A CASA DAS ÁGUAS

Data 18/05/2012 10:57:42 | Tópico: Poemas

Coração
Casa das águas
E nada
Acalma a sede
Das bocas sedentas
Dessas mil almas.

O tempo
Liquído verme
Inerte
A correr na lentidão
Das veias.

Teias
Errantes no caminho
De dentro
Escuro
A cidade dos muros
Das dores cercadas
De heras
Jardim de espanto.

E a casa das águas
Vasta
Silenciosa
A boca da espera.
O olho na janela
Vigia as luas
Escuta rumores
Dos passos do mar.
O braço
Se estende ao desamparo
Até onde o deserto
Alcança
Meu corpo de areia.

E a vaga gigantesca
Se lança
Sobre as conchas
Castelos, sereias
E a casa das águas
Balança
Navega
Na ventania
Das noites negras
Líquidas teias
Bocas de gelo
Que se derretem
E sangram.

Sandra Fonseca



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