Crepúsculo

Data 18/09/2011 23:55:30 | Tópico: Sonetos



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Na fronte sulcos formam labirintos
Admiráveis lavrados pelo arado
Do tempo, algo antigo, oxidado,
Ao raiar dos crepúsculos indistintos.

Em claustros de convento seus famintos
Olhos vagueiam, já com brilho apagado,
Réus punidos por desditoso fado,
Mareados de saudade e d'absintos.

Os lábios, quase no túmulo caídos,
Lúridos e pelos vermes já roídos,
Ainda esboçam de um sorriso a agonia.

Veloz vem a noite, seu manto cobre
O mundo e, da velha ermida, o dobre
Assombra as almas ao findar do dia.

(Luís R Santos 19/9/11)



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