Poemas, frases e mensagens de JSL

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de JSL

Em busca dos poucos que existem mas que são muitos.

Luso do-ente 1/7

 
Luso do-ente
Ente que não sente
Verdade que mente
O caos seu agente
Tristemente!

***
Uma carta de despedida.
Despeço-me desta feira das vaidades visto que isto não passa de um antro onde meia dúzia de vaidosos se pavoneiam e onde uma maioria é usada, abusada e desprezada.

(Continua)
 
Luso do-ente 1/7

HI5 vs LP vs BlogTok

 
Olá mundo!...

Arriscar um texto tendo que atravessar um deserto de areias movediças, só mesmo para quem sabe voar. Vou arriscar:

Ser poeta é antes um ser amante, ser amante é um ser que ama, daí que possa provocar todo o tipo de ciúmes, desde os mais originais e pueris até aos mais doentios que possamos imaginar ...

Só ando na net há uma dezena de anos e acontece que sendo muito pouco tempo imaginem aqueles que estão dar os primeiros passos. Tudo pode acontecer, porque somos 6 mil milhões (?) e como tal a Internet, fiel imagem do mundo real não é mais nem menos do que o próprio, tão imundo.

Costumo dizer se o mundo está mal é porque as pessoas são más, nem mais nem menos. Busco neste espaço a diferença e tudo faço para estar no lado oposto da mesma, mas aí é que reside o problema. Podemos quase dizer algo do tipo "quando a esmola é grande o pobre desconfia" tal como quando a alma é grande todo o mundo dúvida, critica e apredeja.

Assim já deu para viver as mais loucas histórias sob o signo do bem e do mal, e algumas bastante desagradáveis. Muitas vezes tentei chamar à razão e na maioria das vezes só agravei a contenda. Perdoei sempre os erros e difamações dos outros e solicitei perdão se me excedi, mas começo a aprender também que ás vezes perdoar não é melhor do que desmascarar.

Começo a pensar levar á praça essas contendas e em vez de discutir a mesma sob emails ou mensagens privadas, assumir a atitude, de quem não deve não teme e trazer essas tristes realidades para discussão cibernética. Somos o que somos com ou sem espaço virtual e como tal só quem mostra o que é, é que vale pelo que é.

Este não é um texto de defesa ou ataque mas sim palavras para um pouco de reflexão. Parece-me que alguém se sentiu magoado e tomou o outro por toda a gente e encerrou nessa pessoa a maldade do mundo. Julgar é fácil e é tão fácil julgar bem como mal, daí o oportunismo da facilidade.

Vejo vítimas dos abutres que abundam na Internet que atraíndo para certos espaços estão a deixar as pessoas mesmo zonzas. Refiro-me a todos os Hi5 que começam por ser desdenhados como de Macdonalds para engordar almas e que toda a gente crítica mas por força devemos consumir. Estamos na infância da net, que é fruto de um novo paradigma civilizacional que ora começa sob o signo de uma civilização que perece a cada letra ou sílaba que se escreve neste mesmo espaço (net). Somos aprendizes de um fogo que descobrimos e em vez de aprendermos a usá-lo para aquecer ou para afuguentar as feras, estamos a usar o mesmo para queimar o próximo como se de repente estivessemos numa guerra civil global.

Malta, minha gente, isto é fogo, admirem-lhe a beleza, profitem da sua utilidade, aqueçam as vossas casas e a alma e continuem a pensar que não se deve brincar com o fogo.

Somos os adolescentes de uma internet povoada por crianças "maldosas", oxalá possamos ser adultos hoje para poder ensinar este novo caminho que nos leva rumo a novos mundos. Todos querem ser navegantes nestas águas, todas querem ter uma palavra a dizer, mas cuidado que este mar também tem gigantes e seres malvados e as tempestades afundam todas as cascas de nozes em que embarcamos. Que os Hi5 sejam não a experência de vergonha mas sim a marca que vai fazer a diferença entre o que não se deve consumir. Que os Hi5 fiquem para o futuro como o exemplo daquilo que não interessa a ninguém sob pena de não ultrapassarmos uma potencial amizade global que podemos alcançar.

