Poemas, frases e mensagens de rascunhomusical

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de rascunhomusical

...mas hoje não é o dia

 
Há dias em que precisamos de alguém,
deixar de sermos nós e irmos além...
além de até onde podemos enxergar,
fundir os sentimentos aos de outrem.

Há dias em que queremos amar,
não necessariamente amar alguém,
mas simplesmente amar,
quem sabe o horizonte,
ou talvez o próprio mar...
numa vontade imensa
apenas se doar.

Há dias em que esperamos pela noite...,
em que um ombro amigo é todo o corpo desejado,
e a vida passa em branco,
...num minuto,
nos sentimos um bicho acuado.

Há dias em que o dia é solidão
e as noites também o são.

Há dias em que tudo poderia ser inspiração,
mas o tudo está tão distante
que o nada se instala num instante
e o que resta é apenas esperar...

...ou lutar!?
 
...mas hoje não é o dia

...porque balançar é preciso

 
Em um parque de diversões, ou melhor, como dizem um playground, em uma praça tranquila, uma balança.
...um balanço se preferir, uma vez que ela não tinha capacidade de pesar nada.

Mas ali apenas crianças poderiam brincar.
Tinha gangorra, tinha aquele brinquedo que gira, aquele outro que é de subir, e a diversão era acompanhada por um som de eixo em movimento, sem lubrificação, dos brinquedos.
Ferro raspando em ferro. Essa era a canção.
Dá até pra gente ouvir, não é?
Ouço o eixo do balanço.
Sim, porque balançar é preciso!
A vida nos impele para frente,
o vento toca a face,
o futuro se aproxima,
os entraves nos empurram para tras,
tudo se torna distante
e mais uma vez buscamos a vida,
a coragem,
e outra vez somos empurrados para frente...
e de alguma forma estamos sempre em movimento,
entre idas e vindas o som do eixo enferrujado do balanço...
...talvez isso seja a vida de fato,
pois quando se pára,
quando nada mais te empurra,
nem pra frente
nem pra tras,
...quando cessa o rangido,
apenas um balanço vazio,
uma gangorra na poça d'água,
um parque deserto,
...não há mais vida
e tudo passa apenas a se chamar morte.

...por isso ...balançar é preciso...
 
...porque balançar é preciso

natu reza

 
Tu és parte de mim
embora não o saibas compreender.
Foges, destrói-me,
mas para mim é certo que voltarás.
Inspira o ar que expiro,
ceifa-me o fôlego até o último suspiro.
Matas-me apenas por me veres viva.
Quando te encontras amargurado,
procuras-me em reflexão.
Quando te acomete a febre, a dor
tomas-me e te recobras o humor.
E o que me dás em troca?
O lixo da tua ambição,
A toxidez que trazes no coração.
Ora, se ao menos me abandonasses!
Estenderia meu manto por vales.
Se ao menos me deixasses,
reviveria em todos os mares,
Se apenas não me olhasses
com a ganância e a cobiça
que te me fazes destruir,
não me farias ressentida,
de te dar a maior das riquezas,
sendo esta tua própria vida.
No entanto, tomas meu corpo
aquece o teu, desprezas todo resto
do que seja eu.
Corta-me as mãos, raspa-me os cabelos,
nenhum ato de desvelo.
Torno-me brasa, ardendo em autodestruição.
E a vida que abrigo se esvai
como a fumaça a que me resume a um ai.
Chegará o quando
em que não te refrescarei a garganta,
o quando em que não te encherei os pulmões,
e que não me mostrarei ao teu olhar,
mas te abrigarei com minhas vestes
e te guardarei nas minhas entranhas,
e me alimentarei das tuas carnes.
Enfim compreenderás o que significa
que sejas parte de mim.
 
natu reza

Sentidos do Coração

 
-Será o coração cego, surdo e mudo, que ouve sem sentidos o nada, e quase tudo dos segundos já perdidos? Perguntava Tytta a si mesma ou a quem a pudesse ouvir.

