O Beijo

Data 08/06/2012 23:43:57 | Tópico: Sonetos



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Em vão as entranhas da sepultura
Revolvem-se em impaciências vorazes
Pela languidez mórbida em que jazes,
Pelo declínio da tua formosura.

Foram-se os brilhos. O halo de frescura.
A transparência dos olhos vivazes,
Mas os teus lábios cheios, em tons lilases,
Pedem um beijo raiado de candura.

Tão de leve, como se beija a flor,
A seda de um beijo, beijo de amor,
Cobre-te a boca em mágoas embebida.

Vai-se a carpideira, feia, desgrenhada,
Do coveiro enterram-se a pá, a enxada,
E despertas de novo para a vida.

(Luís R Santos)



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