Poemas, frases e mensagens de MariaSousa

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de MariaSousa

Traços do pintor

 
.

Sonhas-me
Em traços pincelados
No mais belo azul do grande pintor
Traços agitados
Em ventos de girassóis
Campos amarelos libertados
Das vestes dos sóis.

Vives-me
Nesses quadros, nos céus
Que de sereno, filhos não são
Mente turbulenta camuflada
De mil véus
Escondendo a paixão.

Matas-me
Em íris, afogada
Sem medos amargurados
Nem de amor saciada,
Na tua firme calma
Do anil alimentada.
 
Traços do pintor

Livres e soltos

 
Soltos e livres em pleno Verão
Em belas planícies douradas
Nas mentes adivinhava-se a paixão
Em canções tão castas e sonhadas

Desfolhavam-se as tardes
Abrasadoramente quentes
Em sestas não dormidas
Em que nasciam poentes
Entrando pelas noites
De luares contentes
E nos nossos olhos
Ainda adolescentes
Brilhavam amores
Belos e inocentes
Que morriam logo
Em outonos nascentes
Que faziam deles
Amores ausentes

Este poema é muito antigo. Espero que não se importem... mas deu-me para o saudosismo...
 
Livres e soltos

Fases da lua

 
Seco as tuas lágrimas
Com os meus lábios.

Esses mesmos lábios
Que são fonte dos beijos
Onde sempre tombam
Os teus desejos
São também terra
Para a tua tristeza
Enterrar
E secar.

Sabes que os meus lábios,
Todas as fases da lua,
Podem encarnar?
 
Fases da lua

Esperas...

 
Estou cansada da porta fechada.
Perdida no tempo de outras eras
Em que Primaveras eram lufada
De ar fresco, após longas esperas.

E o sol que brilhava era quente
Pintando as frutas verdes, de cor
As flores abriam e lentamente
Cobriam os campos sem qualquer pudor.

Eram os amores nascidos ali
Regados no orvalho da madrugada
Manhã plena, repleta só para ti.

Depois abriam-se caminhos em nós.
Rolava o calor por essa estrada.
Os hinos… cantavam-se a uma só voz…
 
Esperas...

Mar e guitarras

 
Se o fado me mente na tristeza
Consola-me a alma, o garanto,
Pois sinto no seu canto a beleza,
Da alegria, ao secar meu pranto.

Podes mar sussurrar um chamamento
Nas águas serenas de Verão
Acompanhamento terás, lamento,
Das guitarras que não se calarão.

Mar e fado de mãos dadas, cantem
Memórias do meu belo recanto
Chamem a coragem e agitem

Os ventos de outrora, num só manto.
Cubram esta terra nossa que tem
Nobreza de espírito, encanto…
 
Mar e guitarras

O céu por limite (1)

 
Mergulho no brilho quente
Desse olhar que me envolve
Que me sente,
Pressente
Como se eu fosse
Frágil e doce
Mas que me vê
Com dureza de diamante.

Pudesse eu evaporar-me no ar
Ser esculpida em forma de mulher
Amante
Perdida nos teus desejos
Coberta de imaginação
E de beijos

De alma e coração
Te levaria voando…

Admite…
Que só o céu
É o meu limite…
 
O céu por limite (1)

Naufrágio

 
No silêncio dos teus olhos
Vi dois lagos tranquilos.

Procurava o meu mar,
Agitado.

Triste,
Percebi,
Que tinha naufragado…
 
Naufrágio

Poente de Verão

 
Mata-me em orgias
De vida.
Faz o meu corpo sentir
O cansaço das ondas
Em milhões de viagens
Em areia infinita.

Dá-me movimento
Como o vento dá
Às searas maduras
Tocando cada espiga
Da minha alma.

Depois,
Depois até podemos
Morrer os dois
Num quente
Poente de Verão.
 
Poente de Verão

Depende do Poeta...

 
Nasce na noite perversa de frio
Um ínfimo arco-íris de fogo
Fazendo na neve branca
Um rio
(Quase invisível)
Que corre na alma branca
Da paz monótona
(indescritível)
Que era sentida.

Nasceu uma flor
Minúscula e rubra
Para ser regada
Sem dor…

Se algum dia será vista?
Só depende do poeta
E do seu amor…
 
Depende do Poeta...

Como um rio

 
Não lamento os amores
Que não amei
Por egoísmos feitos de mim
Em cansaços de rotinas
Que não quis
De mil perdões sem fim.

Envelheço em memórias
Vagueando
Em belos momentos soltos
Como pérolas de um rosário
Rezado
Por toda uma vida
Com mil histórias.

