Poemas, frases e mensagens de CPereira

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de CPereira

Sou tempo que o tempo não sente.
Sou brisa que o mar abraçou...
Sou sonho...não sei se sou gente
mas vivo contente...eu sou o que sou.
CPereira

MENINO-SEM-NOME

 
Um caixote, uma barraca
madeira, telhado…ou vento,
uma casa, um pavimento
e mais um bairro da lata!...
MENINO não tinha frio
(o calor era já NADA),
fome, também, não sentia
porque a barriga vazia
já estava habituada.
Um caixão e um buraco!...
MENINO dorme sem frio!…
Os olhitos já sem cor
Parece que vão sorrir!...
(Porque MENINO-SEM-NOME
Apenas soube chorar.
Porque MENINO-SEM-NOME
apenas gritou um dia
quando não podia falar.
Porque MENINO-SEM-NOME,
quando o vieram buscar,
não sabia que morrer
era sua eterna alegria!...)

CPereira (16.Nov.1974 - Seria?)
 
MENINO-SEM-NOME

PERDIDO NO MAR...

 
PERDIDO NO MAR...
 
Fui marinheiro perdido
num barco sem navegar…
Fui um cavaleiro errante
em terras por conquistar…
Fui sol, fui chuva, fui vento
em campos por cultivar…
Fui tudo, de tudo um pouco
quase me senti um louco
De tanto te procurar…

Onde pára o teu sorriso,
teus lábios de encantar?
Porque me fazes sofrer,
tanto tempo a esperar?
Condenaste-me às galés?
Assim perdido no mar?

Ao menos deixa que cante
tua canção de embalar:

Teus olhos castanhos,
pintaram as algas,
as algas do mar…
Teus cabelos soltos,
voaram no vento
na brisa do mar…
Teu rosto macio,
o teu corpo esguio
são calma, bonança,
sossego do mar…
E eu sou a galera,
Perdida nas ondas,
nas ondas revoltas,
irei naufragar…

CPereira, 1979
 
PERDIDO NO MAR...

O POEMA QUE NÃO QUISESTE...

 
Eu quis fazer-te um poema
que tu jamais esquecesses.
Comecei buscando o tempo,
do nosso contentamento
E tu disseste que não!
Quis falar do pensamento
da arte, do sol, invento,
da primavera que vem,
dos vivos e do além,
e tu disseste que não!...
Usei termos rebuscados,
metáforas, verbos ousados,
imagens em tons de fogo
oriundas dum inferno
como uma mesa de jogo
onde todo me joguei
e nem assim escapei
dos rigores deste inverno!...
E tu disseste que não!...
Falei do genoma humano,
dos midia, do capital
daquilo que não faz mal
mesmo sugado ao tutano,
do colesterol, da tensão
da bexiga e coração.
E tu disseste que não!...
Esgotada a inspiração
com enorme desalento
quis saber que sentimento
querias em tua mão,
se os versos soltos ao vento
se a rigidez da razão.
Tu que dizias que não
Com um beijo e um sorriso
Disseste-me p’ra ter juízo…

Mesmo assim meio aturdido
pelo que havia ocorrido
perguntei-te o que dizer
para te fazer feliz…

Com o teu doce semblante,
e com esse ar radiante
respondeste-me. A saber:
Diz: Olá!
Foi isso sempre que eu quis!...

CPereira 2010.02.01
 
O POEMA QUE NÃO QUISESTE...

A pedra, a estátua e a escultora...

 
PARA VALERIA, UMA MULHER BRASILEIRA, DE S.PAULO, PINTORA, ESCULTORA, AMANTE DO AZUL, DA PAZ, DA SUAVIDADE…UM POEMA:

A Pedra, a estátua e a escultora…

Peguei numa pedra.
Despi-a.
Afaguei sua nudez
cinzelando-lhe na alma
os rios de dor e calma
que escorriam de meu corpo…
Dei-lhe forma…dei-lhe vida…
Sonhei-a…
Cansado, baixei meus braços.
Poisei o cinzel, limpei meu rosto.
Enxurros de suor inundaram o chão…
Pingos de meu sangue, salpicaram a pedra,
PAREI….
Olhei de frente minha obra
e CHOREI…
Um pedaço enorme de mim
Imortalizara-se naquele frio pedregulho…

C.Pereira
 
A pedra, a estátua e a escultora...

