Poemas, frases e mensagens de joseluislopes

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de joseluislopes

Carta Aberta aos meus amigos lusos

 
Sigo diariamente tudo o que por aqui se vai passando neste Luso de escrita e contra-escrita. Fiquei na dúvida se deveria ou não intervir, isto é, escrever o que penso. Afinal, ao fazê-lo, estou também eu a subscrever a contra-escrita, não que esta me aflija enquanto forma de criatividade dos autores, até penso que será salutar, e se for criativa, até acaba por trazer mais diversidade a este espaço, muitas vezes carente de novas ideias e novas escritas.

O que mais me incomoda, são os ataques constantes, que diariamente surgem neste espaço. Começo seriamente a pensar que talvez não me reste outro caminho que outros colegas tomaram, sair e bater com a porta. O problema é que, e como diz o ditado,”não há nada como o primeiro amor”, e isso aconteceu comigo e com o Luso. Foi aqui que dei os meus primeiros passos a escrever para gente que desconheço, gente de outras terras e paragens com outras maneiras de ser e dizer coisas. Foi aqui meus amigos que me senti pela primeira vez escritor, bem sei que sou um escritor de letra pequena, mas mesmo assim, nem imaginam como eu fico feliz por receber um elogio. Como eu sonho e me imagino a escrever então coisas inimagináveis, e quem sabe, receber mais de mil comentários a dizer-me que as palavras são grandiosas. É este Luso dos sonhos que eu quero. Necessito de poder sonhar com cada palavra que aqui quero dizer, é aqui que eu falo para dentro de mim e digo: -José, tens que trabalhar mais, tens que ler mais, tens que te esforçar mais. É aqui que deixo lágrimas, não pensem que é só o Zé Torres que chora, eu também choro por não ter mais capacidade de escrever.

Queria tanto! Meu Deus, tantas vezes me interrogo porque não apareceu o Luso mais cedo? Talvez assim eu fosse melhor escritor, talvez assim eu conseguisse um dia editar um livro, convicto de que os meus leitores não seriam aldrabados. Ainda me lembro, do dia que aqui entrei, e nem um comentário tive. A minha vontade foi desistir, partir, afinal eu era mesmo mau! Nunca iria escrever coisa nenhuma. Apareceu o primeiro comentário, depois outro, e outros, e eu iludi-me, comecei a sonhar, e a querer escrever melhor, e sempre mais. Como estava feliz! Um dia, alguém me disse que eu sabia escrever, foi um dos dias mais felizes que eu tive no Luso, acho que me deixei ficar a olhar para a mensagem horas. Ainda hoje guardo aqui dentro o aroma desse dia, é a medalha da minha vida.

Assim cresci, assim fui melhorando na escrita, e a gratidão, essa, irá morrer comigo, para todos aqueles que me deixaram os primeiros comentários. Esses, não foram os escritores consagrados do Luso, foram os “pimbas”, aqueles que mandam flores, beijinhos e abraços. Talvez alguns não saibam escrever muito bem, talvez alguns não tenham a melhor forma de estar aqui no Luso, talvez tenham defeitos, talvez alguns graves, talvez até capazes de merecer expulsões, mas porra, foram estes que me carregaram às costas, até eu ter confiança para escrever, assim, como o faço hoje.

A esta gente, estou sempre com um obrigado na boca, são estes os verdadeiros fãs, foram estes que me disseram que eu era capaz, e me deram todo o tempo necessário para melhorar. “Obrigado a todos vós”, são as minhas palavras. Depois o tempo, o bom tempo passado a escrever, deu-me a conhecer as pessoas. Ainda mais bonita ficou a escrita, lembro-me por exemplo da Cleo, que bem que escreve, adoro ler esta MULHER! Guardo desde sempre um carinho enorme por esta colega. A Dolores! Bem, desta posso dizer que sou amigo. Porra! A escrita dá-me tanta coisa, e esta mulher das Beiras, está sempre pronta a dar tudo para me ajudar a evoluir na escrita e sempre com um carinho. Que bom é falar com ela.

Ana Martins! Mulher fantástica. A escrita arranja cada coisa! Quantas vezes falamos ao telefone e deixámos cair umas boas gargalhadas, e aquelas PMs a desejar uma boa noite. Que maravilha. Depois veio mais uma quantidade de gente como eu, que gosta de fazer amizades. Por último, pude conhecer o José Torres, frequentar a sua casa, partilhar da sua família e amigos. E aqui, deixem-me dizer que já muitas vezes discordei da sua linha de pensamento e de alguns dos seus textos. Mas meus amigos, sempre fomos capazes de falar, e do outro lado da escrita está realmente outro homem, um homem como eu com defeitos e virtudes, mas que me recebeu em sua casa com um abraço sincero. Poderia falar na Mar, como eu gosto desta miúda, nunca o avatar me tinha dito coisa nenhuma desta colega que tem a idade dos meus filhos. Ainda tão nova e com tantos sonhos.

No Arlindo Mota, que homem fantástico, como é bom saber que colho amizade por terras do Sado, ainda guardo em prateleira distinta os livros que com amizade me ofereceu. Na Alexis, na Roque Silveira, no Cristóvão que conheci recentemente e que é um colega fantástico, no meu amigo Rogério de fradelos que maravilha de amigão, na Sãozinha, que, apesar de distante, deixa-me muita saudade.

