Poemas, frases e mensagens de ChicãodeBodocongó

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de ChicãodeBodocongó

Conversando com Carlos Drumonnd de Andrade ( Poema Respeito )

 
Pois é, Carlos, eu sou cria de fim de rama,
Cheio de drama e compaixões.
Meu pai me ensinou, minha mãe me balançou no berço
Hoje mereço o que eu sou: um tolo a te escutar
Pelos ecos de um mundo sedento de Carlos.
Aprendi a gostar dos meus versos como você gosta dos seus,
Descobri que dava cambalhotas íntimas, assim, igualzinho a ti.
“se meu verso não dá certo, foi alguém quem o entortou”.
Aprendi que sou produto da minha terra,
Que não adianta pensar noutras paragens,
É só miragens que vêm da televisão.
Tudo é bobagem, meu caro amigo Carlos.
Aqui ao menos a gente sabe: nós somos uma canalha só.
Imagina eu como você, a suspirar pela Europa.
Tens razão, é burrice da grossa.
Não apelo mais, eu sou o que sou e nada mais.
 
Conversando com Carlos Drumonnd de Andrade ( Poema Respeito )

Contos dos assoberbados

 
Cabo de aço tem seu ponto de rompimento
O comprometimento tem suas divergências
A costura de um plano sempre tem uma revisão
A loucura nega uma explicação.

Um fato novo traz com ele a culpa
A dúvida é sempre negada a quem merece
O mundo virado ao avesso
Num consenso feroz e travesso.

A história está comprometida
A investida dos vilões é deturpá-la
Utilizá-la para parar o avanço geral
O social passa a ser banal
O que vale é a vilentia descontrolada

Haverá quem diga
Que não acredita no que vê
O prazer de ser enganado
O leva a negar e a pregar a favor da vilania
É mania dos masoquistas das esquinas
Das praças e dos cafés
Que passa os dias sem ter o que fazer ( rapa-pés )
A não ser solver o veneno das cobras.

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 26 de março de 2016
Às 15h46min
 
Contos dos assoberbados

O fim do barco

 
O barco cedeu,
Sua estrutura veio a afundar,
Alquebrado, veio a sofrer a sua ultima crise.
O barco veio a pique:
Afundou com ele uma longa lista de serviços prestados,
Afundou com ele os seus caminhos, suas histórias, seus desejos.
O barco parou, não é mais um barco,
É agora uma massa disforme, sem destino a tomar,
É um entulho no ponto fixo:
Sem movimentos, sem força de deslocamento,
Sem cansaço, sem descanso,
Sem presença e sem referência.
Apenas algo que um dia foi um barco.
 
O fim do barco

Chuva

 
Chove no chão estorricado e duro.
Há horas que chove sem parar
Amolecendo o barro que em minutos
Se encharca virando lama.
As águas correm ladeira baixo
Alagando as partes mais baixas do solo.
Cercas ma postas são arrancadas
Mostrando as partes podres das estacas.
Os arames farpados soltam-se
Agregando-se nas plantas
Que ressuscitam e enverdecem
Contrastando com azul do céu.
O mandacaru não está mais solitário
O capim volta a florescer em seu redó
Os pequenos roedores sofridos pelo longo jejum
Conseguem os seus sustentos
E se assustam com qualquer zuada
E fogem para não virarem comida dos animais carnívoros.
As aves preparam os seus ninhos
E movimenta a natureza dando-lhe um aspecto suave.
Os cantos dos machos atraem as fêmeas
Que num ritual costumeiro se acasalam.
Lá e cá um rato dá seu bote certeiro
E com isso consegue carne para família.
Olhando para leste percebe-se mais chuvas
O horizonte cinza avisa novas trovoadas
Novas exoradas que cortam a terra em valas paralelas
Polindo os chechos expostos e depositados
Ao longo do caminho das águas em corrente morro abaixo.
É a vida revivida num clima de luta, de guerra
A natureza supera as expectativas
E se mostra plena na sua recuperação.
O mato protege o morro
O morro é morada dos bichos
Os bichos servem de nutrição do mato
E todos dependem das chuvas
Que de repente chega
Depois de uma longa estiagem,
Para salvar todos os mortais.
A longa estiagem
Ainda faz parte da paisagem
os ossos continuam expostos
as arvores mortas vai se decompondo aos poucos
e o tom cinza divide o espaço com o mato a nascer.
Porém o mundo resiste
A flora e a fauna sempre estão a renovar-se
O longo período de estiagem não conseguiu exterminá-las
As pedras rachadas pelo calor intenso
Passam por um processo intenso de umidade
E se esfarelam misturando-se a matéria mortas dos animais.
A chuva aumenta de volume
Os rios vão enlanguescendo
Ocupando espaços e mais espaços
Que antes eram margens secas.

