Poemas, frases e mensagens de ruisantos

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de ruisantos

sê feliz

 
Quanto custa?
Partir
Rolar na estrada
Soltar amarras
Viver
Sentir o sabor do vento
Em trémulas asas, de luz
Voar
Alto, distante, errante

Qual o preço?
Da liberdade, incontida
Da vida, assumida
Da paixão, descarnada
Do rosto roçando a lua
E o sol caminhando
Nas rugas da tarde

Qual o peso?
De uma lágrima, de raiva
Caída no chão, de asfalto
De um ai, em silêncio
Na vergonha dos dias
De uma gota de água, turva
Sorvida, sem parar
De perguntas amargas
Em respostas suspensas

Quanto vale?
Um dia
Um momento
Um beijo na lágrima, do tempo
Um caminhar uníssono
De mão na mão
O amor
Que se faz no chão
E dói, e queima, e sufoca

Quanto dás?
Pelas memórias, coadas
De dias perfeitos
Pelos sonhos de sonhos
Suados e repartidos
Pela vida de perguntas, sem retorno
Pelos carinhos, por trocar
Pela espera, no vazio
Pela promessa, por saldar

Não fujas
Não tens por onde
Não escapas á vida
Sombra quente, colada em ti
Que grita em surdina
Liberdade, ao cativo
Sentindo os grilhões
Penetrando a alma

Quanto dás?
Por ti
Uma noite de sol?
Um dia de paz?
Uma resposta adiada?

Não importa
Se te enleias na busca da razão
E trocas os dias pelas noites
Se buscas todas as respostas
E esqueces as perguntas
Se a tua concha é segura
Mas te aprisiona, indelével
Com teus fantasmas, extintos

Não importa
Senão rasgar a página do tempo
Que segura a tua fuga
Sentir de novo, quem és
Voltar a ser criança
Deitada, em sonhos encantados

Não importa
Quando se perde a razão
À vontade submissa
De uma porta fechada
Indolor, constante, vazia
E a vida negada, pelo medo
Permanece expectante
Até ser
Tarde de mais

Nada importa
Senão viver

Sê feliz

RuiSantos
 
sê feliz

Falam as Palavras

 
falam as palavras
na alma sussurada
que o vento leva

falam os silêncios
na estridência de pensamentos
sufocados

falam as memórias
no ocaso diluido do tempo
ingrato

falam as paredes
testemunhas serenas do futuro
carente

falam as almas
do que as palavras não falam
por não saberem dizer
quais os ventos que trazem
a sabedoria do viver

ruisantos
 
Falam as Palavras

pedras do caminho

 
Que cessem as lágrimas secas
coadas num definhar
Que cessem as dores lentas
molhadas num despertar

Que cessem os dias frios
em ermos de solidão
e nasçam miríades de risos
em rios, pela tua mão

Que cessem as noites nuas
nas dúvidas do porvir
e nasçam asas lavadas
pela força do sentir

E em cada pedra pisada
de corte áspero e fino
marca-a, bem marcada
foram pedras do caminho

Rui Santos
 
pedras do caminho

sentir alado

 
amor
espaço transbordande
exíguo para o querer
desejo desatinado
que dói por não ter
palavra exuberante
garrida e amena
que pinte num instante
em tela serena
quanto do amor
chora só por ser
um desejo errante
dobrado num viver

RuiSantos
 
sentir alado

cor do vento

 
Soltam-se ventos
na madrugada fria
Soltam-se cores
com cheiro a maresia

Quem os ouve?
Quem as vê?
Quem tem na língua
o paladar do porquê

Quem não dorme deitado
com o dono da razão
Quem tem lágrimas de mar
quando diz , não

São ventos de mudança
em cores por inventar
Espraiados na ternura
De sons de terra e ar

São as voltas que o vento dá
lidas com perfeição
em cada lado trocado
pelas raias da razão

RuiSantos
 
cor do vento

a quem me dou

 
a quem me dou
 
Sou
 
a quem me dou

no fio da navalha

 
cada curva
um desafio

cada rio
uma esperança

cada recta
um respirar

cada posse
uma ilusão

cada entrega
um ganho

assim é, vida
nada temos
nada somos
vivemos num trilho
falivelmente planeado
sem queixume
na certeza do incerto
e nos momentos
que se disfrutam
exuberantes, rasgados, trocados
emoções
coreografando vida
e as razões que a sustém
necessárias
seguras
frias

e a vida continua
no fio da navalha
gotejando
rios vermelhos
verdes de esperança
e azuis
de um olhar
mais além
sem fim

ruisantos
 
no fio da navalha

Cintilações

 
Brilha a luz.

