Poemas, frases e mensagens de HelenDeRose

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de HelenDeRose

"Acadêmico Titular" à cadeira 26 do Primeiro Colegiado de Escritores Brasileiros da Litteraria Academiae Lima Barreto do Rio de Janeiro. "Membro Imortal Correspondente" à Cadeira 51 da Academia Luminescência Brasileira de Araraquara/SP.

Os Poetas Do Luso Na Festa De Halloween

 
A noite de Lua Cheia prometia calafrios de medo, quando cheguei ao castelo mal assombrado do TrabisDeMentia, fantasiado de Conde Drácula, com gel no cabelo, e os caninos pra fora, terno preto e uma capa preta de fundo vermelho, com os olhos arregalados (ele tirou o óculos e colocou lente...rs), recepcionando todos os poetas do Luso-Poemas para sua festa de Halloween.....hohohoho!

Mil Demônios! Os poetas do Luso estavam irreconhecíveis com suas fantasias de terror!! O pessoal da administração, Valdevinoxis, Godi, Vera Silva, Paulo Afonso Ramos, Pedra Filosofal chegaram num bloco (tipo de carnaval) fantasiados de preto com a máscara do Pânico na cara e o pedido de demissão na mão, deixando o Conde Drácula Trabis querendo sugar o pescoço de todo mundo na festa!!! Que horror!!

Depois chegou a madrinha da festa, a Luso do mês, a poeta Ibernise fantasiada de Abóbora do Halloween, num vestido laranja luminescente, que se destacava mais que todos, com seu brilho e sorriso, como quem diz: - Cheguei!!!

A música ao fundo era de terror, saída de um imenso orgão de três tubos, dedilhado por José-Ruda fantasiado de Dom Casmurro. Conforme eu ia entrando na sala, cheia de teias de aranhas e morcegos voando, reconhecia mais amigos do Luso. O José Silveira estava de chapéu preto, tipo o “Homem da Capa Preta”, declamando seus poemas em cima de um palco para várias poetisas fantasiadas de bruxas, entre elas a Betha, a Vóny, a Karla Bardanza, a Nanda, a Fatinha Mussato, a LuisaMargarida, a Roque Silveira e a ConceiçãoB, que levantavam sua vassoura em sinal de alegria!!! A Marlise, vestida de Anja de asas negras e vestido vermelho, jogava água benta em volta do palco.

Do outro lado da sala estava o poeta sedutor Alberto da Fonseca, fantasiado de Homem Morcego, com sua língua pra fora, querendo lamber a caçarola que estava em cima da mesa, onde estava toda a comida da festa. De repente, o Antonio Paiva, fantasiado de Diabinho Vermelho, deu um susto nele, cutucando-o com seu tridente afiado. O Alberto olhou pra ele, sorriu e apertaram as mãos. Quando o poeta LuisF, escondendo sua face com um capuz misterioso, se aproximou dos dois e perguntou meio desconfiado: Vocês são meus amigos??

Outras poetisas estavam dançando um rock estilo gótico no meio da sala: a Ledalge, fantasiada de Salamandra vermelha, com asas pra voar até seu amado, a protetora da fogueira da festa:; a Carolina de diabinha num vestido justíssimo de cetim vermelho; a Eliana Alves de Mulher Vamp e sedutora: a Glória Salles de óculos escuro num vestido roxo de cetim, com uma rosa vermelha na mão: a Zélia Nicolodi de Anjo Negro, com asas enormes nas costas; Ângela Lugo de Mulher Aranha e meia de arrastão e bota preta de verniz; ROMMA parecia uma Deusa da Grécia antiga; Vania de vestido de oncinha; todas dançavam no mesmo ritmo numa coreografia sensual.

Os amigos poetas ficavam em volta observando: Alemtagus, estava fantasiado de Príncipe das Trevas, com um cavanhaque misterioso e mostrava suas cartas que nunca enviou para Margarete, fantasiada de Mulher Gato, com um macacão colado no corpo, lambendo suas garras de vez em quando. O caopoeta ficava pelos cantos, com lentes brancas nos olhos, encorporando um fantasma.

De repente, alguém gritou: - O José Torres sumiu!! Ele estava fantasiado de Gasparzinho e ficava voando por cima de nossas cabeças, com a Maria Cura pra lá e pra cá, até que saiu pela janela e não apareceu mais, até o lançamento do seu último livro.

Enquanto isso, na biblioteca do Conde Drácula Trabis, estavam os intelectuais da festa: Henrique Pedro, fantasiado de Homem Esqueleto, mas não fez dieta; Jessé Barbosa de Zé do Caixão com unhas postiças, cartola na cabeça e capa preta; JSL com a bandeira do seu novo Partido, fantasiado de Zorro e sua espada de prata; Amandu de Padre Exorcista e água benta; o Júlio Saraiva fantasiado de Nero e escudo na mão: o Improvável Poeta de Bruxo Druida; Q14 de Cavaleiro do Apocalipse Now; Batista de Corvo; Luis Nunes e Bruno Villar abafaram com sua fantasia de “Tropa de Elite”; o fogomaduro veio a caráter com sua fantasia de Homem-Chama, investigando se tinha alguém plagiando sua fantasia...e a Sandra e a Amora se vestiram de dupla sertaneja, pois foram contratadas pelo Trabis, para cantar na festa. A Alexis estava fantasiada de secretária do Trabis, ficava anotando tudo o que todos falavam.

Quando as doze badaladas “ noturnicas “, começaram a tocar no relógio enorme e antigo de madeira no canto esquerdo da sala, o freudnaomorreu saiu de um sarcófago em pé do lado do relógio, fantasiado de Múmia e com um cheiro horrível de enxofre.

As fadinhas da festa serviam os convidados, todas vestidas de borboletinhas coloridas: Liliana Maciel de rosa; Cléo de laranja, Felicity de azul, MariaSousa de verde-água, Rosa Mel de amarelo; Rosamaria de violeta; Fhatima de dourado; Claudia Guerreiro de prateado; Maria Verde de carmim-cintilante; Fly de lilás; “ci” de vermelho; Sonia Nogueira de azul-marinho; Rosafogo de cobre. AnaCoelha estava de Sininho ao lado do Peter-Pan glp.

Duas convidadas lançaram seu livro na festa: Vanda Paz, fantasiada de Morticia, com uma peruca preta e uma mecha branca, trazendo “as brisas do mar” em suas mãos; Mel de Carvalho fantasiada de Madame Butterfly trazendo “no princípio era o Sol” em suas mãos. Enquanto isso, na porta do banheiro feminino, Avozita fantasiada de Maria Antonieta, "A Louca", estava entregando maçãs vermelhas para as moças sedutoras da festa, entre elas, HorrorisCausa fantasiada de Índia da Amazônia, com o arco e flecha na mão.

Engraçado foi ver o poeta Edilson José chegando na festa, fantasiado de “Elvis Presley” e óculos espelhado, dizendo pra todos: - Elvis não morreu, companheiros!!! A Luta continua!! E o poeta Jaber de Batman voando pra todo lado, tentando pegar o Coringa da festa, que surpreendentemente era a fantasia do poeta Carlos Ricardo. Morethanwords vestida de preto, com uma dália negra em seus cabelos, entregava velas vermelhas para os convidados.

