Poemas, frases e mensagens de FatimaLima

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de FatimaLima

CASTELO

 
Entrei neste Castelo
apenas com minha alma

a bagagem
uma mala vazia
esboços sofridos
da noite fria.

Tecia em mente
nesta viagem
um aperto de mão
na porta esperando
cantando meu nobre nome
marcado pelo brasão.

Enfim,
só a porta aberta
as folhas outonais
brincando de roda na entrada
e um silêncio sonoro
comum à minha audição aguçada.

Com passos de bailarina
olhar de detetive
fui me achegando devagar.

Contemplei os nobres
em salas separadas
iluminadas
decoradas
Mas eles não deram conta de mim
apenas o comentário:
-"Mais uma..vejamos qual será seu fim..."

E os risinhos abafados
dentro dos copos cheios
dos vestidos apertados
dos coletes emproados
dos olhares disfarçados.

Firmei os passos
segui minha sina
no canto de um grande salão
uma mesa, uma cadeira
meu nome escrito
mas sem o brasão.

Abri a janela
convidando o frio sol
se aconchegar,
sem resistência
espalhou-se em mim
e o som do sabiá
me fez levitar...

O perfume do jasmim
envolveu meu cantinho
e as palavras foram vindo
sem eu as procurar...
foram se entregando sozinhas
me usando apenas de guia
com uma louca poesia.

assim foi meu primeiro dia
neste imenso e nobre Castelo
outros dias virão eu sei...
Mas sou paciente....
Espero!
 
CASTELO

ESTAÇÃO

 
Isolada,
quando te vi na primavera
Na cama,
um súbito medo me tirou o sono
Voltaria a ver-te neste inverno?
Envolvente me aquecendo neste outono?
Resta esperar naquela estação
No apito do velho trem, aquele vagão
O rosto doce,
brilhante como o sol,
me trazendo o verão!
 
ESTAÇÃO

SAÍDA

 
Talvez abnegar
seja a melhor saída
Pra dizer da fúria contida
Neste tempo de ilusão.
Ora penso e não quero
Ora quero e é em vão.
Parece que a loucura
Espalhou-se devagar
Espantando a nitidez
De atos que sei
Que não vou governar.
Então...
Não penso – escrevo
E o que vem
Não são palavras – são medos
Medo de ter medo
Medo extremo do ser
Medo puro do intenso motim
E explodir em ira cósmica
Escondidas
Nas horas bucólicas
Diante dos dias
Que enterrei mim.
 
SAÍDA

ACETINADO

 
Embora pareça forte
A cerca com que me cercas
Um ventinho sutil da noite
Encontrou uma pequena brecha
E por ela passou com as nuvens
Aramadas em raios brilhantes
Lavando as paredes rachadas
Do calor árido, causticante
A lua e as estrelas
Furtivamente espalharam
Um brilho que ainda faltava
Mudando o pobre cenário
De minha sombra deitada
Do seco róseo acetinado
Ao imprevisível nacarado.
Alucinante foi aquela noite
E quando o sol gritante
Na montanha se esgueirou
Acordei de um sonho louco...
Mas o rosa em mim mudou....
 
ACETINADO

POESIA

 
Isto que escrevo
Disseminando frases
Não passa de desabafo
Transformado.

Não passa da vontade
De gritar o mundo
Que sempre vem a noite
Quando tento dormir

Bem nesta hora de sono e insônia
Vem rolando pelas montanhas
O grito abafado
Trancado
Atrelado à um cavalo branco
Deslizando sua volúpia
Provocando-me a ceder

Mas mal posso me mexer
Ou tentar pegar o lápis
Muito menos
a luz trêmula
procurar acender
Pois qualquer movimento em falso
Exibem-me o cadafalso
E nele seu executor.

No entanto minha mente é nobre
E não me deixo vencer
Repetindo cada linha
Vou montando cada cena
E tecendo minha teia
Silenciosamente
Noite adentro
Até que o sono me vença
Até a poesia nascer.
 
POESIA

HEROÍNA

 
Arde em uma alma marcada
Uma nova dor desconhecida
Que deixa no canto assustadas
As outras dores antigas

Queima na carne seus passos
D’alma que perdeu o medo
Tentando apesar dos fracassos
Erguer-se como um rochedo

Como as ondas, o fogo a domina
Abrindo sulcos com a erosão
Tatuando a alma da heroína

E ela nada diz - apenas sente
As lágrimas que passeiam incansáveis
Na face de uma inocente.
 
HEROÍNA

TEMPO E EMOÇÃO

 
Eu não me importo com a nuvens
quando estão muito baixas
brancas ou cinzas
carregadas ou não.
Mas se as estrelas faíscam...
e a lua,
a noite engrandece...
e o vento morno...perfuma...
maior é minha preocupação.
Pois enquanto há nuvens
o tempo é curto
e quem manda é a razão.
Mas se as estrelas e a lua,
juntam-se ao vento morno
e conquistam a noite...
o tempo surta
e se entrega perdidamente
dançando à sombra da lua
a doce canção do vento
em puro encantamento....
o tempo e a emoção....
 