Este texto continua em tudo o que já foi escrito e se possa escrever em simples projectos como o Luso e o Blogtok.com

PS.: Edito este texto que já foi comentário ao tema "perdidos no Hi5, faz agora muito tempo)
 
HI5 vs LP vs BlogTok

Musical

 
Musical
 
M orte de poeta é um DÓ
U ma poetisa na vida é RÉ
S eres que habitam em MI
I nfortúnio de um FÁ
C omo fá de um outro SOL
A mando assim eu LÁ
L evito em SI

pinturas "3D" do amigo:

www.yoko.blogtok.com
 
Musical

Assentei praça ao largo da fantasia

 
Assentei praça ao largo da fantasia
Alarguei horizontes na linha da saudade
Alegrei a alma longe da praça da alegria
Sempre em vielas a marchar além da verdade

Cantei o fado do dó e do ré até ao mi
E ao destino entreguei a aventura da vida
Procurei o amigo na rua que mora em ti
E encontrei-o na hora mais querida

Fui ao rio fui ao mar fui e voltei
Encontrei-te num pensamento de eleição
E para sempre a imagem recordarei
De me perder ao encontro da ilusão.
 
Assentei praça ao largo da fantasia

Dó-Ré-Mi-Fa-Sol-Lá-Si

 
Na morte o poeta é um DÓ
A poetisa é uma RÉ
Quem será então MI?
Da vida o poeta é FÁ
Fá de um outro SOL
E assim ele LÁ
Dói em SI

...
PS.: Um anti-acróstico ou simplesmente em Árabe
 
Dó-Ré-Mi-Fa-Sol-Lá-Si

Luso de-mente 3/7

 
Luso de-mente
Traseira na frente
Fechadura sem pente
Problema pendente
Evidentemente!

***
Uma carta de despedida.
Despeço-me desta feira das vaidades visto que isto não passa de um antro onde meia dúzia de vaidosos se pavoneiam e onde uma maioria é usada, abusada e desprezada.

(Continuação)

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63422

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63492
 
Luso de-mente 3/7

Ode ao Luso

 
A caravana ladra e os cães passam
E a rota é um destino que não alcançam
As feras atacam e amordaçam
E as bestas em frenesim dançam

Dizem-se poetas e até prosadores
Mas até o mais iletrado dos seres
Comparado com tais "pensadores"
Vive num mundo de puros dizeres

Há verbos para amar e para odiar
Mas não há palavras para descrever
Aqueles que só sabem presentear
Outros que mal sabem escrever

Existe um verbo tão singular
Para reconhecer num simples gesto
Qual simples e puro manifesto
O de saber gratidão mostrar
 
Ode ao Luso

"Vejo" um soneto

 
Se um soneto é um beijo
O beijo será um poema?
Se na boca se cala o desejo
No soneto o beijo é tema

Se um beijo dás porque beijas
A boca calas se a entre-abres
Os olhos cerras pra que vejas
Os beijos que tu bem sabes

E se o beijo é um soneto
Que só a alma sabe beijar
O verso é o poeta a amar

Então queremos esse terceto
Essa quadra na boca do poema
Porque a alma não é pequena..

Poema/Dedicatória

Num comentário a mais um belo soneto com que nos brinda sempre o Celtibério:

Para ler:

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=11367
 
"Vejo" um soneto

Luso de-cadente 4/7

 
Luso de-cadente
Cegueira evidente
Cobardia de valente
De cavalo sem dente
Naturalmente!

***
Uma carta de despedida.
Despeço-me desta feira das vaidades visto que isto não passa de um antro onde meia dúzia de vaidosos se pavoneiam e onde uma maioria é usada, abusada e desprezada.

(Continuação)

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63422

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63492

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63638
 
Luso de-cadente 4/7

A palavra já despiu a gravata

 
A palavra já despiu a gravata
Descalçou sapatas de preguiça
Vestiu-se de liberdade grata
E nunca mais foi à missa

Recusou métricas na ordem de caos
Na nudez da sua pureza e virtude
Deu-se aos bons fugiu dos maus
E mantém a eterna juventude

Recusou doutos e mestrados
E sem canones de besteira
Contra versos de iletrados

E agora tão bela e sedutora
Fez-se gente verdadeira
Uma autêntica senhora!
 
