Poemas, frases e mensagens de veríssimo

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de veríssimo

O nosso livro A PEDIDO DE UM SONHO, está na bancas, peça pelo email: jmverissimo@yahoo.com.br

PERSEGUIÇÃO

 
Amor é vidro liso, vivo, escorregadio
Estrada livre: a gente passa na ida
Escorrega na volta e não se corta: volta
E amanhã a gente passa no mesmo caminho

Carrego o peso do verso não feito
O sabor de um beijo não dado
Sou aqueles segundos passados
Que marcaram tempo algum

Vou cheirando as esquinas
Procurando você – vou indo
Ando por toda a cidade
E não encontro nada

Quebro os ponteiros do relógio.
Desatinado durmo no espaço vazio
E não paro o tempo que corre louco
Dentro de mim e acordo com o dia:

Gritando seu nome!
 
PERSEGUIÇÃO

ORAÇÃO POR UMA TARDE SEM FIM

 
Crava-me tuas garras afiadas ao saciar teus desejos
Atravessa-me com tuas sombras como salas frias
Marca-me com teu sangue, como ferro quente os bois
Goteja-me com teu suor, como corpos sedentos o amor

Não faça-te manhãs solitárias de cores claras e cruas
Sinta-te águas serpenteando o verde que são tuas
Transforma-te em almas prateadas que voam nuas
Beba-te cântaro garimpando serras perdidas e luas

Na calma dos ventres, broto em teu peito às claras
Que calam nos doces sinos roucos de dores raras
Capinando teus medos como teu corpo que encaras

Canto amores rebocados secando as virgens manhãs
Quando teus passos ruam na dor e na louca barganha
Cortando tuas unhas, soltando meus pedaços nas tuas entranhas
 
ORAÇÃO POR UMA TARDE SEM FIM

PARA QUEM ME DEU OLHOS. . .

 
PARA QUEM ME DEU OLHOS. . .

alma rasgando a pele, borboleta me fascina
em tudo que se move
faz lembrar que certas coisas não tem fim

a pele é amor concebido, cria e corta forte
descansa o verbo

como sua saudade, aos poucos me alucina
na trapaça mais doce

me invento, me troco e não digo que é sorte
sorriso ou feitiço
é algo que se quebra
onde os rios não param

a forma essencial
acariciada por uma cor
com apenas um olhar
viro tom
de um azul mais azul
mais do que se vê em outro lugar
cá, dentro de mim
viro teu...

Veríssimo & Vania Lopez
 
PARA QUEM ME DEU OLHOS. . .

AINDA TRAGO DENTRO DE MIM

 
Ainda trago dentro de mim
Um tempo que coroe o aço
Uma tarde que fuça meu peito
Saudade pura queimando a alma
Calor do fogo que assa a massa
Saudade da pele simples de um colo
De um olhar buscando porto seguro

Enquanto,

O fio borda o filho no ventre da vida
Na tua boca palavras são musicas pra alma

Enquanto,

A abelha faz o filho e o mel da vida
Ensino-te amando-te e meus olhos se alegram com as cores
 
AINDA TRAGO DENTRO DE MIM

DA AMADA QUE NUNCA CAIU

 
DA AMADA QUE NUNCA CAIU

Cai a noite
Dentro de mim
Cai uma estrela
De um dia que caiu à noite

Cai o vaso
Dentro de um amor ardente
Cai raso
Lento como cai o presidente

Cai a idade
Da claridade que já saiu
Cai o pescador
Do barco que da cachoeira caiu

Cai a vida
Cai a paciência divina
Homem de pouca reza
Que da mão o terço caiu

No final da estrada
Cai o sinal
E sem sinal de nada
Encontra no final do tempo a amada, que nunca caiu
 