Contos meus
Feitos de imagens
Onde se apagam os rostos
E os personagens
E até eu!
Que não me soube fixar
Em ponto algum
Por não conseguir permanecer
Nas longas paragens.

Mais pareço um rio
De águas revoltas
Correndo apressado
Para o azul,
Para o mar
Talvez esperando encontrar
(Quem sabe?),
A paz
Na morte da paixão
Que não sabe amar.
(Talvez como eu…)
 
Como um rio

O vestido

 
Já viste os cavalos a correr nas planícies alentejanas ao anoitecer?
O sol a bater na pele deles dá uma tonalidade igual ao teu vestido…

Recuou… como era possível aquela pergunta/resposta?
Retrocedeu no tempo. Aos momentos que ele não conhecia…

Era Verão. Um Verão daqueles que só acontecem nas planícies. Só ali existe a magia própria do dourado ondulante contra o azul insinuante do céu. E quando o sol se põe tudo fica rasgado de vários tons de laranja. Fabuloso. Não… é muito mais do que isso! É tanto que não se sabe dizer…
Ao longe ainda corriam cavalos felizes e brincalhões. Não eram todos iguais. Haviam uns maiores que outros e de cores distintas. A luz do fim da tarde, povoava de raios e sombras a paisagem, qual quadro célebre exposto no melhor dos museus. E os cavalos tinham cores misteriosas e brilhantes que iam escurecendo ao passar de cada minuto.
O silêncio da tarde calma, cantava hinos à paz que sentia na alma. Sentia-se tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. Perante a grandeza do espaço aberto e livre, era tão pequena; mas era a sua grande força que lhe dava a paz naquele momento, tão eterno (em quantas tardes de quantos Verões vira o mesmo quadro? Em quantas delas se ouviram as suas gargalhadas? Em quantas delas as lágrimas escorreram indomadas pelas saudades dos que partiram?).

Voltou ao presente.
Que cor é essa? Os cavalos têm diferentes cores que, ainda se transformam noutras, consoante o sol que bate neles.

Que lhe interessava a cor do vestido?! Sabia que para ele, a cor desse vestido era mágica. Tão mágica como os quadros reais que, para ela, eram os mais belos. Isso sim!
 
O vestido

Respiras-me

 
Respiras-me
Saboreando momentos
Feitos de sorrisos
Metamorfoseados em ar

Na intuição do sentir…

Com os sentidos a divagar
Vens até mim
Sem saberes
Se me vais encontrar

E, mesmo assim,
Partes sem rumo certo.
Só para me ver sorrir…

Abençoado respirar
Que me faz não saber
Para onde ir…
 
Respiras-me

Solta-me na noite

 
Atira-me no mar
Do teu desejo
Afoga-me em ondas
De prazer.

Solta-me na noite
Do teu querer
Arrasta-me em vielas
Ébrias do teu ser.

Aquece-me na fogueira
Do teu sangue
Queima-me no teu corpo
A ferver.

Toma-me na tua fantasia
De fera indomada
Que eu te tomarei em magia
De lua apaixonada.
 
Solta-me na noite

Feiticeira

 
Chamavas-me feiticeira
Ainda mal conhecias
Meus feitiços fulminantes
Feitos com flores de laranjeira
Pétalas de rosas macias
Folhas verdejantes
Estrelas brilhantes
Pedaços de luar
Tudo misturado
Com salpicos de mar.

Elixir fatal
Ao qual, ainda fui juntar
O brilho do meu olhar
A cor da minha pele
Pedaços de lábios de mel
Um perfume sensual
Do corpo de mulher
Que sabe o que quer.

Ainda assim
Achei que não era potente
Peguei numa brasa de paixão
De fogo incandescente
Em asas de imaginação
De um sol poente
No bailado das ondas
De um mar contente.

E com amor
Te dei tudo a beber
Para que pudesses perceber
Que não te enganavas ao dizer
Que no meu feitiço
Querias viver.