Desejos de liberdade,
atados numa tarde de verão
Nuvens na púrpura da tarde
Caiadas em pedaços de chão

Esvaí-me em pensares absortos e fechados
Entrei, saindo na felicidade parcelada
Templo célere de momentos hilariantes
sorvidos na tontice, de dias sós

Brilha a vida
Extenuante e bela
Confusa e difusa,
Gotas caprichosas na tarde estival
Tocam solos etéreos nas cordas do olhar
de além mar

E o riso, rasgado de dor
estendido em vagas, mirradas de cor
Quebram pedaços, pingados, de mim
Promessas sem fiador
Palestras sem ouvidor

E Brilha, o amor
Simples, como um sorriso matinal
Completo, único, carente
Singelo, na ternura de um beijo
embalado na cumplicidade nocturna
de diálogos do sentir absoluto
Cinzelados na nata do dia renascido

E Brilha a Luz
Em passos errantes nos trilhos da certeza perfumada
Caminheiro na ventura do amor, sou mais eu
Parte de mim esvoaça em ti em palavras renovadas
E o sabor do tempo eterno dilui-se, na poção do amor, abrangente.

Coisas nossas, cintilantes.
Como a Luz
Refulgente

Rui Santos
 
Cintilações

Sou

 
Sou
Sou uma ilusão
que um dia pensou existir
Sou um pedaço de mar
que pensou ser nuvem
errante, serôdia, refrescante
Sou um degrau da tua escada
volátil, acessível, descartável
Sou uma gaveta de soluções
fáceis, prontas, liquidas
vivendo de angústias alheias
neste cruel pensamento cruzado
propício, permanente e cru

Não sou chave
pedra, casa
âncora de fragata amena
resposta sábia, serena
Nada sou
Apenas eu
Longe de tudo
em turbilhão revolto
toco na vida e presumo viver
Em tempo não meu
solto palavras sinceras
em penitências escusadas
Quebro sonhos alheios
na minha verdade inútil

Nada me resta senão partir
Fechar a porta ao tempo
Esperar pelo dia
sem portagem
Sorrir
Ir na boleia do estribo da vida
e um dia
talvez a encontre
não longe
sem muralhas
sem certezas
sem feridas por sarar

Talvez te lembres de mim
Uma peça no teu puzzle
Uma cor no teu quadro
Uma palavra no teu conto
Talvez me embales em histórias
aos filhos de filhos
Como a vida é rica
quando se vive
vertendo gavetas
vazias de nadas
Quebrando muros
de vidro fino
por onde vês
mas não tocas
Queres, mas não ousas

Sou
a minha ilusão
um pedaço de pão
um dia perdido
um sorriso
uma lágrima, sem chão

sou

Rui Santos
 
Sou

És

 
És
mais que um sonho acordado
És a vida que nasce
sem sombras por trazer

És
mais que um sorriso alado
és um aroma que flui
de fonte alegre por beber

És
mais que um sentir desatinado
num desejo entrelaçado
entretecido pelo querer

És
loucura serena, renovada
ponte em mares, cruzada
estrada florida, partilhada
rota, sem começo, nem fim

És
meu presente, carente
ousado e reinventado
meu dia antecipado
noite de fogo carmim

És
apenas tu
e tanto és
assim.

Rui Santos
 
És

é urgente

 
é urgente
é urgente
varrer os sótãos bafientos
de passados descentrados
em lições perdidas de prazo

é urgente
comprar os dias vagarosos
e ler os instante magníficos da vida
sorvendo-os como água límpida
de um oásis distraído

é urgente
fugir do toque da batida cadenciada
que tenta enlaçar, sufocar e julgar
num inócuo ondular estéril e seguro
como cova inerte e escancarada

é urgente
cantar a ousadia, de rasgar o doce cerco de lamentos
rompendo o coro de intenções simpáticas e perdidas
e reconstruir, edificar e alavancar
cada pedra quebrada e descorada
por tombos fechados e datados

é urgente
suprimir, findar e combater, os pré conceitos
estúpidos e inúteis, de cor, origem e poder
comprados em saldo, ou oferecidos, como excelso tesouro
a quem não sabe o que é a essência da vida

é urgente
ouvir os silêncios, de concelhos sábios
que falam, do que a multidão não sabe,
nem virá a saber
e ensinam o segredo do que sou, o que quero
onde vou

é urgente
sentir sempre, um arrepio, níveo e virgem
em cada sorriso fácil e solto, oferecido por uma criança
e que me recorda, o inato construtor de sonhos
que sou, e serei

e sim,
é muito urgente
em cada passeio de mão dada
desenhar na brisa da tarde
um desejo, uma loucura, uma canção
e dizer sem pressa, num lento sussurrar
amo-te

RuiSantos
 
é urgente

Espaços

 
Uma parte de mim quer mais
outra parte, tudo quer
parte de mim quer voar
outra parte, fluir pelo ar
Uma parte perdi, por querer
e outra parte, me deste, sem saber

Em tudo me revejo
nas partes de um livro teu
sou parte minha por fazer
e outra parte, segredo meu

Mas da vida, quero o todo, não a parte
Em ânsias gritantes, por nascer
porque se vivo, em parte,
Outra parte, fica por viver

Rui Santos
 
Espaços

Oceanos

 
Maré alta, maré alta

Rios, ventos, tempestades
Àguas rebeldes mas puras
cobram dias de estio
em vagas doces e duras

Maré alta, maré alta

Cascatas de silêncio, incólume
Choram a distância, espúria
Galgam margens sem dono
Soltam ais de lamúria

Maré alta, maré alta

Sacias o meu viver
Revelas cores perdidas
Rearmas novas idas
Do nada, fazes ser.

