Poemas, frases e mensagens de Cleber

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Cleber

Nasci em 1985, e tenho paixão por filosofia e pelas artes que entorpecem o homem - as religiões.
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O título pode ser seu(só quero o conteúdo)

 
Coisifico a minha dor para caber aqui
No universo que me cabe
Na minha parcela de existência
Criada para afagar e destruir.
Existo sob a ameaça constante da extinção
Estar aqui é a vitória do improvável
A minha teimosia perante a sentença clara e sucinta:
Sou apenas uma organização breve do caos.

E na minha insignificante gota de tempo
Carrego com prazer e ardor
Minhas inutilidades entorpecentes
O amor, a virtude e o ego

Amar... O elo delinquente do caos
A força que nos impede de ser nada
E sentencia a jamais tornar-se tudo -
Incompletude inerente a minha espécie...

Virtude – meu psicotrópico favorito
Aquilo que me convence que ainda estarei aqui
Mesmo quando nada for.
E ecoa nos meus ouvidos ser o meu legado no universo
Intitula-se mais importante do que a matéria que alimentará a terra que me cobrir

O ego ... O eloquente orador da minha classe de sentidos
O argumentador de que sou
E não apenas estou
O organizador da minha parcela interior de universo
O ente criado
Como figura criadora do meu Big Bang
O messias que me arranca da escuridão do todo
Para me ajudar a trilhar a iluminação da ignorância...

Hoje estou apenas cansado
De estar aqui
Dentro de mim
 
O título pode ser seu(só quero o conteúdo)

O meu mundo

 
 
Pessoas passam
O tempo passa
Idéias cíclicas
Me impedem de dormir

Os ciclos passam
Pessoas tardam
Mas o tempo
Não perdoa se eu desistir

O tempo pára
Os ciclos falham
Quando pessoas
Me ensinam a prosseguir

Queria tanto ter uma escolha pra fazer
A ignorância alivia ao respirar
Esperava o meu mundo entardecer
Mas insisto em aguardar o sol raiar

Se certo e errado
Tiverem o mesmo lado
O que fazer com um caminho esgotado?

Se certo e errado
Tiverem o mesmo lado
O que fazer com um caminho esgotado?

O tempo pára
Os ciclos falham
Quando pessoas
Me ensinam a prosseguir

Queria tanto ter uma escolha pra fazer
A ignorância alivia ao respirar
Esperava o meu mundo entardecer
Mas insisto em aguardar o sol raiar

Música nascida de uma discussão filosófica sobre bem e mal.
 
O meu mundo

Natureza

 
Eu vejo você
Eu sinto você
Estou enlaçado nos braços do caos
E do teu colo
Respiro tua energia
E recordo minha fase ainda singela.

Eu quero teu acarinhar cego
Tua justiça incompreendida
E abraçar os pedaços de mim

Lançou-me ao ar incompleto
Para assimilar o que me faltava
Do todo
Nos olhos de quem me visse
Como parte
E da queda ao voo
Ganhei asas
De um anjo que caía
Mas não quis que sua queda fosse em vão.
 
Natureza

O Forte do Humaitá

 
O Forte do Humaitá
 
Ah! querido Forte do Humaitá
Pedaço meu do universo
Lugar que fui menino
Fui sincero
Fui eu

Neste travei grandes batalhas
Lutei em mim para forjar o que sou
Aqui o garoto vestiu sua armadura
Para matar qualquer dragão

Deste lugar, que o oceano parecia pequeno,
Me convenci que era capaz de tudo
E virei meu próprio herói

Porém, nessa porção de Todos os Santos
O Divino tocou-me a alma desnuda
Enquanto retirava as roupas tecidas por minha mãe
E imergia na armadura de São Jorge
O Olimpo decretou que não seria sem marcas
Algo teria que me ligar eternamente
Ao Forte do Humaitá

E em homenagem a você Humaitá
Serei forte
Em homenagem a você Humaitá
Serei menino
Em homenagem a você Humaitá
Serei guerreiro
Em homenagem a você Humaitá
Serei feliz

Mas sei que estarei lá
E o Forte do Humaitá estará aqui...
 
O Forte do Humaitá

Véu de Maia

 
O que é real?
E o que é conseqüência?
Envolto na luminosidade dos teus trapos
Estão cuidadosamente escondidas
As lacunas do ser.
A luminosidade do dia que cega
Ofusca o breu noturno
Que indaga aos meus olhos:
È real o que se pode ver?

