A verdade vem num grito

Data 08/06/2012 21:19:11 | Tópico: Poemas

Como presa
Num sonho qualquer,
Quando vejo, agora,
Com olhos de mulher,
Saindo ilesa
A alma
De depuradores,
Terminada
A calma
Dos sofredores!

Vidas fáceis,
Embora prejudiciais,
Hábeis
Serão
Os que magoam
Os demais.

Amar é nada mais
Que insanidade;
Lutar?
Que pura promiscuidade!

Ainda assim amo,
Porque quem ama não vê,
E quem não vê não sente.

Quando te chamo,
E não vens,
E não pergunto o porquê,
Se o meu vagabundo
Me mente,
Deixando-me ignorante
No submundo
Do que sê,
Serei perdida?
Calada,
Reprimida?

Perco o fio à meada,
Perco-me na
Perdida perdição
Perdidamente.
Ai, meu amor,
Dá-me o teu coração
Somente!

Chega o que não sei,
Para conhecer
Todas as incertezas do mundo,
Batendo no fundo,
Bem fundo,
Deste tal submundo,
Comandado pelo meu vagabundo,
Que não me deixa nem respirar!

Serei então feita para sentir,
Feita para me preocupar,
Saber calar, saber ouvir.
Não sonho mais alto,
Todos os sonhos
Foram pesadelos de vidro
Despedaçados no asfalto.

Já acordei para a vida,
Não sou crescida,
Mas sou vivida,
Sou sofrida,
Agradecendo, por isto,
A ingenuidade que não tenho!

Que o espetro
Onde me mantenho
Seja forte,
Seja diamante
Para o meu cristal!
Já que a minha forma amante
É tudo o essencial,
Fundamental.

Por isso então
Serei quebrada
Em tanto vidro,
Se por nada mais
Uma muralha for fortificada!

Guardas,
Sou feliz!
Acredito que a vossa verdade
Não passa do que se diz.


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