Mirando a relva do jardim é impossível não reparar nos trevos, que cresceram e se multiplicam. Infímas preciosidades repletas de vários tons de verde ondulante.
Aqui e alí, um canteiro repleto de Margaridas anãs faz uma festarola. Pestanudas, todas brancas de um lado, em três camadas, dispõem um leque a 360°, completando o olho amarelinho.
Com o baixar do sol, sobem as suas pestanas em riste, cobrindo o olho e tudo se torna, num magnifíco pincel rosado.
Ali ao lado, despontam individualistas, em competição indecente, umas primas vaidosas, numa confusão amarela, em explosão de pestanas da cor do olho, dispostas como um gadelho.
Logo além, mais adiante e bem distintos, sobem, uns trevos, encavalitados numas relvas, dispondo uma cama para as esferas semi carecas de rala penugem branca, que fraca se esvai com qualquer sopro.
No meio de todo o relvado, tímidas, surgem umas minúsculas rosadas e lilazes, com apenas cinco pétalas, e no olho roxo, plantados, uns bigodes amarelo forte dão nas vistas.
De cima das suas copas, algumas árvores exalam um perfume embriagador e doce, com as suas mínimas flores que vivem dois a três dias.
Disfrutando desta paisagem, voam várias asas diferentes, cada qual com o seu propósito.
A natureza fervilha, no meio da cidade. indiferente a toda a poluição que a rodeia.
É Março e a efervescência da Primavera vem aí.
Eureka 22 Março 2012
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