Ora, diante de tal questão,
Perguntei-mo ao coração,
ao que ele respondeu e disse,
"Tumtum, tumtum, tumtum, tumtum,...".
Logo não é mudo porque responde.
Também não é surdo porque se responde ouve.
Quanto ao ser cego, realmente comprovar não soube,
mas pela forma como tem agido nessa minha existência parece miope.
E quanto aos outros dois sentidos,
sejam eles o tato e o olfato,
preciso investilá-los, de fato,
com um pouco mais de ...tato.
 
Sentidos do Coração

o trem partiu

 
Há dias,
a luz permanecia por mais tempo,
os campos transbordavam flores,
a vida corria, voava, e descia cachoeiras...
O verão se aproximava, ainda era primavera, e uma sensação no ar pairava, de que algo bom estava a vir, galopante, irremediável, que traria o frescor da alegria como os ventos que sopram no litoral.
A vida dava todos os sinais de renascimento, os aromas, as cores,...e o resurgimento do desejo, desejo de tantans coisas, motivação latente.
"Você" chegaria naquele trem, naquela manhã de sol brilhante, e eu a esperava como nunca, na certeza de que tudo seria maravilhoso.
A luz a cada dia ficava por mais tempo e as noites.... ah, as noites... sempre traziam uma lua cheia, linda, vermelha, laranja, amarela e branca que fazia das noites dias. Estrelas, havia muitas, mas escondiam-se ofuscadas pela luz da lua.
O verão invadia a tudo e a todos. As aves a vida traziam todas as manhãs com seu canto e à tarde cantavam para que o dia não fosse embora.
Eu na estação esperava. Na plataforma com ansiedade, olhar percorrendo os trilhos buscava.
Os dormentes como espinha dorsal entre pedriscos, o sol escaldante, a vegetação, o silêncio, e uma suave curva no caminho férreo.
Encerrando o silêncio o chiado nos trilhos revela a chegada do trem e a esperança de que nele "você" vem...vem...vem...vem...vem...
O trem partiu.
O sol, escaldante, a vegetação, imóvel, nem brisa, nem canto de pássaros.
Eu só, a observar o caminho infinito, a plataforma vazia e a alma também.

(nem li, nem vou ler mais, nem sei quem é você, talvez não exista nem nunca tenha existido, mas se existir...)
 
o trem partiu

quem não gosta de ver o mar?

 
Enfrentava o mar apenas com o olhar.

Da areia o observava revolto, provocante...

Não sei nadar, mas sei o que significa enfrentar o mar.

As vezes ele me parecia desafiar.
Desafia as pedras, a terra, o ar...
E a brisa, me convidava a saborear o doce sabor salgado daquele mar.

Levantei-me e fui até que ele me tocasse os pés, mas ele queria mais.
Deixei que me experimentasse um pouco mais...
e desisti, diante da sua fúria, confesso que por mêdo mesmo.

Mas enfim numa explosão de ímpeto, subitamente levantei-me novamente e diante daquele verde azulado, daquela força que se deslocava à minha frente, daquela dança de águas revoltas, atirei-me entre as vagas das ondas mais altas que logo encarregaram-se de me tomar.

Não havia mais chão, não, só profundeza, não havia mais a linha entre a areia e a água, e o horizonte se mostrava apenas entre as evoluções das ondas, mas logo percebi que o mar queria apenas brincar, apenas acariciar, como brinca com tudo o que leva, e traz, e leva, e traz...

Era então o azul do céu, o verde do mar, o açoite dos ventos, e eu como um mínimo elemento incrustado em toda aquela natureza, ...e o mar me devolveu à terra.

Talvez em revolta por minha curta permanência atirou-me nas areias violentamente, tomou-me novamente e tornou a libertar-me.

Gosto de ver o mar, me inspira seu poder, a maneira como desafia a terra e açoita as pedras com fúria...
a maneira como reage aos ventos...
a maneira como me chama e me inspira,
como cria mêdos, desejos, lendas e mistérios, ...e poesia.

Acho que sou meio que dos ventos, meio que do ar,
meio que das águas, meio que do mar,
...e como é bom o vento que vem do mar!

Yehoshua
 
quem não gosta de ver o mar?

"é pá vê ou prá comê?"