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 09 de janeiro de 2015
Às 15h43min
 
Chuva

Um pequeno comentário

 
Compreenda meu ponto de vista
Por favor não me confunda
Eu insisto com muita veemência
Peço um pouco de atenção

O que posto nesta grande revista
Que é a Luso-poemas
Com muita insistência
São as minhas ideias e conclusões
Esperando reações
De uma plateia sedenta por saber
Que quer definições
De uma arte que tem sede de esclarecer
Tudo que pede um pouco de atenção.
Leia e depois comente
É somente isso o que quero

Chicão de Bodocongó – E-mail ( chicmetri@gmail.com )
Campina Grande, 13 de dezembro de 2014 às 10h29min
 
Um pequeno comentário

Falta

 
Palavras soltas
Sem conseqüência
Sem nenhuma lógica
Não trás e não leva mensagem
Perde-se no espaço.
Silabas que não produzem palavras
Não têm sentido
Não dá forma nem conteúdo.
Letras numa seqüência alfabética
Só definem sons
Que agregados nada informa

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 17 de janeiro de 2016
Às 16h 51min
 
Falta

Exposto

 
Eu!
Como posso ter
Meu eu?
Se só posso possuir
No mínimo para viver
Um mito do eu.

Suo a camisa
Para possuir o que quero
Trabalho, trabalho
Mas, porém, toda via
Nada, pouco resultado
Eu obtenho.
Eu não posso ser
Pior do que sou.

Para um bom entendedor
Não desejo ser um todo possuidor
O que me proponho é...
O meu é, que é incerto, protestar
Com certeza imediata:
Leva-me a beleza da solidão.

A imensidão da mente
Desmente tudo que penso ser certo.
Flutuo numa infinita estrada
Ladeadas por imensas estrelas.
Cometas velozes circulam no tempo
Ao redor das gigantes siderais.
Me levando ao limite da exaustão mental.

Suplico!
Minha consciência pede mais:
Suplico por novos tempos
Novas ilusões e novas ideias;
Às que tenho não me servem
E só me expõe aos inimigos,
Ferozes inimigos
Destruidores, inimigos que ferem
E numa investida matam
E enterram vidas
Em covas de aço.

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 30 de dezembro de 2012
Às 16h03min
 
Exposto

sobre a mesa

 
Sobras de comida em um prato,
Uma garrafa de refrigerante aberta
Deitada na mesa, ainda continha
Uma certa quantidade de liquido

As formigas começam o seu trabalho
De coletar alimentos e transportam
Do prato para o formigueiro:
Uma longa fila é formada

As moscas posam na poça amarela
Que resta na mesa perto do gargalo da garrafa,
O movimento aéreo é frenético
Onde todas estão pousando e voando quase ao mesmo tempo.

Um pássaro pousa no prato
E belisca a sobra de alimentos
Circula o prato sempre beliscando
E nervoso sempre espreitando um inimigo.
Uma víbora abocanha vária moscas
E fica a espera de outras moscas
Um gato aparece de repente
E dá um golpe certeiro na víbora.

O pássaro assustado voa
O gato deixa a víbora estraçalhada
E parte para mais uma caçada
Porém, fracassa no novo ataque.

E cai do alto da mesa
Porém ele cai em pé
Como todo bom gato
mas embaixo da mesa tem um cachorro.

Que parte para cima do gato
Para torá-lo ao meio
O gato se afronha todo
E tenta unhar o cachorro.

E imediatamente sobe num armário
Onde fora do alcance do cachorro
Passa a observar calmamente
Os seus movimentos nervosos

Na ansiedade de destruir o gato
Põem-se a empurrar o armário
Que logo cai e o gato vai ao chão
Fazendo-o presa fácil.

