Ecos da Montanha

Data 30/11/2010 11:37:42 | Tópico: Poemas -> Introspecção

Ecos da Montanha


No silêncio da montanha, copada
de verde estival, grito aos vales
o desespero cravado na minh' alma
penitente. E a quietude da montanha,
suavemente adormecida pelo vento,
é quebrada por mil ecos ribombantes.

Mas a montanha não me devolve
lenitivo capaz de serenar o frémito
da minha mente. Se a alma sofre,
o pensamento deturpa a realidade
nua. E, demente, berro a revolta,
as angústias, o penar, dum solitário.

Mas a montanha queda-se calada,
ofendida pelo esvoaçar das aves,
e nada me diz e, tão calma, retoma
a paz perturbada. O vento nega-se
à louca aliança, entre nós, e pára
o lento soprar. A montanha dorme.

Silêncio... Silêncio na montanha...
Calo o lamento - o olhar vagueia,
perdido, entre os verdes lenhosos
que recortam os celeste azulados
banhados d' oiro do sol martirizador -
Os silêncios são somente ecos de mim.



Lisboa, NOV/2010.



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