seara de ondulações energéticas, recebe por ressonância o aditamento dos harmônicos com que se irmana. O diapasão da alma vibra por si e se realimenta com a vibração semelhante que lhe chega em harmonização. Cada um recebe o que cultua. Cada homem se afina com os pensamentos que merece.
Portanto, mesmo as perturbações essencialmente psicogênicas são, no mínimo, um campo muito fértil para a erva daninha da perturbação espiritual.
Muitas vezes ficamos sem saber o que fazer quando a bênção da medicina tradicional não resulta eficaz e nos frustra o ideal de cura. Mesmo os espiritualistas convictos, com os quais formo, sofrem intensamente a dor de conhecer a causa subjacente a todo e qualquer mal: a incúria.
O grande pecado que cometemos contra nós mesmos é a incúria, a ausência do “orai e vigiai”. Se o erro é a falsa noção da realidade e o pecado é a noção do caráter ilícito da atitude que tomamos, a iniqüidade é a contumácia no cometimento dos pecados.
Pecamos, e muito, em pensamento.
Quem não tem os seus pensamentos inconfessáveis?
Cultivamos a iniqüidade que nos aprisiona nos limites de nossa incúria. Recebemos os harmônicos dos tons perturbados que conosco se afinam. E o pior de tudo: colaboramos para que outrem recebam os nossos harmônicos de dor e desatino.
É hora de nos ajustarmos. Tarda. Somos integralmente responsáveis por tudo o que fazemos ou deixamos de fazer. Somos integralmente responsáveis por cada nesga de pensamento que lançamos no seio da Criação.
 
Nossa Iniquidade

Fere...

 
A vida fere...
Simples assim, a vida fere...
Mas daí, por si, não se infere
Que viver seja apenas sofrer...

Além de sofrer, cai-nos o pranto
E o deserdo de todo o encanto
À infância conquistado pelo amor,
Corroído ainda em flor pela dor...

A vida fere...
Simples assim, a vida fere...
Tudo o mais, desconsidere...

A vida fere...
Simples assim, a vida fere...
Acostume-se e nada espere...
 
Fere...

Cotidiano

 
Olhando para o ontem
Percebo que escapa-me ao agora,
Tanto quanto, à sombra de outrora,
Tudo o que se foi jaz perdido...

Perde-se no tempo
Todo o afã pelo amanhã,
Pois a vida corre solta
No presente sempre envolta...

Na ilusão de uma viagem
Tantos sonhos, frios, ardem
Sob a dor do dia a dia...

Tomo em prece a heresia
De saber-me preso ao dia,
Sem remanso, toda noite, sem descanso...
 
Cotidiano

Meu filho me disse adeus

 
Hoje meu filho me disse adeus...
Tão jovem, achando-se forte, homem,
Confunde-se qual criança com medo,
Perdido, sem esperança ainda tão cedo...

Disse-me adeus mesmo sem ir embora...
Não mais são meus seus olhos de amor...
Foi-se presente na ausência que chora
No silêncio de meus olhos em dor...

Meu filho, hoje, se foi pelo mundo...
Está em casa, mas alheio, feio, imundo,
Nas emoções que cultiva em sua alma...

Hoje sou menos pai e menos crente...
Hoje sou mais forte e mais ausente...
Hoje meu filho me disse adeus...
 
Meu filho me disse adeus

Uma Só Carruagem

 
A vida flui na seqüência comum do dia-a-dia quando, de repente, não mais que de repente – como diz o poeta, o pequeno entremeio de flores se alarga e as estradas distanciam-se, deixando a harmonia dos tons paralelos para a dissonância oblíqua que afasta em definitivo lá adiante tudo o que ainda há pouco era tão próximo. Assim, sem que percebamos, ao nosso lado já não mais temos a estrada na qual parávamos quando precisávamos descansar da viagem que nos extenuava em nossa própria senda. Aquela linda avenida, ali, sempre ao lado, que nos servia de acostamento, aguardando apenas o nosso desejo de parar um pouco a cada milha percorrida. Para onde ela foi? As flores que nos separam dela tornaram-se um jardim, ainda lindo porém largo demais... E assim cresceram deixando mais e mais distante a nossa via segura de apoio que julgávamos tão nossa.