A Conceição B, a Maria João horroris causa, da Vóny, que sempre me incentivou, da Ana Coelho e do seu marido, que casal fantástico, da Vânia, que adoro, a Fátima com aquele beijo azul, sempre a fazer de mim o melhor poeta do mundo, e os meus amigos António Bernardino da Fonseca e a sua esposa Olema. Não tenho palavras para tanta amabilidade e carinho, um gesto bonito, aquela obra que guardou para mim do encontro do Luso em Dezembro. Queiram os meus amigos saber, que a partir daí, desse encontro com este casal maravilhoso, gente que gostou de mim apenas porque me leu, essa amizade estendeu-se até á minha família, mais particularmente ao meu filho. Que gratidão maior se pode ter quando alguém ajuda um filho? Gratidão, sim! Ao Luso também, o nosso luso, que afinal faz magia.

Deixem-me dizer-vos, chamem-me criança se quiserem, mas eu acredito nestas coisas, naquilo que de bom ainda há no nosso Luso. Amigos falo do Luso, falo das palavras que todos escrevem. Isto tem que acabar, esta casa não pode continuar dividida em duas facções. Todos aqui são importantes, todos fazem o Luso, todos! Os bons e os maus é que dão cor a esta casa, e nos fazem aqui voltar cada dia. Por mim aqui vos digo, eu não tenho lado, nunca terei, a todos eu devo esta minha felicidade de escrever, a todos.

Nunca me irão ler que não mais comentarei este ou aquele, mas também não contem comigo para apoiar insultos à vida pessoal dos autores. Deixo apenas uma sugestão: se realmente querem cortar relações com A ou B, o que também me parece que daí não vem mal nenhum ao mundo, usem as MPs. Afinal são os vossos assuntos, e que só a vós vos diz respeito, e que eu, enquanto utilizador deste site para escrever nada me interessa.

Caros Colegas de escrita, deixo-vos aqui estas minhas palavras para vos dizer que todos são importantes, todos contribuem para esta minha vontade de vos dizer que sem vocês eu não era nada, creio mesmo que nenhum de nós era nada sem os leitores! Eu gosto de escrever e gosto de vos sentir perto da minha escrita.
 
Carta Aberta aos meus amigos lusos

Sombras

 
 
Alcanço um som,
Leve, muito leve,
Não são harpas
Não são Anjos
São fantasmas descalços.
Sabem-se implicantes
Por tão antigos serem.
Vivem no sótão,
Nos medos e segredos
De quem nada sabe.
Inquietam, procuram,
Abanam,
Remexem o passado:
Matam as palavras,
As desculpas,
Os lamentos,
Os ais dos choros
Ainda vivos,
Sofridos no sangrar
Dos pulsos.
Nas sombras da noite
Onde sopra uma pitada
De luar,
Meus olhos sempre criança,
Gemem de pavor…
Nas mãos uma Cruz,
Na boca,
Um Anjo da Guarda.
O hábito veste de branco
Na luta contra o medo,
Quando partem,
Sem cuidado,
Advém a desarrumação.
Na parede,
Sem mais…
Um lembrete!
Amanhã, à mesma hora!
Cerram os suores,
Por fim, durmo.
 
Sombras

O Violino

 
No tempo que nasci,
Encontrei apenas um VIOLINO. ….
Já envelhecido,
Apenas o distinguia como um “L”.
As notas eram de vento
No seu filamento, o som era puro,
Palavras sagradas voavam
Sobre mim…
Ensinavam-me tudo o que uma criança pode saber…
Assim cresci.
Um dia, o VIOLINO calou-se.
Aprendi a chorar,
Mas eu multipliquei-me.
A magia voltou,
O VIOLINO voltou a tocar,
As notas ao princípio, eram apenas uma brisa.
Mas dia após dia, também elas voaram.
Elas e eles cresciam,
Tanto esplendor…
Afinal, eu também tocava.
As minhas notas também voavam…
Descobri que criança é toda igual,
E eu também lá estava…
Invisível.
Também as minhas iriam descobrir,
Que cada nota de nada vale…
Só juntas fazem milagres.
Fazem melodias,
Fazem famílias de notas,
Onde o som não é tudo.
Haverá dias, que o som se tornará apenas num toque,
E o amor será o seu guia
Onde apenas o belo tem som.
Mas eles crescem…
Cada dia são menos meus.
Como ensinar tudo?
Falar dos Deuses?
Ulisses,
Ele também ouviu notas falsas,
Mas o mar ainda é o mesmo.
Mas “estes marinheiros” ,
São meus…
Navegando em naus de BONDADE,
As cordas são notas da minha vida.
Passadas fio a fio com o saber do passado,
Experiências sempre entrelaçadas com o AMAR,
Serão elas capazes de resistir em continuar a navegar?
É tarde para mudar de oceano…
Resta-me que guardem o VIOLINO,
As notas continuam a ser de vento.
Serão sempre notas livres,
Terão lágrimas de SANGUE e SUOR,
Onde os “homens” que eu vi crescer,
Possam sem vergonha oferecê-las dizendo:
– São notas de família.
– São notas LIVRES e BELAS,
E de dentro do seu interior,
Todas as notas soarão a BELO.
Eu, poderei então colocar lá no alto uma cruz.
Também ela BELA,
E com palavras BELAS deixo escrito:
- Aqui, viveu um VIOLINO…
Com ele, aprendi a chorar em silêncio,
Mas de dentro dele,
Saíram todas as palavras belas
Que transformaram gerações de palavra em palavra.
Hoje, poderei partir em paz.
Hoje tudo será BELO.

(Todos os dias me esforço para que os meus filhos não tenham medo das palavras, que amem todos os dias intensamente, que gostem do belo e o possam dizer todos os dias em voz alta sem medos nem mitos.)
 