TEMPO E EMOÇÃO

Escriba

 
Disponho-me a escrever
Delícias dos atos de uma luta
E assim a mim mesmo confundo
Quando começa a disputa.

Neste labor solitário
Os nós se atam em mim
Não encontro uma única ponta
Que me sirva de estopim

No entanto insisto a procura
De achar num nada vazio
Onde a terra é triste, impura

E passa a lua arrelia
E as estrelas com olhar mortal!
Que escriba que não consegue
Dar a sua escrita um final?
 
Escriba

ÍNTIMO

 
Te prometo meu íntimo
Apesar do sofrimento
Pois nasci ao conhecer-te
Aflorando um sentimento
E com ele
As flores novas
De uma roseira
Quase extinta
Mas que conservava
Bem fundo
Uma gota de esperança
Que perfumou
Minha alma
Me envolveu com calma
Dando sentido
Aos meus dias......
 
ÍNTIMO

EQUILÍBRIO

 
Tenho pensado sobre a vida, nesta tela rosa em que eu pintei e vejo que a fiz rosa demais.
Pintei jardins, bordados, rendas, castelos,damas,cavalheiros, música de fundo, gestos, carinhos, delicadeza, sutileza, paixão, volúpia, poesias, prosas, versos...lareira..vinhos...
Enfim tudo que uma mulher romântica como eu, sente... deseja... sonha...
Sendo assim, permiti que a chuva fizesse uma breve mudança. Molhasse, manchasse a pintura esmaecendo o rosa .
Molhasse meu corpo retirando um pouco desse romantismo inato, entranhado em minha pele.
O que talvez, pudesse deixar que a razão inquieta, viesse à tona...
Oportunista como sempre a razão, aproveitou-se da chuva e ergueu-se como alguém que quase está se afogando.
Ela veio ofegante, cambaleando fingindo um “quase sem forças”
Mas trazia nos lábios, um meio sorriso de vitória, que eu entendia muito bem... E assim dominou toda situação.
Apoderou-se da tela, ainda manchada e com um olhar de altivez, pegou a paleta e o pincel.
Sem técnica, sem inspiração, sem emoção , ela tentou... tentou em vão...
O pincel dançava em seus dedos racionais. As cores não se misturavam. A tela dela se esquivava
Então com toda paciência de uma romântica, que mesmo com a chuva despertando a razão,
sutilmente, peguei em suas mãos e deixei que através dos meus poros, a sensibilidade, a inspiração, a emoção, a paixão, o amor, respirassem, penetrando em suas mãos frias.
E a fui guiando, a cada pincelada e assim foi ela aprendendo... com cautela,as vezes sendo guiada. as vezes guiando...
Desta parceria foi surgindo uma nova pintura
Sobre uma outra vida
Uma vida com um pouco mais de equilíbrio
Onde a razão e a sensibilidade
Andam de mãos dadas
Ninguém perde, ninguém ganha
Apenas se aprende
A domar a emoção
Ouvir a razão
Mas sem nunca, nunca...
Perder o romantismo...
 
EQUILÍBRIO

Cena 1

 
Oi, eu sei que é tarde mas...
-Oi... estou cheia de saudade!
-Eu também! Por isso te liguei...
-Eu sei, eu sei..quando te vejo?
-Não sei, muito trabalho, não paro...
-Não estou te cobrando,
-Ah...amor eu sei, hoje pensei... pensei...
-Me diz em que amor?
-Nos nossos planos...fazer um cruzeiro... conhecer o mundo inteiro!
-Quem dera!!!
-É nos dois sozinhos...
-Aquele vinho...está esperando...
-Hum...fico só imaginando... ei você está chorando?
-Não!!! Acabei me resfriando...
-Não muda de assunto , não quero você triste!
-Não se preocupe... meu amor resiste!
-Minha princesa...
-Meu menino..
- Tenha certeza, que eu te amo..
-Eu acredito...hum, ouvi o sino... ?
--Bem, preciso ir...minha flor, está na hora!
-Ah, que pena...já vai embora?
-Tenho que ir... amor , agora!
-Então, boa noite.. tenha cuidado
-Obrigado, minha pérola... boa noite pra você!
-Vou dormir sossegada...por ter ouvido sua voz!
-E eu trabalhar mais satisfeito...mas com um aperto no peito..
-Deixa eu fechar a janela, está um vento...
-Fica bem amor, a gente se fala... te amo!
-Estou aqui na sala...
-E você em meu pensamento...
-Te adoro...
CORTA!
 
Cena 1

SABOR DO VENTO

 
Sou como uma biruta
Que vive ao sabor do vento.
Deixo-o me dominar
E não sou mais eu
Então
Como louca
Freneticamente me entrego
e esse domínio que
me transforma
em aurora
maré
anjo
criança
Ele me invade sem sutileza
E eu devolvo
Em delicadeza
Meu ser poeta
Meu ser mulher!
 
