Altivez e Dignidade

Data 21/05/2012 20:55:33 | Tópico: Poemas -> Crítica

Caro romancista barato,
Não faço parte desse seu time morto
De personagens abortados,
Sem vida,
Enfadonhos
E nefastos
Ao contrário deles não tenho nada de entediante!

Minha poesia é para ser escrita sem música
E tão pouco precisa de melodia para ser lida,
Não é dessas
Se escondendo por de trás de versos bem rimados...
Por si só já convence,
Enreda,
Seduz
E rima!

Ela é como eu sou:
Nua,
Transparente,
Translúcida,
Crua,
Direta.

Enquanto há aqueles que
Embutem-se em máscaras sobrepostas
Eu me exponho sem pudor,
Não me importo com a sua opinião
Ou com o que irá achar disto
Ou de mim.

Meu corpo nu
Exibe-se repleto de nuances,
Mas com os segredos escritos
Sobre a pele exposta
Para quem quiser
E for capaz de ler.

E não pense você
Que tenho medo,
Não preciso esconder-me
Tipos como eu
São disponíveis
E raros,
Assoviam aos ventos brandos
E as tempestades ruidosas
Cantando sem medo de serem pegos!

São como uma língua morta
Eternamente viva,
Conservando mistérios
Em ideogramas antigos
Espalhados aos montes
Sem ninguém para os ler,
Autenticamente felizes!

Clarice Ferreira

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