Poemas, frases e mensagens de Avozita

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Avozita

" GRITO "

 
Grito ao vento,
Não me ouve
Sopra forte, ruidoso...
Grito à lua,
Não me ouve
Enamora apaixonados.
Grito às nuvens,
Não me ouvem
Seguem seu rumo lento...
Grito às flores,
Não me ouvem
Ornamentam os jardins...
Grito à chuva, à terra, ao mar
Não me ouvem
Nada ao redor me ouve
Tudo, passa ocupado...
Grito!
Meu grito forte
Saindo bem fundo
De um ser que precisa
Precisa!
Precisa que seu grito
Longe ou perto,
Seja ouvido!
 
" GRITO "

" QUERO PARTIR "

 
Quero partir...
Cansei de existir...

Sou sem ser
Vivo sem viver
Amo com amor
Dou-me sem dor
Não quero deixar
Quem sinto me amar

Mas quero partir...

Sofro sem motivo
Choro sem razão
Quero outro abrigo
Preciso d'outra mão
Quero sorrir à vida
Ao que ela me dá
Pão, paz, guarida
Tudo o que de bom há.

Mas quero partir...

Cansei deste meu cansaço
Desesperei no meu desespero
Não quero sofrer meu fracasso
De ser vida, ser gente, ser zero.

Quero partir...
Cansei de existir!
 
" QUERO PARTIR "

" CAMINHO "

 
" CAMINHO "
 
Atapetei o caminho
Com pétalas de rosas
Dependurei raminhos de violetas
Nos postes iluminados
Com luzes de cristal
Cestinhos de orquideas
Ladeavam os canteiros
Do caminho a percorrer
Os pinheiros uniam-se
Como um baluarte de verdura
Os campos salteados de papoilas
Entre robustos girassois.
Tudo,
era alegria, luz e cor.
Tudo,
Num sonho imaginado,
Na espera do amor!
 
" CAMINHO "

" PROCURA SEM FIM "

 
" PROCURA SEM FIM "
 
Esgravatei na areia humida
Mergulhei nas águas profundas
Deixei-me levar p'las ondas
qual barco à vela
levado pelo vento...
Separei-me da terra
Entre o mar e o céu
Eu, e o meu barco à vela...
Pensei...
Meditei...
Analisei...
Por fim adormeci
Descansei!...
Para quê fugir?!
Nada mudou.
Procurei em vão.
Esgravatei a areia humida.
 
" PROCURA SEM FIM "

" QUADRO EM BRANCO "

 
Peguei no pincel
tentei pintar teu rosto,
surgiu-me um sol
talvez sol posto...
Minha mão deslizou,
de novo tentou,
já não vi o sol
nem sequer teu rosto.
Na tela branca
a brancura alva...
Minha mão pousou,
o pincel deslizou...
caído no chão
ficou...
 
" QUADRO EM BRANCO "

" MOMENTO "

 
" MOMENTO "
 
Sorri,
Com o teu sorrir.
Deleitei-me,
Com o teu calor.
Aspirei
O perfume das flores nascidas.
Encantei-me,
Nas cores do arco-iris.
Nos campos
De giestas, papoilas
E outras de mil cores.
Degustei,
O ar puro da natureza.
Deliciei-me,
Com o som das aves
O chilrear dos passarinhos
Bebés deixando seus ninhos.
Reinou a paz ao meu redor.
Ao som suave do amor.
 
" MOMENTO "

" ABRI A JANELA DO MAR "

 
" ABRI A JANELA DO MAR "
 
Abri a janela do mar
libertei-me de tudo
fiz dele o mundo...
Queria encontrar a paz,
o amor, a união,
amizade, sem crueldade,
harmonia em sintonia
vida cantante
no deslizar da água.
Tudo e nada encontrei...
Plantas marinhas de rara beleza,
peixes de muitas formas e cores,
crustáceos, baleias, golfinhos,
Ah! Golfinhos!...
Rochas cristalizadas p'lo tempo,
pelo salgado do mar,
restos de navios perdidos,
naufragados, esquecidos,
tesouros jamais pensados...
Lixo, muito lixo!
Aquele que o homem faz
no desatino da vida,
matando toda a beleza
nessa água poluída.
Desilusão sentida.
Afinal,
tambem no mar
a vida, já não é vida.
 
" ABRI A JANELA DO MAR "

" ARDÓSIA "

 
Numa ardósia perdida no sotão
Encontrei palavras sem nexo
Escritas a giz branco,
Daquele
Que deixava as mãos enfarinhadas...
Palavras miudas
De mão de criança
Sem nexo, sem coerência, soltas...
De todos os modos
Tentei decifrá-las
Mas nada...
A ardósia perdida no sotão
Enfarinhada pelo pó acumulado...
Palavras perdidas na memória
Pela força do tempo passado...
 
