Poemas, frases e mensagens de expanta

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de expanta

Nao Sou Escritora,
Apenas faço bolos...

As palavras sao minha farinha,
Os ovos são minha rima,
A imaginaçao o meu fermento
E o açúcar meu sentimento...

Desilusão

 
É triste ver tudo a fugir
Ver tudo a escapar de nós
Perder a ilusão e cair
Quando tudo se dissipa como a voz…

Porque tu me enganaste,
Porque tu me iludiste…
Porque me esqueceste?
Alguma vez me ouviste?

Porque só és tu as vezes?
Porque não és sempre assim?
O que eu disse foi verdade!
Porque duvidaste de mim?

Porque me fizeste acreditar,
Porque me fizeste sentir,
Porque me fizeste chorar,
Porque me estavas a mentir?

Não consigo esquecer
Todas as dúvidas que tenho.
E não consigo responder
Nem com todo este empenho!

Porque tu deixaste….
Deixaste de falar, de ouvir,
De estar e, quem sabe, de sentir
Aquilo que me fizeste acreditar
Para agora me desiludir…
 
Desilusão

Alguém que não existe

 
A dor de te perder
é mal que nao tem cura,
é grito de revolta
e pranto de amargura.

É dor que dia a dia aumenta e mais se expande,
é GRANDE, GRANDE, GRANDE, GRANDE!

É um viver sem viver;
um prazer sem prazer;
um calor sem calor.

Febre que rasga e oprime,
uma mágoa sublime...

Uma febre sem dor,
esta necessidade
do teu amor...

Chama que não se apaga...
Por isso queima e esmaga.

É grande, é grande a dor,
e triste como eu:
imensa como o mar
e como à noite o céu...

É um amor que resiste...
Por alguem que não existe...
 
Alguém que não existe

Prisão

 
Hoje sou eu! Amanha quem serei?
Alguém, talvez perdida no mundo
Que eu hoje nunca imaginei.

Uma existência vaga, perdida
No meio de um nada chamado vida…

Hoje afirmo que te amo. Amanha que direi?
Sou um barco perdido no destino
Onde eu grito e desatino
Mas ninguém ouve, o silencio é rei!

E esse rei condenou-me!
E vivo presa nas palavras
Que ficam por dizer!

A angustia asfixiou-me!
Morri sem deixar provas,
Condenada a sofrer!
 
Prisão

Assim Fazes Parte de Mim

 
Não me recordo já como começou...
Procuro em lembranças perdidas, em vão
aquele dia tão distante perdido na imensidão.

Não me recordo já das tuas palavras...
Trocas perdidas no vasto tempo,
apagadas pelo nascer do sentimento.

Não me recordo quando fizeste sentido...
Qual foi o dia em que te reconheci ao chegar,
o momento distante em que me fizeste parar.

Mas que importância terá esse momento?
Terá tudo isto lugar num sentimento?
Caberá ele na eternidade do infinito?
Será o inicio assim tão magnífico?

Mas agora não lhe consigo prever um fim...
Com ele acaba tudo, começa o nada!
E nesse espaço nada acaba...

Não lhe consigo prever um fim...
Porque sei que estarás eternamente
num passado futuramente presente!

Não lhe consigo prever um fim...
Porque te amo da forma mais pura
livre da prisão física que nos tortura!

Um amor genuíno que alimentas,
um sentimento terno que sustentas,
e assim fazes parte de mim!

E hoje sei que só assim
a nossa amizade não terá fim...

[ ao meu maninho de coração, com um beijo de parabens por me presenteear com mais um ano de existência! ]
 
Assim Fazes Parte de Mim

Saudade de ti

 
- Sabes...
- Diz...
- Tenho saudades!
- Saudades?
- Sim, saudades tuas...
- Saudades minhas?!
- Sim... Tenho saudades de estar contigo...
- Mas... Tu estás comigo...

[Abraço]

- Mas sabes...
- Diz...
- Continuo com saudades...

