
Singela reflexão - Controlamos a vida?
Data 20/07/2012 16:48:06 | Tópico: Textos
| Não adianta nada pensar/espernear ‘demais’,nada se controla mesmo...
Não adianta nada pensar/espernear ‘demais’, nada se controla mesmo... vou tocar a vida.
Sabem, este é o mês do meu aniversário. Sempre fico pensativa e faço algumas reflexões nesta data... da minha chegada aqui, nesta viagem/experiência. A tal crise existencial bate fundo...
Quando jovem, até lá pelos trinta anos, não costumava fazer grandes reflexões...só vivia nos rastros que me iam aparecendo/acontecendo. Época boa essa! Parece que o mundo é todinho da gente, existe para nos fazer feliz. Nada de lembrar das finitudes...
Mas, lá pelos quarenta, cai a ficha... e nos cinquenta aparece o alerta, a partir daí ... sessenta, setenta , oitenta, noventa vai-se adiando o bilhete da outra viagem, ao desconhecido... vale isso, para quem conseguir o adiamento, ainda ‘estar sendo’... vivo. Na semana passada fui ao aniversário da avó do meu genro, Dona Célia, 99 anos e lúcida... então , me permiti exagerar um pouquinho.
Então, lá vai a reflexão deste belo mês de julho:
Às vezes, canso de mim. Acho que devia “virar a mesa”, pegar um trem e ir viajar sem rumo ou direção. Refrescar a cabeça ‘quente’ na ventania (persistente) que sacode meu Ser...
A vida da gente devia ser ao contrário – nascer cheia de conhecimentos e sabedoria e com o passar dos anos ir ficando plena de ignorância e alienação ... esvaziando-se totalmente, até tombar no caixão.
Porque, fica-se sábia muito tarde, e as crises existenciais se instalam. Isso deve ser normal, talvez, até comum, para todo ser humano que reflete. Viver é problematizar sempre...
- Eu era feliz e não sabia? Devia ter trocado de emprego? Devia ter casado novamente? Devia ter ficado solteira? Devia ter comprado um cachorro? Devia ter viajado mais? Devia ter estudado arqueologia? E , blá,blá,blá ...
Por isso que, outras vezes, não me suporto e vou dar um mergulho no mar, refrigerar minha cabeça, ainda quente e quase explodindo... volto mansinha para minha vida. Costumo, também, me esconder até meu trem voltar para os trilhos e me conduzir a algum lugar, lá me despejar... com ou sem aquele adeus. Até porque sei ( finjo que não, às vezes, para relaxar), que o improvável e a incerteza estão a espreita, não é preciso tanta encenação e movimento... nada consigo controlar na vida, ela que me controla.
Por fim, me acalmo, lembrando as palavras da minha sábia avó que viveu até os 93 anos dando conselhos aos netos: “não se torture minha neta. Não adianta nada pensar/espernear ‘demais’, nada se controla mesmo e isso é uma resposta. Aproveite e aceite a vida com responsabilidade. Ela é um milagre. O controle é só teu desejo... tua mera ilusão”.
ALICE LUCONI NASSIF jul/2012
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