O Abate

Data 04/12/2010 09:18:25 | Tópico: Sonetos


Corto o dedo no gume do machado,
Pinga o sangue no tronco do eucalipto
Que freme, freme deveras aflito
Sob o inferno do sol alucinado.

Tenho o olhar impávido do soldado
E cá dentro um coração de granito
No qual amolei o machado maldito
Que decepará o pobre condenado.

O corvo testemunha a execução
E grasna, amaldiçoa a minha mão,
Num ritual agourento e funerário.

Ergo o machado, luzente e assassino,
Golpeio a árvore e num ápice fulmino
A existência de um corpo milenário.

(Luís R Santos 4/12/10)



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