SOPRO

Data 01/08/2012 01:51:19 | Tópico: Poemas -> Sensuais

...
aprisionado pelas marés,
revivo-me em cada ranger
num cais ermo e de silêncios.
nau inerte ancorada, sem amarras
nos remansos dos mares azuis.
de lá é que te vejo toda lua, prata,
com seus incessantes brilhos/luz
rastro em meu obscuro tempo, cruz.
‘na escrita em libido exacerbada’
deixo-me levar pelos seus anseios,
pelas texturas suaves dos véus
aconchegado em tuas coxas, sedas.
nas tuas lisas mãos amantes, dou-me,
cedo-me ao prazer do acalanto, descanso,
em remanso entrego-me aos seus desejos.
deitas-te suave em mim, sente-te amante.
dou-te o gosto de sal que trago nas veias,
na tez e língua que percorre o teu corpo.
do meu; um tíbio sopro de vento cáustico,
qual demarcou sulcos profundos no tempo.
atendo-te em silvos breves, os encantos,
bordo em teus lábios beijos cálidos imaginados,
sequer sonhados em encontros consortes...
nas marés ouço os sussurros, reclamados
pelas pérolas guardadas no peito tépido,
orvalhado, embriagada pelas neblinas...
rústico é meu olhar na sutileza dos versos,
apenas querendo-te em palavras, o possível,
pois, do mar... definitivamente, pereço.











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