Poemas, frases e mensagens de TRIGO

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de TRIGO

hoje é a noite que me traz para os teus lábios

 
Hoje regressas ao mar onde está a luz com um
degrau para os meus anos
e quem te viu trouxe-me um rio de flores.

Começou hoje o Outono, e como devia ser.
Começou e alguém, meu amor, pode ter
utilizado o teu espelho e pode ter feito que a
noite ande pela primeira vez debaixo das
árvores. Tenho
no futuro um pôr do sol com uma nuvem branca
e o amor abraçará a lua, se os teus pássaros
forem rápidos e seguirem o sol. E, hoje,
nenhuma rua
chegou aos teus dedos contra mim: hoje,
quando me mostras o ar que eu perdia, o ar
quando o sonhava ao pé do teu rosto. E hoje
é a noite que me traz para os teus lábios. E,
hoje, é a noite que me aproxima
.........................de ti,

agora que as flores nascem mais cedo, e os lagos
ficam a morrer do teu lado,
Meu amor
.
 
hoje é a noite que me traz para os teus lábios

Desces uma estrela. Dás-lhe ainda uma rosa. E nenhuma das palavras que lhe dás é o amor que eu te peço

 
.
Não soube dizer-te eu que a claridade
....que tens a voar e as dálias da EDP
....estiveram bonitas neste lago
....que vem hoje para os pilares do fogo
....amarelo. E, claro,
....sem sequer perceber o que
....o acende, ele foi o melhor que nos
....pôde acontecer. Ele foi o melhor incêndio dos
talhos amarelos.
....Ele foi o melhor. E estavas certa.
....Casámo-nos. Casámo-nos num laranjal.
....Num laranjal sobre os rios
....que dizes desenhar nos olhos.
....Que dizes desenhar
....nestas harpas marcianas
....que vêm pescar perto da lua. Que
....vêm pescar e nos pequenos sobreiros
........que pedes cada vez que o Tejo chora
à beira destas óperas que se mexem
sobre as algas, Meu
...........amor
 
Desces uma estrela. Dás-lhe ainda uma rosa. E nenhuma das palavras que lhe dás é o amor que eu te peço

o mar levava-te sempre nas mãos nuvens de alberta

 
.

O
mar
levava-te sempre nas
mãos
nuvens de Alberta,
passava-te
ainda
o vento: este, quase
depois de
uma rosa sobre os
bares
ao pé do sol, e tudo
andava,
excepto eu:
a chuva,
essa,
ouvia-se
na lida das
aves e
dos cardos
que estavam
no mar;
depois era
o ar, depois era
este incêndio de lábios
cumprido no Outono para que se
fizessem mais ruas, para que se
fizessem mais estas janelas
que existem ao longo do
sangue para ver o
sol, Meu
amor
 
o mar levava-te sempre nas mãos nuvens de alberta

ROSA DE PORCELANA

 
ROSA DE PORCELANA
 
ROSA DE PORCELANA
__________________________

Benguela — Angola........................— ....

http://franciscotrigo.bloguedemusica.com/
 
ROSA DE PORCELANA

hoje os teus olhos lembram-me a insónia das maias já alastradas ao enxofre em que durmo

 
O
teu véu
nas órbitas amarelas,
onde me deito,
foi o último a sair.
Depois
foi a tua vez. Era
apenas
o degelo das janelas
brancas que
alguém deixou junto
ao mar.
Tinha uma lua de
não ter esta.
Lembro-me que
ele podia
adivinhar o fumo
dos domingos
parados. E
afinal não demorei
assim tanto.
Não
demorei.
E continuo
a atirar
o mortal vinco
das tábuas
que recuam
as marés.
Continuo a atirar
este. E isso vê-se ao sétimo dia.
E isso vê-se ao saber dos
insectos brancos
que ligam o
Cáspio à
chegada
das
chuvas,
Meu
amor
 
hoje os teus olhos lembram-me a insónia das maias já alastradas ao enxofre em que durmo

diz-me que os pianos são praias nas tuas pálpebras

 
Os
rios que
tenho nos pulsos são de
um país nórdico:
associo-os lentamente
aos teus
olhos porque os
desertos
se aproximam;
e claro, se é entre as
rosas que corres,
tira-me o nevoeiro
do mar: tira-mo,
faz dele
a tensão
arterial
das aves,
senta-te
depois, e olha
para o céu;
senta-te, chama
o vento para o mar,
atira os degraus
claros do poente até às marés,
recebe os outros degraus
que te levaram, e das
flores colhe
as tuas
mã-
os
 
diz-me que os pianos são praias nas tuas pálpebras

na tua voz as primaveras de vidro continuam a trazer os bois para os juncos

 
Na
tua voz as primaveras
de vidro
continuam a trazer
os bois
para os juncos, e o
milho alto,
este que sobra sobre
todas estas
chávenas,
sutura presépios,
também
uma lua que não
fosse, mas
a chuva foi voando,
não foi? Em
grande
parte aquilo
que faz
são essas
explosões
que se dão no
útero às rosas, são
também essas toalhas de
vidro, e é quase impossível dizer
que elas pousam numa nuvem,
que elas pousam e muito
neste Outono que eu
apagaria nos teus
olhos, Meu
amor
 
na tua voz as primaveras de vidro continuam a trazer os bois para os juncos

minha querida Ray.

 
queria
explicar-te
como se voa de Vénus
num cardo de
Gorky
e
não
sei se te acordei,
se te
acordei
o cristal vago,
as harpas do iodo
pelos incêndios da
insónia,
um rio frágil
do lado do mar
fazendo o caminho
à direi-
ta
 
minha querida Ray.

agora se é para me veres dá algum gelo ao teu ombro para arrancares o sol donde está

 
.
Os violinos, que dirás bóias ou cálices,
....acabam com as árvores
....à tua volta.
....Disparam um nylon eléctrico
....pelas hortênsias que se adequam melhor
....ao nosso quarto. E depois nunca é longe ganhar
....chapéus ao teu piano. Nunca, mas, claro, que há um
momento em que
....os pássaros com a carne
....dos teus lábios passam a ser adultos. Passam
....e numa torneira
....de música. E numa torneira a crescer
....à estas vaginas
....levadas ao céu:
....à estas vaginas que voam.
........Que voam e logo pela manhã no primeiro
eléctrico que vem das pedras
à tua volta, Meu
....amor
 
agora se é para me veres dá algum gelo ao teu ombro para arrancares o sol donde está

não corras por mim, meu amor

 
Não
corras por mim, meu amor.
O teu barco
está na lua, está onde
o sobes às vezes;
ele de novo há-de
traduzir
as gavetas
de um porto,
e descer,
onde
há muito
o teu
joelho é uma nuvem,
umReciotto
della Valpolicella,
outra vez
uma nuvem,
outra
vez um vinho, e
este parasitado
por Outonos onde
o orvalho a transbordar na tua
chávena acende com juncos
o tão leve manto de
nuvens leva-
das pelo
mar
 
não corras por mim, meu amor

desconfia deste piano ao telefone com as árvores

 
No
teu último degrau
branco
que as
chuvas não
separam,
vejo que corres,
que pintas os pás-
saros,
e, se não
é assim, faz-me teu,
faz-me, e
desconfia deste
piano
ao telefone com
as árvores:
faz-me
ainda
com as rosas
à volta, e
depois que
os pássaros
escolham
o mármore
para voar, que
os pássaros escolham o
mar para assim vermos a pri-
meira garganta do sono,
a dissidente e lenta
liturgia que foi
da insó-
nia
 
desconfia deste piano ao telefone com as árvores

Eugénio Trigo