Outonal

Data 07/06/2012 04:11:01 | Tópico: Sonetos

Amanhecem tristes os verdes prados
Aspergidos pela geada outonal.
O olhar gela, turvo como um vitral
Que dispersa a luz em tons magoados.

Salgueiros despidos ao chão vergados
Evocam noivos de corpo espectral
Rejeitados em alcova nupcial,
Abandonados aos seus tristes fados.

Jaz tudo quieto, numa paz dolente,
Como se o sol despontasse no poente
E a noite se travestisse de dia.

A minha alma é como manhã de Outono,
Como folha que divaga ao abandono
Pelo colo estéril da terra fria.

(Luís R Santos)



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