[Pausa]

Tenho saudades de te amar menos! Tenho saudades de te olhar a primeira vez... Tenho saudades da forma como os nossos lábios se cruzavam sem se tocarem... Tenho saudades de descobrir o teu sabor... Tenho saudades do que eu era antes de ti... Tenho saudades de ti antes de nos abraçarmos... Tenho saudades de me sentir protegida entre os teus braços... Tenho saudades do "tu" que perdi quando te ganhei... Tenho saudades das tuas palavras quando tudo começou... Tenho saudades da primeira vez que tua voz me acalmou... Tenho saudades da priemira conversa que tivemos... Tenho saudades da primeira vez que ouvi o meu nome na tua boca... Tenho saudades da primeira vez que as nossas mãos se enterlaçaram... Tenho saudades de descobrir o teu cheiro... Tenho saudades daquele abraço que me deste... Tenho saudades das primeiras prendas que trocamos... Tenho saudades de tanta coisa que passamos... Tenho saudades de tudo... Tenho saudades! Tenho saudades de ti no passado... Tenho saudades de nós!

[Pausa]

- Mas...
- E se...

[Pausa]

- Sim...
- Vamo-nos conhecer de novo?
 
Saudade de ti

Livre

 
Rima métrica e verso.
São coisas que não brincam comigo já na intimidade das letras que vou proliferando.

Perdi-me na imensidão das palavras, sem que me prenda a elas.
Porque o sentimento voa. Não tenho a necessidade de o prender... Anseio por expandi-lo tanto quanto posso, sem que ele se oprima por regras e leis que o enjaulem.

Porque a rima é uma gaiola. O sentimento que ela contém é um animal selvagem preso, que vai de encontro às grades com toda a sua garra com vontade de sair. Eu soltei-o, agora! Hoje sei que o expandi a tudo, e não sofro mais.

Sim, o poeta sofre, sempre! Por mais feliz que esteja, mostra-o de uma forma sofrida! Porque está preso... Sempre preso... Numa jaula pequena demais para todos nós!

Solto palavras ao vento que sorri feliz!
Liberto-as no correr das águas que alegremente escorrem por onde passam!

Mas cada letra sabe... Que no correr suave e fúnebre do tempo... Um dia se aprisionarão de novo.

E eu sei que elas precisam também!
Porque só um pássaro que canta em verso enjaulado sabe dar valor ao métrico bater das suas asas na rima do vento forte!
 
Livre

Unidos pela distância

 
Vejo-te ao longe, sinto o teu cheiro,
ouço a tua voz quando te beijo
e imagino o teu sabor.

Conversamos, falamos, mas não dizemos...
Sonhamos juntos, mas não sabemos...

Amamos em segredo!
Queremos dizer sem revelar
o sentimento que escondemos
e guardamos no nosso olhar.

Mas somos fortes e resistimos à confissão!
Sabemos, sem saber que sabemos...
Descontentes entristecemos.
Quem sabe choramos, sofremos...

Porque não estamos juntos quando nos vemos?
Porque é que a nossa força nos enfraquece?
Porque é que não fazemos o que queremos?
Porque não queremos o que nos apetece?
 
Unidos pela distância

Lugares Vagos

 
De pele engelhada como uma casca de maçã amarela e velha. De olhos cavados e profundos, escuros como duas pequenas crateras. Cabeça prateada pelo pouco cabelo que nela pousava ainda, com aspecto aveludado e escasso. Foi assim que o vi. Com aquele olhar abandonado, procurando no gesto do cigarro uma companhia com quem conversar. Distinto, bem vestido e com aspecto cuidado. Imaginá-lo-ia, se me permitissem, advogado. Pela sua postura, pelos gestos. Pela linguagem que mal ouvia e até pela própria expressão! Advogado... E velho!

Assim nos cruzávamos todas as semanas, em mesas distantes. Mas o meu olhar não desprendia do seu. Aquela solidão triste, perdida num tempo já esquecido. Perdendo o olhar por qualquer canto, sem direcção. Não tinha para onde dirigir a voz, não tinha onde pousar o olhar. Não tinha com quem partilhar o quanto sabia! Vagueava em pensamentos como um pardal, que voa sem destino procurando apenas o seu pão que lhe mantém a vida. Ele era velho! E procurava quem lhe mantivesse a vida, o seu pão capaz de alimentar a esperança que naqueles olhos faltava.