O Violino

100 – Carta aberta de um amador das letras

 
100 – Carta aberta de um amador das letras
 
Caríssimos amigos/as,

Todo o meu ser foi invadido por um sentimento de vitória e, apesar dos dias difíceis, das noites de dúvidas nas palavras e dos intermináveis segundos em desespero pela espera dos comentários, celebrar os triunfos faz parte do ritual da vida de um homem, sempre que, no seu entender, atinge um feito notável. Este é o meu centésimo texto postado no Luso Poemas.

Em 10 meses, foi o que consegui. Sei que para alguns nobres poetas com livros editados, não representa nada, mas para mim, escritor de gramática na mão, é obra. Consegui então, pelos meus cálculos matemáticos – digo desde já que sou ainda pior nas contas do que na gramática – postar mais ou menos um texto de quatro em quatro dias. Fantástico! Digo eu que gosto de mim. Fernando Pessoa, que era um génio, creio mesmo, não faria melhor.

Para consolidar esta teoria, e já com os olhos postos no futuro, recorri à regra de três simples. Esta dá para quase tudo na vida. Lembro-me dos meus tempos de liceu em que não havia cábula que não soubesse esta fórmula (mágica): se postei 100 textos em 10 meses, multiplicando pela esperança de vida de 78 anos para os homens deste nosso pobre país, então, fazendo as contas… (é só fazer as contas…), diria assim o nosso antigo Primeiro, António Guterres:

78 /Anos – 47/Anos = 31 anos
31/Anos = 372/Meses

10/Meses = 100 Postagens
372/ Meses = X

X = 3720

Irei então, postar mais 3270 textos aqui no nosso Luso. (Sei o que estão a pensar, mas deixei de fumar, não bebo álcool, faço exercício, pago impostos, rezo todas as noites, confesso-me, e não cobiço nem a mulher nem o poema alheio. “Porra” amigos, depois disto que vos disse, vocês não acham que posso chegar aos 78 Anos?)

Caros Amigos, estas contas simples têm apenas uma intenção: criar objectivos, o que não quer dizer que os vá cumprir. Sendo assim, ainda não há motivo para os meus amigos fugirem do Luso, não são obrigados a ler. Não esqueçam nunca que quem não gosta pode sempre passar ao lado. No entanto, e passado o primeiro momento de euforia, o pavor invadiu-me e o medo e a apreensão tomaram conta de mim. É muito trabalho para editar!
E no meio de tremuras e arrepios, e num último momento de lucidez, “pensei”: será que ainda há alguém para ler estas “merdas” que vou postar? E, num ápice, lembrei-me da velha história do rei que não enlouquecia:

“Um poderoso feiticeiro, querendo destruir um reino, deitou uma poção mágica no poço aonde todos os seus habitantes bebiam. Quem bebesse daquela água ficaria louco. Na manhã seguinte, a população inteira bebeu, e todos enlouqueceram, menos o rei – que tinha um poço só para si e para sua família, onde o feiticeiro não conseguira entrar. Preocupado, ele tentou controlar a população com uma série de medidas de segurança e saúde pública: mas os polícias e inspectores tinham bebido a água envenenada, e acharam um absurdo as decisões do rei, resolvendo não as respeitar de modo nenhum. Quando os habitantes daquele reino tiveram conhecimentos dos decretos, ficaram convencidos de que o soberano enlouquecera, e agora escrevia coisas sem sentido. Aos gritos, foram até ao castelo e exigiram que renunciasse. Desesperado, o rei prontificou-se a deixar o trono, mas a rainha impediu-o, dizendo: vamos agora até a fonte, e beberemos também. Assim, ficaremos iguais a eles. E assim foi feito: o rei e a rainha beberam a água da loucura, e começaram imediatamente a dizer coisas sem sentido. Na mesma hora, os seus súbditos arrependeram-se: agora que o rei mostrava tanta sabedoria, porque não deixá-lo a governar o país?
O país continuou em paz, embora os seus habitantes se comportassem de maneira muito diferente da dos seus vizinhos. E o rei pôde governar até ao final dos seus dias.”

Moral da história: só vocês que bebem da mesma fonte da arte da escrita é que me entendem e lêem, já beberam desta mesma fonte, logo, estão tão loucos como eu, lêem qualquer bodega.
Pois aqui por casa já todos dizem que estou “passadinho da mioleira” e ninguém percebeu ainda como arranjei eu leitores para lerem 100 textos. Alguns desses textos são completamente doidos, diz-me esta gente cá de casa, a quem tenho em boa conta. Está tudo doido por este Luso, para lerem estas imundices que vou postando! Tenho dias, Amigos, que de tão feliz por aqui andar, penso até que os loucos são aqueles que nada lêem.
Em meu entender de escriba louco, é preferível ler e escrever mal do que nada ler ou escrever. Imaginem que a partir de hoje só escreviam os bons. Era o bom e do bonito vê-los sem leitores. Bem, sempre se podiam ler uns aos outros aqui no Luso: o Génio A lia o Génio B e comentários “népia”. Os bons não comentam, dizem apenas um olá sobranceiro de vez em quando. Que gozo! E as editoras de vão de escada, aquelas que nos obrigam a pagar as edições, com os seus ases de escrita, à frente das secretárias empilhadas de quinquilharias sem interesse para publicar? Essas faliam. Mais gozo! E os senhores professores, as livrarias, o que faríamos com estas classes se não houvesse os incultos para aprender?