A palavra já despiu a gravata

Luso JSL (auto-retrato) 7/7 - FIM

 
Auto-Retrato

Luso do-ente
Luso in-solente
Luso de-mente
Luso de-cadente
Luso ca-rente
Luso in-decente

Eis a minha derradeira participação neste site.

Apresento o meu auto-retrato, explicado:

1 - Luso do-ente?
Quem mais do ente que a minha própria poesia.
(O homem antes de ser o ente do ser é o ser do-ente)
E até a melhor homenagem alguma vez feita: os blogs do Zé Torres:

oserdoente e o entedoser

2 - Luso in-solente?

Completamente mergulhado o meu ser porque quem assim me tomou.

in.so.len.te

1. (Desusado) insólito
2. falta de respeito
* insolente em último grau
3. arrogante, orgulhoso, impertinente
* ar insolente
4. grosseiro nos gestos, nas palavras ou nas ações; malcriado

Mas eu escrevi in-solente. A partir daqui, aquilo porque fui tomado.

3 - Luso de-mente?

Sou de mente e acredito que a mente mente

4 - Luso de-cadente?

Isso. Assim fui cadente porque com tanto empurrão quem se aguenta em pé?

5 - Luso ca-rente?

Será alguém mais carente do que um poeta? Com o mundo assim carecemos de tudo e sobretudo de respeito e gratidão que foi coisa que existiu sempre na casa do vizinho, na tal rua onde vos encontrarei eternamente.

6 - Luso in-decente?

Completamente, mas como digo escrevi
in-decente porque indecentes foram aqueles que não souberam acarinhar tantas pessoas que por aqui andam e outras que já partiram.

7 - Luso JSL

E assim termino aqui a minha ajuda sem igual a este site que tão infantilmente em vez de retirar de mim o meu melhor, achincalharam até ao ponto de magoar bem fundo.

Algumas e todas as razões:

- Nunca um link foi feito para trabalhos na Internet em prol da poesia (pela marca LP)

Desde o site da comunidade www.lusopoemas.blogtok.com até tantos outros que se ligam ao LP

- Escolhido como moderador de secção de links fui literalmente expulso sem uma única palavra de apreço

- Quando invoquei uma nova tese de governar e uma tese para uma nova ortografia só faltou exibirem um falo ou fazer aquele gesto do nosso Zé Povinho
(Obrigado puto, mas aí fostes mesmo insolente)

- Quando menos esperava fui acusado pela Administração que andava a abusar do site. Pois sim, mas fiquem sabendo que nunca mais abusarei do mesmo. Essa foi de uma trenguice à qual me faltam palavras para descrever.

- Tantas sugestões dei e quase todas caíram em saco roto.

- Fizerem-se concursos completamente viciados, quando poderiam ser concursos exemplares, a todos os níveis. Até parecem brincadeiras de putos mimados a brincarem ao xico-esperto.

- Para Luso do mês não se elegem dois tipos:

- Os que já foram nomeados
- A minha pessoa.

Porquê?

A resposta é simples: para quê nomear para o Luso do Mês alguém que nem lugar na Antologia teve.

Daí que lhe chame com toda o direito de anti-logia.

Reparei que a mesma não convidou tantos e tão excelentes poetas que me recuso a nomear,

Poeta! Sabes bem a quem me refiro.

E não me venham com histórias que foi a "chancela", porque esse não lembra ao menino Jesus.

Contribui para este site em palavras, ideias e projectos como ninguém, por isso deixo vem clara a minha total indignação, pela forma ingrata que fui tratado pelos "moderadores-mor" desta casa. Graças a Deus que os poetas souberam bem lidar comigo nas boas e más horas.

Por último quero repudiar a falsa demissão da administração que afinal, ao que tudo indica, continua a ditar os destinos deste site.

Existe uma administração fantasma em vez de uma administração aberta e transparente, eleita por todos.

Que exemplo de democracia e logo eu que voo outros mundos.