DA AMADA QUE NUNCA CAIU

PEDRA CANÇÃO E VIDA

 
A pedra sabe
Da hora de ser dura
Senhora gente

Decifra livre
O sentido da alma
Senhora minha

No tempo há luz
A via pra gente passar
Dentro de te via

A terra gera
Feliz e grávida luz
Da vida seduz

Do outro lado
Êxtase pura nódoa
Fera amada

No mar amanhã
Amanhece louca dor
Velha barca nua

Da humana voz
Humanidade louca
Canção da vida
 
PEDRA CANÇÃO E VIDA

A MULHER DE VESTIDO BRANCO

 
Cala-te um altar florido, cala-te tua própria voz
Diante de um tempo, teu passado te cospe a dor
E teu vestido esconde tua dor, teus novos medos
Atento o presente branco vai esculpindo teu corpo

Enquanto dura, o vento balança teu vestido no meu rosto
E teu vestido branco escreve a poesia do teu corpo
E veste teus desejos, nossos imortais desejos e encantos
O vento pára e cai o teu vestido branco em minha pele

Teu corpo e teu vestido se misturam em minha alma e acalmam
E no silêncio das bocas calam e num só calor se fundem em arte
E a sorte de quem ama veste branco, quem sabe as vozes revelam

Teus segredos infinitos que se escondiam em ti, enfim te deixam
E uma gaveta qualquer guarda teu vestido branco, na minha cidade
Rua onde volto sempre e desnudo a saudade, procurando por ti
 
A MULHER DE VESTIDO BRANCO

UNHAS COMPANHEIRA INSEPARÁVEL

 
Unhas que atravessam os anéis
E dosam as sentenças em noites iguais
Unhas nervosas que marcam os corpos
E furam as lágrimas nas tardes iguais

Unhas que cavam a terra e abrem os caminhos
Unhas que em cada dedo amam sozinhas
Unhas que não cometem crimes e vivem presas
Unhas que cravam as presas e ferem os animais

Unhas que furtam os mortais e escondem os crimes
Unhas que acertam os relógios e marcam os encontros
Unhas que escolhem as cartas e trocam os destinos

Unhas que acompanham os homens nas terras ricas
Unhas que deixam os homens ricos nas terras pobres
Unhas únicas e nunca unidas, de unhadas miseráveis

Unhas que criam as notas e tecem as canções
Unhas que nascem com os corpos e duram mais que os corpos
Unhas que cegam as leis e sentenciam os homens: unhas
 
UNHAS COMPANHEIRA INSEPARÁVEL

SONHO POETA DE UMA PRAÇA

 
Na praça das palavras
Palavras querem as praças
E sozinhas não bastam
A vida resiste e querem as praças

O poeta não basta
E a poesia existe
A dor não importa
A poesia e o poeta querem as praças

E a ausência desgasta
De uma praça que insiste
Como cisco no olho
Saudade ciscando no peito

No campo das terras
O espaço que alastra
Nesse peso teu leito, teu peito
E a praça insiste, resiste e assiste.

Na varanda da serra
Na talha de barro
Onde brota Adália
O poeta insiste, são palavras da praça

O dia é pouco, a vida é muito pouco
A noite é longa. O depois é longo e pra onde?
E o poeta de poucas palavras
Renasce na praça da sua cidade.
 
SONHO POETA DE UMA PRAÇA

A FOTOGRAFIA

 
Não.
Não quero muito.
Nem tanto a cobrar.
Nem muito a implorar
... me basta a luz
....me alimenta o ar
....me ilumina o sol....

Ah! Sim
Que minha geração
Seja uma revelação melhor
Da vida que fotografei.
 
A FOTOGRAFIA

COMO SE FOSSE EU

 
amo a dor que não me dói
divido a letra do que não escrevi
o deslumbramento não revelado
contempla-me olhar-te e ver-te
e se foges, finjo que, eu de ti fugi
jogo dados com o universo.

ando distraído, talvez na suavidade da ida
encontro-te minha, inocente e toda minha
desenhada pelo vento.
solidão sem solidão

quero-te flor minha em espigas de flores
com os olhos, teço uma cerca de perfume
na primeira diligência da primavera...

para ter-te, rasgo o infinito, num fogo frio
ressuscito-te o nome na garganta
junto um pedaço do mar ao pedaço teu
e dou-te inteirinha para minha metade fria
pra ter inicio que seja agora,
como se fosse eu, uma roupa amada, que vestes.
chega a ser azul, derramada sobre o tempo.

de onde tirais tanto azul?