Intangível véu de serenidade,
Impalpável véu de segurança.
Equilibrando o caos numa balança
Que pesa a medida entre o bem e o mal.

Castigo ou herança?
Qual o verdadeiro propósito
Do afago das sensações?

Até hoje o principal triunfo dela-
Maia-
É separar-me de você,
Fracionar o elo da vida
Em pequenas partes independes de si,
Que guerreiam incessantemente
Para alcançar e sobrepujar o outro.
Como fração insignificante do universo.
Não nos permite perceber que o bem que lhe faço
Faço a minha própria existência.

A “irracionalidade” da natureza
Mostra-nos que a peça é parte do todo
Assim como o todo é parte da peça
Teatral ou mecânica,
Visceral ou trivial.

Para transpor-te
Vale a velha máxima
Se teu olho te faz tropeçar arranca-o.

Baseado no livro "O Mundo como Vontade e Representação" Arthur Schopenhauer.
 
Véu de Maia

A palavra, o poema e o poeta

 
As palavras são vagalumes
Vistas no escuro são sonho
Vistas em grupo constelações
De perto apenas uma ilusão biológica

Palavras são ferramentas
Ou armas
Cumprem um propósito
Ou o despropósito de existir

Palavras alicerçam a realidade
Fundamentam a minha compreensão factível
Mas arranham o implausível
Quando se fazem fluidas
Quando se abraçam
Em um encanto de luxúria

Quando tateiam minhas incongruências
Tentando conectar
O que me resume mais
Que minha posição na engrenagem

Sou um vassalo delas
E o seu deus
Criado a sua imagem
Para cumprir o papel de pô-las em ordem
E desordenar o que há de mim
Como cacos refletindo parte da imagem
Cartesianamente disforme
 
A palavra, o poema e o poeta

Quando não salta-me aos olhos

 
Engrandeceria o silêncio da lingua
Se o adocicado fosse
O absinto que embebeda os loucos
E a loucura as vezes não parecesse
Uma tragada de liberdade

Esfaquearia o profeta da praça
Se nossa doentia sanidade
Não pintasse de normalidade
Nossa caridade erguida na fumaça
Satisfeita com o pão embolorado
Que empurramos goela abaixo
ao nosso sentimento de culpa.

Compreenderia o silêncio da lingua
Se a fome fosse apenas
O prenúncio de uma próxima refeição
E não o preço pago pela saciedade.

Mas que tolice...
Pois esfaqueio o profeta da praça...
Esbofeteio os olhos úmidos...
Cuspo a chaga exposta...
Quando reitero que isso não faz parte
Do meu mundo.
 
Quando não salta-me aos olhos

O meu infanticídio

 
O quanto há de piegas na dor
Na rima tola de amor
Na insistente e psíquica
Ligação de tormento e prazer
Como se o preço pago pela satisfação
Seja o sangue de alguém
Ou somente um ferimento
Pulsante e invisível
Uma chaga
Incurável e indizível
Uma insolúvel canção
De amor.

O que há de mais imprestável do que meus pertences?
È sempre o que diz meus olhos infames
Fincando o punhal incandescente do desejo
A perfurar fundo até minhas entranhas pueris
Onde sou eu
O eu puro
E toma-me sem defesas
Sem habilidade de curar minhas enfermidades
Carente menino de colo

Acho que sobreviverei
Quando matar este menino
Desejoso dos eternos carinhos maternos
E servi-lo à mesa do homem de mármore
Que querem me tornar
Em um mundo que o amor dói
Porque não tivemos a coragem suficiente
De matar nossas crianças.
 
O meu infanticídio

Diga por Si mesmo

 
Senhor, castigaria o exercício do dom?
Da faceta de vida que me afasta do puro instinto
Menosprezaria a eloqüência lógica
Pela mera satisfação do poder, da superioridade e do ciúme?

Deus, sujaria as mãos de sangue
Como resposta justa a ignorância, frustração e doença?
Vingaria somente o rebanho
Sem se compadecer dos sem escolha?

Pai, sacrificaria miríades
Pela satisfação fúnebre de uns poucos afortunados?
Responde-me com sua voz portentosa de trovão,
Para que não se levante falso junto ao porta-voz.

Sei que tens a resposta
E que apenas um sentido segue a tua palavra
Mas o reverberar da tua voz nas liturgias
Soa fugaz e disforme.
 
Diga por Si mesmo

A costela

 
Bate coração tolo
Bate filho pródigo da sabedoria
Bate...