Um poema antigo. Do meu 1º livro "Alma Nua"
 
Feiticeira

Alinhando as estrelas

 
Saiu da sala de jantar. Ninguém reparou.
Desceu alguns degraus e baixou-se para tirar os sapatos de salto alto. Então, desceu o último degrau e sentiu a areia seca tomando-lhe os pés.
Deu alguns passos seguindo o chamamento das ondas.
Sentou-se, pousou os sapatos e abraçou os joelhos.
A noite estava quente e húmida. O vestido branco agarrava-se à pele, do mesmo modo que, a espuma branca das pequenas ondas, se vinha agarrar à areia.
Ainda conseguia ouvir a música tropical vinda da sala e as vozes sem palavras definidas. Tinha sido um jantar muito agradável. Tudo era bom e bonito. Perfeito, se não fosse a sua fome de silêncio e de solidão.
Sentia-se bonita naquela noite, Sentia-se em paz. Mais ainda, ali sentada sozinha. Num ímpeto deixou-se cair para trás e ficou deitada. Olhou o céu azul escuro e viu milhões de estrelas. Definiu algumas constelações.
Tentou definir caminhos de estelas. Complexos caminhos que lhe fizeram lembrar as estradas da vida. Viu as estrelas desalinhadas e iniciou um árduo trabalho de tentar alinhá-las. Pareceu-lhe possível. Mas, nessa noite sentia-se cheia de força. Uma força interior que nem sempre conseguia ter. Com a ajuda do mar, conseguiu mesmo alinhar alguns caminhos. Caminhos seus. Caminhos irreais.
Talvez tenha adormecido. Decerto que sonhou e, só acordou, quando sentiu a presença de alguém perguntando o que fazia ali, tão só.
Não era uma voz conhecida. Não era alguém que a procurava mas sim, alguém que a encontrou. Simplesmente respondeu que estava a alinhar estrelas. Ele sorriu e sentou-se ao seu lado. E só perguntou se podia ajudar…

Por vezes, também gosto de escrever em prosa.
 
Alinhando as estrelas

Porque vieram as madrugadas...

 
Porque vieram as madrugadas
Desassossegar
Em sorrisos espontâneos,
As noites frias desesperadas
De feridas secas
Mas não saradas?

Estranhas ruelas
Talhadas na mente
Calcetadas dos enganos
De quem sente…

Mas o sol brilha
Por trás das nuvens escuras.

É desse que sou filha
Apesar das amarguras…
 
Porque vieram as madrugadas...

Uma pausa na estrada...

 
Quero que a minha voz
Seja por ti ouvida
Como o silêncio do mar
Ou simplesmente
Como o abanar
Dos ramos ao vento
Nos campos onde
Vais caminhar

Quero que os meus dedos
Nos teus cabelos desalinhados
Te façam sentir
De olhos fechados
A paz tão protegida
Do teu leito
De menino
Dos tempos passados

Quero que o meu beijo
Suave na tua testa
Não desperte
Qualquer desejo
E da fonte do amor
Puro
Seja apenas
Um gotejo

No meu colo
A tua cabeça repousada
Sem qualquer carícia ousada
Descansando em azul

Uma pausa na estrada…
 
Uma pausa na estrada...

Desafias-me...

 
Desafias-me
Como a lua desafia
As marés

Rasas e calmas
Molham os meus pés
Que descalços e nus
São como duas almas
Que se refrescam em fés
De paixões que não pus
Entre nós…

Vivas e revoltas
Fustigam a minha pele
Que despida e nua
Nas ternuras que soltas
Nada mais é que papel
Amolecida e tão tua
Sem nós…
 
Desafias-me...

Eu queria amar um poeta

 
Eu queria amar um poeta
Que conhecesse a dor
De perder um amor
E a transformasse na magia
Da sua poesia.

Que nascesse em cada dia
Sedento do sabor
De uma nova paixão
Que a tornasse eterna
Dentro do seu coração.

Que tocasse o meu corpo
Como sabe tocar uma flor
Com toda a doçura e fulgor.
Que lidasse com a rotina
Como se fosse noite de luar
Com toda a vontade de imaginar.
Que vivesse cada momento
Como um verso a escrever
Para nunca esquecer.

Que me amasse a mim
Como se fosse um ser
Que não tem de sofrer.
Que me fizesse sentir
Como acabada de nascer
Sem de ti saber.

Saído mesmo do fundo da gaveta
 
Eu queria amar um poeta

Contrariando as leis...

 
Contrariamente às leis da natureza,
Sou eu fêmea em cio,
Que o penetro lentamente
E me sacio na sua frescura
Inebriante.

Mato nele toda a minha sede
Todo o meu calor,
Tão grande é por ele
O meu amor
Que mergulho tão fundo
Até desaparecer
Da vista do mundo.

Meu macho mais que poderoso
Que me recebes dentro de ti
E me abraças com a tua força
Imensurável tão meiga
E afável, que sempre senti.

Minha paz, meu azul
Minha cor da vida,
Meu mar,
Meu amor.
 
Contrariando as leis...