Mas nem tudo é real neste texto, e sendo assim com a verdade de Pessoa vos entrego em mãos esta referência nacional da poesia:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Também eu estou para aqui a fingir um monte de coisas que sinto…

Meus Amigos, muito obrigado pelo carinho das vossas leituras ao longo destes 100 escritos. Para os novos, aqueles que estão a entrar no Luso, o conselho que vos dou é beberem da fonte do Luso: quanto mais depressa ficarem loucos, mais depressa ficam iguais aos que por aqui andam, e começam a ganhar o gosto aos comentários e leituras. E não se esqueçam de me deixarem muitos beijinhos e abraços nos textos, eu gosto! E não quero saber se é pimba.

Abraço Genial (100)

JLL
 
100 – Carta aberta de um amador das letras

PELO TEMPO

 
Partindo do nada
Sem aprumo ou rumo
Descubro um atalho,
Um sentido.
Do outro lado, a sorrir,
Vive a alma…
Será reflexo?
Será fantasma?
Não!
É o meu outro lado.
Veste a esperança
De que meus olhos a
Conquistem.
E assim, no Juntar dos olhos
Apertamo-nos,
Tanto…, que não demos
Pelo tempo,
Passaram já 25 anos…
Trilhos de sonhos
Dores e amarguras,
Sempre entrelaçados nas palavras…
O caminho não mudou
É o mesmo,
Mais apertado
Mais sentido,
Glorificado,
Somos mais, somos tantos…
TANTOS,
E com tanta magia…
 
PELO TEMPO

Semente sou, semente serei

 
Há um inverno perpétuo
Não neva,
Não enregela,
Não sorri,
Apenas divide o dia da noite.

Os campos, trabalhados,
Erguem espigas ao céu
Vestem-se de algodão doce.
Mas os sonhos…, estão hirtos,
E as mãos cristalizaram.

Do alpendre,
Penduro a alma na figueira,
Está presa pelas memórias
Em árvore do diabo.

Nos lábios uma flor.
Na torre o sineiro
Balança a corda,
Lê um apelo do coveiro.

A flor…, voará no bico do corvo.
E é tudo que resta de mim.

A terra sorrirá
Terá a minha escrita para revolver
E das suas entranhas, um dia, brotarão
Poesias em flor,
Brancas talvez

Este texto apenas poderá ser entendido por aqueles que souberam escutar o que nunca disse.
 
Semente sou, semente serei

25

 
25
 
 
Este sol que colhi num sorriso
Veste-me de rotinas que me deixam nu.
AMOR: é a paixão que os meus olhos lembram,
No passado, aparatos de grinaldas
No presente, o olhar
Toca sempre de mais perto,
Os lábios da comunhão nos bens da ALMA.

A todos os meus amigos que não comento, entendam que um casamento dá muito trabalho, a NOIVA reclama constantemente a minha atenção. Faltam 9 dias...

Beijos e Abraços
 
25

EGO

 
Perdi a sombra.
E agora?
Estarei só?
Ou apenas perdi a luz?
Na busca da alegoria
Voltarei a viver em caverna.
Se a sombra voltar,
Então…
Serei outra vez eu,
Alma racional,
Onde os olhos
A preto e branco
Nunca serão
Privados da verdade.
 
EGO

Poeta Tosco

 
Escrevo a vida
Mas não amo os poetas
Choro até por isso
Perdi o sonho
De tantos ver e
Poucos sentir
Escrevem em bicos de pé
Dizem o que não dizem
Levam o mal a falar
Nas costas da vida
Encontram-se nos desencontros
Nas palavras usadas inventam
O abuso nas considerações
O Ego inchado da ruralidade
Da escrita encontra
Estimulações para a sua própria
MASTURBAÇÂO
Parceiros não têm
E nos coitos manuais interrompidos
Falam dos outros
Esquecem-se deles
E depois
Lemos vida sem vidas
Sozinhos comentam:
-1,2,3, agora é a tua vez
De nada dizeres.
Deles não falam
Ficamos sem saber
Se nada tem
Ou escondem o que não tem
E o monstro volta sempre
De tempos em tempos
Eis de novo o tempo
De quem é dono de todo o templo
Mágico, mestre-de-cerimónias
Dono do convento
O pregador
O espírito
A palavra do senhor
Vira o silêncio
Em gritos escaldantes
De apelo às comadres
ESTAS
Vestidas a rigor
Tamancos altos
Sobem para o carrossel
Dando curso com perna pequena
Deste LUSO eu sou
Também
Pouco, talvez!
Do erro, também!
Foleiro,
Visto-me de quando em vez
Mas atenção
Morrerei de pé como as árvores
Que passaram cá por casa
E quanto à coragem
Não duvidem!
Em primeiro sou nervo
Depois poeta tosco
E de nada me interessa a pena
Se eu ficar com pena
 
Poeta Tosco

Palavras Loucas

 
 