No entanto, o gato sai em disparada
Levando com ele o cachorro,
Que o acompanha na corrida
Quase emparelhado

Ultrapassam a porta da sala
Atravessam o terraço
Percorrem o jardim
E por fim sai pelo portão da frente da casa

Um carro vem passando E!....
Não consegue frear
Só se escuta os gritos de dor
Do gato e do cachorro.

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 19 de novembro de 2014
Às 14h58mn
 
sobre a mesa

É assim sempre

 
Lá esta ele fixo na calçada,
Sólido, capaz de suportar:
Sol, tempestades, raios
Mudanças climáticas e
Vai por ai sofrendo
Todo tipo de abuso.
A noite fica iluminando,
As putas aproveitam a sua luz
Pra exibir o seus corpos
para quem quer.
Passam bêbados
Que urinam no seu pé.
Passam cachorros
Que urinam no seu pé.
Passam aves que posam
Na sua fiação.
Ao seu lado,
São desfeitos amores,
Outros amores são constituídos.
Entre sabores
Alguém devora um petisco,
E pede mais um ao vendedor ambulante.
A sobra que escapou da boca
É aproveitada por um cachorro atento.
Enquanto um gato fica só na vontade
E pacientemente mantem-se distante.
No mesmo instante
Uma passeata passa
Cantando os seus gritos de guerra
Expondo suas bandeiras de luta.
É assim sempre
O tempo passa
Mas o poste fica.

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 11 de dezembro de 2014
 
É assim sempre

O cosmo

 
Ao despertar do dia
sempre se ver o céu
através da janela,
cumpre-se o ritual
do despertar,
confunde-se o novo
com o já conhecido,
o preferido
com o habitual,
o movimento
confunde-se
com o permanente,
onde cabe o nosso pensamento,
que só dura um instante

Chicão de Bodocongó
 
O  cosmo

A ferida

 
Construções em decomposição
Ornam as ruas
Com muitas passarelas
Que definem um passeio,
Onde os sádicos sublimam a dor.
Restos de um mundo soterrado
Clamando por dias piores
E que a indigestão seja fatal para todos.
O gordo sorriso do inquisidor
Fere e leva a loucura coletiva.
A ferida está exposta
Para os sádicos de plantão
Cultivem o sofrer.

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 12 de março de 2016 às 10h10min
 
A ferida

A vida

 
Ela se expande...
Haverá uma causa?
Haverá um meio
Que a faz expandir?
Nada a imobiliza
Nada a apreende
É surpreendente
A mente livre pede explicação
Mas não encontra resposta.
Contra tudo que é racional
Ela permanece incompreendida



Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 10 de agosto, de 2012
Às 11h16min
 
A vida

bicicletomania

 
Começa a viagem,
O que importa
É a passagem
Para alegria.
O que importa
É estar alerta,
Ruas abertas
Saúdam os atletas
Que se transformam
Em viajantes
Em plena euforia
Para os desejos de viver.

Passam por praças,
Passam por monumentos,
Em sua mente
Suavemente
Adere, adesão completa
A um brinquedo
Conhecido por um nome
De bicicleta.

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 6 de janeiro de 2015
12h58min
 
bicicletomania

Me sentindo só

 
Caminhando pelas ruas centrais da cidade
Me perco no tempo e no espaço
Sonho com épocas passadas
E estremeço com pesadelos memoriais

Saudade sinto do que foi momentos displicentes
E que perdido na mente aflora, renasce,
Sem me pedir consentimento,
Maltratando-me

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 3 de abril de 2015
Às 9h42min
 
Me sentindo só

Auto-controle

 
Auto-controle

Obrigações, tratados, contratos,
Um mundo a ser construído.
Para o abstrato temos o concreto
O real nega o engano dos homens
E impõe a eles uma verdade.
A realidade doe
A conquista do conhecimento
Faz o homem temer o seu futuro
E o faz retroceder em suas conclusões.
Revisões e mais revisões são feitas e
Desfeitas, são trocadas
Em nome de uma segurança mental.

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 5 de dezembro de 2015 às 13h02
 
Auto-controle

Para Carlos Drumond de Andrade

 
Nostalgia
De um velho
A tecer um mar
Num local que
Não existe mar.
Perde-se num mar
De ideias que não tem volta.
Á contrariar o medo
De possuir o verbo,
Não se contém num ritual ao belo e
Comove-se ao máximo que pode,
Retirando com os olhos
As imagens do dia-a-dia.
Sabe bem usá-las:
No viver das ruas,
Na busca do amor,
Das brancas nuvens,
Do asfalto negro,
São filtrados no olhar maneiro
Mineiramente prevenido.