" ARDÓSIA "

" PROVEI-TE "

 
Provei teu licor,
no amargo doce do entardecer.
Provei teu mel,
no doce amargo de ser.
Provei teu calor,
na doce ternura do sentir.
Provei teu odor,
no perfume amargo do trair.
Provei-te num todo,
no doce amargo de te querer.
Provei-te,
no doce imaginário do viver!
 
" PROVEI-TE "

" RETRATO EM TI "

 
Como tu és fragil,
Minha pobre criança...
Como tu és débil,
Por triste herança...
Como tu és bela,
E irradias esperança...
Como tu és forte,
Na tua crença...

Criança pequena,
Mulher crescida
Carregas em ti,
Idêntica vida...
É forte o destino,
Que trai à partida,
O rumo certo
P'ra longa corrida...

Sê forte, reage,
Criança - mulher,
Não te deixes abalar,
Como outra qualquer...
Encara o futuro,
Sorrindo sempre.
Ao mundo traiçoeiro,
Faz-lhe frente!

Criança - amor
Amor é vida.
Que Deus te abençoe,
Criança querida!

Escrito há alguns anos, para a minha filha.
 
" RETRATO EM TI "

" PROCURA VÂ "

 
Embrenhei-me nas ruelas
Nas mais pequenas vielas
À procura da verdade...
Encontrei gente da vida
Gente na noite perdida
Entrei em todas as tascas
Das boémias às mais rascas
Ouvi guitarras e fados
Cruzei-me com delinquentes
Da vida tristes andantes
Ouvi mal fadados piropos
Dos piores imagináveis...
Mas nada me demoveu
Continuei minha procura
Caminhei na noite escura...
Já a lua ia alta e o céu a aclarar
Dei comigo a pensar
Nesta procura incessante
De pobre ignorante
Ao clarear o dia
Encontrei o que queria
Não vou mais procurar
Afinal o que queria
Era já meu conhecido,
Era o caminho seguido
Que a vida me tem concedido.
 
" PROCURA VÂ "

" TEU SORRISO ... UM POEMA "

 
Trocámos olhares e sorrisos
Brincavas com tuas mãos trémulas,
sem jeito, mas gentis no tocar
Olhavas em redor
na procura de algo,
na demência do sentir,
do ser, do existir...
Segui teus gestos desconexos,
Teus passos trespassados,
Teus olhos bem abertos,
brilhantes, vivos...
Teu sorriso franco e meigo.
Tu,
um menino que a vida traiu
Que com sua garra conseguiu
Ser igual a outros mais,
Brincando, olhando, sorrindo!

( Este foi o poema que escrevi, dedicado a crianças deficientes )
 
" TEU SORRISO ... UM POEMA "

" MARIA "

 
" MARIA "
 
Tal como uma adolescente,
Retrógada, ultrapassada,
Prisioneira, carente,
Sentiste-te renovada...
Tantas flores e beijos,
Carinhos, mensagens, desejos,
Tantas promessas sem tino,
Cairam num poço bem fundo
Transformando teu ser, teu mundo,
Traçando um novo destino.

Mentiras, atrás de mentiras,
Regadas com fantasia,
Como acredistaste Maria?!...
Mentiras, atrás de mentiras
Tua mente pura, infantil,
Fez-te sentir princesa,
Nesse castelo vil,
Onde só reina a fraqueza...

Com pontapés e sopapos,
Ultrajado o teu ser...
Juraste não mais creres,
Nesses outros sem caracter.
Então, erguendo a cabeça,
Saiste desses buracos
Sorriste de prazer...
Maria, voltaste a ser!
 
" MARIA "

" PALAVRAS "

 
" PALAVRAS "
 
Serei poeta?!
Ou apenas junto as letras,
Tornando-as palavras?!
Palavras de riso e alegria,
Palavras de amor e paz...
Gritos entranhados em mim,
Revoltas sentidas,
Passadas, vividas...
Ou simplesmente palavras,
Sem jeito, sem nexo,
Onde remecho o passado,
Jamais olvidado?!
Onde prevejo o futuro,
Muito atribulado...
Palavras...
Que em harmonia,
Se transformam em poesia!
Sim, sou poeta!
 