 
Bolacha champagne
embebida em chocolate ao leite,
ou talvez fosse
ao leite com chocolate.
-ora, isso não importa!
Mas se é bolacha ou biscoito sim,
porque biscoito é “Tostines”,
o resto é bolacha,
ou seria o contrário?
Se biscoito pode ser dois coitos,
então usemos bolacha mesmo.

Embebidas em leite com chocolate
delicadamente dispostas ao fundo
da travessa de vidro, claro,
para apresentar as camadas.

Para dar um “tcham”, licor de Cassis,
um pouco de castanhas, não!, nozes.
Nozes pra dar uma “crocância” na coisa.

O leite condensado, acrescido de gemas,
baunilha, que à propósito é uma orquídea,
um pouco de amido de milho e tudo
vai ao fogo para ficar “grossinho”.
Tudo bem, para engrossar, ou,
aumentar em viscosidade, pronto.

Pra começar a terminar,
porque não Chantily?
Hum!

Quer mais?
Então vamos colocar sobre tudo
umas framboesas.
Ah! Que pena, não temos framboesas.
Mas temos.... cerejas ao licor!
Gostou????

Como não é só Pavê, então vamos “comê”.

E o Pavê, que o pai fez, sobre a mesa arrumada...
Pratinhos e talheres bonitinhos, tudo combinando...

A mãe: -Hum! Que delícia!

A afirmação, embora correta na minha opinião,
ainda não cabia pois ninguém o havia experimentado.

O filho: -tem nozes? ... Ah! Eu prefiro Pavê mesmo, sem nozes.

O Pai: -se você prefere só Pavê, sem nozes, então fica olhando aí.

A mãe: -acho que faltou cobrir essa bolachinha no cantinho. Não sobrou Chantily? Porque não cobriu direito?

O pai: -..... (isso significa respirar fundo)

Finalmente depois das considerações familiares iniciais, o Pavê que segundo o filho não era bem Pavê pois continha nozes, foi cortado.

A mãe: - nota 10. Ficou ótimo, amor.

O filho: - tem licor! Se fosse com rum ficaria melhor. (só que ele foi quem mais comeu)

O pai: - ficou 10, né?,
mas tem nozes,
tem licor,
com rum ficaria melhor,
faltou cobrir um cantinho...
então,
sem essas observações
teria ficado 15.
Tudo bem,
66,6%
de aprovação.
E você? O que achou?
 
"é pá vê ou prá comê?"

"Abelhas I - Tratamento de Choque - o curso"

 
(essa é uma história, portanto real, contada em 3 partes)

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"Abelhas I – Tratamento de Choque; o curso"

Bom, talvez nem tenha tanta graça escrevendo, mas pode ter certeza que a situação real foi muito engraçada.

Eu sempre tive, como outros, pavor de abelhas.
Bastava haver uma para não haver eu.
Mas como também sou dotado de uma "certa" coragem, decidi impor-me uma terapia de tratamento de choque.

Não, não, não choque elétrico! Coisa de psicologia, sabe!

Fui fazer um curso de apicultura de quatro finais de semana em uma cidade vizinha. Era legal acordar no sábado cedinho e pegar a estrada até a chácara onde se ministrava o curso.

O pessoal era divertido, a conversa era boa, um mix, meio eclético, jovens, velhos, senhoras e até umas mocinhas, sério.

Começamos com a aula teórica e, se voce tiver a oportunidade de aprender um pouco sobre as abelhas, descobrirá coisas muito interessantes sobre as quais não vou falar.

Enfim fomos exortados para, na próxima aula, providenciar o tal macacão de apicultor, fumegador (para fazer fumaça sobre a colméia) e luvas.

(Curiosidade: Sabe pra que serve a fumaça? As abelhas “pensam” que está pegando fogo na mata e por instinto “correm” se encher de mel para protege-lo, pois é seu grande tesouro. Elas sugam o máximo de mel e ficam pesadas e com o abdome cheio, aí não conseguem flexiona-lo para ferroar, além de estarem mais preocupadas em proteger o mel. Esse é o segredo. Mesmo assim tem algumas que não caem nessa. Sempre tem, né! São aquelas metidas a espertinhas e mandonas. Pode crer que são as mais baixinhas. Rsss)

Mas voltando ao assunto, para sua informação o macacão não evita que se tomem ferroadas, começa por aí.