Sentava-se sempre de frente para o resto das pessoas, e de cada vez ficava um lugar vago na sua mesa. Comia sozinho, num acto triste de profunda amargura, num terramoto de sentimentos solitários que se exprimiam nos movimentos rápidos e descontrolados das suas mãos. Tremia incondicionalmente, sem vergonha! Deixava escapar sorrisos confortantes procurando na simpatia de todos uma ténue resposta de ingrata companhia enganada. De uma educação extrema, e uma simpatia contagiante. Mas numa solidão tão profunda!

Olhava-me vezes sem conta, como se de alguma forma pedisse ajuda. Ajuda para ocupar com pequenos gestos esse poço profundamente cavado de ausência extrema! Como se me dissesse por palavras trocadas num breve silêncio que não tem nada. Não tem nada, porque não tem ninguém!

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Por semanas não voltei a essas mesas, distantes.
O tempo passou... Tempo estranhamente também ele distante como as mesas, o que recordo agora. Apenas porque lá voltei. Porque essas mesas distantes estavam desocupadas. Eu ocupei o espaço que em tempos, naqueles dias, me pertencia. Mas também eu, agora, senti que o meu olhar vagueava... Não sei por onde... Talvez nessa distância, à procura de um velho de pele de casca de maçã engelhada e amarela de quem ninguém iria sentir a falta. Um velho de olhos cavados e profundos, negros como uma cratera, que faltava ali, agora! Um velho de cabeça prateada, e de olhar abandonado que não ocupava o lugar solitário que se tornara já seu.

Porque nesse dia, de alguma forma, diminui a sua solidão naquele momento, diminui a distância entre as mesas. Porque eu senti a sua falta! Mas nesse momento ele não mantinha já a réstia de esperança que o alimentava, ele não procurava olhares nem ouvidos atentos... Não tinha já a pele engelhada e aqueles olhos cavados e profundos.
Nesse momento, em que eu o procurava ele não me procurava a mim... Nesse dia era tarde, ele já lá não estava.
 
Lugares Vagos

À procura de um futuro perdido

 
Procuro-te na estrada vazia;
Procuro-te por entre um vento frio;
Procuro-te na memória sombria;
Procuro-te no reflexo da lua no rio;

Procuro-te nos passeios da ribeira;
Procuro-te no deslumbre do fogo de artifício;
Procuro-te na explusao de uma lareira;
Procuro-te numa expressão de suplício;

Procuro-te no som de uma guitarra;
Procuro-te em cada música que ouvias;
Procuro-te no canto de uma cigarra;
Procuro-te em todas as noites frias;

Procuro-te no nascer do sol;
Procuro-te numa história esquecida;
Procuro-te na luz que rompe do farol;
Procuro-te nessa esperança perdida.

Procuro-te nas músicas por cantar;
Procuro-te nas viagens por fazer;
Procuro-te nos projectos por realizar;
Procuro-te nos sonhos por viver.

Procuro-te na noite escura;
Procuro-te no cheiro a terra molhada;
Procuro-te nas sombras da lua;
Procuro-te numa casa caiada;

Procuro-te numa luz fundida;
Procuro-te no calor de um gesto;
Procuro-te numa lágrima contida;
Procuro-te em todo o contexto;

Procuro-te numa campainha que toca;
Procuro-te numa corrida que dou;
Procuro-te no sentimento que evoca;
Procuro-te na gargalhada de soou;

Procuro-te no que fica por dizer;
Procuro-te nas estradas por andar;
Procuro-te nos caminhos por percorrer;
Procuro-te no que fica por sonhar;

Procuro-te nos bancos de um jardim;
Procuro-te nas sombras da solidão;
Procuro-te ao longe, perto de mim;
Procuro-te perdido no meio da multidão;

Procuro-te na tristeza de um olhar;
Procuro-te no amor de um sorriso;
Procuro-te nas vidas por sonhar;
Procuro-te nas folhas secas que piso;

Procuro-te numa manha quente de chuva;
Procuro-te na força de cada trovão;
Procuro-te num rio de água turva;
Procuro-te em cada respiração;

Procuro-te no clarão de um despertar;
Procuro-te na luz quente do sol;
Procuro-te por entre os pássaros a cantar;
Procuro-te no voar de um rouxinol.

