Revolucionário de Gabinete

Data 07/06/2011 13:29:09 | Tópico: Prosas Poéticas

Trancado solitário em seu modesto gabinete, o amargurado economista, convencido de que perdeu seu grande amor por não poder oferecer tudo que ela merecia, mergulhou numa montanha de livros a fim de encontrar a solução para os corações de baixa renda. Uma distribuição de renda mais justa também é garantia de amores sólidos. Sabia que a maior parte dos conflitos tem como causa o dinheiro ou poderiam ser resolvidos facilmente com ele. Analisando a conjuntura econômica, os eventos cíclicos, as crises, a infraestrutura e a superestrutura social, imerso em gráficos e funções ao longo de décadas a fim de encontrar um sistema justo e perfeito, se deu conta, já com a idade avançada e a saúde precária, de que tudo que faltava à economia política era exatamente o que o seu coração recolhia, pois o amor deveria ser a grande mão invisível a guiar produção e distribuição. Todas as formas de sistemas econômicos, dos competitivos aos igualitários, estariam fadados ao fracasso sem esse elemento crucial. Amar leva a felicidade geral. É a garantia de um trabalho de qualidade. É a garantia de se querer trabalhar a favor do próximo. É o remédio da sonegação fiscal e da má aplicação de recursos públicos. No fim da vida projetou um plano que traria felicidade a todos. Onde tudo existisse em abundância e ninguém seria privado de dar uma vida digna a pessoa amada. No futuro, por suas projeções, as pessoas trocariam olhares e dividiriam os bens, não haveria dinheiro, apenas solidariedade e compreensão. E o amor não teria mais classe social.
Esta prosa poética é em homenagem ao meu tio-avô, Benoni Coutinho Neves (ver o blog Diversas Minas de Versos), poeta e economista.
http://diversasminasdeversos.blogspot.com/



Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=188664