Poemas, frases e mensagens de Naeno

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Naeno

Sou músico compositor com três cds gravados e um em fase de conclusão. Artesão, trabalhos de couro, pedra e madeira. Economistas

AMOR, A MORTE

 
AMOR A MORTE

Águas de enxurradas do amor, quem se arrisca,
A segurar garrancho e se assentar em lodo,
Rio sem futuro, que depois da chuva, a vista,
Não terá mais rumo, o que se ver de novo.

Bate o vento trazendo a chuva que tudo traz,
Uma esperança, o amor, lembrança de se agarrar,
Uma vontade espessa, algo que nos faz,
Pensar eterno, desejar os restos que se assentarem.

Águas corredias, no sentido contrário,
O amor nos conduzindo pra de novo se largar,
E tomar o leito revertendo, o horário,
Quando mergulhamos loucos por lhe abraçar.

Uma cuspideira, sujeira do mar,
O amor assim, invariavelmente audaz,
Já perdido o fôlego, a visão, o ar,
Dá-nos sua boca como um salva vida, só isso faz.
 
AMOR, A MORTE

ANJO

 
ANJO

A sombra do anjo posto à minha frente, cresce.
E ele mantém a mesma altivez do anjo
Ele me olha e o seu olhar também aumentou
Ele me diz e sua voz me fere os tímpanos.
Então, de mim levanta-se uma agonia
Que se escondera no claro oposto
No lado de onde saiu o sol.
Eu nem cresço nem aumento, e me condeno
Do tamanho das aspirações do meu tempo.
Tudo no alto, triscando o céu, se eleva
E eu encolho, mas não decrescei.
Enquanto tive à frente do ente santo
Rezei as rezas aprendidas, entoei cantos
Como se comportam os desacretidados
Que crêem e vêem milagres nas castas puras.
Os que vivem nas alturas, que fazem sombras excomunais.
O anjo plainou o céu como um concorde
Até que furou as nuvens e entrou.
Mas sua sombra continua à minha frente
Como uma lembrança descabida.
Eu por obra e graça sua, não encolhi.
A minha sombra só, foi coberta pela sua.
Anjo, Anjo do céu, quando é que vens
De bem na terra, sem contrapor-se à luz,
Sem me impedir dee ver os campos,
De olhar o sol lindo, descendo,
De ver a lua bebendo as águas que evaporam.
Anjo, Anjo do céu, que voas longe, e vais ao léu,
Representa-me, junto aos eleitos, faz meu papel,
E diga a Deus, sentado à mesa na última ceia,
Que o que mais peço, o que mais quer a minha vida
E ser assim, como me viu, também, aí no céu.
 
ANJO

APELO

 
APELO AO BOM SENSO DOS MEUS COLEGAS DE BLOGS QUE TENHO UM PEDIDO A FAZER A TODOS VOCÊS. QUERO QUE VOCÊS FREQUENTEM O MEU BLOG www.poemusicas.blogspot.com, e leiam os meus poemas e deixem lá seus comentários. O meu pedido é em função de que estou sendo rechaçado por um grupo de blogueiros que resolveram me boicotar, por er feito um comentário em um determinado blog e isso gerou uma polêmica que ainda hoje vigora.
Esperando contar com vocês.
Agradeço, antecipadamente,

NAENO
 
APELO

PERDER UM AMIGO

 
PERDER UM AMIGO

Perder um amigo é perder um abrigo
Cair alvejado dentro de um temporal.
Perder um amigo, é cair pelas noites
E só noutra noite saber por sonhar.
Perder um amigo é cortar o umbigo
E prender o sangue para não chorar.
É enterrar os dedos bem dentro dos olhos
E chorar aos molhos até se molhar.
É morrer de um amor muito mais valioso
Desacreditar do mundo, deixar de rezar.
Perder um amigo é pior do que eu digo,
É ver seu velório e o corpo largado.
É maldizer a vida, negá-la, atrevido
Falar que nunca teve e nem nunca terá
Alguém com quem possa contar nos perigos.
Perder um amigo é se sobressaltar
Com o medo da noite, do dia mais claro
A hora indecisa se alguém vai chegar.
Perder um amigo é perder a coragem
E virar, covarde, as costas pro mar,
É ver virem ondas piratas do céu.
Perder um amigo é andar ao léu
É doer a cabeça, e não ter o remédio
De não mais ter fim, nunca melhorar.
É a necessidade de um psicanalista
Perder um amigo é passar em revista,
Diante dos túmulos, diante da saudade,
Perder um amigo é ir antes da idade.
Perder um amigo é perder o horário,
É querer no íntimo, nunca mais acordar.
Perder um amigo é a dor mais sentida,
É contar por dia umas mil recaídas.
É perder a gota de sangue, a derradeira,
Perder um amigo é baixar num hospital.
 