Procuro-te na praia de areia esquecida;
Procuro-te a cada batida do coração;
Procuro-te em cada onda perdida;
Procuro-te em cada recordação;

Procuro-te nas conchas e nas rochas;
Procuro-te na espuma que passeia na água;
Procuro-te nas palavras só nossas;
Procuro-te na imensidão da minha mágoa.

Procuro-te numa padaria a abrir;
Procuro-te em cada aventura;
Procuro-te numa rosa por florir;
Procuro-te num momento de ternura;

Procuro-te sempre no calor;
Procuro-te nos sonhos esquecidos;
Procuro-te em cada flor;
Procuro-te por entre olhares perdidos;

Procuro-te em cada beijo terno;
Procuro-te em cada momento;
Procuro-te em cada abraço fraterno;
Procuro-te em cada tormento.

Procuro-te nas chamadas que recebo;
Procuro-te por entre os sorrisos distantes;
Procuro-te naquilo que escrevo;
Procuro-te entre suspiros constantes;

Procuro-te nas páginas da imaginação;
Procuro-te na ansiedade de uma espera;
Procuro-te no significado de uma canção;
Procuro-te no florescer da Primavera.

Procuro-te nos passos que ecoam;
Procuro-te nas pessoas que passam;
Procuro-te nas vozes que atordoam;
Procuro-te em tudo que façam;

Procuro-te no tempo perdido;
Procuro-te num copo vazio;
Procuro-te no atraso esquecido;
Procuro-te num corpo esguio.

Procuro-te em cada lágrima que escapa;
Procuro-te em cada saudade;
Procuro-te na tristeza que me marca;
Procuro-te em toda a realidade!

Procuro-te sempre no meio de tudo…
Procuro-te constantemente por entre o nada…
Embrulhada no passado, mergulho,
Sobrevivendo… pelo futuro abandonada!
 
À procura de um futuro perdido

Primeiro beijo

 
Uma troca de olhares que se vão fechando timidamente, e eles logo se aproximam, tocando-se suavemente. Encostam-se e fogem, num jogo sedutor. Brincam como duas crianças, lutam como quem se zanga violentamente. E depois separam-se um pouco, deixando cada um sentir a respiração forte do outro. Uma respiração húmida capaz de embaciar o espelho dos olhos que se entreabrem novamente. E brincam outra vez. Tocam suavemente o outro e fogem. Fogem, sempre para perto! Encostam-se e desviam-se. E os olhos fecham-se timidamente, deixando-os saborear cada instante quente que passa. E voltam a fundir-se, diluindo-se num só. Como se o tempo, ali, fosse sempre eterno. Neles, nos meus lábios junto dos teus. Nesse primeiro beijo que a cada vez, só nós, partilhamos.
 
Primeiro beijo

Sorrisos presos

 
Só por ti escrevo hoje...

Pela tristeza que me fazes sentir
ao saber que não consegues sorrir
levando meu sorriso para longe...

Não sei mais o que fazer
para que te consiga devolver
aquela luz que perdeste!

Aquele brilho esquecido,
em recordações minhas perdido
que do teu rosto foge...

Luz que nos meus sonhos aparece
e com esse teu brilho me aquece
numa felicidade que esqueceste!

Junto do teu sorriso habita o meu;
ambos distantes dos nossos rostos,
tristemente ofuscados por um véu...

Porque a esperança,
essa dificilmente se alcança
quando se está a sofrer…

Fácil sei que não é!
Mas não te vou deixar afogar
na forte corrente da maré!

Nem que por ti tenha que remar,
ganhar forças, obrigar-te a lutar...
Devolver-te o que perdeste, tua fé!

E sinto-me triste também...

Em ti revivo o que esqueci
momentos difíceis, dolorosos
repletos de lágrimas, penosos...

Enfim, momentos passados...
Episódios tristemente recordados,
Mas vitoriosamente ultrapassados!

Sonho agora que rapidamente
teu presente triste se transforme
num passado esquecido e disforme...

