Poemas, frases e mensagens de Alima

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Alima

Apenas um segundo

 
O que reconhecemos como a história da vida
Equivale apenas a um minuto
Quando a sua verdadeira essência
É o tempo todo, o absoluto.

O que reconhecemos como tempo
Divide-se em hora, minuto e segundo
Quando a verdadeira passagem dele
É o que se está vendo, o mundo.

O que reconhecemos como mundo
Subtrai-se dum mero pensamento
Quando a forma de o olhar
É, apenas, presenciando o momento.

O que reconhecemos como momento
Adiciona-se a toda a nossa comunhão
Quando a sua única existência
É o eterno resultado da acção.

O que reconhecemos como acção
Multiplica-se através das nossas razões
Quando é apenas e somente
O conjunto de todas as vibrações.
 
Apenas um segundo

Deixar

 
Pensei que a solidão era um lugar onde se deveriam esconder, para proteger, todos os feixes de luz. Assim, ao protegê-los das outras luzes conseguia ver o seu brilho que iluminava completamente o pequeno lugar. Sentia que era forte e intensa, mais que suficiente. Agora continua com a mesma intensidade mas já não a vejo. O lugar da solidão permanece no mesmo espaço mas deixei de reparar o seu tecto.
 
Deixar

Caminhos incertos

 
Caminhos incertos
 
Construo o caminho na medida do avanço.
Se paro ou me perco nesse lanço
Só podem ser pontos de passagem,
Para mim, se desejo seguir viagem.

Às vezes fico inerte sem saber
Em qual dos trilhos quero aparecer.
Essa indecisão rouba-me momentos
Que voam perdidos na rosa-dos-ventos.

É talvez esse o meu maior pecado
O tempo que por mim não foi amado.
Apenas fui uma decadente existência
Em horas da mente em dormência.

Mas a jornada no agora continua,
Acompanhada pelo perdão que perdura
Dentro das confissões da minha mente,
Que por tudo o que sou se sente.
 
Caminhos incertos

Abrindo (a) mão

 
Por entre os dedos me escapaste
pois de areia fina sempre te trataste.
Quando a minha mão apertava
mais de ti escorregava.
Eu sentia o teu esvaindo
graciosamente se despedindo.
E assim,
como quem vê uma ampulheta esgotar o seu tempo
eu ia vendo o teu lado etéreo juntar-se ao vento .
E enquanto me apartava (a)planando meus olhos
meu coração grãos molhados juntava aos molhos.
Mas sem medo voei com o teu movimento
não sabendo que eras apenas sentimento.
E foi abrindo a mão para me juntar a ti
Que percebi que assim nunca te perdi.
 
Abrindo (a) mão

Melodias

 
Tento definir o corpo que habito...
Se parte do braço é cúbito,
Se parte da artéria é apenas coração
Se não parte é uma composição.

As partes que compõe a sinfonia
Tocam em mim todo o dia.
Juntá-las e ouvi-las constantemente
são partituras para mim certamente.

A melodia que me percorre
repete-se e ecoa por todo o lado
Sintonia perfeita que me aceita e acolhe
(sou) Parte completa do mesmo fado.
 
Melodias

(In) Evasões

 
É como um tornado que destroí ( e remói)
e leva com ele tudo o que podia ser mas não foi.
Põe-me nas mãos, espadas afiadas que dilaceram corpos secos transbordados de amor
que por inútil rancor são afogados.
Tenho tempo para escapar
mas deixo que me percorra
( e ao seu redor tudo magoa).
E extravaso o que me minto,
muito mais do que o que sinto.
E de repente tudo acabou.
Apenas se espalham os destroços do que (não) sou.
Arrependimentos sentidos e sentimentos
arrependidos é tudo o que fica.
Mas tudo isto de lado...
O que te quero mesmo dizer
é que não tinha o direito
de te usurpar mais um bocado.
Desculpa por me ter deixado invadir
pelo árido, vermelho, vento quente.
Evadi-me da presente aura azul
que verdadeiramente percorre a minha mente.
 
(In) Evasões

Baú do mundo

 
Lá arrecadadas estão as imagens
Que fizeram-me a mim um dia.
Que no fundo são só miragens
Impressas em papel de fotografia.

Depositados são alguns quadros…
Que nem sei porque lá são colocados.
Fui eu ou outrem que pintou tais traçados?
Oh! Que me interessa? Estão borratados.

Contém também fitas, fios e lenços.
Não me recordo de os guardar.
Permitem-me ter vários talentos
E só sei que os devo estimar.

Encontram-se por lá penas e algodão
Enfiados numa espécie de alçapão.
Numas alturas chegar-lhes é um trabalhão
Outras vezes é só cantar-lhes uma canção.

Guardo igualmente várias cartas.
Gosto de lê-las diariamente.
Umas são escritas por índios e mulatas
Noutras escreve-me toda a gente.

As minhas jóias também foram lá parar.
Um sítio pouco seguro, devo confessar.
Mas de fácil acesso quando as quero mostrar
E se as tiro mas não mostro, rápido para guardar.