Lá pelas tantas da madrugada a poeta Tânia Camargo, fantasiada de Viúva Negra, surtou de vez, pegou todos os seus pertences e foi acompanhada pra casa pelo poeta Gil de Olive fantasiado de “O Homem da Cobra “, aquele que não para de falar um só segundo. Trigo entregava os sobretudos na porta principal, vestido de Mordomo do Vampiro. Haeremai entrava e saia pela porta do palácio, num vestido esvoaçante azul, como se fosse uma modelo de passarela, tranzendo nas mãos A Intemporalidade dos Sonhos.

E, ainda fizeram uma serenata pra Lua Cheia, acompanhada pelos poetas: Carlos Teixeira Luis fantasiado de Fantasma da Ópera; Gyl de Pirata do Caribe; Flávio Silver de Zombie; Antonio Manuel R. Martins de Darth Vader, o vilão negro do filme Guerra Nas Estrelas; Sterea fantasiada de Joanna D’Arc; Quidam de Highlander; “Mim” de Maga Patalógica; Nitoviana de Romeu de Shakespeare e RosaDSaron de Julieta. Todos cantaram pra lua e ouviram o uivar do Lobisomem, que era a fantasia do Lustato.

Mas, no final, sempre tem que ter uma surpresa para deixar a festa inesquecível. O anfitrião Conde Drácula Trabis chamou a atenção de todos, mandou o DJ, que era a fantasia de Xavier Zarco, colocar um tango “La Comparsita” e chamou uma mulher misteriosa que estava no canto da sala, toda de preto, num vestido de fenda na coxa direita, com uma máscara de lantejoulas vermelhas e seus cabelos soltos cobrindo suas costas nuas. Eles dançaram calientemente, deram um show e quando terminou a música, ele inclinou o corpo da mulher, olhou nos olhos dela, aproximou seus lábios nos lábios dela e mordeu o pescoço da mulher, sugando seu sangue....Enquanto todos queriam saber quem era aquela mulher misteriosa, que estava morrendo nos braços do Conde Drácula Trabis, para virar uma Lady Vampira da Lua Cheia.

- Tire a máscara! Tire a máscara! - Todos pediam num só coro. Concordando, ele revelou a identidade da mulher. Todos ficaram em silêncio até quando a poeta Vóny Ferreira gritou:

- Olhos de Lince!!

*dedicado a TODOS os amigos do Luso-poemas, sem exceções, com carinho, com humor e amizade. Desculpe-me por não lembrar de todos, o Luso está crescendo todos os dias. Se você desejar fazer parte desta festa, mande uma PM pra mim, que incluirei seu nome e fantasia.

DIVIRTAM-SE!!!
 
Os Poetas Do Luso Na Festa De Halloween

Deus das Palavras

 
O escritor é um Deus das palavras.
No princípio sua imaginação transcende
as imagens que surgem em sua mente
e atravessam o firmamento do que ele entende.
Ele imagina céus em cada texto,
ele conhece terras em cada interrogação,
sente sensações em cada exclamação.
Nas trevas, ele mostra a segunda face do abismo,
nas águas, ele batiza sua criação e alivia sua sede,
diante da luz, ele faz da Lua a eterna musa do Sol.
Sua poesia une as noites frias com o calor dos dias,
as tardes chuvosas com os desertos das madrugadas,
os passados saudosos com os desejos nos futuros
e o agora vívido com as preguiçosas manhãs.
Suas composições ouvem a voz dos oceanos,
suas canções navegam com o perfume da maresia,
enquanto sonha com sua criação deitado numa rede,
naquela praia onde seus olhos conheceram o mar.
O Poeta é um Deus criador de versos.
Se ele finge, sonha ou sente, somente ele pode dizer.
Seus livros nascem iguais estações do ano,
no outono ele une as folhas escritas com seus poemas,
no inverno ele permanece entorpecido, em gestação,
na primavera ele lança as sementes nos corações
e no verão ele colhe a luz da sua manifestação.
A obra do escritor transcende sua existência,
transforma-se num legado indelével, intemporal
e permanece insigne na lembrança do seu leitor.
 
Deus das Palavras

A Lua dos Mortos

 
A Via Láctea
Cintila um funeral
Em cada galáxia
Acende um castiçal
Iluminando os caminhos
Que levam os mortos
Para o Planeta Terra.
A água extinta de cada corpo
Coagula o sangue dos canais
Que solidificam a rede da vida
De modo frio e absorto.
A sede aumenta a dor do mundo
Na mesma proporção que santifica
O entendimento do moribundo
E ensina o desapego para quem fica.
A Lua dos mortos passeia
Nos jazigos abandonados pelas mentes
Por calafrios e ranger de dentes
No despertar de cada ceia.
Da sombra dos seus pecados
Os defuntos acordam machucados
Com sua altivez profunda
Sabendo que não há mais segunda.
No vale das trevas
Ecoa o canto da coruja negra
Anunciando para as brumas
Abrirem ampla passagem
Nas alfombras das veredas
Onde nascem as violetas.
As estrelas caem do céu
Chorando a saudade
Dos que ainda estão vivos
Cobertos por um véu.
Velas acesas, flores de plástico,
Rezam o terço com tristezas
Diante da fotografia.
Sepulcros mistificados
Onde tudo é fantástico
Continuando o fim
Do show da vida.
 
A Lua dos Mortos

Folha solta no ar

 
A inconsciência salta dum abismo lunar
transforma o ouro nas águas profundas do passado
e navega nos oceanos da dualidade da presente intuição.
Cada estação solar traz uma mensagem para decifrar
quando a consciência lúcida procura por um aprendizado
do crer ou não crer pelos caminhos da desmistificação.
As dúvidas são iguais veleiros navegando num mar
e o coração é uma folha solta no ar quando não está amarrado
pela Lei que rege toda a natureza e a sua justificação.
No silêncio, conseguimos ouvir o vento e a vela namorar
enquanto o veleiro roda o mundo sem ficar parado
buscando um significado inevitável para cada sensação.
Quando amarrado num porto, por suas escolhas sem pensar
o tempo se faz algoz do seu corpo e o olhar hipnotizado
misturando os sentimentos depois de uma transformação.
A ventania é um presságio alarmante do que pode chegar
e a destruição é uma prova para quem não foi aniquilado
na renúncia do que se tem para avançar na evolução.
Enquanto a noite vem, ainda há uma folha solta no ar
e, depois do amanhecer, ainda vejo um anjo alado
querendo navegar no vento onde o tempo vira um eão.
Os mergulhos na existência nos mostram como podemos avançar
em cada dimensão existente aqui ou do outro lado
conhecendo a nós mesmos e tudo o que permeia esta compreensão.
 
Folha solta no ar

Deus Psicopata

 
Deus desceu sobre o planeta Terra com uma tocha na mão. Por onde caminhou e encontrou templos, igrejas, sinagogas e altares levantados para glorificar seu nome e o nome dos santos e deuses, colocou fogo. Fez isso também com todos os livros ditos sagrados onde havia menção do seu nome em diversas culturas e crenças diferentes.

Deus agiu como um psicopata, frio e sem compaixão, pois já estava cansado de ouvir seu nome usado em vão: terrorismos em nome de Deus, massacres em nome de Deus, guerras em nome de Deus, violências em nome de Deus, castrações em nome de Deus, patrocínios em nome de Deus, dízimos em nome de Deus, suicídios em nome de Deus.

Diante da ignorância dos Homens, Deus resolveu eliminar o seu nome da Terra e fez o Homem esquecer que sua fé só dependia única e exclusivamente de todos esses subterfúgios relacionados a Deus.

- Homens de pouca fé! Disse Deus.

