Defunta

Data 02/06/2012 09:38:24 | Tópico: Sonetos

***

Se a voz me falta, se o olhar se mareja
Quando noite adentro passo à tua porta,
É porque a alma dor tanta não suporta
E a saudade, maldita, me apedreja.

Se me lembro dos lábios de cereja
Dessa boca fresca que ao beijo exorta,
Expludo em pranto por sabê-la morta,
Que outra boca esta boca não deseja.

Odeio pensar que a tua cândida mão
Ao verme dará sustento; tal cão
Rastejante que a morte cheira a milhas.

Se em sonho fugidio me visitares
Leva-me, anjo terno, pelos ares
A ver céus de sublimes maravilhas.

(Luís R Santos)



Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=223561