SABOR DO VENTO

Saudades

 
SAUDADES INFINDAS TUAS
ME DEIXAM A ALMA NUA
ME TRAZEM UMA DOR SEM FIM

QUE FAZES TODO ESSE TEMPO
QUE PASSEIAS EM TUA TERRA
AFASTADO DO VASTO MUNDO
E ASSIM....
ESQUECES DE MIM!

POR CERTO ESTOU BEM LONGE
DE ATINGIR A IGUALDADE
DAQUILO QUE TE TOMA O TEMPO
E NA FARTURAS DAS HORAS
NENHUMA SOBRA PRA MIM!!!!

MAS DEIXO AQUI MINHA MARCA
O AMOR DE UMA ALMA FRACA
QUE PRECISA DE ALIMENTO
PRA FINDAR SEU SOFRIMENTO
DE ESTAR LONGE DE TI!
 
Saudades

Posse

 
E vieram as cavalarias
Com seus soldados dourados
Levantando a poeira de longe
Mudando o rumo dos dias
Onde o sonho se esconde.

Trotaram até minha praça
E um desceu do cavalo
Esmagou a grama nova
Destruindo toda graça
Onde o sonho se renova.

Dilacerou minha Alamanda
Com o fio da espada brilhante
Subjugando a nudez do muro
Que abraçava a poética varanda
Onde o sonho era seguro.

E as palavras melindradas
Espalharam-se com o vento
Perdeu a batalha o soldado
Garças alvas delicadas
Na terra dos sentimentos....
 
Posse

EROS

 
Feliz a mulher dos teus encantos,
dos teus versos,
dos teus prantos.

Feliz a deusa do teu palácio,
que ao envolvê-la com teu canto
expressas teu amor de Eros
exposto com a nudez dos inocentes.

Feliz é essa sincronia de sentimentos
Que transformas
Em pensamentos
E declaras aos quatro ventos.
Sem lenço e sem documento
Cada doce momento
De um amor incomparável!
 
EROS

REFÚGIO

 
Achei-te sem procurar
Achaste-me sem buscar
Achamo-nos em uma mesma hora
Em um mesmo lugar
Sem ao menos combinar

Apesar da praça cheia
E de corpos displicentes
Nossos olhos entrecortaram-se
Um segundo exatamente

E deste olhar um leve sorriso brotou
Que despertou a mão da esperança
E nos sentimos assim – frágeis, puros, excitados
Tal como simples crianças

Nossos dedos se tocaram
Ainda trêmulos, inseguros
E no universo das palavras
Saímos derrubando os muros

E com os muros caídos
Formou-se um grande deserto
De estórias, dores, de fatos
De sonhos, planos inexatos.
E do deserto fez-se a ponte
Linda perfeita brilhante
Onde não se sabe do tempo
Morada do sentimento
Refúgio de dois amantes....
 
REFÚGIO

INOCÊNCIA

 
Saudades do perfume
da madeira do lápis
da borracha branca e fina
da folha de papel roubada
do meio do caderno brochura...
Saudades...saudades...
Faz tempo que não venho aqui
Pintar um pouco de letra,
talvez um pouco de mim
Mas venho com uma saudade doída
Sem violência, sem dor!
Não se dizer,
Porque me passou isso ao ver-te de novo...
Com esse olhar distante...
Talvez saudade da juventude
Que você me atravessa
Ou quem sabe...
Saudade de mim!!!
 
INOCÊNCIA

Carreira

 
Se as duras penas
Cheguei ainda assim
Afunda marca!
Tatua-se em mim.
Se em outros “takes”
Brilho eu vivi
Ofusca-me sombra
Agasalhe-se em mim.
Se breve a aurora
Acabar-se enfim...
Imploda-me versos
Poetize-me em mim!!!!
 
Carreira

AMÊNDOAS

 
Com esse jeito escondido
Agora identificado
Pelos teus olhos amendoados
Antes tão reservados
Mudaste tua expressão
Mas suas palavras não
Continuas escrevendo com alma
Com garra, com ousadia.
O que importa é que revelaste
Teus olhos
E assim acabaste
Com tanta curiosidade,
Pois mesmo que já digam
Que os olhos espelhos da alma são
Tua alma já passeia nua
Nos versos doces de tua poesia
tal quente noite de lua
que embebedam o coração!
 
AMÊNDOAS

LEVEZA

 
Em praças
Em nuvens
Em corações
Vibra uma corda
Com o mesmo som
Afinado com a alma
Sincronizado nas batidas de um coração
E a música surge através
Dos sorrisos
Dos mistérios
Que os olhares faíscam
E depois do toque de recolher
A levitação
É imensa
E as nuvens carregam
O sonho
O ideal
Até que se atinja
O sono profundo e se esqueça
Do mundo!
 
LEVEZA