Ruína

Data 24/06/2012 22:10:37 | Tópico: Sonetos



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Desço os degraus que a custos ascendi um dia
E de subir tanto, num intento vão,
Em declínios me embalo, ao tropeção,
Ao pescoço as unhas da melancolia.

Era, na essência, um templo que erigia,
Com torres de sonho fugindo ao chão,
Vitrais fantásticos filtrando a ilusão
E no apoio, em arcadas, a fantasia.

Assim ergui, à vida, santuário falso,
Em terra de ninguém, sob um céu incolor,
Que mais e mais evoca um cadafalso.

Quedo-me agora por degraus de tristura,
Infortúnio do arquitecto sonhador
Que ao céu levantou a sua própria sepultura.

(Luís R Santos)



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