PERDER UM AMIGO

AMANDO

 
AMANDO

Ontem as vinte e duas horas e quarenta minutos,
Horário oficial de Brasília,
Eu estava ardendo em febre, suando,
E na tiragem dos meus uis, contados,
Uns vinte e tantos mil, falei, quietei
Aos teus ouvidos,
E de febril, de puro amor, o meu remédio,
Tomei por tantas horas, em tantos goles,
Que me embriaguei. Caí sobre o teu corpo,
E amando-te voluptuoso, transpirei,
E a febre não passava, passavam as horas,
Já pela madrugada, ainda eu te amava.
E pela manhã, à hora da voz do Brasil,
Eu te amava.
Em meu delírio, uma poldra branca,
De crinas alvas e esvoaçantes,
Carregava-me sobre seu dorso.
E eu galopei vinte e quatro horas,
Sobre um leito de areia fina,
E nas esquinas por onde andei,
Espantava-me o medo, de cair
Por tua cabeça,
Quando te inclinavas a me beijar,
Fazendo. Aproximadamente,
Dez anos se passaram
Sem que este despojo se passasse,
Eu na tua crina seguro,
E tu em meus flancos grudada.
Amar faz a gente perder a noção do temo,
Mas se tem ciência dos espaços
E não se perde o tempo, se acha,
Mesmo que estando dentro da gruta
Mais escruras, como as que passamos,
E vimos dentro animais atônicos,
Encontrávamos-nos,
Permitíamos-nos
Como os ponteiros dos relógios,
Ora encima, ora embaixo,
Ora não se distingue o prazer do bom,
Quão bom é o prazer das horas.
 
AMANDO

ARADOS DO MUNDO

 
ARADO DO MUNDO

Tantas vezes passei a mão
Por sobre os olhos
De olhos fechado,
Na ilusão de quando abrisse
Abrissem à minha volta
Um campo plantado,
Vidas espalhadas
Com os pendões da mesma altura.
Mas isso é sonho, criatura...
Ninguém muda o que se avista errado,
Nem com os olhos abertos
Engolindo água do rosto.
Que conta vantagens pro mundo
O que está posto, imutável.

Passou um urubu
E faz do meu chapéu seu urinol.
E ficou branco, mas eu só vou ver em casa,
Quando puxar as pernas da calça,
Largar a camisa empretecida
De roçar nos galhos queimados,
Juntados para fazer a cerca,
Para proteger do gado,
Do gado alheio.
O meu rebanho voa por cima de mim
Não muge, não pisoteia o plantio
Também não dá leite.
As vezes, propositadamente,
Eu passo a mão fechada, segurando o cutelo
Por sobre os olhos.
E é quase desesperador, o desejo
De arregalar-me e outro mundo esteja aberto.
 
ARADOS DO MUNDO

PESOA AMADA

 
A PESSOA AMADA

Fernando Pessoa,
Instrumentoterreo da sonata dos meus ais
Um guizo flutua entre o céu e a terra,
Um barulinho bom, uma harpa
A cortejar meu coração.
Aceitei os seus encantos
Porque eras minha vida viciada
Porque eras minha luta embriagada
Por és um Zeus de Deus
Um formidável companheiro nas noites quietas
Uma companhia que não se faz presente
E que me deu a mão como um arrimo
Que escrevestes a mim cartas de amor,
Amor de de amar, amor de irmão.
Pai foste o meu, mais demorado
E eu irmão de tuas mãos que afinam o lápis
Primo de teus encantados sermões das montanhas
Que te multiplicastes, um milagre do pão,
Da fome, da miséria alheia, que te torturava.
Aprendi contigo, pessoa do meu rebanho,
A andar perto e distante dos outros, perigosos
Visto que o ataque do coração, eu reagia,
Como se sabe, dando mil pulos mortais.
Amo a pessoa de Pessoa bom, e lindo em tudo
Na composta e combinada farda preta
Que se via a tarde, quando regressavas,
Não se sabia de onde, de um velório de outro,
Ou de tua própria morte, exausto
De fazer milagres.
Acompanhado de perto e de longe dos fariseus,
Que te acomodavam no leito da estrada
Quando seguias bêbedo, de amor, de sonho,
E como se não bastasse o que deixastes impresso
Nas almas dos outros,
Ainda recitavas por onde caminhavas,
Até à beira dos rios, numa nostalgia
Fácil de se sentir, em ti, Fernando.
E nós, zelosos por essas tuas filhas,
Fomos nos casando, cada um com uma,
Ah, a bigamia, aos teus olhos seriam,
Incisivamente perdoável,
Porque amastes a muitos, amastes aos muitos,
Todos, até o dia em que nos deixastes.
Amo toda gente que são pessoas assim.
 