" PALAVRAS "

" NAS ONDAS "

 
Quase invisíveis,
as ondas deslizam suavemente
uma a uma
e eu,
penso em ti.
Queria como elas
deslizar nos contornos do teu corpo,
beijar cada milímetro
como o grão de areia é beijado pela água que passa.
Queria ser o sol
e acariciar tua face macia
Rolar meus lábios na nudez de ti
Aquecer teu corpo com o calor do meu.
Queria ser o sal que dá sabor à água que corre
e salpicar teu ser com o sabor do amor.
Queria deslizar suavemente
na onda invisível
e chegar a ti.
 
" NAS ONDAS "

" MEIA - NOITE "

 
" MEIA - NOITE "
 
Ah!
A meia noite chegou!

Finalmente os ponteiros
Se uniram num abraço,
Num amor profundo,
Num regresso desejado,
de serem um só no mundo.

Meia noite,
Hora macabra,
de lobisomens e fantasmas,
de traidores, violadores,
de ladrões e assassinos,
daqueles que já foram meninos.

Não!
Esta meia noite, não!

Quero a outra,
Dos carinhos unidos,
Dos abraços sentidos,
Dos ponteiros aconchegados,
Num segundo, eternizados.

Ah!
A meia noite chegou!
 
" MEIA - NOITE "

" JANELA "

 
" JANELA "
 
Passei contigo e em ti
Horas, dias, meses, anos
Foste um porto de abrigo
Meu confessionário
Aparaste minhas lágrimas
Meu desespero de prisioneira
De solidão de uma vida
Ah quanto tempo perdemos
Entre desabafos e ansiedade
Juntas tudo partilhámos
Bailes dos santos populares,
O saltar à fogueira,
Miudos livres a jogar à bola,
Saltar à corda, brincar
E nós prisioneiras de um só lugar
Unidas
Meus cotovelos criavam calosidades
Minhas lágrimas secavam com o vento
Mas não te podia largar
Eras o meu pequeno mundo
Que corria no mundo dos outros
Vivia sem viver
Mas tinha que assim ser...
Até o dia em que nos separámos
Tu, ficaste no teu espaço
No peitoril da janela do 2º andar
Eu, para outro local fui morar
Outro rumo segui, sem ti
Jamais esquecerei
Os momentos que contigo passei!...
 
" JANELA "

" RECADOS ANTIGOS "

 
RECADOS ANTIGOS

Solto-me na magia das palavras
Mas às vezes me deixo entristecer
Tambem elas fracassam, mas são bravas
Me acompanham nesta estrada do viver.

A travessia é longa é lusco-fusco
Deixo-me a dormitar dentro da tarde
Ao fundo da memória eu vou e busco
Recados antigos que falam de saudade.

Vejo uma silhueta de mim menina
Sinto o sangue a latejar em mim
Passa mais uma primavera pequenina
E olhos, orvalhados choram-me assim!

O coração cansado ignora a subida
Tanta caminhada a mim me estonteia
Desarmada p'lo tempo me sinto perdida
Alma embaciada, na solidão vagueia.

rosafogo

Palavras soltas por magia
Desabafos, recordações sentidas
E neste cansaço, dia a dia
Vou lembrando passagens já vividas.

Meus sonhos de menina
Saltitando descalça p'los montes
São pérolas que guardei na retina
Como água limpida das fontes.

Meu coração embalado pela vida
Sobe e desce, pelo caminho...
Porque me sinto eu, sempre perdida,
Se meu viver não é sozinho?!

Ah tristeza, não vencerás
Vou afundar-te no mar sem guia
E assim, viver me deixarás
Com meus olhos brilhando de alegria!

Avozita
 
" RECADOS ANTIGOS "

" PARTIR "

 
Quantas vezes pensei partir...
Mas fui ficando.
Meu partir, faria sofrer
aqueles que estou amando.
E partir porquê,
se tudo tenho?!
Talvez por ser fraca...
Ou serei demente?
Não!
Não partirei por querer.
Apenas e só.
quando Deus quiser.
 
" PARTIR "

" HOJE À TARDE "

 
Longa foi a tarde
num desejo oculto
de te encontrar.
Passeei p'la rua
sem tino
sem destino.
Jardinei,
no meu jardim
tirei as ervas daninhas.
Com agulha e linha
cosi
o meu coração
rasgado por ti.
Pousei meus olhos
num livro
p'ra descansar
tormentos.
Meus cabelos ao vento
no jardim sentada,
quando me apercebi
a tarde estava passada.
 
" HOJE À TARDE "

MESMO QUE A SONHAR,
VIVE A VIDA E SÊ FELIZ!



Sociedade Portuguesa de Autores - sócio nº 116327