Vetusto Lampião

Data 18/07/2012 19:04:59 | Tópico: Poemas

Oh coração que vive por entre becos e pedras de chão

Coração a fugir por enigmas enterrados no vetusto lampião

Coração que remexe a escuridão, que vive a noite ignora a questão

Aquele que traz o rouxinol a elevar seu canto por detrás do monte que se deita o sol com a paixão


Coração que grita e se cala

Coração que te abraça e te atraca

Coração que tem asas mas não aprendeu a planar

Coração a pulsar em magia que percebe do mundo a agonia escondida


O sorriso que foi a serenidade do que é a certeza do que será

Talvez não haja o que entender apenas reconhecer o que virá

Coração que incendeia a vontade de encontrar o lugar

Escondido por entre teias a espantar morcegos do mel daquele pomar


Coração que canta pela calçada como o menino em sua primeira namorada

Poeta que dá a mão a madrugada e se delicia pelas poesias de Affonso e Felisbela

Coração que viaja por entre palavras soltas que se encontram no vinho da taberna

As estrelas que se fazem ouvir em cada sorriso que compõem a música da trovoada


Doido coração de criança amadurecido pelas lições da lua que insinua imagens como daqui ou Dali

Endurecido pelos castigos do sol e perdoado pelo canto das estrelas

Oh doido coração que surge por entre a neblina e se vai com a chama da vela

Que viva a poesia no sabor da lareira que se ouça ainda a cantiga que não escrevi.




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