Mantis

Data 23/07/2011 09:06:29 | Tópico: Sonetos




Monge, empresta seu silêncio à morte
Que, lesta, lhe providencia sustento
No crepúsculo de um letal momento,
Ao trespassar da sofreguidão a sorte!

Com serras, com espinhos d'aço forte,
Exalta, na prece ciciada ao vento,
Com febril e extasiado sentimento
Do festim a noiva, da orgia consorte!

Da vítima engole o lamento e o olhar
Regela, sobre ela, inda a rezar,
Enquanto a morte, ébria, debochada,

Assume a forma da mosca nojenta,
Qual amante em frenesim, ciumenta,
Qu'implora ser cruamente devorada!


(Luís R Santos 23/7/11)



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