As luvas, até evitam, depende do material.

O fumegador! Essencial.

Na aula seguinte podia-se ver um bando de “seriam patos?”, “seriam garças gordas?”, “seres disformes?”, ... um bando de fantasmas gordos e desengonçados de botas e luvas e capacetes, subindo a ladeira entre caixas de abelhas. As mulheres segurando nas mãos dos acompanhantes, alguns cheios de coragem e outros nem tanto.

A fumaça começa a subir e as abelhas a saírem. O instrutor avisa que se perdesse o controle seria cada um por si. (Que incentivo!)

E começa a aparecer abelha. E cada vez mais abelhas.... e alguém contou e disse que tinha mais de oitenta mil.

Tava demorando pra uma “velhinha” gritar: -Ái professor! SOCORRO! GENTE! Tem uma abelha dentro do meu macacão! E pula pra cá e pula pra lá, e se bate. O macacão que era maior que o número dela se entorta todo, a cabeça sai do lugar, as mangas caem e aquilo tudo vira um bolo de brim branco rolando no chão. Resumo. Nenhuma picadinha, só”medão” mesmo.

E era abelha batendo na máscara e montes de abelhas que pareciam marcar reuniões em algumas partes de algumas pessoas. Um bolo na cabeça de um, outro nas costas de outro...

Aquele zzzzzz em suspensão é pior que broca de dentista!
Aí começam as picadas, e a correria dos menos valentes. O tumulto atiça as abelhas das outras caixas que estavam quietas e o bicho pega.

Pra quem estava em primeira viagem pareceu o fim do início dos pseudoapicultores, mas os instrutores disseram, e agora eu sei, que aquilo não foi nada de mais. Na verdade não aconteceu nada de anormal, exceto algumas que algumas pessoas se assustaram.

Fizemos a troca de caixa da colméia e, à partir daí comecei a perder o medo do bichinho, mantendo apenas o respeito, obviamente.

Na parte II, próximo texto, acontecerá a primeira experiência pessoal e essa foi pra batizar mesmo. Foi A Fuga das Abelhas.
 
"Abelhas I - Tratamento de Choque - o curso"

Seresteiro de uma Paixão

 
Naquela noite ele jurou que o faria.

Sentiu seus hormônios a gritarem.

Olhou-a.

Ali estava ela,

solitária em seu canto

vestida de negro a esperar seu toque.

Seguiu em sua direção.

Seu olhar fixo a desvendar

os segrêdos contidos naquelas curvas.

Em seus pensamentos já podia vê-la,

nua, a se deixar tocar por suas mãos.

Naquele instante em silêncio foi tomada.

Despida do manto negro que a cobria,

sua nudez revelada,

obra prima lapidada de beleza,

entorpece ao seresteiro da paixão.

Seus dedos se encontram.

Um mínimo toque das mãos dele

extraem um doce murmúrio do seio dela.

Seus olhos a percorrem cada detalhe,

uma palpitação, um cheiro, uma canção.

O momento prometia uma sinfonia.

Apaga-se a luz.

Instala-se a penumbra.

Ele a toma nos braços,

senta-se,

ela acomoda-se em seu peito.

Um coração em taquicardia.

Ensaia-se uma melodia.

Ele canta,

ela o encanta,

Ele a toca na sua intimidade,

ela geme.

Geme como jamais havia gemido.

E ela toca.

Toca como jamais havia tocado

sua guitarra.
 
Seresteiro de uma Paixão

rosa negra

 
Num canto do jardim
surgiu uma rosa negra,
chamam-na príncipe negro,
chamo-a de princesa.

De rosa ela só tem o nome,
pois sua côr lembra o vinho tinto.
Espinhos! também tem,
mas não ferem a ninguém.

Depois da chuva da tarde,
início da primavera,
a caminhar sobre a relva, enfim,
a conclusão sincera:
jamais vi rosa tão bela assim.
 
rosa negra

Maldita

 
Não sei porque ainda te ouço, maldita,

E tua imagem insiste em projetar-se em minha mente.