Hoje, não é dia para vos falar, não saberei dizer-vos nada, sou apenas um reflexo de umas mãos que sem saber o que escrevem necessitam de escrever.
Saberei eu ler ao menos estas palavras, que têm por finalidade serem amargas?
Serei eu, enquanto louco, capaz de escrever?
Acto tresloucado aquele que me leva a escrever aos outros sem saber o que dizer. Que dirão os meus amigos? Que dirão aqueles que já me conhecem os olhos?
Louco é este amigo! Louco, será que ele pensa escrever? Louco este amigo, e ninguém terá coragem para lhe dizer que pare?
É a minha vergonha de escrever sem nada dizer, sim! A minha vergonha. Que valor terão as palavras quando são vazias de mensagens, e sem destinatário?
É como meter uma carta no correio sem direcção ou remetente, e o pobre do carteiro sem saber ler, apenas distingue um envelope em branco. E sem pensar, atira para um qualquer caixote onde todos os loucos param.
Continuas a escrever feito louco! E todas as palavras escorrem por ti numa correria de loucos a ver qual delas chega primeiro. E para quê? se todas juntas nunca serão lidas, e mesmo lidas, será que alguém quererá saber se um louco pode escrever?
Louco..., louco de amor!
Louco de procurar a palavra certa para poder começar a escrever o amor que só um coração louco pode saber escrever.
Há milhares de dias eram ainda invernos rigorosos quando o gelo me entropecia as mãos pelas ruas que me levavam ao saber, mas só encontrava loucos de pouco saber.
E assim, sentado, sem sentido e ouvindo a melodia que queria compor para estas palavras, me sinto apenas mais louco por ler tanta gente que, sem serem loucos escrevem como loucos.
Eu choro raiva, e a loucura sai amarrada em cada palavra, capaz de ferir de morte cada verbo ou advérbio, sílaba ou uma qualquer pontuação. E, de uma assentada, arremesso tudo que tenho nas mãos, arrasando de vez com todas as figuras de estilo.
Que figura faço eu, agora que destruí toda a gramática que me tirava a loucura! Que direi agora, a mim mesmo, quando ao deitar me aparecer aquelas palavras difíceis que nunca me deixam dormir? Como poderei explicar-lhes que terão o seu dia, num escrito qualquer.
Louco. És um louco de nada saberes escrever, e mais louco és por não teres olhos para veres que elas são formosas demais para ti. Tu jamais terás direito a tanta formosura, elas estão apenas disponíveis para gente que sabe dar côr, sabe contar e descontar todas as lendas que este mundo já viveu.
Louco. És um louco. Podias ter gostado apenas, agora amá-las, ajoelhar-te, implorar-lhes para serem tuas? Já não és nada, nem homem, és a vergonha de quem nunca mereceu mais nada do que o nada que és.
Louco! Como não vês? Como não te bastasse ser louco, apenas és também cego.
Meu Deus, como posso ser assim! Porque tenho que correr e chorar apenas porque uma vírgula correu daqui para acolá, quando os sábios da minha terra falavam com um cajado na mão e eu, pequeno, sempre os escutava sem interrogações?
Louco, todos os dias a sonhar, todos os dias a lamber as feridas das pontuações, vírgulas e travessões que troçam com quem sempre as reclama.
Sei que serei sempre louco, mesmo sabendo que escrevo para ninguém, mas é desta loucura que me ouço, é desta loucura que me faço diferente, sempre que pela frente vos enfrento, e mesmo sem nada saber dizer, toco-vos na esperança de um dia um texto louco me sair com o vosso nome.
Quando o lerdes, sabereis que, mesmo louco, são estas as palavras que amo, e me fazem acreditar que um dia serão elas que farão todos os loucos parecerem-se com elas.

Amigos,

Esta semana, o trabalho fez-me louco por não poder participar no LUSO como gosto, a esperança reside já na próxima semana.

Um Beijos e abraços
 
Palavras Loucas

O Grito

 
 
Dizem por aí
Que se diz muito em poucas palavras
Às vezes acredito
Penso que sou poeta
Iludo-me
E quero acreditar
Que sou fenomenal
Único
E mesmo sem falar
Basta-me um gesto
Para ser um génio do amor
Translúcido
Penso eu.
Então digo-me:
É verdade
Não escrevas
Não fales
Sorri apenas
Alguém acreditará que és especial.

Mas depois
Já nu
De tanto meditar
Escolho um mundo:
Redondo
Azul
Com mares
Com alma, sol e sal
Cheio de gente como eu
Aqueles que são poetas só às vezes
Esfrego os olhos
E vejo
Lá no fundo
Onde a luz é escassa
E as sombras são vida
O choro
Esse…,
Que nunca se ouve
É onde os poetas de verdade se tornam homens
Onde nascem as dores
As desilusões
As emoções
As perdas
As saudades
As pessoas perdidas
Os tempos passados
Ou mesmo um grande esforço
Para se ser aquilo que nunca se será
E aí…
Sinto a falta das palavras.

Revejo os sons
Do que poderiam ser palavras faladas
Mas afinal são vaidades
De apenas terem tempo
Para o ego

Descubro então
Que afinal
Os poetas nada dizem
Eles
Dizem que dizem
Porque escrevem
Mas não transpiram
Não ofegam
Não sorriem
Não tocam
Não negam
Não gemem
Não olham
São papel…

Mas eu
Homem deste mundo
Redondo
Azul
Com mares
Com alma, sol e sal
Cheio de gente como eu
Esgotado para todos estes poetas
Digo-lhes:
Digam-me na cara
Nos olhos
Nesta alma que chora
Nesta vida que também é vossa
Digam-me
Apenas mais que uma palavra
Mesmo que seja
Gosto de ti

Mas não
Não…
Desculpem
Não chega
Eu quero mais
Quero que falem
De vocês
De mim
Do vizinho
Do irmão
Do vosso amigo
Do meu amigo
Do mundo
Do vosso mundo
Quero-vos sentados
Quero-vos ao meu lado
Quero esse vosso olhar
Mesmo feio
Ou bonito
Não interessa
Só quero que não escrevam
Quero que falem
Não se calem
Falem
Sejam poetas de verdade
 
O Grito

Vozes de Burro não chegam ao céu

 
Vozes de Burro não chegam ao céu.

O ronco do S. Pedro ouvia-se por todo o Céu. Todos os anjinhos sabiam que depois do almoço o homem das chaves recolhia aos seus aposentos para descansar a sesta.