PESOA AMADA

CI, MEU SONHO

 
CI, MEU SONHO

Tira de mim o que quiseres:
A água o pão, as gotas contadas.
Tira-me outras coisas
Com que me envolvo
E elas me entram desproporcionais
Mas não priva os meus olhos,
Coitados por serem parte
Da avidez do meu corpo
Interligado ao meu coração sonhador,
A visão bela de ti.
A imagem mais bela,
Que desses fragmentos caídos, celestiais
Formou-se em mim
Como único remédio e alívio
Para a minha alma tão dilacerada.
Deixa-me cruzar os vales espinhentos
Deslizar nos alagadiços mais traiçoeiros,
E que, no limiar disso,
Avistem-te os meus sentidos
Tão amaciados por tuas passagens
Entrando e saindo, constantemente de mim.
Deixa-me débil envolto em um cárcere fortificado,
Com direito a uma réstia
Que só de manhã presumo entrar,
Pois que meus olhos pra tanta coisa
Ficaram turvos irreversivelmente.
Mas que tua trêmula aparição
Nunca me falte
E que a toda hora eu possa te contar.
E peço-te também:
Não deixa desvanecer-me do cônscio sonho
Como vivo agora, quando estou dizendo.
 
CI, MEU SONHO

DE BRINCADEIRA

 
BRINCADEIRA

Já, Já
JuJu
Faz
Um
Poema
 
DE BRINCADEIRA

AMOR E MEIO

 
AMOR E MEIO

Ai, o amor de sempre.
Os mesmos efeitos colaterais
Os mesmos rompantes tardes
Um foco de um incêndio que tudo queimará
Que no começo ninguém sabe onde arde.
Dor que dói e a gente vê
Nos lugares onde se mostra
E até onde não está.
Uma tranqüilidade destruída,
Com os danos correndo em nosso sentido.
Ai o amor, a esperança de todos
E dos mesmos a desesperança.
Aquilo que se diz
Quem planta, mal apanha;
Ou leva o que não apanhou,
Ou não apanhou o que levou.
Amor, essa confusão,
Um entra e sai, por trás dos bombeiros,
Um posto incendiado
Das bombas ao caixa.
E quem assegura que o amor
Repõe danos, quem faz seguro do amor.
Nem quem lucre com seu dissipar,
Quando ele se decompõe.
Ai o amor maldito sentimento,
Andamento em trocadilho,
A batida dos pratos no apogeu da filarmônica,
Desnecessário, mas que, se não fosse,
Desmembraria a vida corriqueira,
Rumo ao amanhã.
Até amanhã, ilusões, até amanhã.
Decepção depois se vê.
 
AMOR E MEIO

MEDO

 
MEDO

Já é como está vendo. Esta chuva que se promete,
Anunciada por nuvens espessas, me arremete,
A outras chuvas, por outros umbrais, e me mete
O mesmo medo de trovões, de fogo e perigo perto.

As chuvas e os meus medos, entrelaçados, lavoura,
Covas rasas, covas funda, plantando esperança de novo,
Esquivo de muito barulho, que quanto mais, menos ouço,
E meu coração se confunde com jatos de água em meu dorso.

É como que está sentindo, a chuva que vai caindo,
Me levará brutalmente, aos perdidos estreitos caminhos,
Do tempo que um operário fazia de tudo, menino,
E caçava o tempo com pedras pisoteando caninhos.

As trovoadas, as pancadas dos pingos pela calçada,
Que batiam e voltavam de novo, a casa ameaçada,
O tempo dessas invernadas, a morte já anunciada,
De qualquer coisa, qualquer gente, eu acorria abraçado.
 
