
Cidade
Data 02/07/2012 08:55:53 | Tópico: Poemas
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Gigantes de betão arranham o céu e roçam em mim os seus calcanhares para me lembrarem que eu sou apenas gente, e que gente não cresce assim.
Estão em toda a parte, como mausoléus imponentes num cemitério, alimentados com o sangue dos meus irmãos tão cansados de morrer.
E cada vez que ergo os olhos ao céu, lá estão eles, devorando o azul celeste com bocarras cinzentas que arrotam aves de mau agouro.
São colónias gigantes habitadas por formigas de fato e gravata.
Baixo os olhos, de cabeça pendida nuns ombros destronados, e sonho...
Sonho com uma casinha de xisto simpática, numa aldeia simpática de gente simpática, algures num cantinho à beira mar.
(Luís)
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