Eis o que tantas e tantas vezes acontece na jornada das pessoas. Eis o choro de quem se surpreende com o óbvio distanciamento que dia após dia afasta, a pouco e pouco, a nossa via segura de apoio. Por que? Porque comumente não cuidamos de nos manter na mesma estrada, não ao lado, mas junto de quem amamos. Decisões são inevitáveis na Vida... Principalmente aquelas duras, que causam dores de uma só vez, lancinantes às vezes. São verdadeiras e vêm de um só golpe, ao contrário do distanciamento que a omissão e covardia plantam, de começo com apenas uns poucos graus de amplitude, levando o barco à estibordo só um pouquinho, mas apontando um horizonte já inatingível para nossa embarcação depois de mais algum tempo.

Se você quer uma sugestão, não permita que a via segura ao seu lado tenha nem mesmo uma única flor entre si e a sua jornada. Eleja, escolha, defina a sua vida junto daquele, ou daquela, que você quer por toda a Vida. Deixe para trás tudo e todos se preciso for, mas esteja na correnteza certa, junto do barco, pequeno ou grande, de que você e seu coração necessitam. Ninguém consegue manter consigo a via livre de mais alguém; é preciso que a estrada seja uma só, com uma só carruagem e dois lugares, um seu e outro dele, ou dela.
 
Uma Só Carruagem

O Vôo das Falenas

 
O vôo das falenas é a Ternura em movimento...
Vendo-lhe a suavidade, sonha o homem
Quimeras pueris que o inebriam e consomem,
No desejo desesperado de jamais despertar...

No sonho tudo é concreto, nada é onírico...

Mas é na incerteza do acordar que se depura
A Razão, prostituída e travestida de loucura,
Incapaz de abarcar o sonho de uma criança,
Incapaz de antever e crer, de ter esperança...

Para a Razão tudo é relativo, nada é concreto...

Que sabemos nós do vôo das falenas?
Razões mil, milhões de centenas... uma apenas?
Apenas uma razão para o vôo das falenas!
O vôo da Alma... o vôo da Vida... Razão esquecida...

Basta-me à concretude o sonho de voar...
 
O Vôo das Falenas

As Ironias da Vida

 
Viver, no dizer de muitos poetas, é uma penosa jornada. A vida tem mesmo momentos difíceis, dor, sofrimento, medos, angústia... Mas tem também momentos de alegria, de riso, de leveza, de sublimidade até. Ninguém conseguiria sobreviver se esses momentos também não houvesse. Talvez por isso exista tanta ironia na vida.

O ser que mais amamos é exatamente aquele a quem atingimos com nossas frustrações. Não temos maiores cerimônias em eleger o nosso grande amor como nossa "legítima" válvula de escape. É o ladrão de nossa caixa d'água, ou, melhor dizendo, de nossa caixa de lágrimas. Pena que a ira comumente seja o veículo desses desabafos destemperados e, a bem dizer, indefensáveis. Triste, não é? O nosso grande amor é quem mais sofre com nossas mazelas, com nossa incapacidade de aceitar revezes que nada têm a ver com o Amor que esse ser nos destina todos os dias.

A alegria de embalar uma criança nos braços, por outro lado, é inexcedível. É uma alegria sutil, silenciosa, um embevecimento de sublime realização. Nossos filhos são tesouros que fazem transbordar do coração o senso de felicidade que raramente nos consola quando, anos depois, é dos olhos que transbordam preocupações, inseguranças e desgostos que esses mesmos filhos nos doam com absoluta generosidade. Mal atingida a noção de si próprios enquanto almas independentes, na adolescência, vergam-se sobre o amor dos pais como o transeunte que limpa os pés no tolerado capacho da entrada.

Ainda por outra, o indômito espírito de poder infinito que os jovens mal contêm no semblante leva à caminhada forte, firme e desnorteada com que todos nós inauguramos a senda de nossa própria vida na Vida que nos convoca à realização. Depois, quando o passo já não ostenta mais o vigor de antanho, os caminhos ficam claros e bem definidos na visão apequenada que os óculos corrigem. É na incapacidade de caminhar que repousa o pleno conhecimento da jornada, sob as nuvens brancas e rareadas dos cabelos que então, talvez, ainda nos restem.