MEDO

AMANDO

 
AMANDO
Amor é recompensa de quem caçou
Por todos os cantos da cama,
Que se parece um campo largo,
Passando por cada pelo a luz dos olhos.
É este amor, que se ganha, cego,
Uma recompensa do fim do mundo
Passantes trovões que não enfeiam
As tardes, em tempo, DE verão.
O que vale o preço e a pena,
Pelo, segundo, contado das horas,
Arrepiado furor, que já se espera,
Amando, amado, pela boca.
Amor é o que se colhe
No ínfimo tempo. Tempo de choro,
Tantos riem também da mesma dor,
que se puxa pelos olhos, o amor
 
AMANDO

ABRIGADO

 
ABRIGADO

O que me faz sentir as contrações de amar
É o externado do amor
Batizado com este nome
E nem é mulher nem é homem
É uma dor de fazer.
Não é um esforço de expelir,
Nem botar pra dentro,
É um desejo ferido de perpetuar-se
Profundo onde ninguém me ache,
E eu me encontre amando.
Ó barriga ardente,
Ó casa quente,
E o inverno com seus ventos,
Não me balançam os cabelos.
Assim me dou e tenho
Abrigo, luz, e gozo.
E ainda me sinto protegido,
Sendo eu também protetor.
Ó casa aconchegante,
Quando entrei, passante,
Atormentei-me querendo,
O prazer de novo,
Reentrar ao ventre,
Puxar-me pela delícia
Dos teus caprichos,
Entrar pra morar de novo.
 
ABRIGADO

AMOR DE LONGE

 
AMOR DE LONGE

Espero-te por tanto tempo, todo tempo
Desde o caos escuro, eu espero por ti
Desde o mundo feito dos dias das noites
Espero-te por necessidade sorrir, chorar.
Um dia quando de um umbral te avistei
E o teu amor exalava já na distância dos vales
Até eu controlar os meus olhos saltados
Até me distinguir, e já sabedor de mim.

E eu falo de ti, a qualquer um, existe
Esta mulher brisa de todas as manhãs
Que agora me acolhe no seu regaço imenso
Que chora por mim, to tanto que chorei por ela.
És meu amor escolhido,
Não pela necessidade de vida, em ti,
Não pelo sinal de um amor que eu tinha.
Nossas almas se abraçam e caem e flutuam
Nessa paz quieta que é amar, tortura
A minha vida saber que um dia
Poderá o caos instalar-se de novo
E eu ter de começar de novo a procura.
 
AMOR DE LONGE

AMANDO

 
AMANDO

Ontem as vinte e duas horas e quarenta minutos,
Horário oficial de Brasília,
Eu estava ardendo em febre, suando,
E na tiragem dos meus uis, contados,
Uns vinte e tantos mil, falei, quietei
Aos teus ouvidos,
E de febril, de puro amor, o meu remédio,
Tomei por tantas horas, em tantos goles,
Que me embriaguei. Caí sobre o teu corpo,
E amando-te voluptuoso, transpirei,
E a febre não passava, passavam as horas,
Já pela madrugada, ainda eu te amava.
E pela manhã, à hora da voz do Brasil,
Eu te amava.
Em meu delírio, uma poldra branca,
De crinas alvas e esvoaçantes,
Carregava-me sobre seu dorso.
E eu galopei vinte e quatro horas,
Sobre um leito de areia fina,
E nas esquinas por onde andei,
Espantava-me o medo, de cair
Por tua cabeça,
Quando te inclinavas a me beijar,
Fazendo. Aproximadamente,
Dez anos se passaram
Sem que este despojo se passasse,
Eu na tua crina seguro,
E tu em meus flancos grudada.
Amar faz a gente perder a noção do temo,
Mas se tem ciência dos espaços
E não se perde o tempo, se acha,
Mesmo que estando dentro da gruta
Mais escruras, como as que passamos,
E vimos dentro animais atônicos,
Encontrávamos-nos,
Permitíamos-nos
Como os ponteiros dos relógios,
Ora encima, ora embaixo,
Ora não se distingue o prazer do bom,
Quão bom é o prazer das horas.
 
AMANDO

MANOEL DE BARROS

 
MANOEL DE BARROS

Manoel de Barros fez sua casa
Com a porta virada contra a nascente.
Sabe ele que dos aguaceiros,
No seu tempo de postar os ovos
É ele quem deita, amorna e amola o bico
Pra fazer o corte inciso
Precisamente no lugar do ovo
Onde o filhote corta o umbigo.
Manoel é primo irmão de João,
O passarinho que mora numa casa de conjunto popular.
Que tem uma entrada, que também é uma saída,
Uma sala e um quarto
Onde dormem amontoados,
De amores montados, ele e Joana,
De oveiro cheio, barriga vasta.
Quando dos ventos trazidos
Pelo impulso deles próprios, voadores,
Vem a chuva, e às vezes entra
No fundo, que vira frente,
Que se descontrola e vira enchente.
Manoel do seu tonel de águas guardadas,
Apanha pelo ano todo intervalos de chuvas,
E se machuca quando o sol incide
Sobre a sua pele branca do pastoreio
E que não serve para secar a umidade
Em que se acomodam seus parentes
Pai e mãe, e filhos pelados, todos gripados.
 
MANOEL DE BARROS