- Não sabem que a fé não depende de Deus!? Depende somente de cada um de vocês! Quero ver como vocês conseguem viver sem usar o meu nome, sem ficar citando passagens bíblicas e de livros sagrados como escudo da sua ignorância, jogando sempre nas minhas costas as desgraças que causaram, o dinheiro que arrecadaram, as pessoas que mataram, pedindo proteção e perdão pra mim.

- Vivam por sua fé, façam o bem sem olhar a quem, mas, esqueçam do meu nome, da palavra que escreveram nos livros sobre mim, façam seus próprios mandamentos, sejam, individualmente, Deus de si mesmos.

- Então, saberei quem de vocês tem fé e pode ser chamado de filho de Deus!

Deus deixou a Terra depois de exterminar com todas as coisas que fizessem lembrar do seu nome. A partir desse momento todos os Homens teriam que viver por si só e pela fé verdadeira da sua vivência.

Deus não existiu mais na Terra.

Cada um soube de si e da fé que teve.

*Existem pessoas que acreditam que seu Deus está de acordo com a matança que fanáticos proporcionam no mundo, como se Deus fosse um Psicopata, esquecendo-se da primeira lei do Amor: "Ama o próximo como a ti mesmo". O fanatismo é um transtorno de comportamento e deve ser tratado por profissionais especializados.Este é apenas um texto de ficção, não se refere a minha crença, ele tem o objetivo de ser reflexivo e introspectivo.
 
Deus Psicopata

Sim ou Não?

 
A traição só é aceita quando não há perdão.
 
Sim ou Não?

Quando os sussurros saem da sua alma...

 
 
*(Leia sussurrando)

As ondas molham meus pés neste sonho
Enquanto as gaivotas rodeiam meus cabelos soltos ao vento
Meu corpo caminha pela areia macia deste lugar
Neste instante, minha alma ouve os sussurros da sua voz
Permeando o horizonte dos meus olhos castanhos
Com os seus Sóis azuis sorrindo em minha direção
Não há porque estar aqui, se, minha alma sente suas palavras
Chamando meu coração para o calor da sua pele
Num desejo ardente de sentir meu âmago
Completamente entregue no domínio de suas mãos

Quando os sussurros saem da sua alma
Navegam em direção das minhas volúpias oceânicas
Onde o ventre lunar faz seu ninho de amor
Envolvendo o nosso tudo em tudo o que é nosso
Num arrepio constante das penugens
Misturadas aos cheiros que nos perfumam
Diante das serenas noites ao luar
Deflagrando as nossas identidades astrais
Nossas entidades etéreas e sobrenaturais
No íntimo do nosso desejo mais secreto

Quando os sussurros saem da sua alma...

...sinto você! ...você! ...você!

*Poema escolhido na Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos Vol 65 - lançamento em 10/06/10 - CBJE - Rio de Janeiro.
 
Quando os sussurros saem da sua alma...

Meu Luso do Mês é...

 
Meu Luso do Mês é...
 
Senhoras e Senhores, com vocês:

JOSÉ SILVEIRA, poeta, escritor, cantor e declamador...

- Em breves palavras, qual é a história de vida de José Silveira?

Quando nasci há sessenta e dois anos atrás, ainda havia resquícios de guerra no ar. Meu pai, um belo caboclo, era enfermeiro do setor de mutilados do Hospital da Cruz Vermelha do Rio de Janeiro. Minha mãe; uma linda interiorana, aliás, hoje com oitenta e sete anos ainda é uma graça. Ela, exímia nas prendas do lar. Sabe; aquela coisa de antigamente: bordar, cozinhar, procriar e cuidar da prole; pois é. Como quase todas as mulheres daquela época, minhas tias, também foram criadas no trabalho duro da fazenda, ali, no regime firme do meu avô, português, gordo e fofo qual algodão, e, minha avó, uma fada francesa de olhos de turmalina. Os dois; severíssimos, mas uns doces com os netos. Eles misturavam-se conosco para contar histórias, eram mais duas crianças a brincar. Peguei essas coisas deles; olhar de criança, coração doce, sorrir, cantar e contar histórias. Apeguei-me a esse modo de vida e tento conservar essa dádiva agradecendo sempre, e isso passei para os meus filhos e agora para minhas netas e meu neto.
Quando já estava mais crescido, lá pelos sete anos. Naquela época, na roça, já era idade de se começar a trabalhar. Eu ajudava o meu avô no alambique de aguardente, incentivado por ele para esse trabalho, não só na tarefa pesada no processo de produção, mas também no aprendizado da arte de destilar, no aprofundamento do processo da qualidade, quanto à maturação, sabor e cor. Coisas de cachaceiro, a saber; daquele que fabrica cachaça, muito confundido com os que só bebem; pinguço. Acho que foi a partir daí esse meu gosto por ela (riso). Hoje não chego a ser um “expert” desse destilado, conheço bem, ainda aprecio, só que moderadamente.
Voltando as raízes. De todos da família, dizem, que eu fui o mais querido, o mais levado. Depois o mais vagabundo, o mais sacana e agora o mais maluco. Como um jovem sexagenário, vivo hoje uma situação privilegiada, permito-me ser tudo isso e o que mais “pintar” pela frente sem ter medo de ser feliz. Muito diferente das atitudes que tomara num período da minha infância, quando fui um pouco autoritário. Sendo único filho homem no meio de cinco irmãs, que ajudei a criar com aquele jeitão de gente braba do interior, só desviei o meu olhar de responsabilidade quando elas se casaram, mas paparico-as até hoje de longe.
Assim vivi quase toda a minha infância até o fim da adolescência. Com o meu pai noutra cidade, víamo-nos apenas quinzenalmente, por isso minha mãe sempre contou comigo. Fora esses traços da história que não saiu da minha memória; foi uma infância pobre, mas cheia de devaneios e por isso mesmo felicíssima. Ela é lembrada em todas as fases da minha vida, contada aos meus filhos e agora aos filhos dos meus filhos.
Infância é uma coisa que só acaba; quando a gente se acaba.
Ficarei por aqui, pois minha história de vida em breves palavras, gasto o tempo e o espaço da entrevista só com a introdução.

- José Silveira por José Silveira?

Talvez haja o que dizer só que eu não sei falar de mim. Por exemplo: que eu sou autodidata na maioria das coisas que fiz e que faço; administrador de empresa, consultor de vendas, palestrante, orquidófilo, desenhista, entalhador, projetista arquitetônico, construtor civil, decorador e escrevedor de versos. Em cada uma dessas atividades eu tenho uma grande façanha para contar. Faço, e tudo que fiz foi com amor. Amor pelo que se faz, é o que eu acho indispensável para ser feliz, além da consciência responsável de saber fazer para si e para alguém. Agora... Como todo ser mortal, se eu pudesse não fazer nada, só vagabundear na boemia e no samba e com “grana” no bolso; seria bem melhor.
Lembro que em inúmeras vezes partindo em viajem a trabalho, em pleno verão, sobrevoando as praias de Copacabana, depois Barra da Tijuca e Recreio, rota obrigatória no início do plano de voo dos aviões que saem do aeroporto Santos Dumont, dizia para os meus botões:
– Putz! Quanto vagabundo! Que inveja!
Pode ser que alguém ache isso um absurdo, mas está no meu sangue de Carioca da gema. O pouco equilíbrio que eu ainda tenho para essas questões, talvez tenha sido por causa da minha infância pobre na fazenda em contato com a natureza, que me deu um aprendizado de vida com valores mais substanciais. Por isso sempre me virei sozinho, meu olhar e meus feitos são calcados em gentes simples e trabalhadoras de sol a sol. De pouca cultura, sim, mas honestas, sinceras e solícitas. Assim moldado, sem arrependimentos, me tornei o homem que sou hoje, comum, perseverante, e um amante das pessoas. Os meus defeitos; eu mesmo os fomentei. Mas sou um cara legal.

