Vozes do Abismo

Data 21/02/2011 09:31:26 | Tópico: Sonetos


Aqui jaz, neste leito de saudade,
Um homem triste, marcado pela dor,
Abraçado ao esqueleto de um amor
Que faleceu inda de tenra idade.

Sopro de nostalgia seu peito invade,
Olhos vazios, poços de negra cor,
Assombra-os espectro aterrador
Que provoca arrepios e ansiedade.

Debaixo da cama, um verme inchado
De sangue, de vísceras, de pecado,
Rói a palha húmida e fria do colchão.

É o fim, já se escutam vozes do abismo
E que reclamam, criaturas do egoísmo,
Despojos do desfeito coração.

(Luís R Santos 21/2/11)



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