Não deixo de considerar este site como um excelente projecto, apesar das vicissitudes. Acho que em última instância é um bom Chat, como ponto de partida para a nossa experiência futura com as coisas da Net, mas que peca por ser isento e verdadeiro no seu todo.

Pensaram que o luso-doente era um insulto quando na verdade é a minha última morte. Morri mas não como fim, mas como metamorfose que sempre me transforma num outro ser mais maduro e mais verdadeiro.

Era Luso do-ente, hoje sou Luso do Ente. Obrigado a todos que a bem ou a mal, me curaram desta fase, que pensava ser justa quando na verdade existem realidades que me chamam para novos voos e para conhecer novos mundos.

Desculpem qualquer coisinha e obrigado por todas as coisas.

O poeta é um abusador
Abusa tão elegantemente
Que chega a ser o acusador
Da acusação de toda a gente.

PS.: Não me importo que me nomeiem como o Luso do Ano porque afinal pergunto:

O que é o Luso do Ano?

Será que o mesmo já foi escolhido? E por quem e sob que bandeira?

E assim mudo, de armas e bagagens, para a Rua que mora em ti.

Hoje e sempre

J

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63422

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63492

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63638

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63726

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63839

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63926

FIM
 
Luso JSL (auto-retrato) 7/7 - FIM

Conto às vezes

 
Ás vezes conto um poema
para não contar histórias
De contos à conta de temas
De poemas ás memórias

Vou do milionésimo supra nada
Ao ínfimo ano-luz do nado
Conto e reconto fado a fada
A cantar um conto passado

E o conto feito poesia
Conta o conto do sentir
Com tal amor e sabedoria
Que nos conta o porvir

Um poema é sempre conto
De mensagem e bem dizer
Contado pelo poeta tonto
Nalgumas palavras a doer

Poema dedicatória aos companheiros de armas:

Zé Torres e Flávio que muito me (nos) tem contado.
 
Conto às vezes

Um conto que é romance

 
Vou escrever algo:

Quando quero escrever um conto sai um poema, quando quero um poema sai um pensamento, quando quero um pensamento sai uma palavra
e as silabas são sempre todas, á letra. Por isso vou escrever um romance, uma história de desamores de amores no singular . Esta história ao contrário das histórias verdadeiras é mais verdadeira ainda, porque os personagens eram mesmo um só.

Não era uma vez...penso que foram vezes uma muitas vezes (Voltem atrás e leiam direito)

e para que não me passem uma rasteira nesta história ...foram vezes uma muitas vezes.

Uma dessas vezes, quando era pequenino (ainda o sou, só que agora excito-me com coisas tipo parênteses fecham parênteses, ao quadrado)
Quando falam, falam sempre do passado, recordam-se histórias, sempre saudosistas como se a saudade não fosse dor, sim saudade é o que não é.
Falo do futuro para dizer.: no futuro quero esse passado.

Ele era o mario, sem acento (que isto dos correctores já não são como antigamente), ela era a maria, simplesmente. Simplesmente maria.
Os dois juntos em cima um do outro davam meio. Meio que foi o seu viver na venda de brinquedos, dos tempos em que os brinquedos falavam.
Meio de vida para disfarçar as desgraças que são mesmo a anti-tese de todas as graças. A sua graça era mario a sua desgraça era maria,
como diz o provérbio, era versa vice.

E os dois juntos, um em cima do outro, em qualquer posição, mesmo que na cama sutra, davam meio. Viviam da venda de tráfico de brinquedos.
Eram heróis malditos porque o amor que os unia ( como se amor pudesse ser outra coisa) não lhes dava réstia para verem que no mundo ao lado
do seu universo viviam seres traquinas e galáticos, as crianças. E eu era galáctico como ainda o sou, traquino.