- Como a literatura conquistou sua atenção? Do que se alimenta a sua escrita? Existe uma relação entre sua vida e sua obra?

Livro era uma coisa muito cara na minha época, com um agravante; era na roça, local ermo. Mesmo assim, na tenra idade alfabetizei-me, e cedo já lia com desenvoltura, e desde lá sou um apaixonado pela leitura de aventuras e épicos. Tive acesso pela primeira vez a um livro que me marcou muito, ganhei da minha madrinha: As aventuras do Barão de Münchhansem acreditem guardo-o até hoje. Peguei o gosto, na escola primária, preferia fazer gazeta das aulas para ficar na biblioteca. O ódio das professoras é que; mesmo com pouca frequência eu tirava boas notas nas provas, principalmente nas dissertações. Viajei nas aventuras das obras de Monteiro Lobato, Julio Verne, Isaac Azimov. Hoje os meus livros de cabeceira são do Kafka. Leio-os sem pressa. Mas ainda adoro aventuras.
Confesso que já li infinitamente mais do que hoje. Certa vez, respondendo em tom de brincadeira, comentei que quando garoto, gostava de ler da Bíblia a bula de remédio, e não é longe essa afirmação não. Achava interessantíssimas aquelas palavras difíceis das doenças, dos componentes químicos dos remédios e suas associações, e das descrições rebuscadas que os laboratórios punham nas tais bulas. Com o dicionário do lado, ia tentando decifrar os significados das palavras, e ficava possesso quando uma palavra ou termo era eminentemente médico. Podem reparar, até hoje os fabricantes marketeiam seus produtos com novos termos e nomes, quanto mais complexos, mais caros, deixando nós leigos, atônitos. Quis dizer com isso que leio qualquer coisa. Enfim, se foi escrito, é que alguém quis dizer alguma coisa, mesmo que não se entenda. Haja vista as tentativas de leitura das inscrições rupestres, até hoje analisadas.

Creio que o que alimenta a minha escrita é o ler, ouvir e comentar o cotidiano, uma prática que enquanto palestrante eu pude interagir as minhas experiências de vida com o público, me valendo inúmeras vezes da minha história para um aprendizado mútuo. Geralmente eu comento quão benéfica é a leitura, principalmente numa plateia jovem. E mesmo tratando-se de adultos, não menos deixo de enfatizar quão interessante é o conhecimento da literatura na boa comunicação interpessoal. E agora uma declaração que o deixa o meu discurso aqui um tanto contraditório, penso no velho ditado “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”, e com isso, espero não dar decepção os meus ledores, e nem fazer com que essa minha declaração seja vista como um ato desmotivador ao confessar que; pelas médias nas estatísticas mundial, eu leio pouco, quase nada, e que verdadeiramente, mal conheço as obras dos mais consagrados. Certamente que a minha curiosidade já me levou e me leva quando em vezes a ler alguns textos no universo da boa e velha poesia brasileira e portuguesa, e até a minha concupiscência me empurra de encontro ao sensual erótico do Kama Sutra e ao erótico satírico de Bocage. Mas só por isso mesmo, por curiosidade. Nada de estudos aprofundados. Não tenho paciência, e ainda mais, o meu olhar sacana contemporâneo, me satisfaz. Satisfaz-me porque, tem satisfeito quem me lê. E para eu que não desejo alcançar degraus literários; basta o prazer que eu tenho ler e escrever. Aliás, a minha praia mesmo é a palavra falada.

- De que forma você encontrou o Luso Poemas? O que você mais gosta no Luso Poemas? Você teria uma “crítica construtiva" para o site e seus participantes?

Muito antes de eu pensar em sites, muitas folhas amareladas e bolorentas jaziam num fundo de gaveta, guardando: rabiscos de pensamentos, poesias, contos, rascunhos de carta para as namoradas e uns ensaios de letras de música; estas últimas sempre foram mais usadas, já que eu sou um cara metido a compositor boêmio e cantor de samba.
E certa vez, numa mesa coletiva de um restaurante conheci o dono de uma editora, conversa vai conversa vem ficamos amigos, sabendo que eu tinha escritos guardados, me convidou pra um concurso de poesia sob os auspícios do Metro do Rio de Janeiro, com direito a edição, diplomas, bla bla bla e cumprimentos. O concurso não era organizado por ele, mas ele é quem editaria a antologia das obras premiadas. Pimba! Não deu outra; fui premiado. Pronto, com muitas reservas, comecei a acreditar que poderia expor mais alguma coisa. Foi ele quem me deu o incentivo de criar um blog, hoje são dois: de poesias - www.palavrasdepoeta.blogspot.com, e de contos - http://www.contei-porai.blogspot.com, e também foi dele a ideia de eu me inscrever num site de poesias, e me indicou o site Escrita Criativa. Disse que era preciso, para que eu exercitasse a minha escrita, que era boa, mas precisava ser sacudida, e uma interação com outros poetas e escritores ia me fazer muito. Fui pra lá, quem me recepcionou foi a poetisa Conceição Bernardino minha madrinha, não a conheço pessoalmente, mas dá pra sentir que é uma doce criatura. Daí para frente, fui descarregando tudo que eu tinha guardado. E cada dia mais, amigos que me incentivavam: Júlio Saraiva, a Adriane Bonillo, Mel de Carvalho, Margarete, a Conceição B. Bom; era muito mais gente, que não consigo me lembrar agora, mas que me incentivaram muito. O site Escrita Criativa de um dia para o outro implodiu, uma pena. Perdi muita coisa escrita lá. Eu tinha a mania de escrever diretamente no site, e pela falta de tempo não fazia uma cópia. Algumas poesias eu me lembrei, refiz. Outras estão por aí viajando pelo espaço.
Bom, aqui no Luso mesmo sendo recente, não me lembro se fui convidado, ou se meti a cara mesmo. De uma coisa eu me lembro; logo no primeiro poema fui recepcionado por um comentário inteligente da Amora, que brinca com o meu ‘afetuoso abraço’, depois de uma fada poetisa, a ÂngelaLugo uma candura e logo depois de uma irmãzinha por afinidade; a Ledalge. E é isso; com tanto carinho assim, peguei logo o gosto de expor os meus escritos, os quais, escrevo com liberdade. Como costumo comentar; “escrevo o que me dá na telha” é só “baixar o caboclo” que misifio escrever, declama, ou cantar. Alguns já conhecem minhas peripécias.

Gosto do Luso Poemas pela liberdade de expressão, e lamento quando alguns contributos num espasmo involuntário ou proposital tentam burlar, e desrespeitam aos que aqui estão em nome da poesia, mesmo cônscios das condições gerais que aceitam para participar do site. Acho que confundem a palavra ‘liberdade’. A crítica é tão somente para não se deixar prosseguir uma celeuma de cunho pessoal ir longe. O transgressor deve ser imediatamente ou num tempo mais breve possível, ser comunicado por PM pelo mediador, ou moderador, ou dono; sei lá, quem for autoridade no site para fazer cumprir o estatuto. Primeiro advertindo-o, indicando qual capitulo ou parágrafo foi infringido. Insistiu... Delete-o. Não há nenhuma maldade nisso. Uma comunidade não sobrevive sem leis, por mais idiotas que sejam.

