O Brinde

Data 28/07/2012 23:41:01 | Tópico: Sonetos




***

Dispenso o dia, o bouquet de luz olente
esparzido no leito em langores vesperais.
Abrigo-me sob teus olhos de clarões leais
à noite árdega que em mim cresce febrilmente.

Um gume de luz, às cortinas insolente,
golpeia-te o seio, em pudícias, que mais e mais
se envergonha sob véus de transparências tais
que indigna a nudez, tão séria, à minha frente.

É um esgrimir de vergonhas e de lascívia
e ora te evades, e ora te rendes, em fogo,
tal como a moçoila que baila no teu olhar.

Depois, o desleixo, o brinde de tez nívea.
O gemido débil, que mais parece um rogo,
e o coro dos aromas, doce, a inebriar.


(Luís R Santos)



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