Poemas, frases e mensagens de Cecília Rodrigues

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Cecília Rodrigues

Tempo ido...

 
Cheguei ao tempo e já nem sei há quanto
Em que a vida me torna uma senhora
Em que a Orquídea vem em boa hora
Em que nada me espanta em meu recanto

Já nem sei o sabor do meu encanto
Quando o encanto vinha ao nascer da aurora
Já nem sei se o passado ainda mora
Nesta alma quando em versos inda canto

Lembranças e momentos, são saudade
Dum punhado de sonhos de verdade
Esquecidos p'lo tempo simplesmente

Cheguei ao tempo quando esse tempo ido
Caminha lado a lado e faz sentido...
Sentir esta lembrança só da gente!
 
Tempo ido...

Tempos de Outrora II

 
Nem sempre saberei reconhecer,
Nós éramos felizes com tão pouco.
Bastava para nós algum saber…
Algum artesanal brinquedo louco.

Sinto o aroma das flores mais airosas,
Intransigente sem saber de mim,
Das amoras nos campos, deliciosas,
Dos canteiros com cheiros de jasmim.

Domingos eram dias especiais;
Sapato domingueiro e tudo mais,
Roupinha nova sempre bem guardada.

Que Lembranças eu tenho daquele tempo,
Quando um bailarico era então evento!
Tudo isto, é só saudade, que me enfada!
 
Tempos de Outrora II

Praia da Claridade

 
Praia da Claridade
 
Claridade és praia bela
Tu és aquela janela
Onde eu quero debruçar,
Praia de areia tão fina
Lá onde a vista termina
E há poesia no ar …

São aguarelas no olhar
Espraiadas no teu mar
Sob um sol que me bronzeia,
Inspiras qualquer poeta
Que desenha na paleta
És um sonho de sereia.

O entardecer sobre as águas
Aquecendo minhas mágoas
Onde vim parar de rogo,
Traz-me a paz que eu preciso
Num momento indeciso
Neste ocaso cor de fogo.

Tão sereno o marulhar
Destas ondas a bailar
A ouvir os meus queixumes
Chego a ser no meu pensar
A sereia deste mar
Em noites de vaga-lumes.
 
Praia da Claridade

Conto as horas do tempo

 
Conto as horas do tempo...

Sem ser dona do meu coração
Nem a coqueluche dos rapazes,
Oh! Vida vivida, o que me fazes!
Desfio em cântico esta solidão!

Esta estância, prende-me a mão,
Evidencia-me horas fugazes...
Das Primaveras, tão lindas frases,
Da mocidade; minha sublimação!

Já perdi do tempo, toda a conta,
Conto as horas do tempo, já tonta!
Reverto no tempo, etérea saudade!

Envolto em manto de seda airosa,
C'o perfume de alvacenta rosa...
Apraz-me o tempo, esta felicidade!

Cecília Rodrigues
Junho_07
 
Conto as horas do tempo

O exemplo da força (dedicado)

 
O teu caminho tem tapete de veludo, onde se escondem possíveis obstáculos,
Tua força conduz os teus passos, os teus olhos têm o brilho do Sol e o teu sorriso,
tem um nome: - “Felicidade”.
Chegou a hora de mais uma prova, mais uma etapa de tua vida,
de onde sairás vencedora e vais voltar aqui, com esse teu sorriso “Felicidade”,
com essa inocente vontade de simplesmente ver e falar com as pessoas,
como se de um momento mais importante se tratasse…
apenas esboçar um sorriso e dizer: Oi!!

Na emoção do teu exemplo…
Encontrei força para lutar contra aquilo que eu pensava fosse problema …

Obrigada por existires…(Filó)

Cecília Rodrigues
2013
 
O exemplo da força (dedicado)

Sem Siso...Mas conciso!

 
É na sonância do entardecer
Reflectivo num momento conciso
Tudo à volta me faz entorpecer
Tudo é saudade e eu sem siso

Gotas de ti no meu anoitecer
No brilho da lua o teu sorriso
Susceptível é todo meu ser
Na louca saudade e eu sem juízo

Neste momento afago a alvorada
Visto-me de ti...sou tua amada
Nada ante-vê minha demência

Apenas eu e minh'alma quebrada
Sonhos dispersos na madrugada
Te ofereço a minha clemência!