- Fale sobre: "José Silveira, um poeta cantor e declamador!" (http://www.youtube.com/watch?v=m3WgAnABmew)

Quem canta, o mal espanta. E é bem isso sim. Que é bom lá isso é. Quando você canta sua alma fica fosforescente, o sangue circula com mais velocidade, tem mais oxigênio. Não importa o cantar bem ou mal. Cantar colore a vida, a sua, e a vida a sua volta. Experimentem cantarolarem a média voz caminhando numa rua movimentada. Quem cruzar o seu caminho sorrirá. Eu faço isso frequentemente cantando os meus sambas. Os alienados me chamam de maluco, mas não estou nem aí. Já ri muito por causa disso. Certa vez uma senhora bem idosa cruzou a minha frente, eu estava cantando um samba que acabara de compor, parou e disse: - Adoro esse samba do Cartola. Como não quis desapontá-la, respondi-lhe, que por ela ter lembrado, ele devia estar agora sorrido e dando uma “sambadinha” lá no túmulo. Ela foi embora sorrindo e feliz.
Assim sou eu, poeta cantor, e é assim mesmo que costumam me chamar. Tem hora que preciso cantar meus poemas, por que eles pedem para serem cantados, não todos, mas aqueles que já nascem com música quando estão sendo escritos. Por favor, não me peçam explicações de como, pois não saberia as dar. É um negocio em eu e minhas composições.

CANTO QUANDO FALO DE VOCÊ

Já cantaram que as rosas não falam
E que elas perfumam também
E falaram que são amorosas
Mas que espinhos todas elas tem

Acontece que eu tenho um amor
Bem guardado aqui dentro do peito
É uma rosa e tão especial
Flor de amor sem defeitos

Seus espinhos arranham o ser
Mas com jeito pra não machucar
Só poesias carícias de amor
Faz meu corpo gritar...

Da sua boca os beijos molhados
E na cama jogos sensuais
Com você meu amor não tem jeito
O deleite é demais...

Não fujo a regra, na idade média a poesia era cantada, sei lá, não tenho explicação desta minha vontade de musicar meus poemas. Só sei que cantada ou declamada a poesia fica colorida. Como disse anteriormente quando declarei que alguns dos meus poemas já nascem com letra e música. Outro motivo; a declamação também tem um cunho social importante, pois, se a poesia não estiver em Braile pode ser ouvida, e é muito bem aceita desta forma. Gosto de interpretar textos, não só meus, mas todos os que tenham musicalidade.

- Quando você pretende nos presentear com um livro ou um CD? Quais são seus planos para o futuro?
- A sua maior conquista até hoje foi...

Um livro! Juro, não penso nisso. Sou preguiçoso e desorganizado com papéis. Minha escrivaninha é uma “zona”. Se agora tenho algumas coisas mais ou menos organizadas é graças ao computador, um Ctrl C aqui, um Crtl V ali, e assim, aos poucos vou arrumando. Devagar eu chego lá. Dizem que até tenho bom material, isso dito por amigos, e por serem meus amigos, creio que seja uma declaração sincera, até mesmo diante dos muitos poemas premiados em antologias, em concursos de declamação, poesias editadas em jornais e revistas de bairro, publicadas por colégios em provas de interpretação e literatura. E por aí vão minhas obras.

Agora; essa coisa de CD é invenção dos meus filhos. Mas gostei, pois além de vocal, sou percursionista. Viu; mais uma faceta minha. O filho mais velho é flautista e violonista, e o mais novo violonista e arranjador, todos amadores. Eles eram roqueiros quando adolescentes, agora estão tomando gosto pela bossa nova e pelo samba. Será minha influência? A verdade é que eles tiveram acesso às minhas letras e músicas e acharam qualidade (sorriso) e que valia a pena editar um CD Demo. Estamos ensaiando dezenove músicas, sambas é claro. Em maio vamos para o Studio. Está sendo muito divertido. Ainda mais sendo com os meus filhos. Quero mais o quê? É só cantar e sair para o abraço da galera? (sorriso)

Ah! O livro; quem sabe um dia? Você minha querida entrevistadora, está me cobrando isso sempre, disse que vai ficar no meu pé. Pode ser que por você insistir tanto ele saia. E também porque você me convenceu que é muito bom ter uma obra editada em livro. Senti isso no brilho dos seus olhos, e na minha emoção de abraçá-la aí em Sorocaba, me juntando ao carinho dos seus entes e amigos no lançamento do seu “Um coração no oceano”. Agradeço a acolhida e a atenção da qual você, sua família e amigos me dispensaram.

Não queria pôr esse desabafo aqui, tentei fugir, mas, dentre muitos feitos na minha vida, tem um que eu considero hoje a minha maior conquista. Foi de eu ter lutado desde novembro do ano passado contra um Adenocarcinoma (câncer prostático), que foi vencido após um tratamento radical de radioterapia durante dois meses. Ainda não tenho todos, mas de acordo com os resultados preliminares, tudo leva crer que valeu a pena, a batalha foi vencida. Agora é bola pra frente. Muito Samba e Poesia até que a morte nos separe.
Aproveitando a oportunidade que o tópico dá. Quero agradecer de grande, as orações, os PMs e emails que continuo recebendo diariamente com mensagens de otimismo e de amizade. É uma corrente de solidariedade tão grande, que me leva a emocionar-me muitas vezes. É uma multidão de amigos que me querem bem, e que eu não sabia que tinham tantos. Se eu pudesse abraçaria um a um, num abraço forte e fraterno de amizade e agradecimento, especialmente aos que se comunicavam diariamente comigo. Um beijo de carinho para todos vocês.

- Deixe uma mensagem para os novos autores...

Se você recebeu o chamado, seja da poesia, conto, crônica, ou qualquer outra forma de comunicação escrita. Acredite no seu sonho e vá. Vomite suas palavras no papel, incruste os seus versos na alma qual pedra preciosa encravada na rocha. E você será feliz. Há um pensamento premiado, escrito por mim que diz: ”O escritor com sua obra tanto pode ascender num salto, como de degrau em degrau. As duas concedem a ele o mesmo prazer. O de ter escrito".

- Cite uma poesia de sua autoria, que cala seu coração:

Que me cala o coração?... São muitas! Sou um poeta apaixonado por natureza. Mas há uma que é especial. E isso é uma grande verdade minha querida entrevistadora e poetisa Helen De Rose. Primeiro por você ser um pessoa muito querida. Segundo pela oportunidade proporcionada por você, de eu ter experimentado pela primeira vez um poetar em dueto, e que por ter sido contigo, foi maravilhoso. E como foi o primeiro, e ficará sendo a minha eterna homenagem a você. Eis em revival, a nossa obra. Obrigado de coração.

DUETS IN, TON SUR TON

Penetra em mim com teu olhar masculino
Desejando descobrir todos os meus desejos
Fazendo-me de musa nos teus pergaminhos
Escrevendo nas madrugadas dos teus lampejos

Fecunda em mim a sensação de ser amada
Nos versos que revelam minha essência feminina
Poeta com olhos de anjo e alma de luz alada
Serei tua musa, tua deusa e inocente menina

Despindo-me sem pudor nas tuas fantasias
Alcança pra mim as estrelas com a força do amor
Voando sem fronteiras até o amanhecer dos dias
Estarei no teu coração com meu sorriso fruta-cor

Minha musa... Minha musa como eu te amo!
Encantaram-me o colorido dos seus versos,
Seus escritos misturaram-se aos meus traços,
Invadindo com poesia o meu ser, o meu espaço.

Passei a esculpi-la dia a dia em pensamento,
Sonho que moldo no mais precioso metal,
Faço os talhos serem sutis, suaves e sinuosos,
Adentro à noite, num átimo atemporal.

