Sobre poéticas públicas e privadas

Data 16/10/2009 18:21:07 | Tópico: Poemas

A tempestade encharca
Os dias.
Lá fora um céu destelhado.
Na calçada de terra viva
Morre devagar
Um desgraçado de fome,
Podre de pneumonia.

A sopa privada misturada
Ao sal
Da boca rachada mutualista
Aguada sem água,
Não apruma o estado
Do dito desgraçado...

Que é mais um registro,
Um número na poética
Perfumada e constitucional
Do Estado verde e amarelo,
Do Estado de Deus e do sol.

O poeta?
O poeta não é público.
E nem privado.
O poeta é poeta e, só...

Toma um conhaque
Sem limão,
Para não rasgar as leis
Impostas aos poemas.





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