ALFA - PENDULAR

 
ALFA - PENDULAR
 
Foges-me qual seta perdida
sem alvo para atingir…
Bates cadenciado, por vezes forte
(há pontes a ultrapassar…).
Há pombas voando no ar!...
Adormeço.
Há sempre um ir e voltar…

CPereira 2010-02-11
 
ALFA - PENDULAR

H1N1

 
"DEUS ESTÁ COM CÂNCER."
(Vinicius de Morais in "Sob o trópico do Câncer")

DEUS ESTÁ COM H1N1 e não pode ser vacinado...
(Não faz parte de qualquer grupo de risco)
CPereira (ele mesmo)
 
H1N1

LÈO FERRÉ

 
Porque aqui é um espaço de liberdade, haja lugar para Léo Ferré. A tradução é minha. Se não está correcta, desculpem-me. CPereira
 
LÈO FERRÉ

AMOR...E DEPOIS

 
AMOR...E DEPOIS
 
AMOR...E DEPOIS?

Depois…depois quis falar-te,
Enquanto, ofegante,
Palpitava , ainda, o coração…
Optaste pelo silêncio
Inundada por torrentes de felicidade…
Só o céu, ali, nos limitava…
 
AMOR...E DEPOIS

"De Troubadour" para a Vony

 
 
 
"De Troubadour" para a Vony

EU...

 
Já foi muito o tijolo que assentei na vida.
Alguns formaram escadas….e subi…
Outros transformaram-se em paredes…e parei…
Hoje estou aqui dando os meus primeiros passos, como um bebé…Não sei se vou subir, se vou cair ou, pura e simplesmente, se vou parar…
Avancemos (fui “ranger”...e a sorte protege os audazes…)
Eis no meu perfil:
Sou tempo que o tempo não sente…
Sou brisa que o mar abraçou…
Sou sonho… não sei se sou gente…
Mas vivo contente…eu sou o que sou.
CPereira
 
EU...

O RIO HOMEM E VILARINHO

 
O RIO HOMEM E VILARINHO
 
Oriundo dos Carris, afagando os rochedos por onde em grandes cascatas desce a serra, serpenteando no meio de verdes luxuriantes, o Rio Homem atravessa a sua Portela, passa por Albergaria, Bouça da Mó, ladeia a serra Amarela até que, ingloriamente, é emparedado já na zona do Campo do Gerês. A sua essência selvagem e livre foi brutalmente interrompida e aniquilada, esbarrando nas megas toneladas de betão ciclópico que ergueram no seu percurso.
Dói , Rio Homem, ver-te, anafado, prisioneiro naquela muralha de betão. Amputaram-te a alma e deram-te um coração parado, morto – a aldeia de Vilarinho da Furna. As paredes da aldeia já em ruínas mas, ainda e estranhamente, alinhadas, arfando ao peso dum lençol tão desproporcional, vão alimentando, com a sua dor, a perplexidade dos passantes.
Nos crepúsculos de Agosto, muitas vezes me aproximo daquelas águas que com o seu marulhar parecem levantar uma lânguida prece ao Criador: Kyrie eleison; Christe eleison; Kyrie eleison.
Nessas alturas, apetece-me lançar um brado que rasgue aquela serrania e cujo eco se perca no seu ventre: Chora Vilarinho…! Chora para que tua dor alimente o insaciável apetite dos que te visitam e nem um minuto de silêncio respeitam em tua memória.
No entanto, volvidos alguns minutos e siderado pelo quadro com que, de forma contemplativa, me confronto, mudo de ideias e de grito, de revolta, passo para um simples segredar aos ouvidos: Dorme Vilarinho! Descansa eternamente…se possível em paz!...

CPereira, 10.02.2010
 
O RIO HOMEM E VILARINHO

AMOR DEMAIS...