Em toda a vida, seja como for, o Amor teima em arder no peito de todos. Em ao menos um momento da vida o Amor instiga, envolve, domina e conduz a pessoa para atitudes, posturas, providências, tolerância ou mesmo resignação, sem que a razão possa declinar sequer esboço de uma explicação. É assim quando o Amor toca as almas gêmeas que se reencontram, nascendo ali a aboluta e inquebrantável certeza de que a Beleza ali reina. A Beleza que está nos olhos de quem a vê e – quem se importa? – de mais ninguém.

Sim, a vida tem mesmo muitas ironias... Mas são ironias somente porque, também de forma irônica, a ironia está nos olhos de todos nós, que a enxergamos.
 
As Ironias da Vida

Os Tempos são Chegados

 
A maioria ainda não percebeu... mas os tempos são chegados. É verdade. Não se trata de figura de linguagem ou de uma mera invocação do Livro das Revelações. Aliás, não se cuida sequer de um anúncio religioso ou fundado na fé pura e simples dos que vêm no Apocalipse uma autêntica profecia. Os tempos são chegados e isso é óbvio.

Tantos já acreditaram estar diante do julgamento final a cada momento de crise neste planeta... No entanto, ouso asseverar, estamos agora, sim, vivenciando a separação do joio do trigo. Não há uma guerra de homens contra homens, não há exércitos marchando pelas grandes cidades do mundo, não há discursos nacionalistas. Nem mesmo o alarido religioso que segrega irmãos sustenta um conflito universal. Contudo, há um combate constante nos últimos anos, uma batalha cada vez tão mais intensa quanto insidiosa, dissimulada, terrivelmente cruel.

Descerremos os olhos!

Os Quatro Cavaleiros estão sob o comando eficaz da Besta. O Dragão subiu dos Abismos e habita entre nós, soberano enquanto durar sua missão sagrada de vibrar a espada que conduz os réprobos da Lei ao seu legítimo destino nas Trevas, sob seu império, no contexto da Harmonia Universal. Lúcifer é, hoje, mandatário de imenso poder, poder que Deus lhe concede para que a Lei se cumpra.

O mundo é, em todos os seus aspectos, um imenso paradoxo. A Terra hospeda toda sorte de desatinados que comungam da experiência evolutiva ao lado dos que buscam sincera elevação em direção à Luz.

Safras agrícolas são colhidas sob contornos técnicos que vencem pragas e até mesmo os rigores naturais do clima. A fome jamais campeou tanto nos celeiros desse mesmo planeta, ceifando vidas no nascedouro, coroando a inércia de tantos povos que, deixando de promover o socorro misericordioso, tornam-se instrumentos nécios, pífios, ineptos da Luz, ao mesmo tempo em que recebem galardões e medalhas do Demônio. Por outro lado, o Mundo todo se une, se irmana, se aproxima, descendo barreiras e fronteiras, interagindo com extremo dinamismo nos fluxos imensos de recursos e riquezas de lá para cá, daqui para lá, mais ali e acolá. Longe dos navios, dos aviões e da fabulosa rede de comunhão virtual, bilhões de homens prostram-se nos mesmos moldes antepassados de tradições castradoras e impedientes do universalismo que seria o reflexo da união que o próprio Cristo veio ensinar.

Mal superado o susto inicial pela peste que consome desatinados das sensações e das paixões desenfreadas, a cada pequeno e claudicante passo da conscientização inadiável miríades de invigilantes são derrotados pelo descuido criminoso negligenciando deveres mínimos à imprudência com que continuam navegando em seus apelos sensoriais. Pragas mais antigas ganham novo impulso putrefando corpos ainda em vida, sobrecarregando mecanismos de requalificação e refazimento, reproduzindo no microcosmo do veículo de barro a desarmonia em que repastam mentes décadas a fio.

A Luz penetra o fumo denso das preocupações constantes do homem, incapaz de dissipar os tormentos voluntários que a concupiscência gera no exercício do seu livre-arbítrio. Bem e Mal combatem em sangrenta guerra. No dia-a-dia humano, seja nos palácios, seja nos casebres, poucos compreendem a distinção entre o que é e o que não é... A Besta comanda soldados com extrema inteligência. Move silenciosos esquadrões minando as referências que a maioria mal pode divisar. Na alegria aplica a irresponsabilidade; na caridade, estimula a vadiagem; na pregação, traz o personalismo que macula o orador na sedução da vaidade; na prudência, conduz à frieza; na piedade, inocula o desencanto; na coragem, desdenha o dever de auto-preservação.