Espanca o corpo pálido e aviltado
Surra a distinta consciência
E acalenta a licenciada ignorância do instinto

Palpitava-me os olhos
O som adstringente dos teus passos
Saboreava o seu cavalgar
Trazendo a insígnia da discórdia
Reluzente ao peito
E obscura aos meus sentidos

Roubava-me prazerosamente
Os anéis, as camisas, os sapatos
A dignidade e tudo mais.
Cantarolava canções druidas
E abocanhava a minha carne palpitante
Sangrava o meu último arroubo de liberdade
Após isso
Deixava-me no chão em hemorragias
Cravado nas costas um bilhete com a inscrição:
“Eu te amo”.
 
A costela

Alfa

 
 
De pé, queixo erguido
Sei que ninguém traçou o meu caminho
Sigo em paz
Nem sempre tão sozinho
Se quiser, me conter
Jogue o que puder

Vamos ver quem tem
O outro nas suas mãos
Vem provar meu bem
Minha reputação
Hoje até me tem
Mas amanhã não

Deixo até ficar
Enquanto tiver uso
Mas não minto pra ninguém
Nem mesmo abuso
Você quem quis assim
A escolha é sua

Vamos ver quem tem
O outro nas suas mãos
Vem provar meu bem
Minha reputação
Hoje até me tem
Mas amanhã não
 
Alfa

O Astronauta no quintal

 
Com os pés rijos no chão
Alinho-me acima do horizonte
Contemplo o infinito
E as minhas trivialidades
Laços indissociáveis
De minhas contradições

Alçar voo
E carregar o planeta sob meus pés

Hora sou Fênix
Hora avestruz

Caminho reticente
Entre meus sonhos e minhas realizações
Sonhar rotinas
E realizar fantasias
Parece o quinhão da vida sem o "hoje"

O carpe diem do café da manhã
O inesquecível do molho na camisa
O indecifrável cheiro de lar...
 
O Astronauta no quintal

A minha montanha mágica

 
A dose de hoje ainda não fez efeito
As cores se foram por enquanto
E da alma dos outros só vejo
O fel
Filtro o ar com intensidade e menos amor
Espero a benção da química
A loucura dói e fascina
Venero a lucidez
Desse momento realístico
Agora eu não cubro a vista rente ao sol
Olho-o profundo
E abraço os cortes na íris
Não há calma
E nem agitação
Mas a anestesia da contemplação quase doentia
Ouço os lamentos antigos de um poeta morto
Porém ativo entre os cegos, surdos e mudos
Procuro o sentido desse meu dom fúnebre
Procuro o que há realmente em mim.
 
A minha montanha mágica

A Deusa da Inspiração

 
Desnudaste-me o espírito,
Arrancaste-me a carne e a prudência
E aprisionaste-me num invólucro de palavras e precipício.

Revolvia-me em paixão, ânsia e escrutínio
A dor incólume latente ao fascínio-
Essa chama gélida que me acomete em calafrios.

Lançava-me ao apoteótico
Momento de síntese,
De enclausuramento,
De síncope.

Martelava palavras
Ao peito nu
E sangrava a verborragia
Das alianças convenientes.

Mastigava o equilíbrio da simbiose
E digeria a máscara que licencia a normalidade.
 
A Deusa da Inspiração

Você e o nosso universo

 
A janela bate com violência.
Ecoam os gritos da ventania lá fora.
Mesmo assim tenho que sair.

E fui à busca de quem eu sou.

Mas não seria tão simples,
Como realmente é,
Se você não estivesse aqui.
Provavelmente sucumbiria ao frio,
Ao medo,
A impotência.
No entanto, muitas vezes,
Seus olhos disseram o que eu precisava ouvir,
De mim mesmo,
Mas eu só poderia dizer
Quando aprendesse o nosso idioma.

Exercitamos a fala pura dos anjos
Sem dissimulações,
Sem protecionismos,
Sem barreiras.

Nem sempre foi fácil
Mas estamos acertando a pronúncia.

E saímos...
E fizemos nosso abrigo
E a ventania bate...
Porém os alicerces são firmes

E dentro do nosso abrigo
Ignoramos o mundo
Demos de ombros a nevasca
E nas noites mais frias
Brincamos sobre o tabuleiro da vida
Sabotamos o jogo sujo do destino
Plantamos nosso jardim de luz
E regamos com carinho
as flores que talvez um dia morressem

Criamos um universo próprio
E moldamos nossas estrelas.
Em suma,
Materializamos o infinito
Quando "coisificamos" nossas sensações
Em dois frutos de carinho
Cobertos da aura mais pura de amor.