Nas noites quentes, a cama vazia,

E eu a tua procura pelos cantos aflitivamente.

Do teu corpo a refletir a luz, tenho lembrança,

Tuas pernas a enroscarem-se nas minhas, ingrata,

Arrepios, calafrios, e vou a tua caça,

Da próxima vez verás o chinelo ao baygon
(veneno), barata.
 
Maldita

resposta

 
É pena que, às vezes, tenhamos de nos expressar à base de dor,
mas são as emoções que nos motivam à vida.

Sejam boas ou cruéis, são o ornamento da existência
e sem elas não poderia haver forma de vida dentro da gente.

Muitas vezes essas mesmas emoções
parecem desincentivar a própria vida,
mas ao mesmo tempo trazem um enriquecimento pessoal
que nos dará condição de sermos melhores dali pra frente.

E a palavra de ordem é essa, "pra frente".

Há, e você pode observar com facilidade,
muitos ombros para apararem suas lágrimas,
muitos ouvidos a ouvirem tuas palavras,
mãos para segurarem as tuas,
olhos que te observam,
aromas que de ti exalam,
abelhas e colibris que sobre ti revoam
e lábios ... a pronunciarem teu nome,
portanto viva, e ajuda-me a viver também.

Nossas vidas são o que delas podemos nos lembrar,
E lembramo-nos apenas daqueles momentos
em que nossas emoções afloraram.

Assim, vivemos fragmentos,
fragmentos que juntados formam nossa vida
como dela podemos nos lembrar.

Do que você se lembra?
 
resposta

Do início ao fim

 
Corro, corro, corro como um louco,
Não há espaço, só escuridão,
Um mar de águas cálidas,
E o iminente momento da aflição.

No caminho estreito, o tempo estático,
Transtorno, agressões,
Uma mudança brusca,
E me entrego aos tubarões.

Corro, corro, corro como um louco,
Não vejo nada,
Só a claridade de um universo iluminado,
Não há controle, grito.

Meu grito se funde aos sons
Que atordoam, confundem,
Acalmam, alimentam,
E agora, me adormecem.

Corro, corro, corro como um louco,
Há muito a ver, formas, cores,
E também a sentir,
Além do perfume das flores.

Há muito a ouvir,
Experiências, observações,
Há muito a descobrir
Em um universo de informações.

Corro, corro, corro como um louco,
Tudo se confunde em minha mente,
Faces, luzes, opções,
E o impulso incontrolável de ir em frente.

Corro, corro, corro como um louco,
Tudo vai, tudo vem,
Tudo passa,
E eu também.

Corro, corro, corro como um louco,
Procuro não desistir,
Caio, levanto,
Sigo em frente e continuo a fugir.

Corro, corro, corro como um louco,
Tento não cair,
Não tenho fôlego,
Nem desejo de insurgir.

Corro, corro, corro como posso,
E chego a um pequeno espelho quebrado,
Onde o reflexo mostra,
Que poderia apenas ter andado.
 
Do início ao fim

não sei se ela existe....

 
Não sei se ela existe de fato.
Sei que me surge entre sonhos,
num instante em que tudo é abstrato...

As vezes, quando caminho sozinho na rua,
penso que a vejo a esconder-se por tras da lua.

Não a conheço,
mas sinto que me segue,
e por mais que tente não consigo que se entregue.

Nos jardins,
mil cores,
e seu perfume se mistura ao de tantas outras flores.

Nas núvens por vezes vi seu vulto
que se forma em meio à névoa num disfarce quase oculto.

No mar é a sereia
sempre à distância nas pedras mais inacescíveis.

Nunca a alcanço,
nunca a toco,
nunca a vejo,
e seu rosto não conheço...

Talvez seja só imaginação.
Mas se a imaginação é minha que seja perfeita!

E se assim for posso dá-la a quem quiser,
e então, "ela" passará a ser real.

Por enquanto fica aqui,
dentro de mim.