Cecília Rodrigues
Portugal
 
Sem Siso...Mas conciso!

Em Algum Lugar do Passado

 
Em algum lugar do passado
Ficou pra sempre guardado
Um meu segredo encantado

Angelical meninice faceira
Que guardava na algibeira
Algum brinquedo de feira

Trazia ao pescoço pendurado
Um fio com um doce atado
Que a doceira, fez com cuidado

Depois... naquela festa vendia
Seus docinhos com muita alegria
Era a festa ao Santo do dia !

Em algum lugar do passado
Ficou pra sempre guardado
Aquele sonho não realizado!

Era a menina que sonhava
Com um futuro que brilhava
Naquela ideia feliz, se agarrava

Mas, como todo encanto tem fim
Foi quando um dia dei por mim
No hoje, sem lugar no Zepelim

Recordo agora... com saudade
Meninices...coisas da idade
Em algum lugar do passado.
 
Em Algum Lugar do Passado

Viajo-te Poesia

 
Floresce a flor do campo...
Desabrocha rosa em botão
Tange-me toda esta alquimia
De transformar em poesia
Breves momentos de emoção

Vislumbro ténue fantasia
Extraio momentos breves
De toda a minha indolência
Descrevo na tua inocência
Os sonhos que me embebes

Viajo-te em meu sonho
Embarco no teu lindo trem
Escolho a melhor classe
Encontro quem me abrace
Dou-lhe a cor que me convém

Neste trem da Poesia
O meu lugar vai mais além
nesta imperiosa viagem...
E no idílio dessa paisagem
Etilizar-me também

Cecília Rodrigues

www.cecypoemas.com
 
Viajo-te Poesia

Soneto de mim...

 
Pouco há que dizer sobre mim...
Apenas, sou um ser muito normal...
Navego por este mundo, sem fim...
Talvez, encontre cura para o mal...

Poesia, sim, poesia é só afinal,
Tudo aquilo que eu quero fazer...
Choro, canto, ponho no estendal...
Dobro-a com carinho ao anoitecer...

Aspiro-a bem fundo no roseiral...
Beijo-a na pétala que tange meu hall,
Bebo-a, na taça dos vinhedos;

E num cantinho, assim bem guardado,
Estão as partículas de meu fardo,
Bem juntinhas aos meus segredos

Cecília Rodrigues
 
Soneto de mim...

A Palavra

 
A Palavra

Sou do tempo das trevas e da luz
Sou um eco na montanha, sou voz
Sou a bússola que a todos conduz
Sou o tema de boca em boca veloz

Sou da vida, sou do mar o sargaço
Sou semente da terra germinada
Sou o amor, o desamor, o cansaço
Sou heróica, batalha terminada…

Sou promessas incumpridas; dadas
Sou verdades; também sou mentiras
Sou cores, cacho de uvas nas ramadas;

Sou tirana, quando arremesso a espada
Sou a balança quando faço justiça
Sou lama, quando pra lá sou atirada


Cecília Rodrigues

Agosto_ 2007
 
A Palavra

Quantos sóis ?...

 
Quantos sóis eu caminhei…quantos sóis hei-de caminhar? – Sobre as linhas que tracei…sobre as linhas que hei-de traçar?
Destino incerto, aquele que me espera…que destino terei que enfrentar?
Não sei se alcanço a quimera …não sei se consigo lá chegar.
Quantos versos eu farei? Até que o tronco que envergo…dê de si a fraquejar … e todos os sóis que caminhei…sejam janelas para eu descansar.
No meu caderno, quero deixar, versos que não cantei, versos para recordar. Passos que segui, conselhos que escutei…nem sempre os ouvi…acabei por errar...
Na minha vã filosofia, para trás sei que deixei, sonhos e alma vazia, tempos em que tudo sorria e até os sonhos eram verdade…o tempo era abundante …a esperança acordava comigo.
Nas manhãs, havia um sol brilhante.

De todos esses sóis, sorvi o néctar e o mel guardei, viajei no tempo, como peregrino sem rumo, com a esperança em prumo, num veleiro de palavras, num veleiro de sonhos, depositei meus encantos, por tudo o que vi, por tudo que toquei e em discordâncias …chorei.
Neste veleiro de sonhos, as saudades pintei, em manuscritos bordados, pela pena talhados e as saudades enfeitei.