Esse poema foi assinado com algumas lágrimas.

Trata do meu casamento, das dificuldades de iniciar uma vida a dois com apenas 18 anos e um filho (que depois se tornam dois, como o fim do poema mostra). Na verdade os cépticos também amam.
 
Você e o nosso universo

Bastar-se é para os fracos

 
Rupturas nos amedrontam
Nos escancaram fraquezas...
E fomos colocados no mundo
Para manusear incompletudes

Nascer é separar-se
Sair do todo
Individualizar o universo
Versar-se em Uno
E passar o resto dos dias
A buscar o reencontro

Porém, aos arautos do ego,
E do medo,
Bastar-se é a salvação esperada
A desculpa plena
Para o conforto da inércia

Desconhecem que estar ligado
É um caminho indelével
Da evolução humana
A característica fundamental
Que nos trouxe até aqui
No sina de retorno
Ao universo...
 
Bastar-se é para os fracos

Quando olham para mim

 
Mascarado
Sinto-me forte e confiante
Protegido dos olhares de escrutínio
Que julgariam a minha casca, sem a minha solução

Fantasiado
Olho a vida do meu ponto de fuga
Projetando minha realidade
De um modo menos cortante
E mais saboroso.

Uniformizado
Prego os valores calorosos
Que abracei
Mas que fogem saltitantes
Do meu aconchego

Civilizado
Mantenho em prumo minhas alegorias
Mastigando meu instinto
E minha selvageria

Conformado
Eu subjugo meus sonhos
Pelo bem maior do alheio
Para que a solidão seja sentida apenas em mim.

Amargurado
Sou fraco, cego e nu
Mas sou eu.
Desejoso de um abraço verdadeiro...
 
Quando olham para mim

LIVRE-ARBÍTRIO

 
Por anos tentei decifrar,
Compreender a largura e a profundidade
De tal dádiva celestial.
Elucidar o encantamento melódico
Desta expressão que nos torna singulares,
Menos criatura
E mais Deus.

Reivindicando a minha porção sagrada
De tal manjar,
Mergulhei no fel das escolhas contidas
Das decisões evitadas
Deixei escorrer pelo corpo o veneno
Do erro.

E tal líquido formoso
Percorria a pudica aura do espírito
Resfriando esse invólucro carcerário.
Porém acariciava e aquecia
A pele palpitante da minha armadura natural
Aquela que se vê a olhos fidedignos,
Ou seja,
Nus.

E quanto mais afável era o toque
Menos a Sua imagem eu me sentia.
A cada desejo consentido
Eu era mais natureza
E menos Criador.
Eu era mais vivo
E menos esperança.
Eu era mais ser
E menos tornar-se.

No entanto
Quando a peçonha atingiu
A menina dos meus olhos
Pude ver com detalhes
Como todos estavam nus
Mas alguns escondiam suas partes pudendas
Com fé, esperança e pudor.
Esses últimos tinham um aspecto necrótico
Mas felizes pela decomposição da carne.
Tentavam lançar-se aos céus
Mas eram agarrados por enormes gusanos
Que atestavam a sua insípida
Natureza terrena.

Após tal experiência
Percebi que o livre-arbítrio
Apenas nos permite escolher
Quanto viver.
 
LIVRE-ARBÍTRIO

Insano

 
Meu coração não bate...
Espanca
Tortura o meu ideal perfeito,
Meu sonho de aluguel

Este coração que alimenta
E regurgita
Meus anseios

Sedutor que sussurra
O beijo lúcido
Da escolha insana

Pragueja ao incômodo devaneio
Racional

Faz birra ao ser contrariado

Pesa e dói
Como que se jogando ao chão
Em pleno peito

Ah! Filho insano...
Luto até o fim para que continue batendo
 
Insano

Ao acaso

 
O incerto abre-se a minha fronte.
E da profundidade conivente ao supérfluo
Enxergo a miserável rotina de sobrevivência -
Cada passo mais perto do precipício.

E embebedar-se é o consolo,
Um beijo a mais,
Um orgasmo a mais,
Uma overdose a menos.
A alegria de contar os momentos que perdemos
O fôlego,
Para esquecer o fardo de respirar.

E vassala do tempo,
Portadora da incompletude
A felicidade sentencia
A minha ânsia de perfeição
Ao caos
Do Acaso.
 
Ao acaso

"A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito." Manoel de Barros