
O Poema e os Poetas [Elmano Sandino e Lustato Tenterrara]
Data 20/02/2012 21:11:45 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| O Poema e os Poetas by Lustato Tenterrara
Os poemas são frutos de muita maturação... Na carne... No coração...
Alguns são feitos de vento - e dor - como aqueles que fazemos à beira-do-mar;
Outros são urdidos no leito do eu-lírico do poeta:
São aqueles idealizados nos sonhos e desejos de amores realizados... E dos quais restam apenas lembranças - e dor;
Alguns, ainda, meramente utópicos no tempo e na desesperança, que nada mais são do que dores extremadas;
Assim são os poetas românticos quando verdes ou "de-vez".
Quando amadurecem, porém, absorvem também as dores sociais, a desgraça dos infelizes, os amores dos desesperados...
Trabalham e limam tantas dores que misturam-nas com as suas, impregnando-lhes a alma, o âmago.
E o fazem a tal ponto que chegam a pensar serem suas, todas as dores do universo.
Assim, vêem vida - e dor - em praticamente todas as coisas e átomos...
Por isso falam com a lua; ouvem os lamentos dos pássaros aprisionados; conversam com os rios; contam histórias às estrelas...
Assim são os poetas!
Almas incompreendidas que rasgam a carne, o coração, o peito de todo o universo coletivo, como se fosse sua própria carne...
Por isso Pessoa sacramentou que tal criatura "é um fingidor" ... Que "finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente"
E - tresloucados que são - fazem poemas tanto às "pedras do caminho" quanto às "águas de março". (Lustato Tenterrara)
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