Veleiro peregrino, levará a qualquer destino, alma desnuda que grita, que chora, p’los pedintes lá fora, sem nada poder fazer …
Apenas a pena devora, estas larvas que explodem, que inundam esta alma que não pára de escrever.

Cecília Rodrigues-2009
 
Quantos sóis ?...

Diário de um cão

 
Meu nome é Snoopy,

Hoje fui premiado. Minha dona deu-me um abraço. Hoje ela estava diferente, sem aquele ar preocupado e com aquele ar repreensivo ausente.
Fiquei tão feliz…só queria que ela entendesse o meu olhar, ia ver escrito nele, o meu agradecimento e o meu afecto. Só queria poder falar para expressar todo o meu sentimento.

Eu sei que ela me ama, mesmo que não o demonstre a todo o instante, mesmo que pareça distante.
Sei que sou um cão de sorte, porque sou peça importante, isto a gente sente.

Hoje cansei de bater á porta, não sei porque não me ouviam. Humildemente enrolei-me sobre o tapete de entrada e pacientemente esperei. Tinha a certeza, de que estava alguém em casa, estavam distraídos ou tinham adormecido, resultado de muitas horas de trabalho de meus donos.

-Ainda não contei o porquê estar a bater á porta: -“ logo cedo, incomodo todos para sair de casa e ir dar a minha voltinha matinal “, logo, logo, eu volto…e lá estou eu a incomodar novamente, mas fazer o quê? – Não tem outro jeito. Sou apenas um cão! Ainda bem que todos compreendem.

cecília Rodrigues-2009
 
Diário de um cão

Soneto Leve

 
Na hora mais serena penso em ti!
Na brisa amena, sinto-me leve;
Suave é o beijo do Bem-Te-Vi,
Visto este sonho que me embebe...

Remansos de mim, poesia se atreve
Vítima de nós, e eu vítima de ti;
Passos de letras, ainda que breve,
Correm de lentos, esmorecem aqui!

Neste poema, intemporal quimera
Leio e releio, qual infinita era...
Talvez te encontre naquilo que li;

Talvez te sinta, sinuoso poema...
Sigo o caminho de minha pena...
E a cantar, digo: _ Não te perdi!

Cecília Rodrigues
Junho_ 2007
 
Soneto Leve

Viseu terra de encanto

 
Viseu, és Terra de encanto…
Jardins, matas e História.
Tens “Estrela” com um manto,
Branco de neve e de glória!
Ali, a História se fez,
Onde um herói certa vez…
Nos “Hermínios” aguardava, (*)
O inimigo, que avançava.

Foi um herói destemido
Quando enfrentou o perigo,
E esta cidade salvou,
E antes de ser ele traído,
Nunca perdeu o sentido,
Quando a batalha ganhou.

Para não ser esquecido,
Seu nome foi promovido,
Que esta terra baptizou
Com o nome de Viriato
Que o poeta com muito tacto
Descreveu e encantou…

És a Terra de Aquilino
Poeta do pão e vinho,
Partilhado com pastores,
Baptizou Terras do Demo,
Em seus versos sempre a esmo
Do povo, cantou suas dores.

Viseu, Terra de Grão Vasco,
Grão Vasco, Grande pintor.
Duma Obra sem igual
De incomparável valor!
Teus encantos têm magia
De inigualável beleza…
Quem te visitar um dia,
Fica com esta certeza:

_Voltar a ver-te… outra vez
Levar-te na alma e talvez.
Dizer num dia a sorrir…
Daqui, não vou mais sair!

Reeditado e Revisado em 2010 -"Minha prenda para o futuro"
26/01/04

(*) Montes Hermínios (serra da Estrela) onde Viriato escondido com seus homens, venceu inimigo. Viseu é também conhecido como a “Terra de Viriato”.
 
Viseu terra de encanto

Sou Mulher...Madura

 
Do que vivi, trago Esperança
mulher madura na lembrança
dos tempos que já lá vão...
Feliz p'los anos terem passado
ter-me conscientizado
dos anos que ainda restam...