Yehoshua
rascunhomusical
 
não sei se ela existe....

escultura

 
Vago em pensamentos por uma eternidade,
em desafio à sua percepção do meu olhar.

Em meu rosto petrificado
já não se pode enxergar
o sorriso que em minha alma havia,

nem em meus olhos vidrados
as lágrimas que ora deles transbordam.

Meus membros,
tão fortes, sólidos, admiráveis,
não são capazes de me levar
ao encontro do que procuro.

Castigado pelas eras
não vejo luz ou escuridão.
Habitado por alguns
que de mim nem conta dão.

Meu semblante marmorizado,
frio, inexpressivo, à força forjado,
pela chuva é lavado e ao sol secado.

Trago apenas que não são de mim
as marcas do tempo sem início ou fim.

Mas com algum desejo
que atravessa o tempo,
ainda procuro,
na verdade espero,...
quem trará o beijo
que me dará de volta à vida.
 
escultura

dia lético

 
dia lético
Por que é assim?
Uma parte de mim procura o céu,
enquanto outra parte me leva ao inferno,
e a um alguém sempre sobram brasas incandescentes,
enquanto outro minha brisa no rosto sente.
Porque o medo? E de quê?
Se não há maior perigo a mim que eu mesmo.
Porque o controle?
Se o controle é imaginário.
Porque não ser logo um descontrolado.
Sou contradição.
Mas opostos se atraem, e também se completam.
Iguais também podem se anular em vez de somar!
E pior ainda, sobrepor.
Se sou presa faz-se predadora, leoa.
Faz-se presa que te caço.
Desperta o meu ser animal irracional.
Abre o jogo, ensina-me a jogar.
Uma vez serias, planos alcançarias,
mas depois da ventania sobraram apenas
folhas sopradas ao chão,
e o que era sol fez-se garoa,
atmosfera fria de uma fração de vida,
que antes de existir veio a ser perdida.
O amanhã ficou vazio. É isso mesmo.
O amanhã não ficará, ficou.
Nem as flores terão mais cor,
nem seu perfume, valor.
Antes de lavrar a pedra e preciso saber
porque a natureza a fez assim...
Não, não entenda! Apenas aceite.
Pedras podem atrapalhar um pouco
a caminhada, mas fazem do caminho muito mais belo.
Caminhos podem ter além de pedras, espinhos.
Assustam?
Podem ser desconhecidos, sinuosos e estreitos,
e resistirem a revelar o que encerram,
mas não aguça a curiosidade? E o desejo!
Insegurança!!!
Tudo se completa para surgir o todo.
E quase sempre o todo, belo, é formado
por insignificantes partículas feias,
Ou não!
Tudo é verdade. Basta crer.
Mas verdade ainda maior,
é que tornou-se
enorme o vazio que ficou
diante da trilha
não percorrida.
 
dia lético

Hoje é dia de Eclipse

 
Hoje é dia de eclipse!
Verdade!
Vai lá fora e vê!
O sol brilha como nunca,
Pois claro! Vai encontrar a lua.
O firmamento prepara-se para o espetáculo.
Os asteróides e cometas?
Planejaram os fogos.
O sol irradia toda a sua luz
Tão lindo que a todo olhar seduz.
Mas é claro! Sabe o que vai haver?
Em seus braços terá a Lua.
Às vezes eles se vêem de longe.
De dia ele tudo acomete.
À noite é ela quem o reflete.
O Sol preparou o céu
que agora é só dele,
pois não há estrela mais viva
nem tão bela quanto ele.
O Sol preparou o céu
cobriu-lhe com o seu véu,
A lua, faceira então,
prepara seu vestido de algodão.
O Sol a espera para o momento
da linda conjunção.
Será que assim mais estrelas surgirão?
Ela doce, ele esbanjando mel.
Do céu, de um manto açucarado,
Verter-se-á ao fogo da paixão
Um grande tacho de melado.
O céu? Já está reservado.
As estrelas? Todas escondidas.
É claro! Não querem atrapalhar
Um momento tão raro e singular
Cadê a Lua?
O Sol a espera todo afobado
Emana luz pra todo lado.
Tudo foi preparado.
Todo o firmamento ajeitado.
Cadê a Lua?
Seu brilho é ofuscado
No instante tão esperado
As estrelas tristes ficaram
Os cometas pro espaço voltaram
As nuvens cobriram tudo
Cadê a Lua?
Da Lua só chega um recado:
-Ó Sol, tão distante que estás,
sei de tudo o que fizeras,
Mas decidi por aqui ficar,
a rodear e rodear a terra.