Já vos falei das plumas e colares?
De diferentes tamanhos e várias cores?
Vou buscando-os em diferentes lugares
Lembram-me sempre o sabor das flores.

E as minhas caixinhas de pintura?
Que me dão à cara nova frescura.
Mas já me pintei numa outra altura
Sob a luz duma noite escura.

O meu baú tem apenas dois lados
Com muitos e diferentes compartimentos.
Às vezes penso que se vai partir aos bocados
Mesmo assim uso-o em todos os momentos.
 
Baú do mundo

Acorda menina

 
Menina que fazes tu com a tua vida?
Por toda ela te deixaste ser protegida
mas isso não é a forma de ser vivida...

Menina que fazes tu com o teu tempo?
Porque não te deixas tomar pelo momento
e não o deixas ser o teu passatempo?

Menina que fazes tu agora?
Não deixes passar mais uma hora
porque não sabes se aquilo que tens ainda demora...

Menina que vais fazer com a oportunidade?
Vais deixar que morra sem finalidade
e enterrá-la numa memória que não traz saudade?

Menina aproveita o que te é dado!
Faz com que tenha significado
enquanto vives este fado.
 
Acorda menina

Do silêncio

 
O silêncio como resposta...
Faz-me questionar sobre se as palavras seriam de palha.
De fácil inflamação
Ou um simples sopro as levaria para longe.
Hoje as minhas foram feitas de estacas
com uma ponta arredondada e outra bem afiada.
Ao lança-las fizeram ricochete e rasgaram-me o coração.
Ele derrama agora as farpas da sua própria condição.
E no silêncio ouço-as cair no chão.
Amanhã farão de mim estátua.
Para sempre imobilizada no sítio onde lancei as estacas.
 
Do silêncio

Quando me penso....

 
Tu que me pensas
Nunca me respondes ao que eu penso
E se eu penso que te penso
Nunca me respondo
E ao pensar que me penso
(quem) És tu que me respondes?
Penso que só posso pensar
Que és tu que me pensas e respondes
Sempre que eu penso
E penso que não me respondes.
 
Quando me penso....

Noites de folia

 
Quando a cabeça voa perdida
Depois daquela garrafa bebida,
Entra numa aventura desmedida
Onde vale tudo, menos a vida.

Amores sem paixões,
Sentimentos sem emoções,
Atitudes sem intenções,
lembranças sem recordações.

A consciência deita-se cedo!
Mas o pior é no novo dia...
Quando acorda até mete medo.

Sente que fez o que não devia
e que se transformou num brinquedo
nas mãos duma noite de folia!
 
Noites de folia

Introdução

 
Achei melhor me apresentar
Para se saber do que irei falar.
Gosto bastante de rimar
É a minha forma de me expressar.

Podem não ser poemas de verdade
Mas chegam da minha vontade.
São frutos da minha curiosidade
e podem conter pingos de vaidade.

É muito fácil escrever
A vida que (ainda) não consigo (a)perceber.
Entender, sentir e viver
São partes do meu querer.

Se eu quero não atinjo,
e ao escrever apenas finjo.
Estas letras que vou sentindo
a mim própria estão mentindo.

Mas escrever leva-me a compreender
que existe algo mais que mero querer.
Não interessa que seja esta forma
que (me) descobre a norma.
 
Introdução

Tudo o que precisámos

 
Nada demais posso eu querer
do que aquilo que eu quero receber.
Nada demais posso eu dar
do que aquilo que me faz vibrar.
Nada demais podemos nós querer
do que aquilo que nos faz ser.
Nada demais podemos nós dar
do que aquilo que estamos a procurar.
Eu apenas darei e quererei
tudo e nada do que eu sei.
Ao dar tudo, receberei.
Ao querer, nada perderei.
 
Tudo o que precisámos

Completo absurdo

 
Porque penso que sou o que não vejo?
Como me vês tu meu espelho?
Deslumbras-me com imagens inventadas
Vindas só de mim esses completos nadas.
Revendo-me no meu eu só teu
Atraiçoo-me com o que me pareceu.
Ao continuar sendo representada
Entro no teu mundo de fachada.
Fechada nesse labirinto original
Tudo o que vivi foi igual
Ao que de ti me foi dado.
E o meu reflexo foi enganado.
 
Completo absurdo

Querer escrever

 
Posso não me saber dizer
Mas contento-me pelo querer.
Estas palavras que estou a escrever
Serão minhas ou meu dever?

Não são nada de jeito
Bem o sei.
Mas escrevo-as do meu peito
E aí não errei.
Sou fiel a esse meu direito,
Essa minha lei.

Se vão gostar ou ignorar
É-me irrelevante.
Gosto do que estou a falar
Isso é que é importante.

Faz-me passar bem o tempo.
Distrai-me.
Dão-me sempre novo alento.
Abstrai-me.
Consigo ver mais por dentro.
De mim sai-me.

Assim escrevi um poema.
Chamem-me de louca.
Mas adorei este tema
E isso não é coisa pouca.
 
Querer escrever

to be

 
to be
 
Perco-me no mundo onde me encontro...
 
to be