Poemas, frases e mensagens de Raquel Pereira Rocha

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Raquel Pereira Rocha

Quel Rocha

Tom vermelho

 
TOM VERMELHO

O tom avermelhado do céu lembra-me que sou poeta.
E enquanto anoitece
Percebo...
Que nada mais tenho, nada mais sou,
A não ser essas poucas palavras que me caem do cérebro a esmo.
 
Tom vermelho

adeus

 
ADEUS

Sem mais...pousei quieta a mão
Sobre o nada ao meu lado.

Maldita sombra que me estilhaça a alma!
Só teu abraço me salvaria.

Perdi-me!
Se me vires
Traga-me de volta.

Deixei meus olhos entre os teus
E meus sonhos enroscados nos teus cabelos.

Quel Rocha
 
adeus

Transcender

 
Transcender

Transcender é a palavra (Passar além de; ultrapassar; elevar-se acima de).
Transpor os limites que a vida impõe.
Todos os dias quando acordo, a imagem que vejo refletida no espelho me limita. O olhar diz muito, mas não diz tudo.
O corpo é forma. E como toda forma, é limitante. Sente dores, é escravo dos desejos que dominam a mente.
A mente só pensa o que pode ver, e ela vê a imagem refletida no espelho, o corpo é, portanto, limite. Diz-me até onde posso ir, fala-me apenas sobre o que eu já conheço. Escraviza-me aos desejos do corpo. Limite.
O coração se debate em altos e baixos, apatia, alegria súbita, tristeza, saudade, ódio, ciúmes, inveja, ternura. Tudo passa por ele como num filme em ritmo acelerado. Tenta, mas volta sempre ao mesmo ponto: ao limite. Limite do que a mente aceita, do que o corpo sente e do que os sentidos podem captar. O pensamento é limite. O sentimento é limite.
Recorro ao sonho. O sonho divaga, trabalha outras imagens, algumas boas, prazerosas, outras confusas, delirantes, sofridas, pesadelo, acordo, limite. O sonho tenta, mas volta ao que a mente já sabe ou aceita como conhecido.
Dou um passo, e me perco na imensidão que é o universo. Olho á minha volta e vejo o mesmo corpo, a mesma mente, o mesmo coração, dei um passo em direção ao mesmo ponto. Limite.
Quem sou? Energia aflita. Um olho para a luz do sol. A luz que se apaga todas as noites. A única luz que brilha e mostra que vivo. Ela se acende e se apaga, se acende e se apaga, enquanto tento dar outro passo. Para onde? Para quê? Por 90 dias, 90 meses, 90 anos. Paro, desisto, choro, odeio. Tenho compaixão de mim. Agora já não há nada além do próprio limite. As barras de minha cela, A cela da minha alma.
Minha alma. Fecho os olhos, esqueço a direção que devo ir. E agora eu a vejo. A alma. Não tem corpo, não tem cor. Atravessa as paredes do corpo, atravessa as paredes da mente, ultrapassa o coração. Torna-se um pequeno rio que flui, cria asas, voa. O corpo pede explicação aos sentido, os sentidos buscam resposta na emoção, a emoção indaga à mente. A mente perde-se, acha-se, busca, pega a pena, lê e escreve, quer conhecer, tenta perseguir a liberdade da alma e dá um passo. Todo o corpo, todo o coração, toda a mente, dá um passo. Respiro, conheço, TRANSCENDO.
O reflexo no espelho sorri, orgulha-se. Depressa esquece o ego. Volta a olhar a alma, segue, busca, pega a caneta, lê e escreve. Dá um passo! E outro, e outro. Passos em direção ao infinito. Ao todo indivisível completo. Passos, em direção à Deus.

Quel Rocha
 
Transcender

UMA OUTRA CHANCE

 
UMA OUTRA CHANCE

Alguém deve saber
Diga-me!
Não posso desviar-me
A mim de mim.
Solte-me please
Sou tua fã.
Vida! Vida!
Empreste-me mais um dia
Devo ensolarar...

Quel Rocha
 
UMA OUTRA CHANCE

risco & rabisco

 
risco & rabisco

Uma menina deixou no chão
um risco.
Um pedaço de círculo
em vão
Talvez um sol...
Ou quem sabe, a lua?
Um círculo mágico?
Não!!
Uma menina deixou no chão
Que dó!
Um semicírculo vazio
e só.