Veríssimo & Vânia Lopez

PARCERIAS E POESIAS,
SÃO APAIXONANTES OS CAMINHOS POR ONDE ANDA A VÂNIA LOPEZ, ESTRELA DE PRIMEIRA GRANDEZA; ESTE TEXTO NÃO CONSIGO SABER O QUE É DE MINHA AUTORIA E O QUE É DELA, NUMA PERFEITA, A MAIS PERFEITA SOLDA QUE O ENGENHEIRO PROJETA E O SOLDADOR EXECUTOU, NÃO HÁ FENDA...NÃO HÁ TRINCA...OBRIGADO PPPPPAAAAAAAARRRRCCCCCCCCCCEEEEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIIIRRRRRRRRRRRRAAAAAAAA
 
COMO SE FOSSE EU

BATE VIDA, BEM DEVAGAR

 
A carne cala
Calada chora
Como parede sem casa
Como ponto sem estrada

Onde a luz tece a escada
Por onde faço meu voar
Nos verbos sem almas
Peço a dura leveza da vida

Tenha calma comigo
Da saudade de anteontem
Faça seu meridiano

Me divida ao meio
Faça uma parte feliz
Vida, bate, mas bem devagar

Pra não arranhar
Pra não marcar
Pra não machucar
 
BATE VIDA, BEM DEVAGAR

O PEDREIRO, VIOLEIRO, CACHACEIRO E POETA

 
O pedreiro,
Do andaime joga a massa na parede
E a morena o corpo na rede
Na rede
Na parede

O violeiro
Do braço da viola, entorta o canto na corda
E a paixão o corpo no copo
No copo
No corpo

O cachaceiro
No canto do bar bebe a inquietação dos bêbados
E a sua amada experimenta um novo lençol
Dos bêbados
Dos desafinados

O poeta
Quer ver o sol, pegar no vento e quebra a janela
Enquanto ela de muitos amores, nem morre por ele
De muitos amores
De poucos poetas

Sem rimas
 
O PEDREIRO, VIOLEIRO, CACHACEIRO E POETA

DA FELICIDADE - PENSNADO

 
“Felicidade poderia ser, lá pelas três da manhã, ver aquela mosca que perturbava seu sono, arriada no chão. Pode ser! – Veríssimo – Pensando felicidade”
 
DA FELICIDADE - PENSNADO

DIGA NÃO, DIGA SIM

 
Em qualquer roçado em durmo,
Se tem riacho livre tem água limpa;
Agüenta todo peito que a fome alimenta;
Faz medo: nem toda cama tem sono.

Não rimam o de baixo e o de cima;
Durmo no colo e não caio no chão,
Sem trinca, sem fenda, no ventre;
Tudo igual, sem emenda, coração!

Bebo na bica, na palma da mão, tua água;
Do monte vejo o infinito e dou um grito:
Acorda moço! Saia dessa ponte: corra!

Teu ponto foge de ti, escapa-te a sorte.
Se tens gosto de mamão de corda, liga não:
São iguais, sinta-se maçã, moça solteira.

Na beira da estrada, diga nada, diga não!
Se na cama, durma em silêncio, diga não!
Se a estrada é tua, faça segura, diga não!

Diga não! Diga não! Diga não!

Amores e corações se encontram, diga lá Caetano!
Tudo que é de bronze, bronzerá, diga não! Diga Djavan
Se é de paz, prazerá, trará agora teu ponto, diga sim!
 
DIGA NÃO, DIGA SIM

QUNDO SE PERDE UM PEDAÇO DA ALMA

 
A MÃE QUE PERDE UM FILHO
MOSTRA NOS OLHOS O TAMANHO DA DOR
DE TANTO CHORAR NÃO TEM MAIS LÁGRIMAS
PERMANECE PASMA, SOFRENDO, SEM ACREDITAR

PARECE QUE DEUS LHE ARRANCOU UM MEMBRO
PARECE QUE A VIDA LHE FUROU OS OLHOS
PARECE QUE UM PUNHAL LHE ATRAVESSOU O CORAÇÃO
PARECE QUE A MORTE LHE ENTERROU VIVA, NA MESMA COVA