E assim a Besta traz ao homem o extermínio. Crava na testa de bilhões o signo das trevas. Cumpre a Lei de Deus deixando ilesos apenas e tão-somente os que, não sendo anjos, livram-se do terrível destino com a boa-vontade e o esforço indispensável dos que anseiam a Luz.

Nada mais é pedido ao homem do que ter Boa-Vontade, ser Indulgente e Perdoar. O Ensinamento é o mesmo de milhares de anos, em vários povos e muitos idiomas. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Procurar o que agrada a Deus antes de tudo, com garra e determinação, trabalho e suor, deixando que tudo o mais venha por acréscimo, nas mãos abençoadas da Providência Divina.

Rogo a Deus que o Amor toque a tantos quantos por Ele anseiem.
 
Os Tempos são Chegados

O Suicídio - 2

 
Outra ótica pela qual podemos abordar o tema “suicídio”, diz respeito ao aspecto filosófico-espiritualista. Por que o suicídio tem conseqüências diferentes da morte indesejada?

Imaginemos duas pessoas à beira de uma ferrovia, uma desejando jogar-se diante do trem que se avizinha e a outra buscando dissuadi-la. Admitamos que o suicida efetivamente deseja matar-se e que o seu amigo sequer cogita desse desfecho para si mesmo, buscando apenas ajudar o seu insensato companheiro. O trem se aproxima e o suicida, de um rompante, se joga nos trilhos; o amigo tenta agarrá-lo mas termina por desequilibrar-se e cai junto com ele. A morte do corpo físico se dá em condições idênticas para ambos. Os corpos são literalmente destroçados.

Do ponto de vista objetivo, as duas mortes ocorrem em situações idênticas. Como entender que o suicida tenha conseqüências diferentes do não-suicida?

Independentemente de considerações religiosas, o ponto mais relevante aqui é o elemento volitivo, a vontade interior, verdadeira, a motivação, o elemento psicológico que embala a conduta de um e de outro. A vontade de produzir a aniquilação da própria vida, como é óbvio, vai ao contra-azimute da evolução. O único ser vivo que eventualmente cogita de matar-se é o homem. Nem mesmo o escorpião preso numa roda de fogo se suicida, ao contrário da crença popular – de fato, o pobre animal termina por debater-se em busca de fuga antes de morrer por efeito do fogo (afinal, o veneno já existe em seu organismo). Mas o homem, sim. O ser humano vez por outra, aqui e acolá, ontem e hoje, causa sua morte diante do olhar estupefato que esse comportamento desperta nas demais pessoas. Há mesmo quem deseje matar-se, quem tenha o intento real e verdadeiro de se destruir.

O que ocorre quando existe a vontade real e efetiva de matar-se?

Diante dessa vontade os milênios de evolução falham em seus automatismos. Não há processos que se deflagrem diretamente com o evento porque o fato em si foi produzido sob o concurso consciente de uma vontade dirigida.

Se eu inadvertidamente encosto minha mão em uma chama, muito antes de qualquer conclusão a respeito os meus automatismos far-me-ão afastá-la com toda a rapidez. Uma ação do arco reflexo, alheia à minha consciência. Mas se eu desejar – seja lá por qual razão – colocar minha mão no fogo, conseguirei mantê-la ali até que os imperativos de dor vençam a minha vontade. Talvez por mais tempo.

Com o suicídio há algo análogo. Se a morte não foi em nenhum momento DESEJADA, todos os processos se desdobram consoante a natureza determina; no entanto, quando a morte ocorre por vontade livre e determinada do suicida, não é a alma que deixa o corpo físico – é o corpo físico que é retirado da alma.

Lá no nosso exemplo hipotético, enquanto Tício desejava morrer, Lívio buscava salvá-lo. Tício teve seu corpo destroçado e assim arrancado de sua alma; já Lívio, nas mesmíssimas condições, teve sua alma retirada de um corpo destruído.

Em termos espiritualistas, o desprendimento do corpo espiritual não se deflagra automaticamente quando o colapso do corpo físico é atingido por ação de uma vontade consciente. Cada ponto de contato entre um e outro, com todas as miríades de reflexos etérico-energéticos, tenta manter-se firme conquanto a base material seja destruída ou seja posta em colapso até sua destruição final. O efeito disso é um sistema desequilibrado por ostentar vínculos que são assim destruídos e não progressivamente desfeitos.