Lembro-me que tinham forte concorrência, porque o Barbosa mesmo sem estar em cima de ninguém e isento de cama-sutras, era grande, aliás
(perdoem-se esta expressão complicada e os parênteses da minha invocação sempre a fecharem-se sobre nós mesmos). Nós mesmos, pleonasmo
absoluto porque nós somos sempre os mesmos, nunca outros nós. Como estava a dizer o Barbosa era grande, isto é, era maior do que si mesmo, e
como se não bastasse essa concorrência ao mario e à maria, também vendia brinquedos. Só que o Barbosa, como era enorme e tinha um coração maior
que o mario e a maria, que eram pequenos, conseguia a proeza de vender brinquedos a si mesmo. Ora, em boa hora vos conto neste romance, que o mario tinha um coração maior do que o seu minúsculo quintal, onde fanava-mos a fruta do nosso contentamento, em linguagem antiga e salazarenta o mata-fome, mesmo com verde fruta, porque há fruta verde que é madura (perguntem ao Adão ou á Eva). Agora vou escrever aquele bocadinho que se inventa roubando á imaginação, a maior das verdades.
O Barbosa que era gigante, não sei porquê, zangou-se com a maria por causa de um olhar atrevido de gigante que lançou ao mario ... e porquê?

Ora a história dos ciúmes não é para aqui chamada porque o Barbosa tinha um coração pequeno, mas bem maior que o quintal minúsculo do mario e da maria, tal era o tamanho da desporpoção da grandeza das suas ideias bem maiores que o seu corpo ciclopado. O Barbosa era maior do que o mais pequeno dos mundos.
Como naquela altura a concorrência apertava porque ninguém fazia compras, ambos, Barbosa e mario e maria tinham um problema, os catraios assaltavam-lhes os quintais para lhes roubar a fruta verde, esgotada na fome. E um dia tipo era uma vez...

O mario, que era o homem da causa sem u, mandado pela sua minhota esposa (interrompi o conto para escrever no msn: acabei de jantar e o aperitivo é um conto ..envio-te depois)...
Como já tinha uma expressão estudada para este conto que é um romance), escrevo:
Ah onde é que eu ía. E há quem diga, não é onde, é aonde.

Estava eu com o Barbosa a contempla-lo e ele, mestre da bondade de, dizia-me que o meu pai iria comprar aquele blindado que não era um avião mas voava e até voava com fumo invisível.
Fixe. Estava eu muito fixe e o Barbosa também. Naquele tempo toda a gente sabe que o tabaco era caro e ganhar o valor de alguns volumes era negócio. Hoje há quem chinoca isso e tem lugar até, se aceitar um, recebe outro por cima. Coisas que por um pouco a culpa é da Internet. Causa de parênteses... e correctores.

Claro, claro o mario era assim, pegava numa espingarda brinquedo e dava tiros a sério, foguetados. Nunca em toda a minha vida um foguete que ainda me assusta, medava-me tanto (esta palavra não é conhecida pelo corrector do sistema). O foguete agora merda-me. E estava ele, o mario, aos tiros e como a espingarda não era tão "redbull dou-te asas) não tinha áudio. Era desprovida de som e vai o mario, mais sabedor disso do que ele próprio, enganava-se imitando com a boca o troar de canhões dizendo e soprando: pluf, pluf .pluf..porque era pequenino. E nós fugíamos em debandada. Um dia Barbosa apareceu, dizem a passar na rua como sempre e passando alguns meses, muito tempo depois de mario e maria deixarem de aparecer. A escola que morava perto deles era boa vizinha, mas de verão lá ía ela de férias e vai que ninguém, se apercebeu que o mario e a maria tinham morrido. Dizem inclusivé: estão mortos, irremediavelmente mortos. Algum intelectual fora buscar esta expressão ao fio da navalha e vai daí convenceu toda a gente. Pelo sim pelo não e também pelo cheiro, vice-versa e nauseabundo. Eles cheiravam mesmo mal, cheiravam mais mal do que cães mortos. Tinham morrido e como tal, normalmente ninguém acreditava. Então para o povo os brinquedos eram eternos, e para os gentios o mario a a maria eram dois brinquedos que, juntos não davam meio e como se isso não fosse pouco tinham morrido. Lá estava o Barbosa na história, sem saber ler e escrever e era grande e como se isso não bastasse tinha-lhe saído a sorte grande: acabara-se a concorrência e mesmo que ninguém comprasse ( e não compravam porque quem mandava era um tal de Salazar, e o homem era à justa. Depois, muito lentamente veio a novidade: Primeiro morreu um, depois morreu outro. Jaziam na tal sutra abraçados na cama. "Estás a brincar" diziam todos. Não morreu mesmo. Mas quem? Os dois? O mario primeiro, a maria ...que se passou? Então, desprovida da verdade, a bisbilhotice (outro pleonasmo) inventou mais do que história com H. Hoje num outro conto sei que um morreu primeiro que o outro. Mas quem foi primeiro? Foi certamente um e outro porque estavam lá. A mario ou o mario morreu e o mario ou a maria morreu também. Dizem, um primeiro e o outro pelo primeiro. mario não é a história de quem morre primeiro e maria primeiro não morre. O Barbosa por um pouco não morria primeiro e só porque o neto vivia com ele e morreu-lhe antes. (porque se alistou ao longe). Barbosa era o único que tinha razão porque acabara de perder os seus brinquedos mais lindos que eram reais ( o mario e a maria). Morreu. Despediu-se dos brinquedos e foi-se com ele, para saber primeiro que todos, quem morreu primeiro: se o ovo ou a galinha.