Pinto-a por meio dos meus olhos cor ray-ban,
Usando como tela as minhas cansadas retinas,
Dando pinceladas em tons “de rosè” e “silver”,
Um querer diferente, de matiz mais vivo e sensual.

Acordo exausto, mais uma vez dormi sobre os meus versos,
Como sempre, debruçado na mesma velha escrivaninha,
Poema que agora encerro para que se eternize.
“Minha musa... Eu te amo, como te amo musa minha”.

Helen De Rose e José Silveira

Quanto ao futuro, como a ele Deus pertence, tomei uma decisão... “Vou deixar a vida me levar”. E neste final de entrevista, eu deixo o meu abraço a todos que me acarinham aqui no Luso-Poemas, é um prazer grande fazer parte dessa grande família amantes da escrita e apaixonados pela poesia.

- Quem é o teu Luso do mês de ABRIL?

Dentre muitas, uma também muito querida amiga, a poetisa TÂNIA MARA CAMARGO.

Muito obrigada, meu querido José Silveira, por ter aceito e compartilhado conosco esta entrevista. É sempre um prazer ver seu sorriso saindo do seu coração. Sinta-se abraçado.

*Esta entrevista foi realizada em "Meu Luso do Mês de Março é José Silveira", dando continuidade à proposta do nosso amigo Alemtagus. Entretanto, para que haja um novo link para todos poderem ler a entrevista, em concordância com o idealizador Alemtagus, com o entrevistado José Silveira e com o administrador deste site Trabis, estou reeditando a entrevista.
 
Meu Luso do Mês é...

Todo dia é dia de Índio

 
Todo dia é dia de Índio
 
.
Anauê Abá!!

Viagem no tempo...

Nas praias brasileiras
Onde só existia uma raça.
Das penas se vestiam
Dos cocares se enfeitavam
Numa mão o arco
Na outra a flecha
Na pele, cores pintadas
Cabelos negros
Cortados com uma franja
Pés descalços, calejados
Parados olhavam o horizonte.
Nos seus olhos eu via
Refletindo iguais espelhos
Olhando assustados
As caravelas chegando
Sobre as águas do oceano.
Não sabiam o que eram
Falavam seu idioma indígena
Tupi-guarani, eu ouvia
Estavam curiosos
Porque nunca tinham visto
Aqueles objetos grandes
Flutuando pelas águas
Apenas suas canoas de troncos.
Esse dia foi um marco para os índios.
O dia em que perderam sua liberdade
De ir e vir nas terras brasileiras.
O dia em que suas asas foram cortadas
Suas mãos escravizadas
E suas mentes, catequizadas.
Hoje, os que restaram
Tentam se contentar com pouco
Com pedaços de terras que lhe deram
E já quiseram novamente tomar.
Na verdade,
Tomaram para si, sua própria sina
Não conseguem se libertar da consciência
Aqueles que tiraram do índio
(aproveitando da sua ingenuidade)
Seu patrimônio natural,
Pois sempre haverá
Uma dívida sobrenatural.
Hoje, o índio é lembrado
Igual aquele que habitava
Essas terras virgens e naturais.
Um dia, sentiremos saudades
Daquilo que lhe foi tirado
Pelo desenvolvimento incontrolável
Restando apenas as reservas
Que foram doadas aos índios
Que na sua simplicidade de vida
Sabem conservá-las melhor do que nós.
A vida natural dos índios
Deveria servir de exemplo
Para todos nós.
O respeito pela natureza
Deveria começar
No respeito pela vida
Dos Índios.

*Meu sangue indígena vem por parte da mãe do meu pai, da tribo Tupi Guarani. Um português da Ilha da Madeira teve filhos com uma índia daquela tribo.
 
Todo dia é dia de Índio

Viúva Negra

 
 
.Leia ouvindo: Dante's prayer - Loreena Mckennitt

A noite nasce depois do meio dia, caminhando pela tarde, até encontrar o crepúsculo na despedida do Sol, preparando-se para receber a Lua do outro lado do horizonte, enquanto as estrelas vão surgindo como pingos brilhantes no véu negro do céu, enfeitando a passagem de mais uma lunação.

Neste instante, uma mulher ainda dorme nua, com sua pele aveludada de brancura mergulhada nos lençóis macios do seu leito solitário. O silêncio ecoa por todo seu aposento, até quando uma coruja branca de olhos grandes e amarelos, pousa num centenário carvalho, ao lado da janela do seu quarto e começa a cantar seu presságio de mau agouro. O canto da coruja anuncia a chegada da noite, enquanto que a Lua Cheia, vagarosamente, vai prateando a escuridão do quarto.

De repente, seu corpo começa a sentir sua presença, espreguiçando preguiçosamente, enquanto seus olhos vão despertando do sono em outro mundo. Seus olhos se abrem, acompanhados por um suspiro sobre a presença da vida, num respirar constante, no seu dia que amanhece na noite, com o nascer da Lua, anunciada pelo canto da coruja branca de olhos grandes e amarelos - como se o Sol estivesse vivendo no seu olhar. Esta misteriosa mulher levanta-se da cama e aproxima-se da janela, enfeitada pela dança suave da leveza das cortinas, enquanto são tocadas pela brisa noturna. Ela olha para a Lua Cheia, sente a luz prateada penetrar sua pele cálida, sente a brisa fresca beijar seus lábios rosados, enquanto uma lágrima fria revela um sentimento de profunda tristeza.

Depois de alguns minutos ali, olhando a noite da sua janela, ela prepara seu banho numa banheira de porcelana, com água morna e sais perfumados, joga algumas pétalas de jasmim na água, acende uma vela de canela e um incenso de alecrim, mergulhando seu corpo neste ritual. O tempo do seu banho é o tempo em que a chama da vela permanece queimando seu destino, num mar de cera, choro ardente que transborda na chama viva da vela e que vai morrendo a cada brilho. A luz da vela acesa deflagra a presença etérea do fantasma do homem que esta mulher amou. Enquanto ela se banha, ele observa cada detalhe do seu corpo, sentindo tristeza por estar ali presente, tão perto e não poder tocá-la mais. Desde pequeno ele temia as sombras do amor, como se fosse um sagrado medo do seu coração, pois acreditava que cada encontro tinha uma despedida e não queria sentir o exílio da saudade. Talvez o seu medo, fosse sua intuição prevendo o seu destino, já traçado pelas mãos da existência.

Ah! Se todos pudessem ver o mundo das manifestações sutis! Saberiam que não existem separações definitivas e, sim, temporárias.

O pavio da vela mergulha na cera e a chama desaparece, como também o fantasma daquele que ela amou. No silêncio daquela noite de primavera, ela se veste de luto, com um véu negro cobrindo sua face pálida, prepara um cálice de veneno e toma tudo até o fim. Deita-se na cama, segurando uma rosa vermelha, como se fosse um símbolo da sua paixão, fecha os olhos e espera a morte possuir seu corpo, para poder sair pelo canal vital da eternidade.

Apenas o silêncio sobreviveu....

Quero apenas que me mostre como são os teus olhos ao crepúsculo, para que os possa imaginar na minha alma.
 
Viúva Negra

Um Momento Especial no Luso

 
Um Momento Especial no Luso
 
Um dos momentos mais emocionantes que vivenciei aqui no Luso, foi ao lado dessa amiga, que a vida deu de presente para o meu coração.

