
Guilhotina
Data 17/05/2012 09:53:24 | Tópico: Poemas
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Ergue-se o silêncio nos bastidores da vida, Imponente como a guilhotina.
Ninguém fala, ninguém ouve, ninguém vê.
O dia e a noite acasalam ao crepúsculo E a lua nasce de um parto prematuro, Pálida e minguante.
Com a sombra que cruza o palco ninguém se assombra. Ninguém sabe, ninguém quer saber dela.
E depois este silêncio pairando sobre a nuca Encolhe os testículos mais rebeldes E as línguas mais afiadas.
O relógio de sol aponta a meia-noite.
De novo a sombra cruza o palco. Donde vem? Quem é ela? Para onde vai? Todos encolhem os ombros.
Alguém lembra-se de acender uma vela. Foi o carrasco. Inspecciona a guilhotina de alto a baixo E tosse um nome entre dentes.
Eu? De que me acusam? Que justiça é esta? Ninguém responde. Ninguém se importa com a minha sorte.
Alguém atira ao cadafalso uma rosa branca... Que se tinge com o rubro do meu sangue.
(Luís R Santos 17/5/12)
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