Da Neblina

Data 28/07/2012 05:26:15 | Tópico: Sonetos



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A brandura da manhã tecida a neblina
oculta um arrepio de contornos gelados.
Nem o riacho geme, nem vida há nestes prados
onde a penumbra inda se arrasta a cada esquina.

Exilo o peito inquieto à boca pequenina
e no olhar velo o silêncio dos condenados.
Juro ouvir clarins ao longe, passos ritmados,
a voz em armas de mil aves de rapina.

São colossos medonhos com braços abertos
que assomam do outro mundo, de névoa cobertos,
pelas campinas mudas esmagando flores.

E quando o sol a custos impõe o seu domínio
os meus olhos nublados tornam-se fascínio,
por ver que são olmos o cerne dos meus temores.


(Luís R Santos)



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