(Ruivona)

PERGUNTAS (À poetisa Helen De Rose)

Poetisa, diz-me…

Quem traça o nosso destino?
É a escuridão que embala o berço?
Quem nos instiga ao desassossego,
Quando ainda pobres crianças,
Chapinhamos nos lagos do medo?

Quem nos traça o destino?
São os beijos da solidão imensa?
Essa força abissal e corrosiva,
Dos afectos adiados?
Ou é o estranho pressentimento,
Que não fomos desejados?

Poetisa, diz-me…

Quem nos traça o destino?
O drama de não ter sido criança?
É o relampejar fantasmagórico,
Da ausência dos afectos?

Quem mutila os nossos sonhos,
Com as papoilas e as borboletas?
É o cansaço de um longo caminho…?
Diz-me…
Quem traça o nosso destino?

Ah… Poetisa… Poetisa…!
Se tu hoje me dissesses…
Porque me sinto tão triste!

Vóny Ferreira

Poetisa, em verdade te digo...

É a linha invisível da existência...
Acende o portal da luz da jornada...
Somos um conjunto de apegos
Na transitoriedade da alma encarnada
Revelando nossos segredos aos nossos medos

É a linha indelével dos genes...
Acende todas as presenças unidas...
Por elos que não se separam jamais
Tudo tem seu tempo para acontecer...
Em níveis elevados em suaves canais
Pois nada acontece por acaso...

Poetisa, em verdade te digo...

É a linha inexorável da justiça divina...
Acende todos os caminhos perdidos
Todos nós estamos incluídos nessa alfombra
Mal assombrada dos nossos sonhos desiludidos

Nossas ilusões cortam feito diamante
Permanecem vivas, mas rasgam nossos sonhos
Os caminhos nunca terminam, enquanto dizemos sim...
Em verdade te digo...
É a linha inefável da Lei do Amor

Ah...Poetisa...Poetisa!
Se eu fosse teu coração
Responderia: SINTA-SE AMADA!

Helen De Rose

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=42957
 
Um Momento Especial no Luso

Teu corpo, meu poema

 
Atravesso as cordilheiras
do que me é impossível
vou desenhando suas fronteiras
horizontais,
enquanto sobrevoo sua geografia
e os traços marcantes em sua pele.
Suas planícies revelam seus arrepios
trazendo na brisa dos seus sussurros
tudo o que eu desejo ouvir.
Não há limites nas dobras do seu corpo
seus planaltos aquecidos se misturam
com a mata selvagem de sua derme.
Seu olhar intenso é o sol que nasce
no meio das montanhas dos seus ombros
mostrando o quanto me deseja nesta hora.
E depois desta sede imensa
que me dá descobrir sua natureza
em toques verticais,
derrama seu rio em mim
pelas nascentes do seu sorriso
e sensações vindas dos seus portais.
Diante do seu corpo,
eu virei céu.

*Poema escolhido na Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos Vol 94 - CBJE - Rio de Janeiro - Lançado em 20/11/12.
 
Teu corpo, meu poema

Olhar Eterno

 
Quando os olhos procuram pela terra,
um ser que deseja outro ser amado,
os anjos voam pelo céu azulado,
ouvindo a voz que a alma encerra.
Uma luz acende sem demora
iluminando o ventre do destino,
enquanto o Universo repica o sino
ao conspirar o dia e a hora.
De repente, olhares se cruzam
e dois corações fazem a festa,
iguais aos pássaros na floresta,
felizes enquanto os dias duram.
Da alma nasce o amor fecundo,
do brilho dos olhos um suspiro,
os anjos no céu dão um giro,
cantando louvores ao mundo.
Então, a cada gesto, o amor cresce
brinca igual criança inocente,
descobrindo-se na vida presente,
enquanto a alma rejuvenesce.
O perfume da juventude deseja
e rompe o íntimo da mocidade,
o amor ganha maturidade,
na união que o tempo almeja.
Por toda vida, o gesto terno
do amor puro se alimentou,
uma só carne se fez, se entregou
na ventura de um olhar eterno.
 
Olhar Eterno

Ao Bisavô, com carinho

 
Eu era criança, ainda me lembro
aquele pai levando seu filho na escola
num fusquinha branco de janeiro a dezembro
pelo mesmo caminho até virar um rapazola

O tempo também foi seu passageiro
acompanhou sua luta e sua história
os filhos casaram, levando um exemplo verdadeiro
daquele pai trabalhador na sua geração e na memória

Os netos nasceram e o Vovô também com eles
fizeram do seu colo o seu porto seguro
e o pai pela segunda vez ouviu seus quereres
tirou das suas lutas diárias, o sonhado futuro

E agora, os netos agradecidos abrem passagem
para seus filhos, bisnetos daquele primeiro pai
pela terceira vez, deixou de herança na linda imagem
o sentido das suas vitórias, enquanto o tempo se vai

De todas as homenagens que nesta vida já recebeu
a melhor de todas foi a que Deus lhe deu
balançar sua vida ao lado da bisneta amada
feito criança, ao lado do anjo, de alma alada
 
Ao Bisavô, com carinho

Saudade de um grande amor ausente

 
Vejo teu rosto
mas, não te encontro.
Teu olhar está perdido,
distante dos meus olhos.
Onde foi parar aquele brilho,
que resplandecia do teu olhar?
Será que a estrela cadente levou?

Vejo teu coração
mas, não encontro
o teu amor por mim.
Tua indiferença é marcante.
Onde foi parar aquela dedicação,
que transbordava dos teus gestos?
Será que tu perdeste o mapa da minha alma?

Estou sangrando de saudade,
cortada nos pulsos do coração
pela faca da tua vingança,
pelos meus sentimentos de solidão.
Onde foi parar aquele sorriso,
que iluminava o teu ser?
Será que a serpente te envenenou?

Onde está meu grande amor,
que já existiu para mim,
mas, está ausente em ti?
O que foi feito dele?
Para onde foi?
Quem o levou?
Será que nunca mais irei vê-lo?

Esse diamante da saudade
vai durar o tempo do seu quilate,
vai cortar o meu sofrer,
vai corroer meu coração,
tirar a ilusão da minha mente.
Será que ainda tu sente saudade de mim?
Ou, a Lua te fez esquecer nas tuas divagações?

Vou seguindo pelo caminho,
tentando não lembrar do agora.
Mas, a lembrança do que tu foste para mim,
vai ficar para sempre no meu peito dormente.
Não espero mais nada de ti.
O homem que me amou
e que eu amei,
não está mais contigo.

Escrito em 2009.
 
Saudade de um grande amor ausente

O Solstício da Alma no Inverno

 
Nesta paisagem interior da alma, a noite permeia os vales solitários dos sentimentos que se debruçam sobre as lágrimas da saudade da Luz, diante da sua breve demora na esfera celeste do coração. Aos poucos nossos olhos vão presenciando a vitória da Luz sobre a escuridão da noite dos nossos sofrimentos. Os ciclos naturais estão aguardando os vestígios dos raios solares da nossa alegria, para que cada semente lançada seja germinada na plenitude dos nossos esforços. Mesmo que o vento frio queira cortar nossas raízes mais frágeis, o calor presente em nossa alma guardiã protege com suas mãos serenas, formando uma corrente de irmandade na unificação sobrenatural com as legiões etéreas de bondade. A luz resplandecerá infalivelmente nas esferas celestes onde os corações buscam a iluminação através do Amor. Enquanto isso, as águas confusas correm para os abissais dos oceanos depressivos, na tentativa de resgatar no passado da infância seu legado mais iluminado. Somos nascentes das águas fecundadas, viemos delas em gestação e, quando chegar o dia do ritual da nossa passagem, devolveremos toda essa água para terra. O solstício do inverno permanece em cada noite que nossa alma sentir uma breve saudade da nossa morada.