Chicão de Bodocongó
Campina grande, 29 de dezembro de 2005
Poesia refeita
Campina Grande, 15 de março de 201
 
Para Carlos Drumond de Andrade

Livres para errarem

 
Sssssssssssssss....................tabum!
Estouro no ar ou na terra?
Resta saber se temos a menor chance,
Uma esperança ao alcance das mãos.

Haverá algum mal em ser otimista?
E esperar não ser atingido
Por estilhaços que destroem em alta proporção?
No momento da fuga, sem paixão, nos tornamos egoístas.

O espaço mental dita as ordens para uma busca infinita
E ativa as nossas emoções, que facilita
A pobreza dos atos falhos e maldosos.

Dolorosos sonhos, são pesadelos, servem de modelos,
Referências deformadas de um mundo já esquecido,
Entorpecido pelo engano seguiremos novo comando.

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 14 de outubro de 2001
 
Livres para errarem

Os insetos

 
O pirilampo voa no campo
Ilumina o mato e o espaço,
A formiga sai na corrida
Carrega a comida para sua amiga.

O grilo vai dando trilo por onde passa
Vai dando festa Com alegria e muita graça,
O gafanhoto, com suas pernas compridas
Despidas de pelo, é um animal voraz,
É capaz de um só tempo comer tudo
E voar para comer muito mais.

A borboleta, a borboletar na mata,
Vai a cata da outra igual, o seu circulo vital,
Animal de seis patas, quando nasce,
nasce com muitas patas, a lagarta,
com muita fome sai de galho em galho na árvore
e consome uma grande quantidade de folha
e na sua fome constante, sem escolha, ela destroe desmata

A louvadeus, a cruel, come rã como papel,
Sem muitas dificuldade rapa os ossos com voracidade,
Mas, vou lembrar-lhe da abelha que, com muita responsabilidade,
Com sentido de organização, faz uma boa ação, fabrica o gostoso favo de mel.

Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 5 de setembro de 2004
Às 11h26min
 
Os insetos

O espctro

 
Traz pra cá, Não demore,
Estou a te esperar.
Come cru Quem se apressa,
Porém, lento demais
O assado se queima.
Mas a fome Não espera
E não coopera,
É tempo de coleta
Para o futuro Reclamar.
O que parece ruim,
Não melhora a ração
De uma coleta malfeita.

Fazer caridade, Não faz o gênero,
E só Estimula O instinto maldoso
da raça humana.
Revestido Em uma couraça
Serve-lhe de proteção
E vitima aquele,
Aquele que lhe estendeu a mão,
Aquele que lhe deu pão
Casa, lazer, instrução.
Eu quero!
E espero ser atendido
No ato!
O resto?
Que morra!
Ou use da malandragem
Para enganar as futuras vitimas,
Assim, Como eu faço.
Eu não morrendo?
Vou destruindo o mundo.
Seca no Nordeste, no sudeste,
Até no Polo Norte
Eu sou é de morte
Morte anônima
Que souto na rua
Só Serve para manter o medo
O desespero
A crueldade me faz espectro.

Chicão de Bodocongó
Campina Grande,31 de janeiro de 2015
Às 11h07min
 
O espctro

Chega

 
Chega!
Chega para os meus braços querida
Vem me fazer feliz com o teu corpo;
Vem me tirar do cotidiano
Levando-me ao prazer intenso.

Chega!
Para mais uma foda querida,
Mais uma gozada,
Mais uma, mais outra,
Que se perde na conta
Que te farei tonta de prazer.

Chega!
Chega de sonhar!
Aproveite o tempo para o amor
Sem temor de ter errado;
Escuta o clamor
Do teu amado.
Chicão de Bodocongó
Campina Grande, 6 de abril de 2015 às 15h57min
 
Chega

Chicão de Bodocongó foi a melhor maneira de homenagear o bairro que moro a trinta anos na cidade de Campina Grande ( Bodocongó ), Paraíba. O meu nome é Francisco de Assis que é acompanhado pelo sobrenome Cunha Metri e faz pouco dias que venho publican...