Quel Rocha
 
risco & rabisco

Rosas violetas

 
ROSAS E VIOLETAS

Violetas, rosas
Cores e flores
Banhando-se
Em tons azuis. CHOVE

Gotas chuviscam teus olhos perdidos na porta do bar.
Murmuras palavras poéticas
Molhadas e anis.

Uma cantiga traz quentes lamúrias
insistentes... intermináveis...
Porém, amiga e terna
Como água morna de chuveiro
Em noite fria. NOITE FRIA

Palavras quentes e anis
Enquanto...
Violetas e rosas em tons azuis
Continuam a colorir
IN....TEI....RA....MEN....TE.

Quel Rocha
 
Rosas violetas

LEITE MARROM

 
LEITE MARROM

Hoje, bebi suaves goles de leite marrom com bolinhas em tons coloridos.
Andei sob um céu avermelhado, sentindo saudades dos domingos de minha infância
Que nem tão bons foram.
 
LEITE MARROM

UM DEDO DE PROSA

 
UM DEDO DE PROSA
(uma cozinha cabocla, porta para a roça, um fogão a lenha e um dedo de prosa a tardinha...)

Ela: Ave Maria,
Seu Deodório!
Pra Itirapina?
Domingo?
Comigo?
Convém não!

(Deo, esticando conversa)

Vou ver Dora
Que chora
Co’a criancinha.
Deu parto
Na capital.

Ela: Esse matagal...
Ô seu Deodório...
Bota fogo logo
Senão...
Esconde logo
Outro peão safado
E dá cabo de seu empório.

(Seu Deo se aproxima perigosamente e com terceiras intenções)

(Ela dengosa):

Não seu Deodório,
Assim não...
Toma tento.
Ai, seu Deodório
Que sofrimento...
Se outra gente, pega a gente assim...
Nossa seu Deodório...
Nem carece tanto fogo
Tô tão sozin...
 
UM DEDO DE PROSA

Rósea Saudade

 
RÓSEA SAUDADE

Saudade infinda Das rosas de teu ser.
Róseas dores do meu amor
Que em pérfido caminho Busca paz entre espinhos
Veludos – róseos.

Saudade
Resumo de rosas Molhadas
Orvalhadas de olhar
Esmagadas molemente.
Deixa ainda úmido perfume nos dedos, vadios e vazios.
Caladas, as rosas
Estampadas no rosário
Esvaem-se em oração.

Quel Rocha
 
Rósea Saudade

Mais um dia

 
MAIS UM DIA

Amanhecendo
Não apague a luz.
Abra as janelas...
Onde, para sempre
Pálida de espanto
Estarei.

À tarde
Não desfaças a cama
Vê se ama
Pelo menos uma vez mais...

Ao anoitecer
Não tomes cuidado
Deixes aberta a porta
Por onde sempre
Passarei...
 
Mais um dia

Olhando o mar

 
OLHANDO O MAR

Amar você é como estar a olhar o mar
À flor da pele
Pele da tua terra
Teus levantes salta-me a terra aos olhos.

Acaricia-me água
Após ondas
Pele sem mágoas
Dá-me amor
Após a guerra.

Você...
Ao longe.
Como estar a olhar o mar
O mar
A olhar
Ondas que não guerreiam
Acariciam a terra
Mais nada.
 
Olhando o mar

Domingo

 
DOMINGO

Hoje é Domingo
E não há sol.
Só uma imensa saudade
Molhada de chuva.

Saudade de um certo olhar menino
Que dantes brilhava-me.

Eu lamento por hoje ser Domingo!

E estar assim...

se
desman
chando
em chuva...
 
Domingo

Meninas e tardes

 
MENINAS E TARDES

Meninas dormem seus beijos
Paralisados no fim da tarde.

Uma estranha sonolência invade
Perde-se em cismas vãs

Posso não sê-las
Mas, estão em mim

Giram distraídas
A enorme esfera do mundo

Posso descrevê-las: as meninas, as tardes
Mas, não as quero

Quero antes, a vida
Que enfim, apenas arde.
 
Meninas e tardes

dúvida

 
DÚVIDA

Se eu saísse por aí vestida de branco
E parecendo uma margarida.
Se eu me desfolhasse em pétalas tolas
Talvez me notasse ou me desse ouvido
Duvido...

Quel Rocha
 
dúvida

LEITE MARROM

 
HOJE

Hoje, bebi suaves goles de leite marrom com bolinhas em tons coloridos.
Andei sob um céu avermelhado, sentindo saudades dos domingos de minha infância
Que nem tão bons foram.
 
LEITE MARROM