Maré alta maré alta
Calor, luz, emoção
Brindas aos pedaços de vida
com a glória da união

Rui Santos
 
Oceanos

nos olhos da madrugada

 
Nos teus olhos eu pinto a madrugada
Na paleta das minhas cores
um sorriso me provocas.

Nos teus olhos
saltita a menina, de sorriso rasgado
No teu rosto
brinca um rio, de ousadia serena
No teu corpo
balanceia uma viagem insubmissa, de lufadas tropicais

Nas montanhas
Nos vales
Nas terras estéreis
No prado viçoso
Encontro o teu olhar
quando me despes a alma
e te aninhas, dançando em mim

No tempo, que desliza, sorrindo
Na escarpa, que se dobra, amando
No mel, que se adoça, beijando
No sonho, que se vive, ousando
Estás
Estamos

Somos
estrada
grito, mar
terra iniciada
um passeio á beira mar

Um gesto de loucura
Uma noite sem rede, nem chão
como quadros criados
pelo desejo da razão

Do nada, fizemos tudo
como as cores de um olhar
E de tudo, nos dêmos
porque dar, é amar.

RuiSantos
 
nos olhos da madrugada

tempo

 
Não podemos deter o tempo.
Mas encontrar o tempo certo
em cada amanhecer
é a sabedoria
que torna grandes
as pequenas vitórias
e a nudez da noite
se veste pela manhã.

ruisantos
 
tempo

O livro

 
Passam os dias
Passam as noites
Leio instruções
Decoro a página

Capitulo primeiro

Certezas inúteis

Quarenta e sete razões, para sorrir

Uma, para não cumprir

Quero rir
Quero voar
Quero ser outro eu
Enlouquecer na miragem
Dar o certo pelo incerto

Cair da noite
adormecida, indolente, paralela

Salvar o dia
enquanto é dia

Partir na certeza do incerto
lamber o sal, coado e molhado

Perder-me, em ruas abssintas
Correr para nada
e para tudo

Viver sofregamente
o instante do momento
e, adormecer os anos idos
sem parar nos dias esquecidos

Nas noites de espera
pelos dias descalços
sensuais, apelantes de vida
trilhei as sortes do ocaso

Noites minhas
Dias meus

Livro
que se perpetua
sem fim

Meu também

Rui Santos
 
O livro

O Amor é...

 
O amor
faz a diferença
alegra, fortalece, motiva, pacifica

O amor
é tão fácil expressa-lo
está no gesto espontaneo de uma criança
é fácil, tão fácil

O amor
é um tesouro sem limites

... e há tanta falta dele, no mundo...
 
O Amor é...

Tons de Outono

 
É Outono, meu amor
renova-se a vida
gasta-se a cor
mas eu, sou feliz
desenho no Sol
a vida que quis

Tenho uma janela
ampla e bela
tenho uma luz
que entra por ela
Tenho mil sóis
que querem partir
Tenho o Outono
pronto a florir

Tenho uma história
escrita na mão
de quando na vida
fui solidão
mas tenho uma força
que canta um segredo
porque te dás
dou-me sem medo

São laços de aços
soltos no chão
são sonhos livres
colados na paixão

E tudo fez novo
e o Outono
amanheceu
E hoje é Verão
como eu
sou teu.

Rui Santos
 
Tons de Outono

Ruas, nuas

 
No olhar perdido de uma esperança vazia
Nasce a dormência infame, desaustinada
Rolam gotas de fome séria, gritante
Engolem-se perguntas de resposta adiada

Secam-se as vozes, por serem demais
Perde-se o passo em cada passada
Torna-se a dar, à vida, um dia mais
Vende-se o tempo a troco de nada

Quem te fez assim? De sorriso no chão
De olhar altivo e moedas na mão
Quem te trocou pela ida ao cinema?
E balbuciou, …é pena, é pena...

Quando a indiferença me calar o amor
E um olhar leviano me dançar pelo ar
Lerei nos teus olhos, secos, e rasos de cor
Palavras nobres que tardam em passar
…que pena… que pena
perderes o amar.

RuiSantos
 
Ruas, nuas

alma livre

 
Molho a imaginação
no mar de desejos
suaves e agrestes

Solto gotas fecundas
em viagens deslizantes
embaladas no imaginário intemporal

Oiço volteios saudosos
sequiosos de mel e sal
loucos... teimam em gritar

A força de palavras sussurradas
nas promessas lançadas ao espaço
trespassando couraças invisíveis
de ataduras parcas de riso

E navego, muito além
sem vela, sem dono
desatando trovas por nascer
criando novas moradas
por ti

Alma livre

ruisantos
 
alma livre