Depois de uma boa refeição, mesmo um santo e com pergaminhos na arte dos sacrifícios não resistia ao cair dum desassossego da bílis.

Ali, naquele espaço, não fazia calor, isso era coisa do Inferno. As temperaturas do Céu eram climatizadas, mas os hábitos terrenos de quem andou nos desertos da Galileia tinham viajado até ao Paraíso com o seu dono. Tinham sido tempos difíceis, agora era hora de aproveitar o descanso merecido e, todos os dias, aquela hora era sagrada, não vivesse ele num local sagrado.
Ouve-se um leve bater na porta. Diria até que era um batimento tímido…

S. Pedro acorda estremunhado e com voz irritadiça pergunta:
- Quem é?
Não havia diferença entre o timbre de voz e o ronco da sesta.
O Anjo que secretariava o S. Pedro, ainda novo nestas funções, tinha chegado ao Céu havia menos de duas semanas, envenenado por uma mulher que o atraiçoava com o padre da paróquia e, para não criar problemas à Santa Sé, arranjaram-lhe aquele lugarzinho para comprar o seu silêncio. Sim, porque ele também andava metido com a mulher do sacristão, que por sinal era filha do Padre.

- Sua eminência, está aqui um senhor que diz que é poeta do Luso Poemas. Eu já lhe disse que sua eminência estava a dormir, mas ele insiste em falar com sua eminência!
- Diz-lhe para vir mais tarde! Diz-lhe que estou ocupado, estou em oração e recolhido na cela em penitência.

- Sua eminência desculpe, mas já lhe disse isso tudo como me ensinou, mas ele insiste em ser atendido! Ameaçou até que, se não o atendesse rapidamente, fazia tal chinfrim que o Céu todo iria ficar apavorado, e assim todos ficariam a saber o que o traz por cá.
S. Pedro irritado e já sem paciência, voltou a repetir mas com uma voz que mais parecia um motor gripado…

- Diz-lhe que venha cá mais tarde ou mando-o para o Inferno!
- Sua eminência desculpe insistir, mas também já lhe disse isso. O poeta respondeu que do Inferno veio ele, e pelo que diz, Satanás não o aceitou. Está de cabeça perdida, e na minha opinião, está a passar das marcas e, segundo ele diz, do Luso Poemas não entra ninguém no Inferno, pois todos os que lá entraram, até à data, transformaram o Inferno num verdadeiro Inferno.

Sua eminência desculpe, mas ouve-se em surdina por aqui, que o último poeta do Luso que entrou no Inferno, ao fim de meia dúzia de horas, armou semelhante burburinho que nem a intervenção do Diabo que estava de serviço conseguiu acalmar os ânimos. Foi necessária mesmo a intervenção de Lúcifer para fazer baixar a temperatura.

Saiba também sua eminência que tudo isto aconteceu por causa de um comentário a uma poetisa, a dita senhora andava no Inferno com um casaco de pele de leopardo! Compreende-se, com aquele calor e a flustreca a pavonear-se de casaco e botas de saltos altos, e pior, de cachecol de lã! E ainda por cima, os poetas machos não tiravam olhos da sirigaita. Todo o dia era beijinho para ali, beijinho para acolá, e as outras que andavam de biquíni e fio dental, sentiram-se ameaçadas e com toda a razão, uma pouca-vergonha!!! O que faço Eminência?

- Meu filho, o que é que ele disse que fazia se não o atendesse?
- Disse que berrava!
- Então não ligues, deixa-o berrar, vozes de burro não chegam ao céu. Fecha a porta, e não voltes a incomodar-me quando estou a meditar, muito menos por poetas do Luso Poemas.

Se criar muitos problemas fala com o chefe, e diz-lhe que o melhor é fazer um milagre e mandar outra vez o gajo para baixo. Não quero aqui corja dessa, só trazem problemas! Agora vai…
 
Vozes de Burro não chegam ao céu

PALAVRAS DO POETA

 
 
Tenho dias que, sem saber escrever,
Arranjo um sonho para poder contar.
Dias que nada sou sem a utopia,
Daqueles que me impelem a escrever.
São os Mestres, os Poetas,
Donos na proficiência de domar letras;
Como seria se apenas eu escrevesse?
Seriam letras sozinhas, Chorosas,
Moribundas do desgosto,
E despidas de emoção da pureza das Ideias,
Letras privadas do contraste das cores.
E o amarelo, seria verde?
O florir dos campos
Seriam searas
Ceifadas em campos vazios de saber
Onde os pássaros voariam
Apenas baixinho…
E o poeta?
Poderia ele morrer?
Sozinho, entre palavras que nunca atracaram,
Palavras azedas, onde o pólen
Nunca voará.
Palavra que é palavra
Veste-se para ser ouvida,
Acarinhada, Açoitada,
Maltratada, Amada,
Riscada, desenhada,
Ou apenas um aceno
No coração de quem precisa.
Palavra honrada será sempre de todos,
Desde que traga com ela
O orgulho de Camões.
A nós compete-nos apenas
Mantê-las Virtuosas e Belas.
 
PALAVRAS DO POETA

Ouvir é ver (Dedicado)

 
 
A prioridade era ouvir
Ouvir em silêncio

E no filamento da tua voz
Amarrar o teu sentir.

Pedir ao escuro uma nesga
De saber olhar pelos sons

Uma voz é uma imagem
Um retrato emoldurado

E no silêncio das pontuações
Sorri o amigo perfeito
 
Ouvir é ver (Dedicado)

Sol

 
 
Neste Dia de Natal estou certo que esta será a melhor prenda para a minha Maria João.