Daí dizer-se que o ser permanece “em perturbação” pelo tempo de vida que lhe restaria no corpo físico. Há mesmo um fundo de verdade nessa imagem que lembra uma punição, um castigo pelo pecado cometido. De efeito, o suicida leva muito tempo para reequilibrar o seu corpo espiritual, enquanto que o não-suicida, mesmo que tenha morrido em situações objetivas idênticas, tem esse restabelecimento automaticamente realizado pelo desprendimento natural.

Não se trata propriamente de um castigo. Como tudo na Vida, o que se tem é uma conseqüência. Causa e efeito. Carma, no dizer de muitos.

Também por esse aspecto, não devemos julgar o suicida. Não estará sendo castigado. Estará sofrendo tristemente as conseqüências de seu ato. Mas sempre e sempre por tempo determinado, não se aventando de penas eternas ou perdição perene.

Se alguém que você ama matou-se, ore por ele. Ore pedindo a Deus por sua alma. Peça ao Pai Eterno que o ajude, que o envolva com seu Amor. Não se revolte nem procure respostas, apenas ore.

Cada oração profunda e sentida é um jorro de energia radiante, uma bênção de Luz que Deus nos concede. Energia radiante que ajudará a reequilibrar os nós que mantêm a alma do suicida presa em seu desatino.
 
O Suicídio - 2

Amar é Preciso

 
As relações que vinculam as almas no transcorrer do tempo, muito além do exíguo transcurso de uma vida, marcam profundamente e se arrastam séculos e séculos em um entrelaçamento de que advém toda sorte de realizações ou de dor.
O impulso superior inevitavelmente compele ao realinhamento e retificações necessárias.
O concerto de dor e incompreensão entre pessoas que comungam da luta diária, estejam ou não no seio de uma família, tem sua origem numa causa comum, o desfecho causal que construímos no exercício de nosso livre-arbítrio.
Se na destra empunhamos, orgulhosos, o cetro que nos garante a livre escolha, nosso livre talante, na outra mão algemam-se os lastros que adquirimos com as escolhas que, no cotejo de nossas ações com a Lei de Harmonia Universal, a Vida reputa ilícitas.
É nesse imenso oceano tormentoso que o ser humano navega.
As ondas atormentam-lhe a capacidade de manter o curso sob as estrelas que, ao menos em sonho, tem-nas como suas.
E o céu, ao nublar-se com o cinza-chumbo das tempestades impiedosas, arremete-o às correntezas forçando o leme em fugas tão inevitáveis quanto corroente é a dor de saber-se à deriva.
O homem, assim, navega julgando-se senhor de seu navio ao mesmo tempo em que, tantas e tantas vezes, não pode senão manter-se no convés, agarrado ao leme que deveria comandar, suplicando seu apoio.
Mas segue. Navega. Ultrapassa as tormentas com a doce dádiva de julgar-se vencedor.
Não tenhamos a ilusão de que tudo podemos com nosso livre-arbítrio.
Invariavelmente, continuamos estritamente nos limites concedidos pelo Pai Eterno, que nos ama incondicionalmente.
Cada um de nós pode fazer o que quiser, é certo. Mas não deixaremos de pagar até o último ceitil das dívidas que assumirmos perante a Vida. Com ou sem aceitação de nossa pequenez e submissão à Lei, acreditemos ou não na existência dessa Lei Universal, pouco importa, o fato é que devemos nos conscientizar de que é inadiável adotarmos o Amor em nossas vidas.
Amemo-nos uns aos outros!

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Amar é Preciso

Olá, Meu Amigo!

 
Olá, meu amigo, como vai tua vida?
Vejo-te, aí, perambulando pelos dias...
Que tens n’alma? Dói-te assim a ferida?
Que tens? Não fujas, tua dor não se adia...

Olhes tu’alma com o carinho de tua face...
Não firas teu ser com a dor que nasce
Com a dor da perda do sonho buscado...
Perda? Perdido está o sonho inda sonhado?

Tens medo? Caminha, meu amigo! Anda...
Ergue teu semblante e parte a teu destino!
Renova-te vivo como homem e menino!

Ande contigo mesmo na Vida e busca!
Não desvies o olhar à luz que te ofusca!
O sonho jamais findou... apenas dormitou...
 
Olá, Meu Amigo!