Que, inundada pelo teu brilho, rapidamente
toda a tua tristeza se desvaneça
e num dia próximo tudo desapareça!

Porque a vida não passa dum sonho
que não gerimos com a imaginação,
onde ganhamos asas e voamos
para onde nos guiar o coração...

Por isso liberta a felicidade
que prendes dentro de ti...
Oprime essa infelicidade,
e sorri!!
 
Sorrisos presos

Caída a folha da fonte da ilusão

 
É algo que não sei explicar,
uma dor que veio sufocar...
uma loucura espetacular!

Ódio ou amor?
Carinho ou ressentimento?
Frio ou calor?
Alegria ou sofrimento?

Não sei já o que sinto
neste mundo de confusão...
Um agradavel tormento
numa doce confissão...

Chama fria que me queima,
gelo quente que me faz tremer...
Um suor seco que transborda
minha frida sarada a doer...

Um amor que morre sem antes nascer
como uma folha caída que teima em viver...

Um vermelho frio,
um azul quente...
Um mar vazio,
uma lágrima ardente...

Um fantasia de contradiçoes,
uma realidade de ilusões...

E tudo em ti me faz nascer
depois de em ti ter ido morrer!
 
Caída a folha da fonte da ilusão

Sonho

 
Tinha então ultrapassado um sentimento...
Esquecido tudo, um suave tormento!
Tinha acabado de renascer...

E já não conseguia crer,
que com esse doce veneno
tão suave e ameno
eu viesse a sofrer...

E queria voltar a amar para saber!

Então apareceste tu...
Como um raio quente de luz
rompendo por entre as nuvens...

Não podia ser, ali havia engano!
Poderia aquilo ser um ente humano?

Tua boca ria,
teu olhar enfeitiçava,
fermente de alegria...

Minhas mãos gelaram,
meu corpo tremia!
Meus pensamentos vagueavam
no novo mundo que conhecia...

Teu brilhante olhar doce, quente...
Tuas brancas mãos suaves e esguias...
Teu atraente sorriso escapando timidamente...
Tuas melodiosas palavras macias...

Tudo em ti me encantou,
tudo naquela noite me enfeitiçou...
E fiquei presa a ti!

Assim te conheci, e te tive perto de mim!
Quente, suave... numa noite sem fim...

Momentos repetidos na minha memória
ecoam, contando sempre a mesma historia...

Mas rápido tudo evaporou, desapareceu...
Levando para junto de ti esse sorriso tristonho...
Rápido minha alegria desvaneceu...

Tudo isto foi um sonho!
 
Sonho

Loucura

 
Sinto cravadas em mim as marcas do teu sabor com uma doce acidez que me toma o corpo sem que nele esteja. Encontro-te em mim ao longe, correndo-me nas veias que não tenho já pela morte de um pouco de mim que em ti me trouxe a vida.

Imagino-te num sonho impensado, numa proximidade longe da distância a que frequentemente não me habituaste. E parto para o mundo do sonho para te ter longe, nessa proximidade que não partilhamos igual, mas ambos ansiamos quando não estamos juntos.

Não me entendo. Enlouqueci! E adormeço nessa loucura... Loucura da saudade triste que me resta...
 
Loucura

Na angústia do infinito

 
O tempo infinito que não estou contigo;
O tempo infinito que não te vejo chegar;
O tempo infinito na ausência do teu abrigo;
O tempo infinito que me fez despertar.

O tempo infinito que por ti espero;
O tempo infinito que dentro de mim morre;
O tempo infinito que nunca quero;
O tempo infinito que subitamente não corre.

O tempo infinito que olho a entrada;
O tempo infinito que me faz angustiar;
O tempo infinito que aguardo desesperada;
O tempo infinito que anseio o teu olhar.

O tempo infinito que contigo mora;
O tempo infinito que atordoa meu juízo;
O tempo infinito da tua longa demora;
O tempo infinito da ausência do teu sorriso.

O tempo infinito que não quer passar;
O tempo infinito da tua distante permanência;
O tempo infinito que teima demorar;
O tempo infinito que me altera a consciência.

Assim aguardo infinitamente a tua chegada,
Esperando que corras nessa longa estrada...
Amor que infinitamente me deixa angustiada!
 