Esta história tem um atributo meio singular. É quase muitas vezes verdadeira. Ainda hoje quero essa espingarda brinquedo a disparar tiros a sério, que com elegância matam o atirador de amores. O mario e a maria morreram e viveram um para o outro. Tal conto de fadas, e o Barbosa, sem saber ler e escrever.
 
Um conto que é romance

Ódio é ...

 
Ódio é água que molha sem molhar
é cegueira que enxerga mas não se vê
é uma felicidade de um infeliz porquê
é prazer em dor por não poder amar

É um querer muito o que não se quer
é ficar só por não ganhar o coração
é negar o bater sentido do querer
é ganhar nada por perder a razão

É desejar um desejo indesejado
é servir um prato frio de sal e sódio
é ser odioso por não ter amado

Mas como pode causar lugar no pódio
de um fado tão triste e malfadado
se tão semelhante a si é esse ódio?
 
Ódio é ...

Luso in-solente 2/7

 
Luso in-solente
Coerência incoerente
Decência indecente
Futuro in presente
Constantemente!

***
Uma carta de despedida.
Despeço-me desta feira das vaidades visto que isto não passa de um antro onde meia dúzia de vaidosos se pavoneiam e onde uma maioria é usada, abusada e desprezada.

(Continuação)

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63422
 
Luso in-solente 2/7

Portugal ao contrário

 
Como se pode começar
Aquilo que já acabou
Como se pode acabar
Aquilo que não começou
Triste fado o fado nosso
O fado de um povo triste
Que nem a rezar pai-nosso
Evita este alegre despiste
O de ser ex-povo poeta
Porque virou nobre pateta

Ó meu querido Portugal
Que me dás o dia inteiro
A possibilidade de funeral
E todos os dias de nevoeiro
De afonsos sem qualquer dom
Sem segundos nem penúltimos
Porque agora sobes o tom
De sermos os primeiros dos últimos
Como cantar então a tua glória
Se só na derrota cantas vitória

Deste destino não me livro
De tanto bruxedo e feitiçaria
Narro-te em trovas de um livro
Porque é negra a tua magia
Desfeito dos teus feitos heróicos
Que te dilataram a fé e o império
Agora um punhado de paranóicos
Armados em heróis a sério
Cambada de panascos importantes
Que além do mais são praticantes

Já não acredito em querer
Que um dia vá acreditar
Na fé desse grande crer
Que me possas salvar
E me faças outra vez de novo
Filho de gente que sente
Gente de gente, gente do povo
Do povo de nação valente
E agora vai pior que mal
Numa estupidez imortal

Onde raio estão nossos irmãos
Para onde fugiram nossos amores
A quem dar as nossas mãos
Num país de desertores
Viraram-se todos ao contrário
Fugindo apressados à realidade
Montados neste triste cenário
Sem esperança na saudade
E do amigo ficou o esboço
Do inimigo a apertar o pescoço

Ó Portugal da mensagem
Já sem rosto de Pessoa
De Camões sem linhagem
Sem Porto e sem Lisboa
Virou fantasma o Viriato
Sebastião um morto-vivo
O teu povo no estrelato
Tua pátria um nado-vivo
E já nem o velho do restelo
Te idolatra como camelo