Muitos dos meus silêncios são feitos a pensar nela e por muito perfeito que queira ser, acabo sempre por ser um ser imperfeito ao seu pé.


Cresci –II

Olhei, vi perfume
Desci até ti
Encontrei-me

Senti aromas a nascer
Eras um sol
Apaixonei-me

A lua Quarto Crescente
Fazias sonhos primaveris
Algemei-me

Por aí fiquei uns dias
Em fios de mel
Eternizei-me

Nasceu a ambição
Parti então
Escravizei-me

Percorri oceanos
Naveguei à vista
Arrependi-me

Um dia um sol caiu
Olhei a escuridão
Ajustei-me

Parei de crescer - III

Descobri o finito
Escrevo então
Imagino-me

Purificação - IV

A felicidade está mesmo aqui
No sítio que sempre esteve
A juventude é tantas vezes louca
E tu sempre linda, menina ainda

E no teu carinho
Verso palavras
Umas antecipam um adeus
Outras
São memórias que vou levar
No dia em que partir

Então
Um dia
Quando apareceres do outro lado
Onde tudo é eterno
Estarei a ler-te
Tu
Reconhecerás as palavras
Sem falar
Sentar-te-ás a ouvir-me
Depois
Choraremos pelo reencontro
Nessa noite dormiremos juntos para sempre.
 
Sol

Prenda de Natal para os meus Amigos do Luso

 
A minha prenda com muito carinho.

Este vídeo foi produzido, realizado e levado até todos vós com o desejo de que tenham um Feliz Natal

http://elfyourself.jibjab.com/view/YJbSeJIRZlwJw2F4

"Num cinema perto de si"... Também

Hoje fui às compras!
E, Amigos,
Senti o Natal.
Eram rostos,
Apenas rostos
Mas eu via o Natal.
E no meio desta imensidão
De sonhos dispersos
Eu via o Natal.
Eu quero que seja Natal!
Preciso que seja!
E para não ter dúvidas
Cravo os olhos,
-Lá está o Pai Natal.
Não sei se é o meu
Mas que tem o mesmo aspecto,
Isso tem, vi-lhe a bondade!
E acreditem, até o Menino Jesus
Tinha uma cabana.
Dentro desta Cabana, gigante,
Sei que estou feliz!
São as luzes,
Os embrulhos,
O vermelho,
As fitas,
As crianças a rir,
As mães a sorrir,
E os pais a carregar.
É a Fé de que vou ter mais uma
Ceia de Natal.
Vou ter a minha família
Junto ao sapatinho.
Estou Feliz!
Vejo alegria
Em cada esquina
Não sei se dos outros
Ou apenas minha,
Não me interessa,
Eu sei que é Natal!
E do consumismo,
Desculpem-me,
Mas não quero saber!
Cada um que faça o seu Natal,
E dentro desta esperança
Eu continuo às compras,
Sonhando com a alegria,
De quem vai receber a minha
Prenda de Natal.
 
Prenda de Natal para os meus Amigos do Luso

Deixa lá

 
Deixa lá
 
 
Sabes quem eu sou?
Eu era aquele ali…, aquele que…
Deixa lá! Não interessa, afinal eu sou só EU.
Apesar de não saberes quem sou,
Eu sinto ainda hoje a dor de querer ser…
Teu Amigo!
Falavas-me maravilhosamente bem
Eras uma serenidade,
Eras a cadeira que baloiçava,
Quando de olhos fechados
Olhava para o teu interior
E queria tanto ser o Fidalgo.
Mesmo naquela pobreza honrada,
Eu queria sempre ser…, algo.
E a Educação? Soberba…
E com o amor? Paixão,
Sempre a sofrer por amar mais um pouco.
E nos dias que partias em viagens
Eu continuava contigo,
E já noite, corria para dentro de ti.
As tertúlias? Essas eram sempre feitas comigo a Teu lado,
Caía de sono de tanto te escutar,
Sempre tão feliz…
Sei que não sabes quem eu sou,
Mas acredita, eu sou tanto de Ti…
Não acreditas se te disser que se pode ter filhos sem os fazer…
Deixa lá, tu nunca saberás que eu ainda hoje gosto de Ti,
Tanto…, mais que TUDO.
És sempre Aquele, que me lembra as doces noites
Enroladas em sonhos de pureza,
As lágrimas no final sempre sorriam
De tanto amor ver em Ti.
Meu amigo, serás para sempre o Meu Amigo…
E nos dias onde a dor é companheira
Trago-Te sempre para junto de mim.
Só Tu sabes fazer-me chorar como antigamente.
Só Tu ainda vestes a pureza do meu olhar.
Meu Amigo, Tu és…, o maior Escritor de sempre,
És…o Céu e a Terra dentro das minhas memórias,
És os meus doze anos,
És o meu maior companheiro…
E mesmo que nunca saibas quem eu sou…
Não faz mal! Eu não me importo!
És, e serás sempre,
O MEU Júlio Dinis.
 
Deixa lá

Notas soltas

 
 
Escuto esta música
E dela arranco o silêncio
Que esta alma precisa.
E, de nota em nota,
Acolho uma clave de Sol.
São sons,
Esmeraldas envoltas em crenças
De que um dia os poemas
Serão música.
Os teus ouvidos então
Serão meus.
E, de mãos dadas,
Dirás que és Ré.
Eu digo-te que sou um Fá
De te querer só para mim
Tu deixas cair um MI
Desses olhos incandescentes.
E, nesta pauta da vida,
Todas as músicas
São pomares.
E em cada som,
Um suspiro,
Que mais não são do que
Melodias em Dó.
É o céu, que criei para abrigar
Todos os que me lêem
Com a bondade das
Palavras…

Este Poema foi desenhado ao ritmo desta melodia e assim, aos meus olhos, esta poesia se tornou música. Ofereço-a aos meus amigos Lusos, aos afectuosos.
 