Que toda forma de Luz tenha a proteção infinita do Universo, hoje e sempre!

**Dedico ao meu Amigo e Poeta Aquazulis, nesta sua passagem para a luz! Quão maravilhosa a vida ficou com seus versos! Até mais...
 
O Solstício da Alma no Inverno

Olhai os Mananciais dos Sonhos

 
Os meus pensamentos me levaram nesta viagem sem destino...

Caminhos erguidos por eucaliptos envolvidos por brumas, anunciando o crepuscular vespertino, num extremo peninsular do ocidente.

Encontrei um jardim onde três ninfas, guardiãs das fronteiras entre o dia e a noite, brincavam de pintar o céu com a luz avermelhada da tarde, colorindo a Deusa do seu Esplendor num horizonte perdido.

Adiante, vi uma construção antiga, abandonada pelo tempo, com várias janelas e grades enferrujadas, com limbos tomando conta da pintura umedecida pela garoa fina, que começava a cair nessa tarde de outono, preguiçosamente fria pelo vento, que ia varrendo as folhas caídas nos gramados, formando redemoinhos vivos. De repente, uma luz surgiu de uma lamparina, iluminando o rosto de um homem solitário, olhando atentamente nos meus olhos, através de uma das janelas da frente da construção antiga. Seu vulto era de um homem alto, de porte largo e cabeça raspada.

Antes de subir as escadas da porta de entrada, olhei para meu lado direito e vi um largo gramado verde, onde um cavalo branco, selvagem, corria livremente por todos os lados. Voltei meus olhos para o rosto do homem e vi lágrimas correndo em sua face. Senti um calafrio. Apontei meu dedo indicador para a porta e ele sumiu da janela.

Em segundos, a porta se abriu e o homem segurando a lamparina numa das mãos, tremia, demonstrando uma misteriosa emoção. No bolso da sua camisa, havia uma foto, puxei para ver, e era de uma mulher grávida. Ele não esboçava nenhuma palavra, apenas olhava cada gesto meu. Com o vento, uma porta dos fundos começou bater, então ele se apressou em fechá-la, percorrendo um corredor enorme, com o piso de tijolos e com portas dos dois lados. Segui seus passos até o fim do corredor, quando a porta se abriu com o vento, vi um quintal repleto de lápides, túmulos antigos, onde várias pessoas foram enterradas ali. O homem olhou nos meus olhos com receio e segurou meu braço, impedindo que eu fosse até lá. Neste momento, três Deusas guardiãs do éden e do mundo subterrâneo surgiram de um pomar de árvores mágicas de onde nasciam Pomos de Ouro. Elas iam limpando e enfeitando as lápides com maçãs e flores místicas azuis. Depois correram para um lago, atrás do pomar e, mergulharam nuas, desaparecendo nas águas turvas, no meio das brumas silenciosas. Por alguns minutos, prendi minha respiração, para tomar coragem...Voltei meus olhos para trás e ofereci a mão para o homem misterioso. Então, seguimos em direção a primeira lápide de mármore. Nesse instante, olhei para minhas vestes e elas se transformaram no meu corpo. Surgiu uma saia longa negra e um 'corselet' vermelho, meus cabelos ficaram mais longos, como se eu estivesse atravessando uma ponte entre o presente e o passado. Diante de nós, uma estátua de anjo Serafim surgiu em frente de uma cruz de madeira e do seu lado repousava o cadáver de uma mulher, coberta por flores de jasmins e borboletas coloridas, envolvida por uma luz de matizes azuis, fosforescendo sua camisola branca.

O homem ajoelhou-se em prantos diante dela e pronunciou algumas palavras:

“- Minha Amada Imortal!
Quanta saudade eu sinto em meu coração!
Eu pensei que nunca mais fosse lhe ver!
Diante do silêncio do seu corpo,
Eu sou o Sol sem a luz,
O vento sem as folhas,
A água sem a nascente,
A terra sem a semente,
Um barco perdido em alto mar...”

E...,
Presenciando este encontro solene,
Sentei sobre a lápide de mármore
E chorei...
Pois, para minha surpresa, aquela mulher trazia em seu rosto, os traços da minha face.

*Prosa escolhida na Antologia "Contos de Outono" lançada em maio de 2009 pela CBJE - Rio de Janeiro.
 
Olhai os Mananciais dos Sonhos

Nem sei de mim...

 
Não sei o que ainda pode acontecer
antes que tudo passe em minha vida
e os meus olhos consigam ainda ver
teus olhos fixos, antes da despedida

Eu te quero tanto que nem sei de mim,
esqueço até do chão que me alicerça
enquanto imagino meu perfume de jasmim,
unindo nossas volúpias numa só cabeça

Não sei o que virá depois de um dia,
sentindo tua presença no meu íntimo
e o meu corpo estremecer de alegria,
só de lembrar teu rosto, eu frimo

Eu te quero tanto que nem sei de mim,
lembro de cada palavra no meu ouvido,
mesmo que esta distância me deixe assim,
vulnerável na nudez de um prazer perdido

*Poesia escolhida na Antologia "Os mais belos poemas de amor" - CBJE - Rio de Janeiro - Lançado em 20/11/12.
 
Nem sei de mim...

O desalinho da nossa cama

 
A noite chega como um açoite solitário,
Rasgando minhas fantasias de amor contigo,
Enquanto meu corpo quente pede o seu santuário,
Profano sua pele numa carícia de exílio e castigo.

Por que me deixa com sede dos seus lábios,
No deserto desta madrugada sem seus beijos,
Molhando meu íntimo no som dos seus adágios,
Fazendo de mim, escrava eterna dos seus desejos?

Você me deixa rolando no desalinho da nossa cama,
Procurando pelo prazer, no mergulho da minha mão,
Por dentro da calcinha de renda, sentindo a chama,
De quem deseja o seu amor, com o pulsar da paixão!

No teu poema minha paixão em ti se eterniza,
Teu odor feito sabor aos meus lábios chega,
Memória do teu perfeito ardor me inferniza
Na lembrança do céu da tua pele meiga.

Saber-te em labaredas de mim, apartada,
Inquieta mais os meus inquietos gestos,
Procurando em meu corpo tua desejada espada,
Amando as tuas ancas em movimentos lentos.

Nossa cama em desalinho, é meu desatino,
Tua mão, desejo em mim, é a minha,
Teus doces sucos são do Olímpo, o tino
Para nunca te perder, de mim seres Rainha.

Helen De Rose & Nitoviana.

Agradeço ao Poeta Nitoviana o Mote do dueto.
 
O desalinho da nossa cama

No Sonho...

 
teu corpo cobre minha derme por inteiro
e teus lábios acendem em mim um fogareiro
enquanto penetras no meu lúmen molhado
ofereço-te meu pulsar sofisticado

o meu íntimo lateja ao sentir teu cheiro
meu ventre serpenteia no teu picadeiro
quando teu beijo tira meu fôlego atado
entrego-te o meu êxtase cupulado

quando vens, és adolescente desejoso
quando vais, és um belo homem glorioso
e levas no teu íntimo um pouco de mim

repleto dos meus segredos mais femininos
enquanto penso nos teus dotes masculinos
este amor continua em nós neste sonho sem fim

*Poesia escolhida na Antologia "Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea" lançada em 20/09/13 - CBJE - Rio de Janeiro.
 
No Sonho...

Helen De Rose
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