Foste castelos de tantas quinas
De reis e governantes além-mar
E agora hipotecas as salinas
Porque te esquivas ao teu mar
Foste o senhor de tanta guerra
Em busca do além-mundo
E agora enterras a tua terra
Enterrando o machado bem fundo
Que será de ti ó Portugal
Que só de besta se faz bestial

Reina e impera a estupidez
Governa a avidez e a ganância
E de olhos fechados tu não vês
Que a tua prol é ignorância
Que a votar não vota bem
Que a não votar vota mal
Porque o voto vota alguém
Que não te vota Portugal
São votos brancos, votos de chulos
São tudo votos, votos nulos

Canto-te assim o fim do império
Numa poesia de raiva e dor
Que te prova muito a sério
O tanto de tão pouco amor
E que te vê a desmaiar
Em queda tornada coma
Num hospício a tratar
E à venda na vandôma
A Europa desfigura-te o rosto
E o teu vinho sabe a mosto

Ó Portugal moribundo
A afogar-se à beira-mar
Destes mundos ao mundo
Sem o mundo nada te dar
Vais agora de vento em popa
Rumo à morte com certeza
Das migalhas fazes a sopa
Restos cozidos-à-portuguesa
Eis Portugal ao inverso
Lagutrop do meu verso



JSL
 
Portugal ao contrário

RODINHA26-AMARGURA

 
AMARGURA
OH SITUAÇÃO DO PORQUÊ?

LEVIANDADE, ASNEIRA...

HOMENS REVOLTADOS SEM EIRA NEM BEIRA.

AMARGURADO É O SER,
AQUELE QUE AQUI NOS PLANTOU
E NOS ABANDONOU ÁS INTEMPÉRIES
DA SOLIDÃO, DO VAZIO
E AO NOJO DAS COISAS FEITAS,
ACABADAS!

in

www.rodinha26.blogtok.com

Indagar porquê a dúvida ou o espanto. Quem somos?
 
RODINHA26-AMARGURA

Luso do-ente

 
Luso do-ente
Ente que não sente
Verdade que mente
O caos seu agente
Tristemente!

Luso in-solente
Coerência incoerente
Decência indecente
Futuro in presente
Constantemente!

Luso de-mente
Traseira na frente
Fechadura sem pente
Problema pendente
Evidentemente!

Luso de-cadente
Cegueira evidente
Cobardia de valente
De cavalo sem dente
Naturalmente!

Luso ca-rente
Prosador maldizente
Fervura a quente
Pobre indigente
Eternamente!

Luso in-decente
Na mentira não mente
Na verdade proeminente
Sem alma de gente
Infelizmente!

PS.: Qualquer semelhança com ...(já vi isto escrito em qualquer lado)

Poema de dedicado à decadência lusitana ...
Para entendimento completo:
www.gov.blogtok.com
 
Luso do-ente

2JUL1962 - nasci

 
Vim para este mundo no dia dois do sete
Do ano mil novecentos e sessenta e dois
Sou caranguejo a olhar a vida como frete
De quem deseja ir a todo o lado, pois!

Poema/Dedicatória

de parabéns ao querido pai de ÂngelaLugo

no dia que só faço 45 lindos Invernos.
 
2JUL1962 - nasci

Luso ca-rente 5/7

 
Luso ca-rente
Prosador maldizente
Fervura a quente
Pobre indigente
Eternamente!

***
Uma carta de despedida.
Despeço-me desta feira das vaidades visto que isto não passa de um antro onde meia dúzia de vaidosos se pavoneiam e onde uma maioria é usada, abusada e desprezada.

(Continuação)
Amanhã: revelação final
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63422

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63492

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63638

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63726
 
Luso ca-rente 5/7

O homem antes de ser o ente do ser é o ser do-ente

Livros:

Quase um Livro:
www.rodinha26.blogtok.com
Coisas da escrita:
www.avkd.blogtok.com
Um tratado:
www.gov.blogtok.com

Projectos Web:
Um Portal:
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