Notas soltas

ELAS

 
 
PS.
Ainda bem que neste nosso Luso só há mulheres a escrever, livro-me assim de uma carga de pancada.

A parte “boa” deste texto dedico a todas as mulheres que diariamente escrevem neste nosso cantinho das palavras. A todas, sem excepção, um grande beijo.

Outubro de 2009

Neste meu tempo que apenas conta para mim, descobri que a idade das mulheres não é atribuída por uma ampulheta qualquer. Existe nesta engrenagem de contar o tempo, aparentemente simples, um dispositivo invisível ao olho humano que de três em três micro areias há uma que pára, estanca o tempo. Este imbróglio serve para reajustar a beleza ao ciclo da vida na terra. Talvez uma forma, que encontraram de envelhecer sem deixar o homem para trás. As mulheres quando envelhecem ficam mais bonitas do que no dia anterior e, quando damos conta, passaram-se anos. Ao lado delas encontramos a solidez, a têmpera e a bondade da sabedoria que apenas aparece por que souberem envelhecer. As mulheres arrastaram com elas a força da natureza, e transformaram-na em sabedoria. Diamantes que ao longo do tempo foram ficando dia após dia sempre com um brilho mais intenso e depois, pela leveza com que viveram a vida sobem ao céu.

Trazem na idade a sabedoria da aprendizagem feita pelo sofrer e das mãos nasce quase sempre a experiência do trabalho contínuo que, aliada à meditação e ao seu lado “feminino”, de tudo fazerem com mais dignidade, mais humanas, e mais honestas com o próximo, acabam por somar marcas de sabedoria. A idade é um manancial de informação e de bem-estar para quem está perto destas Senhoras. São Mulheres,Avós, Mães, Filhas, donas de casa, profissionais competentíssimas e por fim esposas e amantes. Mulheres bem sucedidas, sem correntes nem embargos na voz.

Nesta nova solidão, onde nunca estão sós, aproveitam o seu isolamento para rectificar o silêncio, valorizam o não silêncio sabendo que já nunca perderão o seu estado de alma, a independência. Para estas mulheres, as que escrevem, o dia nunca ficará comprometida por um qualquer mau acordar e a leitura da sua escrita é sempre para o humano (homem e mulher) um exercício filosófico. Há geralmente um novo corredor de encontro à imensidão de pensar. Encontrá-la nas suas ideias é poder evoluir, é beber um pouco mais deste lado feminino que tanta falta faz ao mundo masculino; encontrar as razões da sua escrita é, geralmente perceber que está sempre mais perto do Santo Graal do que nós.

São donas de si, são dominadoras, são mulheres de corpo inteiro e rejuvenescem diariamente com as ofertas do mundo. São estas mulheres que se tornam cada vez mais bonitas e que com a idade, sabem descobrir a vida todos os dias e transformá-la num ramo de flores, para oferecer a quem passa perto de si. São estas mulheres que tratam bem o homem, a masculinidade, a brutalidade e a insensibilidade masculina. São estas mulheres que fazem de nós seres importantes, porque são estas mulheres que mais depressa descobrem as diferenças existentes entre um homem e uma mulher e aceitam-nas, dando-lhes o espaço para sobreviver. São as mulheres que preciso constantemente de ter perto de mim como forma de aprendizagem.

As outras, surdas do próprio silencio, acabam por castrar o tempo por nada saberem fazer sem invadir o tempo e silêncio dos outros. Envelhecem, tornam-se feias, ambiciosas, ciumentas, invejosas, por o tempo que perderam e nada conseguirem apreender para o seu tempo. Estas mulheres que ainda restam do passado, sabem apenas escrever o desassossego da alma em poesia mórbida de saudades que nunca tiveram. Para se sentir falta de alguma coisa é necessário já ter tido, e nestas mulheres do infortúnio adensa-se uma muralha de ortigas que mais cedo ou mais tarde picará quem por perto passar. São as mulheres sós, desamparadas intelectualmente e incapazes de se tornarem apenas simplesmente mulheres. Vivem a espaços, e tentam conquistar espaços que pela idade deveriam saber que não lhes são pertença. Infelizmente a estas mulheres tudo lhes acontece, até miopia e surdez.
 
ELAS

Duelo

 
 
*O tempo (linhagem) disse-me para fazer duelos só com quem merece.
Este meu tempo é sábio, muito sábio.

Há duelos de Homens
Há duelos de Palavras
Há duelos de sonhos
Há duelos de sabedoria
Há duelos de invejas
Há duelos de nada
Há um milhar de maneiras de dizer
Há um milhar de maneiras de enganar
Há um milhar de maneiras de escrever
Há um milhar de maneiras de ler
Há um milhar de nada
Mas há apenas um par de olhos
E uma única maneira de comunicar
Sem mentira
Sem dor
Sem embargos
Sem truques
Sem metáforas
E de dentro do HÁ sai apenas um sinónimo
De algo que existe dentro de mim
A *linhagem de quem me ensinou a ouvir
SEM reclamar.
 
Duelo

Sampaio Rego, João Mestre Portugal, João Surreal, e.. - Todos estes sou eu, não sei com qual destes autores me identifico mais, sei apenas uma coisa, cada um deles gosta mais do(s) outro(s) do que de si - descobrir-me é a razão da minha escrita