Poemas, frases e mensagens de sandrafuentes

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de sandrafuentes

TRISTEZA

 
Minha tristeza é outra

No princípio era o verso

E o verso se fez carne
E o verso se fez sangue

Tornou-se poesia líquida
Em dose única
A dissolver dores calcificadas

Verso vermelho que percorre
as veias e as verdades

Poesia-morfina

Vencida
Inútil

Isso é meia morte
É abismo a vinte centímetros
Dos meus pés

Mas meu amor é teu
É chuva que cai na alma
De onde sai
Esta poesia líquida
Que transborda
Pelos meus olhos
Que inunda
E me mata...
E me mata...
 
TRISTEZA

O Amor

 
O Amor
 
E o último beijo não teria sido doce...

Não saberia dizer por que o adeus não cabe nos versos.
A imensidão das palavras que eu levarei acorrentadas para que não saiam pelos meus olhos.

O amor.

Enlaçados pelos dias de saudade eterna.
Sepultando um futuro com terra fervendo, queimando os sonhos, abortando os corações pela boca.

Deito em cacos de vidro esperando que alguém me veja e me socorra e me liberte e me cubra de sangue para a remissão dos meus pecados sem perdão.

Abrir mão do paraíso e voltar ao inferno por ter esquecido a senha.

Dar de cara com o diabo que ri da minha e da tua fraqueza e me joga na cara todos os meus poemas ridículos. Faz escárnio, grita o teu nome e joga tuas fotos no fogo eterno.

Dê as costas, suplico!
E livra-me de todo o mal.
Amém.
 
O Amor

Senhora das Tragédias

 
Levem meu corpo pra rua!

Exponham minhas cicatrizes
É só o que podem ler a meu respeito.
Deixo tudo escrito em um idioma desconhecido,
Meus nobres inimigos!
Sou a Senhora das Tragédias, que desfila morta no meio de vocês.
Não há novidade além das lâminas que levo nos dentes

Mordi a vida
Fracionei meus dias
Embaralhei de novo as cartas e anulei todos os pactos de eternidade.
O jogo é novo.
E,
perder seria crime hediondo!

Olhem a lenda desfilando pelas ruas!
Lenda morta.

Reescrita nos porões escuros da liberdade.

[ser livre custa a vida]

Pude ouvir o silêncio dos rebeldes
Que dedicaram um poema em branco
A minha pessoa!

E agora

Foda-se o tempo!
Sou vapor de memórias
Letras entulhadas numa rua deserta
Aguardando aqueles que roerão meus ossos infeccionados

E a tempestade!
Que dissipará qualquer vestígio
Do que fui.

Sandra Fuentes
 
Senhora das Tragédias