Na angústia do infinito

Como um Anjo

 
Porque nesta longa estrada
Em que nos limitamos a correr velozmente
Em direcção a morte, tristemente
Só tu indicas o caminho.

Uma infelicidade enganada
Numa longa tristeza fria,
Nesta vida obscura e sombria
Só tu alegras o meu destino.

Por isso te quero perto,
Como o calor do deserto
Num momento eterno…

Para alem do ser, para alem do tempo…
Numa amizade constante como o vento…
Num gesto quente de Inverno!
 
Como um Anjo

Falta de Arte

 
Desabafo aqui tudo o que não te posso dizer,
mesmo aquilo que não sou capaz de escrever!

A ti que não dou nome porque também dele te livraste!
A ti que não vejo porque também a imagem guardaste!

Eu sei, sei que nada disto faz sentido.
Por isso encontro nas palavras o abrigo!

E fujo...

Confesso que fujo da realidade,
remeto-me a esta mediocridade
deste cinismo que me assalta.

Não, não sei ser assim...
A razão apoderou-se de mim!

O meu superego asfixia-me,
o meu impulso fascina-me,
mas não se deixa ver.

E nesta falta de arte se manifesta,
e é pela minha mão que protesta
ao sabor do seu correr!

Feliz de quem consegue fazer arte,
mostrar o seu inconsciente deixando de parte
a repressão que me domina o ser!

Mantenho em mim esta guerra
em que a defesa me carrega
oprimindo-me de escrever!
 
Falta de Arte

Lágrima

 
Quente, suave...
Percorre os caminhos por ela a descobrir.

Macia, esguia...
Inunda de mágoa um rosto que teima em não sorrir.

Salgada, chega a um destino por encontrar.
Afunda-se na mágoa das palavras por proferir!

Rapidamente outra lhe segue o caminho, já gelado com o vento frio.
E outra, e depois outra...

Lavam um rosto de destinos a seguir, sem rumo nem direcção.
Perdem-se por entre o aperto duro na garganta.
Rasgam a tristeza que escondem por detrás.
Aliviam a dor que persiste.
Enchem de brilho triste um rosto escondido da luz.
Escorrem secretamente cada mistério e mostram tudo o que fica por dizer.

Tudo isto e algo mais me impede de sorrir.
É por ela... A lágrima que teima em cair!
 
Lágrima

Nas núvens da incerteza

 
Lua, fiel companheira de longas caminhadas
que nos viu passar por essas estradas...

Cumplice de todos os passos e gestos que fizemos,
conhecedora de todos os momentos que vivemos...

Porque nem Tu me respondes à minha questão?
Porque não acalmas a turbulência do meu coração?

Dás brilho aos meus olhos que por Ti choram,
iluminas faces que ao Teu olhar coram...

Inundada pela Tua essência respiro,
mergulhada na saudade choro, suspiro...

Acompanhas, calma e serena, todos os meus movimentos...
Segues as águas que na Tua luz levaram meus pensamentos....

A Ti deixo minhas dúvidas, minhas interrogações
numa conversa recheada de emoções...

Assim me entrego a Ti, deixando a Teu cargo minha existência...
Sem saber como sobrevivi tantos dias à Tua ausência...
 
Nas núvens da incerteza

Não poema

 
Hoje verso sem rimar.

Porque a rima sou eu
e o que trago em mim!

Porque o amor é a rima
que alimenta o verso!

E não, não tenho rima...
Por isso verso sem rimar.

Porque perdi a rima
do meu único poema.

Porque o poema não tem rima
sem que eu te tenha a ti!

Porque o que eu tenho não és tu!
É uma ilusão por mim criada
Que tu apenas alimentas.

Porque essa ilusão não é pura
nem doce como uma rima
num verso de amor.

Porque me quero libertar da rima
em que um dia me fizeste crer.

Porque com a rima ficou a ilusão
de que a métrica que nos une
se pudesse compor.

Como uma musica de fundo
desorganizada como este poema.

Mas não...

E hoje...
Perdi a rima da minha vida,
perdi-te na métrica do meu poema!
 
Não poema

Sónia Granja