A MÃE QUE PERDE UM FILHO
MOSTRA NO PEITO O TAMANHO DA DOR
MESMO ACREDITANDO, CHORA PRO RESTO DA VIDA
CALADA E SOFRENDO, SEU FILHO AUSENTE VAI AMAR PARA SEMPRE

A MÃE QUE PERDE UM FILHO AOS DOZE ANOS
TALVEZ, NEM SABIA, O TAMANHO DESSA MISSÃO
SÓ DEUS SABE, QUANTOS ANOS ELE VIVEU
E ESSA MÃE SABERÁ, QUANDO, LÁ NA FRENTE, CHEGAR O SEU DIA !

É PRECISO TER FÉ PARA ACREDITAR EM DEUS
É PRECISO TER FÉ PARA ENXERGAR MESMO COM OS OLHOS FURADOS
É PRECISO TER FÉ PARA AMAR, MESMO COM O CORAÇÃO SANGRADO
É PRECISO TER FÉ PARA MESMO ENTERRADA VIVA, CONTINUAR A VIVER.
NOSSOS FILHOS NÃO DEVERIAM MORRER.
 
QUNDO SE PERDE UM PEDAÇO DA ALMA

PEDINTES, CARENTES E MISERÁVES

 
O padre pede a fé, rezada
O político o voto, abençoado
O miserável o pão, faminto
O carente o amor, distante

O mundo pede a paz, urgente
A fábrica a guerra, calculada
A criança pede água, chorando
A justiça a calma e o tempo

A reta pede a curva, entalhada
A curva a reta, esticada
As asas pedem o voar, liberdade
A boca pede o beijo, apaixonada

O peito pede o abraço, suado
A terra a semente, molhada
O ventre pede o filho, gerando
O trilho o trem, deslizando

A Cássia pede a Eller e a rosa
A uva pede o vinho e o corpo
O trigo pede o pão, florindo
O homem pede Gandhi, sorrindo

Não tenho tempo, um segundo
Não tenho balas brotando, as palavras
Tenho filhos, tenho fome, temos sede
Pedintes, famintos, carentes e miseráveis
 
PEDINTES, CARENTES E MISERÁVES

CADA COISA EM SEU LUGAR E MEU LUGAR É VOCÊ.

 
Uma galha na mesa
Um coração no pingo
Uma chuva na roça
Um passarinho no jardim

Um menino no peito
Uma linha na agulha
Uma água na pedra
Um filho no colo do pai

Uma areia na praia
Um broto na semente
Uma flor tonta de orvalho
Uma abelha que ama sozinha

Uma gota quebrada na esquina
Um cale-se no final do grito
Um olhar encontrando olhar
Uma ponte unindo os montes

Um vento bravo na colina
Um coração clareando o chão
Um amor dormindo menina
Uma música da nova palavra

E na magia do espaço encontro o amor
E no cansaço dos braços me afasto da dor
Da simetria do corpo me faço devagar
Da alegria do beijo me faço viver e encontrar você

Cada coisa em seu lugar, diz meu coração
Meu sensato querer diz que meu lugar é você
Me faço da sua cor pra me explodir de alegria
Acredito que você foi sempre só de mim e eu de você
 
CADA COISA EM SEU LUGAR E MEU LUGAR É VOCÊ.

UMA SOMBRA DOIDA

 
Quando falo de dois
Penso em doidos
Se doidos falam
Me calam

Quando penso em doidos
Logo somos dois
Que não falam, não somos
Não me calam

Um doido de sombra
Uma sombra doida
Então somos dois
Duas sombras

Eu doido
E você sombra
Doida
Doidos

ESQUIZOFRENIA...esquisito...esquilo...esqueleto....Doenças modernas....de quantos séculos?
 
UMA SOMBRA DOIDA

A FOME E O HOMEM

 
Da fome não tenho pena
Tenho pena do homem que tem fome
A fome é a pena do homem
Que leva na alma o vazio que atormenta
Uma alma que tem fome

Não há céu
Não há sagrado
Para uma alma com fome

Chegou a chuva
É hora da colheita
Vem a fartura

Mesa farta Deus habita!
 
A FOME E O HOMEM

Veríssimo