-Mais uma estória de final triste!!!
-Isso não é justo!
-Afinal, quem é que manda nessa estória?
-Para provar que podemos mudar as coisas, é só querer... então:

A Lua cheia de emoção
atrasou-se, mas como não!
É o que cabe a toda noiva!
No céu, abandonado,
havia um Sol encabulado
cultivando a solidão.
A Lua chegou e então
despiu-se do vestido de algodão.
As nuvens que cobriam tudo
juntaram-se num imenso edredom,
e o Sol abraçando a Lua
pôs o queixo sobre a sua cabeça.
Os corações disparados
entre abraços apertados...
A noite se fez por um minuto,
mas um minuto que valeu
um grande amor, que no céu aconteceu.

Yehoshua

rascunhomusical
 
Hoje é dia de Eclipse

quem é "ela"?

 
Não sei quando começou, entretanto, sei que não acabou.
Lembro-me que a vi pela primeira vez através de um parabrisa molhado. Era noite, início de uma noite, e eu, como em tantas outras noites estava só dentro daquele automóvel parado debaixo da árvore em frente a casa.
A chuva fina, uma garoa na verdade, trazia um desejo tão grande de não estar só.
O rádio ligado parecia entender o que estava sentindo naquele momento e aproveitava-se muito bem disso.
Apesar daquela solidão, e quem sabe ainda uma certa dose de depressão, eu conseguia entender o que tentava dizer meu coração.
Foi naquele instante que a vi através do parabrisa molhado.
Aquela foi possivelmente a primeira vez em que me lembro de tê-la visto.
Linda..., penso que não saberia encontrar adjetivos que lhe fizessem jus à majestade, ou à elegância, à beleza, à delicadeza...
e da mesma forma que surgiu, sumiu.
"Ela", não poderia estar lá. Não sei.
Sei que "ela" tem me acompanhado desde então.
Não conheço seu nome, não vi seu olhar, mas sei que era lindo, como eram lindos seus cabelos, seus seios, seu corpo, seu sorriso...
sua voz... como era doce sua voz.
E além disso dizia tudo o que eu sempre quis ouvir. Sempre diz.
Nas noites frias me visita e aquece meus sonhos, nas noites quentes é o frescor de uma brisa suave a lamber minhas costas enquanto durmo.
Algumas vezes sua presença faz meu corpo levitar e sinto seu abraço como se estivesse a flutuar sobre a alcova numa sensação maravilhosa de prazer.
Pena que nunca tenha visto sua face.
Não conheço seu rosto. Sei que é lindo, como são lindos seus olhos, seus dentes, sua boca... e seu amor.
Sim "ela" me ama. Não a conheço mas sei que me ama.
"Ela", doce ilusão viva que pensei ter encontrado inúmeras vezes num olhar.
"Ela" a quem confesso, e que ao dobrar tantas esquinas imaginei ter visto.
"ELa", que é a causa e inspiração de tantas palavras, textos, poemas e canções.
"Ela", que está aqui e que tantos ciúmes causa.
"Ela", que nunca foi beijada antes que por mim.
"Ela", que não conhece o amor que não seja o meu.
"Ela", que só recebe o meu abraço.
"Ela", que é só minha.
"Ela", que nunca será beijada além de mim.
"Ela", que não poderia mesmo ser real.
"Ela", que me sopra estas palavras sobre ela.
...que ainda voltará...
...embalada por uma canção,
...encantada pelos ventos,
...nas pétalas das primeiras flores da primavera,
...nas gotas da chuva do próximo verão,
...no canto dos pássaros,
...no tombo do mar,
...sobre a pedra na encosta,
...mas voltará. É certo.
...minha ins_piração.
 
quem é "ela"?