 
A inda hoje te sonho
M enina, rosa em mudança…
O nde parou nosso amor,
R éstia de luz e d’esperança?...

D aria tudo de mim
E m troca desse passado!...
M anter-me-ei acordado.
A noite nem sempre é escura.
I rei à tua procura.
S ei que ainda gostas de mim…

CPereira 23.01.2010
 
AMOR DEMAIS...

orlando zapata tamayo

 
Desfiz-me lentamente.
Formatei-me finalmente…
Digitem dados na (em) minha memória!
É urgente reiniciar-me!..

CPereira, 24Fev2010

ORLANDO ZAPATA TAMAYO – Dissidente cubano. Após greve de fome de 85 (oitenta e cinco) dias, faleceu no dia 23 de Fevereiro passado, numa qualquer prisão em luta pelas (medite-se) melhores e mais humanas condições nessas mesmas prisões.
La Muralla - Nicolás Guillén (poeta cubano 10.07.1902 – 16.07.1989) Video do YouTub
 
orlando zapata tamayo

Trovão

 
Hoje está um dia triste…
Ribombam os trovões
qual nuclear mal amada
que se despedaça e despedaça a montanha…
Como sou pequeno, meu Deus!...
Algures, no universo, uma estrela me olha de soslaio…
Confirma a minha insignificância
e sublinha a minha universalidade...
 
Trovão

DE TANTO GOSTAR DE TI...

 
Eu quis-te favo de mel
adocicando a manhã,
trago doce, que não fel,
sumo de orvalho e romã…

Quis-te divindade grega
em pedestal de marfim,
enigma de rosa negra
apenas gravado em mim.

Quis-te musa inspiradora
de mim , pobre trovador.
Quis-te fonte geradora
de tanta luz e calor.

Quis-te um oásis perdido
no turbilhão de montanhas
que me trazem escondido
de epopeias e façanhas

Porto de abrigo seguro
em tempestades de areia,
antes que deserto escuro
quis-te canto de sereia

Por mares jamais navegados,
quis-te farol ,luz de esperança
de rumos desencontrados
em busca duma bonança.

Quis-te lírio ou violeta
desabrochando em flor
versos tristes dum poeta
em cantos de luz e amor…

Cantos de amor tão intenso
por quem eu tanto sofri.
Eu quis-te, assim, tanto, tanto
que por tanto te querer
acabei por te perder
sem nunca chegar a ti…
De tanto gostar de ti…

CPereira 2009-12-26
 
DE TANTO GOSTAR DE TI...

LIBERDADE...UM ENCANTO DE MULHER!...

 
LIBERDADE...UM ENCANTO DE MULHER!...
 
Já passaram um “ror” de anos, eu e dois amigos queríamos acampar lá para os lados de Espanha (Lobios). Como só eu e o Zé Amaro éramos detentores de passaporte (ainda era preciso passaporte) tivemos de aguardar que o Fernando, utilizando o trilho dos contrabandistas, passasse para o outro lado. Volvidos uns bons minutos, e porque tudo parecia correr bem, lá nos dirigimos ao posto fronteiriço da Portela do Homem para consumar a nossa “passagem”. Só que o inesperado aconteceu. O Fernando apareceu-nos “engavetado” pela Guardia Civil. Após intensas “negociações” com as forças presentes de ambas as raias, lá conseguimos um armistício e viemos acampar para o velhinho Parque de Albergaria. Na altura expressei assim a minha desilusão:

LIBERDADE…UM ENCANTO DE MULHER!...

Ela passou
com calma e luz nos seus olhos
e mesmo aos molhos
outros a viram como eu a vi.

Ela parou.
Ninguém lá foi, nem eu tão pouco
E como louco
Atrás dos outros, também, fugi.

Ela voou…

Era a Liberdade que passara, parara e voara
sem ninguém a ela ir ter…
UM ENCANTO DE MULHER….
CPereira

Foto: Cascata na Portela do Homem obtida na Internet de Massas 2007
 
LIBERDADE...UM ENCANTO DE MULHER!...