Juventude que ainda abrilhanta
Amor que se agiganta
nos dias que se arqitectam..
Um pulsar maduro inquieto
num peito ardil...lesto
os sentimentos reiteram

Sou mulher madura..sou emoção...
sou devaneio..sou quimera
sou como flor de Primavera
Sou pura imaginação...

Quando a impulsiva paixão
frenéticamente impera
então, ainda sou quem era
sem ser dona de meu coração...

Cecília Rodrigues
2007
www.cecypoemas.com
 
Sou Mulher...Madura

Rabiscos

 
Nas linhas do meu caderno,
Traço linhas cor do céu,
Da terra colho o interno,
E a poesia deixo-a ao léu.
 
Rabiscos

Ondas e Marés

 
Agigantas-te em alva espuma
Quando açoitas o inerte rochedo…
Em ondas e marés de bruma…

Navego, nas tuas marés de mar-alto
Em vagas atrevidas e sem medo…
De pés na calçada luto contra o tempo
E em passos silenciosos avultam-se sonhos.

São remansos de uma vida reflectidos
Enquanto o acelerar dos passos é mais veloz
E nos pensamentos, slides pertinentes
Projectados enquanto a vista corre.


E a voz do vento, traz um doce acenar
E o arremessar de um beijo terno
Que chega até mim em forma de elixir…

Espraio a onda que vem de mim
Neste compassado silêncio…
Nesta corrida contra o tempo…
Esse tempo que avança algoz

Apenas interrompido por instantes
Num pouso da ave muito suave
Nesta paisagem, da Figueira da Foz.

Cecília Rodrigues _ Portugal
Buarcos _ F. Foz_ Abril_07

www.cecypoemas.com
 
Ondas e Marés

Destino

 
Despi-me ante o teu olhar ténue
Depois, numa sublime ternura
Embarquei neste barco sem leme
Ancorado no cais da ventura

Na troca de olhares frementes
Sob o universo da loucura
Nasce o desejo incandescente
Numa entrega plena de candura

Sedentos sabores do destino
Inssessantes abraços felinos
Agigantam loucuras de amor

Enleados neste amor menino
Ouvimos valsas de violinos
Infinitos momentos de torpor

Cecília Rodrigues _ 2007
Direitos autorais registrados
 
Destino

Nesse teu olhar

 
Há um quê... nesse teu olhar,
Que me eleva ao infinito,
Faz de ti um principe
No meu condado
Em trono sem rei.
Esse quê... de um olhar terno,
Onde eu queria para sempre morar;
Fazer um rio de água doce,
Sem lágrimas salgadas.
Há nesse teu olhar...
Pedaços de nós,
Trancados num pensamento
Espairados no firmamento
Levados pelo vento
Aos quatro cantos!
E ainda, nesse teu olhar,
Uma quietude morna...
Que em mim vem habitar.
E é nesse teu olhar
Que me sinto enroscar;
Te pressinto caminhar
Em pegadas de veludo,
Onde, de leve vens repousar,
Teu corpo cansado...
Em meu regaço.

E num repentino abraço,
Pouso o meu... no teu olhar

Cecília Rodrigues
 
Nesse teu olhar

Bailando um Soneto

 
Bailando um soneto



Urde um verso

Na teia do Poema

Lépido um outro

Segue a cena;

Urdindo o tear …

E são três na novena,

À espera do quarto

Que a rima ordena.



Num teor sentido

Um quinto aflora

E num ápice repetido

Um sexto se forma.

Ao sétimo, é preciso

As sílabas juntarem

Formando um oitavo

E um quarteto, torna.



Ao nono acresce

Um verso de amor

Dez sílabas, é o décimo

Vem o "onze" sorrateiro

E um terceto aparece

Vem o "doze" e reclama

Ficar só é péssimo:

Venha, o décimo terceiro!



Sem o décimo quarto

O soneto não tem fim…

De amor ou solidão

Ou de lânguida paixão

Heróicos de Camões,

Alexandrinos, de Assis;

Os sonetos são, Canção!



Estende-se na memória

De todo o que "O" canta

De alma que se alevanta,

Em chama e em Glória

Catorze versos, melodia,

Formam o tear da poesia

Onde o poeta com mestria

O soneto reverencia!





Cecília Rodrigues
 
Bailando um Soneto